Portugal em Fotos, por Concelhos

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Dois amigos (Alexandre Páris e Tiago Santos) juntam-se numa aventura de quatro rodas em duas bicicletas, com o objectivo de provar que é possível atravessar três continentes com zero emissões(CO2). Nesta viagem pretende-se atravessar alguns países da Europa, Norte de África e Ásia sem recurso a carros de apoio. Deste modo divulgando e sensibilizando para o uso de um transporte acessível a qualquer pessoa e não poluente. Todas as fotos em: zero emissõesQuando chegou a Galápagos, Darwin só não praticou seu esporte preferido, a caça, porque os animais eram muito dóceis e não fugiam, não fogem ainda, quando vêem os humanos. Ele deixou o rifle de lado, pegou um iguana marinho com as próprias mãos e o jogou na água várias vezes, para analisar o comportamento e o modo de nadar destes animais que ocorrem apenas nestas ilhas.
Ao nadar, os indivíduos da espécie Amblyrhynchus cristatus, colocam as patas para trás e balançam o corpo de lado, incluindo a cauda que tem metade do tamanho do corpo que é, nos adultos, de um metro. Sua coloração é preta o que colabora para camuflá-lo de predadores no substrato de lava endurecida e negra, mas principalmente os ajudam a absorver calor, pois a água do mar é fria e os iguanas precisam se aquecer depois de se alimentarem de algas que crescem aderidas a rochas a dez metros ou mais de profundidade.
Na terra eles “espirram” muitas vezes, eliminando o excesso de sal do alimento ingerido. Este jato de água salobra é também usado para espantar predadores como aves, o que faz com que a expectativa de vida deles chegue a 30 anos.
O mais incrível desta espécie é o fato de que seu ancestral era um iguana que tinha hábitos de terra e veio flutuando em troncos desde o continente a 900 km de distância. Por falar nestes iguanas de terra, há duas espécies dele nas Galápagos, ambas do gênero Conolophus sp. e que são pouco maiores que os marinhos. Estas espécies são amareladas e herbívoras, se alimentam de folhas de cactos gigantes ou flores e gramíneas.
Apesar de serem as fêmeas que escolhem os machos, estes protegem sete delas, mas que literalmente se matam por melhores locais para colocarem os ovos (dentro de buracos no solo). Também já foi identificado que há uma relação mutualística entre estes iguanas e os tentilhões (pequenos pássaros) que comem os carrapatos que infestam os corpos destes répteis.
Quando Godzilla foi criado em 1954, o trauma das bombas fez com que os japoneses imaginassem uma super-mutação atômica que transformaria um pequeno e pacífico iguana num monstro feroz e destruidor. Ainda bem que a energia atômica, injustamente acusada dos piores impactos ambientais no mundo, nunca produziu nada nem parecido com isto.
As ilhas Galápagos, que pertencem ao Equador e se situam no chamado “meio do mundo” têm um símbolo inequívoco que lhes fornece o nome: as tartarugas gigantes. Há dois significados para Galápagos em espanhol: cágado e sela, já que os grandes cascos destes répteis lembram uma sela de cavalo.
Independente disto, estes animais realmente são gigantes pela própria natureza: os machos alcançam um metro e meio e cerca de 250 kg (junte apenas 4 e você tem uma tonelada). Foram servidas em banquetes para quase todos os navegantes que visitaram as ilhas, começando pelo Frei Tomas de Berlanga, arcebispo do Panamá, que durante uma viagem ao Peru em 1535, perdeu-se para descobrir oficialmente as ilhas. Não se tem certeza se o Frei disse que “Deus escreve certo por linhas tortas”, já que ele achou as ilhas pouco convidativas, apesar de entrar para a história por este acontecimento.
Outro visitante inusitado das Galápagos foi Robinson Crusoé, cujo nome real era Alexander Selkirk e que quatro anos depois de ser resgatado da ilha que vivera sozinho na Costa do Chile, apareceu por lá em 1709, pouco antes de saquear o porto de Guayaquil.
Estima-se que 250 mil destas tartarugas existiram no arquipélago antes da chegada do homem. Hoje são 15 mil, pois todos esses visitantes estavam sempre a buscar alimento fácil. Provavelmente três espécies de tartarugas gigantes foram levadas à extinção por causa deste overkill. É mais triste ainda saber que os navegantes comiam apenas as patas delas (cerca de 5% do peso do animal), já que o restante do corpo era intragável (não dava pra fazer buchada de tartaruga). De vez em quando, usavam as reservas de gordura das tortoises como óleo e aproveitavam-se também de suas reservas de água doce, que é escassa na maior parte das ilhas.
Hoje, as 11 espécies restantes do gênero Geochelone sp. são divididas pelos pesquisadores em dois grupos principais: as que têm casco em forma de sela, com pescoço e patas alongadas, próprias para buscar alimento acima do solo e as com casco arredondado que comem gramíneas rasteiras (veja abaixo).
