...é este o título da conferência do paleontólogo Carlos Marques da Silva, docente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.Esta conferência, a não perder, está integrada no Ciclo de Conferências DARWIN: No Caminho da Evolução, que irá decorrer na Fundação Gulbenkian.A entrada é livre pelas 18h no Auditório 2 da Fundação Gulbenkian.E já agora na 4ª feira dia 15 de OutubroE um "cheirinho" do que irá ser abordado na conferência:"Quando pensamos em Darwin e na sua Teoria da Evolução por Selecção Natural vem-nos imediatamente à mente um Darwin biólogo, estudando tentilhões e tartarugas terrestres nas Galápagos... E, no entanto, quer no que respeita aos fundamentos, quer às implicações da Teoria darwinista, a Geologia teve um papel importante. O próprio Darwin, enquanto naturalista, apesar de um primeiro contacto algo desmotivador com a Geologia, acabou por adquirir uma sólida formação geológica de base e desenvolveu trabalho importante no domínio das Ciências da Terra. Efectivamente, é considerado por muitos – nomeadamente pelo próprio e pelos seus contemporâneos – mais um geólogo que um biólogo."Carlos Marques da Silva
Devido ao meu passado e formação como professor, as analogias têm em mim, como noutros, um fascínio e utilidade únicas. Sempre as utilizei como forma de introduzir e sistematizar diversos conceitos das Ciências Naturais.Os alunos gostavam e pediam sempre mais, embora seja difícil e não aconselhável em todas as situações.Uma das analogias práticas que utilizava era em relação à enormidade do tempo geológico. Depois de lhes ter dado rolos de máquina registadora, bem como uma folha com as diversas idades e acontecimentos geológicos, pedia-lhes para marcarem, cronologicamente e com distâncias proporcionais à idade dos acontecimentos, no rolo esticado, esses mesmos acontecimentos.Era uma actividade de que gostavam – inicialmente, porque os libertava das habituais cadeiras e interagiam em grupos e no final…devido ao resultado prático.Imaginemos uma realidade bem conhecida – viagem entre duas cidades do nosso país, Porto e Lisboa – pela auto-estrada.Agora comparemo-la com os acontecimentos biológicos e geológicos do nosso planeta (desde a formação do planeta – Porto - até à actualidade - Lisboa).A distância percorrida nesta viagem comum – 300 km – vai ser proporcional à idade da ...
É socialmente reprovável cometer um deslize na História ou Literatura; mas é desculpável se se afirmar que no Marão existem pegadas de dinossáurio. Ou que o Jurássico é um título de um filme. É lugar comum em conversas de café discutir-se pintura, música, literatura ou história.Emitem-se opiniões e confrontam-se gostos. Não se confundem tendências artísticas nem épocas históricas; arrumam-se os vários artistas nos movimentos e séculos respectivos. Beethoven foi influenciado na sua obra pelo papel histórico e social de Napoleão Bonaparte e não por Átila, o Huno. Picasso, apesar de o poder ter feito (como seria?), não pintou o tecto da Capela Sistina. Os Medici não patrocinaram a obra literária de Samuel Beckett.São exemplos, que roçando o absurdo, ilustram que a literacia artística e a histórica tem um papel nos actos sociais. Mas e a literacia científica?CONTINUE A LER AQUI
A propósito desta notícia, já ela imbuída no espírito do Euro 2008, relembro um texto publicado anteriormente, na altura referente ao Mundial 2006.Mundial de Futebol – cangurus, coalas e extinções?(Publicado no jornal O Primeiro de Janeiro a 10/06/2006)O Campeonato do Mundo de futebol que se avizinha será um palco de intensos combates. Ao longo de Junho e parte de Julho assistiremos a confrontos entre intervenientes que terão o mesmo objectivo e jogarão com as mesmas regras.Dos confrontos que se avizinham sairão sobreviventes e extintos; adaptados e inadaptados; momentos de sorte e azar; e, sobretudo, intervenientes que lograrão atingirem os seus objectivos e outros…que nem por isso.Acima de tudo será um período em que tudo se decidirá e nada ficará como dantes.O acontecimento que é o Mundial de futebol, pode apresentar algumas analogias, umas mais lineares que outras, com um dos processos fundamentais na História da Terra e dos seres vivos – a Evolução.Encarando cada selecção como um organismo perceber-se-á que poderemos corresponder os jogadores aos órgãos ou estruturas dos organismos. Cada jogador é especializado numa determinada função e, no Mundial, teremos os melhores ...
