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Archive for the winnicott

Winnicott e o cristianismo VI – a gênese da moralidade e a ética cristã

Por que não fazemos tudo o que queremos? Essa questão, aparentemente banal e de fácil resolução, não obstante está no cerne das discussões concernentes aos domínios da moral e da ética. Poderíamos formulá-la em outros termos tais como: “Por que muitas vezes sentimos o desejo de agredir e até matar determinadas pessoas e não o [...]Continue a ler Winnicott e o cristianismo VI – a gênese da moralidade e a ética cristã

Winnicott e o cristianismo V – o arrependimento e a capacidade de se preocupar

Em algum post anterior havíamos dito que Winnicott assinala uma distinção entre dois aspectos da mãe na relação com o bebê. O analista inglês diferencia uma mãe-objeto de uma mãe-ambiente. A primeira seria a mãe que é vista pelo bebê como aquela que é ou possui o objeto de satisfação de suas necessidades. Freud considerava [...]Continue a ler Winnicott e o cristianismo V – o arrependimento e a capacidade de se preocupar

Winnicott e o cristianismo IV – a mente e a teologia

A maior parte das considerações que farei na parte inicial deste post eu já a as fizera num texto anterior chamado “A mente em Winnicott” cujas duas partes podem ser acessadas nos arquivos do blog. Winnicott, ao contrário de toda uma tradição em que talvez Freud pudesse ser incluído, não concebe a mente como um [...]Continue a ler Winnicott e o cristianismo IV – a mente e a teologia

Winnicott e o cristianismo III – a confiança no ambiente e a fé

De acordo com Winnicott, uma das condições básicas para um desenvolvimento psíquico saudável é a capacidade do sujeito de sentir confiança no ambiente. Por ambiente entenda-se o mundo e suas peculiaridades, ou seja, tanto o relacionamento com outras pessoas quanto com as coisas. Faz parte do ambiente também o que concebemos como nosso passado e [...]Continue a ler Winnicott e o cristianismo III – a confiança no ambiente e a fé

Winnicott e o cristianismo I – A kénosis e o devotamento materno

Este post é o primeiro de uma série que resolvi intitular como “Winnicott e o cristianismo”, pois pretendo através dela defender a idéia de que as postulações do analista inglês são preciosamente úteis para compreender o Deus cristão e a dinâmica da fé no cristianismo verdadeiro. Além disso, as diversas analogias que podem ser feitas [...]Continue a ler Winnicott e o cristianismo I – A kénosis e o devotamento materno

O amor como afeto e o amor como ação: Freud com Winnicott (final)

Continuando nossa discussão do post anterior a respeito das duas facetas do amor, a saber, como afeto e como ação, traremos à baila agora dois teóricos cujos apontamentos conceituais permitem pensar nessas duas dimensões do amor dentro da teoria psicanalítica. São eles: Freud e Winnicott. Todo aquele que já deu pelo menos uma lida rápida [...]Continue a ler O amor como afeto e o amor como ação: Freud com Winnicott (final)

O amor como afeto e o amor como ação: Freud com Winnicott (parte 1)

Há cerca de uma semana atrás, caiu-me nas mãos uma obra cuja leitura muitos dos que me conhecem e até eu mesmo há duas semanas não recomendaria sequer como companhia para as noites de revolução intestinal, em que nos transformamos dum salto em reis. Trata-se de um best-seller traduzido para diversas línguas e lido por alguns dos maiores empresários do mundo: “O Monge e o Executivo: uma História sobre a Essência da Liderança” da autoria do administrador de empresas James Hunter. É bom que se diga que as razões de minha não-indicação à leitura do livro não eram de fato razões, uma vez que não se fundavam nem em uma mera leitura rápida do texto, mas apenas na temática geral da obra: a tal liderança, assunto que geralmente se encontra no rol dos tópicos trabalhados nos chamados “treinamentos” de psicólogos organizacionais ou administradores de empresas, o cúmulo da mediocridade intelectual em minha opinião. Além disso, o opúsculo era catalogado nas livrarias juntamente com escritos chamados comumente de “auto-ajuda”, cuja ineficácia foi tão bem comentada em um post recente pelo amigo e psicólogo behaviorista Igor Madeira.

