Archive for the vulcanismo
Voar ou não voar, eis a questão
Muito tem sido dito e escrito sobre a nuvem de cinzas e a proibição de voar. Não sou especialista nem em vulcanologia nem em engenharia aeronáutica. Apenas sou um geólogo que lê um pouco e dá aulas sobre vulcões no ensino secundário.
A Força aérea filandesa fez voar F-18 na nuvem de cinzas (link). As imagens não deixam dúvidas sobre os efeitos das cinzas nos aparelhos, sobretudo nos motores.
As conclusões são claras: “The images show that short-term flying can cause substantial damage to an aircraft engine,” the air force says. Continued operation could lead to overheating and potentially pose a threat to the aircraft and its pilot, it adds.
Existe algo que se chama “princípio de precaução” – O princípio de precaução pode ser invocado sempre que seja necessária uma intervenção urgente face a um possível risco para a saúde humana, animal ou vegetal, ou quando necessário para a protecção do ambiente caso os dados científicos não permitam uma avaliação completa do risco. Este princípio não deve ser utilizado como pretexto para acções proteccionistas, sendo aplicado sobretudo para os casos de saúde pública, porquanto permite, por exemplo, impedir a distribuição ou mesmo a retirada do mercado de produtos susceptíveis de ser perigosos para a saúde.”
Voar no fim de semana de 17 e 18 de Abril era um perigo. Por muito que nos custe, o risco de acidentes seria elevado. Há uma altura em que é necessário dizer : não! é preferível ter prejuízos financeiros a perder vidas humanas.
Nesta situação é fácil por em causa decisões dos vulcanólogos, dos serviços responsáveis pela aeronáutica, etc…
E se não tivesse ocorrido uma interdição do espaço aéreo e um acidente ocorresse em Londres, Paris ou Berlim? Se fosse um familiar nosso? As mesmas vozes que hoje criticam estariam a defender a permissão de voar?
Links interessantes:
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Terra – de coração aberto

Uma revista com os dados mais recentes sobre o interior do nosso Planeta.
Um dossier fundamental para quem quer ficar actualizado sobre a dinâmica interna da Terra. É curioso antecipar o que vai ser alterado nos nossos manuais daqui a uns anos. O que ensinamos e já “não é bem assim”. É natural em ciência.
Um verdadeiro curso de actualização para professores de Geociências.
Alguns dos temas vão ser publicados depois de traduzidos e adaptados neste blogue.
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Efeitos locais e globais do vulcanismo
«Todos os voos de ou para Heathrow (o maior no mundo em termos tráfico internacional) e Stansted (norte de Londres) vão ser suspensos a partir do meio-dia, mas os terminais ficarão abertos», indicou um porta-voz da BAA que detém as duas plataformas. Um porta-voz do aeroporto de Gatwick, no sul da capital britânica, indicou que a suspensão também abrangia aquele aeroporto. Vários aeroportos da Escócia também foram encerrados hoje devido às nuvens de cinza provenientes do vulcão.
Os aeroportos nas cidades escocesas de Aberdeen, Glasgow e Edimburgo foram encerrados e os voos da cidade de Birmingham, em Inglaterra, e de Belfast, na Irlanda do Norte, foram afetados. A BAA, operadora dos aeroportos britânicos, admitiu «grandes perturbações» no tráfego aéreo.
O Serviço Nacional de Tráfego Aéreo britânico explicou as restrições aos voos alegando que a «cinza vulcânica representa uma ameaça significativa à segurança dos aviões».
O espaço aéreo norueguês também está fechado devido às nuvens de cinza provocadas pela erupção vulcânica, na Islândia.
O espaço aéreo na Suécia também está a ser afetado, tendo sido já cancelados vários voos.
O vulcão, no glaciar Eyjafjllajokull, no sul da Islândia, registou na quarta feira uma segunda erupção em menos de um mês.
Devido à erupção vulcânica, cerca de 800 pessoas foram retiradas do sul da Islândia.
Fonte : Lusa/ SOL
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Corno de África e o nascimento de um novo oceano
A abertura de uma fissura gigante pode estar na origem da formação de um novo oceano, de acordo com estudos realizados por uma equipa de investigadores internacionais. A fractura na crosta terrestre na região do “Corno de África” na Etiópia não é nova, mas esta nova fractura tem 60 Km de comprimento, com um afastamento de 5 metros e uma profundidade que varia entre os 2 e os 12 quilómetro de profundidade.
Segundo Éric Jacques, do IPGP, ” o episódio de abertura no outono de 2005 marca o instante zero da abertura de um novo oceano neste limite divergente de placas”.
Mais detalhes no artigo : Le Figaro
Fonte do Post : Le Figaro online