Eras e Períodos, são para saber professor?
Sim, as Eras são para saber, trata-se de conteúdos obrigatórios no programa de Biologia e Geologia, os períodos são para saber se o exame for feito em Espanha. Mas há uma forma fácil de aprender os Períodos. A Biologia e Geologia utilizam termos que derivam de palavras gregas e do latim, e apesar de não ser necessário saber latim nem grego no ensino das ciências, algumas palavras dão muito jeito. Alguns exemplos.
Os dois períodos mais antigos do Paleozóico são o Câmbrico e o Silúrico. Assim foram designados por dois geólogos britânicos, Adam Sedwick e Roderick Murchison, que estudaram estratos no País de Gales. O termo Câmbrico deriva de Cambria a palavra latina para Gales e Silúrico vem do nome de uma tribo celta do País de Gales, os Siluros. Estes dois geólogos acabaram por desentenderem-se porque Murchinson considerava que o Silúrico incorporava o Câmbrico. Professor, aqui no livro entre o Câmbrico e o Silúrico surgue o Ordovícico! Pois é, um outro geólogo, Charles Lapworth, eventualmente terá resolvido o conflito entre os dois amigos galeses, através da criação do, Ordovícico! Mas foram sem dúvida Sedwick e Murchison que por volta de 1830 lançaram a ...
"O Festival Europeu da Terra, organizado anualmente pela Rede Europeia de Geoparques sob os auspícios da UNESCO, decorre simultaneamente em 33 geoparques espalhados por 13 países da Europa com o objectivo de celebrar o património da Terra através de actividades geoturísticas e educativas.O Festival decorre entre os dias 24 de Maio e 8 de Junho, sendo este ano composto por 25 eventos multidisciplinares com ênfase para a Geologia. Destaca-se a abrir o geo-jantar no geo-restaurante Petiscos & Granitos, dia 24 de Maio.Mais pormenores em www.geoparknaturtejo.com."Informação recebida de Carlos Neto de Carvalho Geopark Naturtejo da Meseta Meridional
No espaço de 5 minutos de filme duas cenas surrealistas:-queimam-se os livros de uma biblioteca para manter uma lareira acesa;-a fronteira México-EUA é encerrada devido ao enorme afluxo de emigrantes norte-americanos; centenas cruzam ilegalmente, a pé, o rio que separa os dois países.São assim os filmes-apocalipse – imagens de um fim-de-mundo distante e perturbador.* - 5 minutos de pausa a mirar na SIC “O Dia Depois de Amanhã”.Imagem - ilustração da Divina Comédia de Dante "The Traitors in the Lake of Ice" a partir da British Library
O meu amigo Hugo Gante chamou-me a atenção para uma incorrecção no post "Avô salva neto".Diz respeito à relação filogenética entre os actuais elefantes e o mamute (Mammuthus primigenius) que eu deixo implícita no título.O Hugo tem razão quando diz que elefantes e mamutes "serão 2 linhagens evolutivas distintas."É verdade.Análises filogenéticas ao nível mitocondrial (1, 2) estabelecem um relação de parentesco mais próxima do mamute com o elefante asiático (Elephas maximus) do que daquele com o elefante africano (Loxodonta africana). A família Elephantidae terá tido origem em África há cerca de 6 milhões de anos sendo constituída por três linhagens distintas - os actuais elefantes africano e asiático e o mamute. As três espécies iniciaram a sua divergência pela separação do elefante africano sendo seguida, 440 mil anos depois (2), pela separação dos outros dois membros da sub-família Elephantinae.Ao analisarmos o cladograma gerado a partir de (1), podemos constatar que o elefante asiático e o mamute são mais próximos entre si do que com o elefante africano....