Não se sabe ao certo, mas os ancestrais destes animais teriam vindo sobre troncos que flutuaram errantes até as Galápagos e, à partir de então, passaram por um processo intitulado radiação adaptativa, isto é,…
Continue a ler Gigantes pela própria naturezaEm junho de 1736, chegou à Quito no Equador uma missão da Academia Real de Ciências de Paris formada por Pierre Bouguer (físico), Charles-Marie de La Condamine (geógrafo) e Louis Godin (matemático e chefe da expedição), além de um botânico.
Foram medir um grau do arco do meridiano no equador terrestre para testar a hipótese newtoniana, de que a Terra tem forma elíptica. A mesma Academia também tinha enviado outra expedição à Lapônia, perto do círculo polar. Assim, se o arco do meridiano fosse maior no equador, a Terra deveria ser abaulada no equinócio e Newton estaria certo…
Porém a medição não era tão simples. Para determinar o meridiano era necessário colocar vários pontos fixos (geodésicos) distantes uns dos outros vários graus de latitude, formando triângulos para depois projetar um arco e medir sua longitude. Ainda era necessário um barômetro preciso para considerar e padronizar a altitude.
Tudo isto tinha que ser feito no mau e volúvel tempo dos Andes com suas constantes temperaturas baixas, ventos cortantes e terrenos acidentados. Além disso, os franceses não se deram bem com os desconfiados nativos e os geodésicos eram, por vezes, roubados.
Fim da história: os franceses brigaram entre eles mesmos (típico de cientistas…), demoraram mais de seis anos pra retornar e, quando o fizeram, com exceção de Bouguer e La Condamine, “pereceram”, já que não publicaram nada, perdidos entre incontáveis e desconexas notas de campo. De todo modo a expedição teve sucesso, pois, o “erro” das marcações do equinócio de Bouguer e La Condamine foi de 0,02% (como verificado muito tempo depois). Além disso, a expedição ajudou, no final do século XVIII, à estabelecer o metro como unidade de medida universal, pois que representa um décimo-milionésimo da distância do meridiano ao equador (hoje botaram a velocidade da luz na determinação do metro…). Em todo caso, tenho que dizer: imagine se as notas de campo tivessem sido aproveitadas na totalidade…
Em 1802, Alexander Von Humboldt também foi à região de Quito, passando 8 meses na (como conhecida hoje) “Avenida dos Vulcões”, pois conta com 18 deles, destacando-se o Chimborazo (6.310m) e o Cotopaxi (5.897m), ambos escalados por Humboldt e Aimé Bonpland.
Eu e a Adriana subimos o…
Continue a ler Mais perto de DeusOi pessoal, nos desculpem a demora. Muita correria e canseira. A vida no mar, descansa a cabeça mas o corpo velho de guerra, já não é mais aquele…. Enfim, nossa última visita em Galápagos foi para uma de suas inúmeras pequenas ilhas, a Bartolomé. Bem, no caminho até lá, no barco, muitas fragatas (Fregata minor e Fregata magnificens) nos seguiram, voando ao lado da janela da cozinha do barco, esperando que o cozinheiro jogasse-lhes restos de comida. Ele estava de bom humor, elas comeram bem e bastante.
Ainda, passamos próximos a uma outra pequena ilha chamada “Dafhne Maior” que lembra exatamente um vulcão, mas ninguém tem permissão de aportar nela.
Em Bartolomé, o espetáculo é realmente incrível. Há 17 vulcões extintos na ilha, incluindo um submerso pela alta maré, os outros formam uma verdadeira aula de geologia vulcânica que detalharei mais tarde pra vocês quando finalmente estiver de volta ao Brasil.
A todos que por aqui passaram nestes dias em que o Bafana tornou-se um “foto-blog” o nosso muito obrigado. Semana que vem escreverei, com mais calma, sobre a viagem… ainda tem a ida ao pé do vulcão Cotopaxi que nos deixou literalmente sem fôlego. Também daremos dicas pra quem se arriscar nesta aventura formidável. Um verdadeiro tour-acadêmico e científico.
Dia 10/07
No dia 10 fomos à Ilha Floreana (mais duas horas de barco) e, subindo a montanha pudemos observar as diferenças das “zonas vegetacionais”. Na parte alta chovia e fazia frio, mas próximo ao litoral, além da vegetação ser mais baixa, fazia um calor danado. Um problema de Floreana, foi a introdução de muitas espécies exóticas (mamona, por exemplo) e hoje é bem difícil eliminá-las.
Na foto, estou entre rochas vulcânicas na parte alta da ilha e que serviram como abrigo para os primeiros habitantes: a Família Villamil em 1750. Depois circundamos a ilha para um mergulho. Vimos tubarões e tartarugas marinhas, além de inúmeras espécies de peixes.
Dia 11/07
Fomos à Santa Fé, uma ilha com alta população de leões marinhos (Zalophus wollebaeki) que ficam tomando sol, enquanto o cheiro deles (de peixe) atrai muitos mosquitos, que servem de alimento à pequenos lagartos (na foto, a fêmea toma conta de seu ninho).
Em Santa Fé, também pudemos observar a iguana terrestre (Conolophus pallidus), uma espécie endêmica desta ilha. Ela se alimenta principalmente de cactus mas come também pequenos arbustos.