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Mina de S. Domingos
A mina de S. Domingos constitui uma das explorações mineiras portuguesas de maior interesse fruto da actividade extractiva aqui desenvolvida entre 1857 e 1966. A mina localiza-se no
concelho de Mértola e no sector norte da Faixa Piritosa Ibérica (FPI), próximo da fronteira lusoespanhola. O jazigo de S. Domingos é um depósito de sulfuretos maciços polimetálicos vulcanogénico subaflorante subvertical que foi explorado a céu aberto até cerca de 120m de profundidade e até 420m através de galerias e poços. Os teores médios eram de 1,25% de cobre, 2-3% de zinco e 45-48% de enxofre. Para além da pirite, encontram-se ainda outros minerais como a esfalerite, a calcopirite, a galena, a arsenopirite e sulfossais. A FPI inclui-se na Zona Sul Portuguesa e abrange um território do SW peninsular entre o Baixo Alentejo, o norte do Algarve e a Andaluzia.
A presença de cerca de 90 jazigos de pirite associados ao Complexo Vulcano Sedimentar, de idade Fameniano Sup.-Viseano Sup.,confere-lhe um estatuto de província metalogenética de classe mundial e de região mineira europeia, destacando-se neste contexto a mina de Neves Corvo em exploração, com teores excepcionais de Cu, Sn e Zn. Associado aos jazigos de sulfuretos maciços e de Mn da FPI identifica-se um metamorfismo hidrotermal (precoce em relação ao metamorfismo regional), resultante da circulação convectiva de água do mar através das rochas vulcânicas que sofreram elevada lixiviação e grande troca iónica.
As fontes hidrotermais são constituídas por chaminés que se encontram na zona de separação de placas tectónicas, onde circula a água. O fundo oceânico possui numerosas fissuras, através das quais as águas entram em contacto com rochas quentes, formadas recentemente a partir de magmas. As rochas de temperatura mais elevada localizam-se essencialmente ao longo dos riftes oceânicos, que são cadeias montanhosas submarinas onde se geram continuamente as rochas do fundo do mar.

A água desce através das fissuras e atinge temperaturas muito elevadas. Aquecida, sobe e arrasta consigo vários metais das rochas circundantes, formando nascentes ou fontes. Quando emerge no fundo do oceano, o fluído é rico em metais e em torno da abertura deposita um resíduo sólido que forma uma autêntica chaminé. Esta chaminé fumega sem parar, a temperaturas que alcançam os 360 °C, e mantém-se activa durante dezenas de anos, criando condições para o desenvolvimento de um estranho ecossistema. A biomassa aí encontrada é 10 mil a 100 mil vezes superior à dos outros povoamentos
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Continue a ler Mina de S. DomingosExploração das dorsais emersas – Parte I
Existem à superfície do Globo duas regiões emersas atravessadas por uma dorsal oceânica: a Islândia e a República de Jibuti.
A Islândia é uma ilha de 103 000 km2 e estrutura geológica essencialmente vulcânica. A sua situação setentrional e a história limitam a vegetação a raras pradarias e alguns silvados, de modo que a estrutura geológica pode ser observada com facilidade: não é, como nos países tropicais, escondida por vegetação espessa ou por um tapete de laterite.