Nota-se, portanto, que minha não-recomendação se baseava unicamente em preconceitos. Esses, como bem se sabe, podem tornar-se conceitos se seu conteúdo for efetivamente confirmado após um empreendimento analítico ou empírico, ou refutados caso tal confirmação não ocorra. Foi essa última possibilidade a que se concretizou a partir de minha leitura de “O Monge e o Executivo”. A princípio relutante, devorei o livro em uma semana tão clara era a articulação das idéias do autor e tão saborosa sua originalidade. Não vou me deter aqui nos diversos aspectos que me fizeram considerar a obra de boa qualidade, mas apenas em um ponto em que o autor me fez pensar em alguns vínculos com a teoria psicanalítica.

Em determinado momento, Hunter, inspirado pelos Evangelhos, discute a importância do mandamento do amor cristão expresso em máximas como “ama ao próximo como a ti mesmo” e “ama a teu inimigo” para o bom exercício da liderança. Segundo ele, o cristianismo radicaliza uma concepção de amor que encontra suas raízes no vocábulo grego “ágape” – uma das quatro acepções do amor na língua grega; as demais, como muita gente sabe, são storge (geralmente associado à amizade), filos (o amor que faz o bem, altruísta) e eros (amor da paixão romântica, relacionado também à sensualidade e ao…

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O que é falo? (final)


muehlberg_01_aufdiemensurEncerramos o post anterior com uma afirmação que, após uma segunda leitura, julguei que poderia levar a um mal-entendido: a afirmação de que há dois tipos de seres humanos: os que têm o falo (os homens) e os que não têm o falo (as mulheres). Essa pode ser a fantasia de muitos homens mas, na verdade, ninguém tem o falo! E isso se deve ao fato de que uma das formas que temos de pensar o falo é tendo em mente a possibilidade de não tê-lo. Sim: é só se lembrar do menininho e da menininha. O menino morre de medo de ser castrado e a menina tem inveja do menino porque já nasceu castrada.

É por isso que o Lacan quando vai falar desse falo que figura na nossa imaginação ele utiliza a letra grega “fi” acompanhada de um sinal minúsculo: (-φ), ou seja, o falo é sempre algo “real” ou virtualmente faltoso (não se tem ou se pode perder).

Mas o leitor pode estar pensando: “Pô, mas se o que o menino sente é um medo de perder o pênis e a menina um desejo de ter um pênis, por que Freud não fala só de pênis em vez de usar o termo falo?” Porque, caro leitor, o pênis é só o ponto de partida dessa representação chamada falo. Sem pênis não haveria a idéia de falo, mas o falo NÃO é o pênis.

O falo, prestem atenção, é a representação simbólica do pênis. Ou seja, qualquer coisa que tenha para uma pessoa a mesma significação que o pênis para a criancinha no complexo de castração. E qual é essa significação? É só se lembrar dos posts anteriores: para a criança recém-confrontada com a visão do órgão genital feminino, o pênis significa o órgão da completude. É por isso que o menino tem tanto medo de perdê-lo e é por isso que a menina o deseja tanto.

A razão disso é o fato mais do que óbvio de que não gostamos de nos sentir incompletos, faltosos, isso gera angústia. É por isso que os homens geralmente gostam tanto de competições e se gabam tanto entre si de suas conquistas: desde ter conseguido pegar a garota mais bonita da escola até a compra de um carro novo. Tanto a garota quanto o carro funcionam na economia psíquica deles como falos. É preciso mostrá-los, como crianças disputando para ver

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O que é falo? (parte 1)


4elemen3Desde o final do século XIX quando Freud inventou essa coisa chamada Psicanálise – que em termos de conhecimento sobre o que é o humano só é superada pela religião - os termos psicanalíticos vêm gradativamente se incorporando ao senso comum, ao falatório cotidiano, a esse blábláblá característico de um ônibus lotado.

Isso só trouxe efeitos deletérios tanto para a prática quanto para a difusão da teoria freudiana. Em primeiro lugar porque se acaba com o efeito-surpresa da intervenção do psicanalista: hoje qualquer pessoa com um mínimo de cultura geral sabe como funciona a versão tradicional do complexo de Édipo, o que faz com que ele traga pra análise sua vida interpretada edipianamente de antemão, fazendo o analista ficar com cara de tacho.