Uniformemente, a perder de vista, a paisagem é vulcânica. Na maior parte, trata-se do empilhamento de correntes de lava com espessuras que, por vezes, ultrapassam os 1000 m. Mas estas correntes alternam na zona central com verdadeiros vulcões, que criam relevos imponentes. Na região norte, não muito longe da cidade de Akureyri, ou na região do lago Myvatn, podemos observar associações de cones vulcânicos de dimensões variadas. O estudo atento destas regiões mostra que os cones se alinham sobre fendas. Na região sul, mais perto de Reiquejavique, encontram-se vulcões extremamente activos, como o Hekla ou o Hemayae, na ilha de Vestmannaeyjar. No centro da ilha a existência de glaciares permanentes dá origem a edifícios vulcânicos muito específicos: vulcões subglaciares. Como aconteceigualmente sob o mar, as lavas tomam então a forma de almofada, sendo, na sua maioria, basálticas.
A cartografia em pormenor realizada pelos geólogos islandeses, pouco numerosos, mas extremamente dinâmicos, revelou que o vulcanismo activo actual se reparte por duas bandas, uma oeste-leste, desde a dorsal norte-atlântica de Reykjanes (dorsal onde se detectaram anomalias magnéticas muito pedagógicas!) até ao glaciar central de Vatnajekull, a outra na direcção norte-sul, desde a zona de Mivayten até ao vulcão Hekla, ou mesmo à ilha de Surtsey, a sul. No resto da ilha o vulcanismo é mais antigo.

Quando se examina minuciosamente a zona activa, verifica-se que é formada por um vale central limitado por falhas normais, desenhando estruturas de extensão típicas. Mais precisamente, um estudo recente mostrou que existe comunicação entre aparelhos vulcânicos de formas cónicas e correntes fissurais de lava. O vulcão aparenta alimentar injecções laterais que alcançam ou não a superfície. Em resumo, o vulcão será o cone fornecedor, enquanto as lavas serão os excessos evacuados sobre os lados. Tal é a actividade que se observa perto do vulcão Krafla.
No vale central não se detecta uma única fenda por onde a lava subiria continuamente, afastando os bordos, como seria sugerido
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Continue a ler Exploração das dorsais emersas – Parte IErupções Submarinas
Há livros que marcam a nossa adolescência e geólogos também. O meu gosto pela ciência foi marcado por Carl Sagan e por Haroun Tazieff. Hoje em dia de limpeza encontrei uma cassete VHS com um documentário deste vulcanólogo francês. Fui ligar o velhinho leitor de VHS e deliciei-me a ver as imagens de Tazieff a dar cabeçadas em piroclastos no Etna. No inicio da minha carreira docente gostava de explorar este vídeo nas aulas de Geologia e de CTV. Depois veio o DVD e lá ficou arrumada esta cassete. Mas o que ali está gravado é um documento importante. Lembrei-me que algures na minha estante deveria ter um pequeno livro oferecido por um outro francês a quando da minha estadia na Ilha de São Miguel. Está velhinho este livro, mas conheço as páginas e sei onde está a informação quando necessito dela. Pode não ser muito atractivo, com fotos a preto e branco, mas o que conta é a natureza da informação correcta que está impressa nestas páginas. Se tivesse de escolher dez livros para colocar numa única prateleira, este tinha lá lugar. É interessante ler relatos de erupções actuais com imagens digitais e reler as erupções descritas por Tazieff. Está lá tudo bem explicado. O texto que se segue é uma descrição maravilhosa (modesta opinião minha) de erupções submarinas, como foi a erupção dos Capelinhos no Faial, ou Surtsey na Islândia.
Erupções submarinas
O espectáculo oferecido por uma erupção submarina é grandioso e, mesmo para um vulcanólogo já experimentado mas que ainda não o tenha observado, surpreendente. Evidentemente que não se pode tratar aqui senão de erupções a profundidades relativamente pequenas: para lá de um certo limite, a grande distância entre a cratera e a superfície, bem como a resistência oferecida pela água, impedem os produtos da erupção de atingir a atmosfera, e só uma coloração amarelada do mar denuncia por vezes os dramas que se desenrolam no fundo. A profundidades ainda maiores, a pressão de quilómetros de água torna impossível qualquer manifestação explosiva, não podendo os gases dissolvidos no magma libertar-se da solução. Mas quando os fundos são bastante altos a presença da água, longe de entravar os projécteis, dá-lhes pelo contrário, e paradoxalmente segundo parece, um aumento de energia que impressiona o espectador. Esta energia cinética suplementar provém da transformação quase instantânea, através do vapor produzido à custa da água e da sua explosão, da
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