Por outro lado, um monte de conceitos psicanalíticos passam a ser utilizados no dia-a-dia (como o próprio conceito de Édipo) sem que as pessoas compreendam uma vírgula a seu respeito. Esse é o caso do conceito de falo. Poucos conceitos têm tanta frequência na boca, principalmente dos profissionais “psi” quanto o conceito de falo. É só ficar dois minutos num corredor de um curso de Psicologia para ouvir volta-e-meia o termo falo quer boca dos estudantes quer na boca dos professores. Quando você pergunta a eles o que entendem por falo, eles não titubeiam em falar (com orgulho): “Falo significa poder!”

O interessante a notar é que nem Freud, nem Lacan, nem Melanie Klein, nem Andre Green, nem Winnicott nunca disseram isso!

Feita essa ressalva, veremos, então, nos próximos posts, o que significa o termo falo em Psicanálise.  No entanto, desde já podemos fazer algumas considerações que serão destrinchadas no decorrer da explicação:

Primeiro: o falo não existe na realidade, quer dizer, a gente não pode pegar num falo (embora muitos o quisessem), não podemos ter nenhuma experiência sensível com ele. O falo é uma representação, algo que só existe na nossa cabeça.

Segundo: o falo é uma criação humana cuja função é dar conta do grande problema humano que é a inexistência da fórmula do amor.

Terceiro: só foi possível ao homem criar o falo porque os órgãos genitais de homens e mulheres são como são.

Tudo isso será pormenorizadamente explicado nos próximos posts.

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A mente em Winnicott (final)


s_albertNo último post vimos que a concepção winnicottiana de mente é revolucionária em muitos aspectos. O primeiro deles refere-se ao fato de que, se para a grande maioria dos psicólogos e filósofos, a mente é algo já dado, já presente na constituição inata do homem, para Winnicott a mente surge fundamentalmente como uma reação. Reação, em primeiro lugar, à mãe que não se comporta de acordo com os desejos da criança e, em última instância, ao acaso do mundo.

Uma segunda implicação dessa concepção é a de que eu posso fazer da mente tanto um instrumento de compreensão do mundo quanto uma defesa contra o mundo. Uma vez que a mãe falha e a mente emerge como uma função que dará asas à imaginação do bebê para buscar compreender por que a mãe falha, a mente então pode ser utilizada como o instrumento que possibilitará essa compreensão. Por outro lado, o sujeito pode fazer uso dessa mesma função para afogar-se em um mar de explicações, transformando aquilo que serviria para compreender, numa forma de intelectualização que só serve para que o sujeito se defensa de sua incapacidade de compreender.

Pois bem, senhoras e senhores, não é exatamente essa última alternativa a da Filosofia, da Teologia e da Psicologia tal como nós as conhecemos? Com seus conceitos afastados do mundo real, imersos nas categorias do metafísico e do metapsicologia, buscam uma compreensão do mundo, de Deus e do psiquismo que se perde numa imensidão de abstrações (Exceção feita a Nietzsche, Spinoza, os pragmáticos e alguns outros filósofos).

Os teólogos, principalmente, são os maiores representantes desse uso inadequado da mente (como intelectualização): por não compreenderem a vontade divina (mistérios insondáveis, já dizia a Bíblia), inserem Deus e tudo o que se relaciona a ele nas categorias da razão, esterilizando a Revelação.

Por mais que eu aprecie a teoria lacaniana da Psicanálise, também não posso deixar de incluí-la no conjunto daqueles que preferiam o conforto do mundo das idéias. Façamos justiça: a ética lacaniana, o tempo lógico, o estádio do espelho e o destaque dado à função do significante no psiquismo, foram contribuições extraordinárias de Jacques Lacan. Porém, a ênfase dada à topologia, à teoria dos nós e à matemática, são coisas absolutamente desnecessárias à Psicanálise. Só servem para fazer o campo analítico ficar parado no tempo, masturbando-se intelectualmente em torno das ilustrações lacanianas.

Na outra ponta do barbante, encontram-se aqueles nos quais

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