O meu amigo Hugo Gante chamou-me a atenção para uma incorrecção no post "Avô salva neto".Diz respeito à relação filogenética entre os actuais elefantes e o mamute (Mammuthus primigenius) que eu deixo implícita no título.O Hugo tem razão quando diz que elefantes e mamutes "serão 2 linhagens evolutivas distintas."É verdade.Análises filogenéticas ao nível mitocondrial (1, 2) estabelecem um relação de parentesco mais próxima do mamute com o elefante asiático (Elephas maximus) do que daquele com o elefante africano (Loxodonta africana). A família Elephantidae terá tido origem em África há cerca de 6 milhões de anos sendo constituída por três linhagens distintas - os actuais elefantes africano e asiático e o mamute. As três espécies iniciaram a sua divergência pela separação do elefante africano sendo seguida, 440 mil anos depois (2), pela separação dos outros dois membros da sub-família Elephantinae.Ao analisarmos o cladograma gerado a partir de (1), podemos constatar que o elefante asiático e o mamute são mais próximos entre si do que com o elefante africano....
Uma excelente (apesar de não a ter visto) série de televisão.Porque ser e pertencer a um país é conhecer a sua história humana, mas também a sua história natural.A televisão pública canadiana produziu uma série sobre a história geológica do seu país.E ouve os seus geólogos.E porque não não fazer o equivalente em Portugal?A nossa diversidade geológica é grande e permite-nos perceber a paisagem que nos rodeia, seja natural ou humanizada.Para não termos apenas ideias para onde vamos.Dois excertos - um clip sobre as Montanhas Rochosas e outro com entrevista ao paleontólogo Michael Melchin - como "veio" para a Ciência, sobre a evolução de diversos grupos de invertebrados, entre outros assuntos.
Uma excelente (apesar de não a ter visto) série de televisão.Porque ser e pertencer a um país é conhecer a sua história humana, mas também a sua história natural.A televisão pública canadiana produziu uma série sobre a história geológica do seu país.E ouve os seus geólogos.E porque não não fazer o equivalente em Portugal?A nossa diversidade geológica é grande e permite-nos perceber a paisagem que nos rodeia, seja natural ou humanizada.Para não termos apenas ideias para onde vamos.Dois excertos - um clip sobre as Montanhas Rochosas e outro com entrevista ao paleontólogo Michael Melchin - como "veio" para a Ciência, sobre a evolução de diversos grupos de invertebrados, entre outros assuntos.
You can't have a better tomorrow if you are thinking about yesterday all the time.Charles F. Kettering, 1876-1958 A man who dares to waste one hour of time has not discovered the value of life.Charles Robert Darwin, 1809-1882 I live a day at a time. Each day I look for a kernel of excitement. In the morning I say: What is my exciting thing for today? Then, I do the day. Don't ask me about tomorrow.Barbara Charline JordanImagem - John Vink/Magnum Photos
(Publicado no jornal O Primeiro de Janeiro a 06/04/2006)Devido ao meu passado e formação como professor, as analogias têm em mim, como noutros, um fascínio e utilidade únicas.Sempre as utilizei como forma de introduzir e sistematizar diversos conceitos das Ciências Naturais.Os alunos gostavam e pediam sempre mais, embora seja difícil e não aconselhável em todas as situações.Uma das analogias práticas que utilizava era em relação à enormidade do tempo geológico. Depois de lhes ter dado rolos de máquina registadora, bem como uma folha com as diversas idades e acontecimentos geológicos, pedia-lhes para marcarem, cronologicamente e com distâncias proporcionais à idade dos acontecimentos, no rolo esticado, esses mesmos acontecimentos.Era uma actividade de que gostavam – inicialmente, porque os libertava das habituais cadeiras e interagiam em grupos e no final…devido ao resultado prático.Imaginemos uma realidade bem conhecida – viagem entre duas cidades do nosso país, Porto e Lisboa – pela auto-estrada.Agora comparemo-la com os acontecimentos biológicos e geológicos do nosso planeta (desde a formação do planeta – Porto - até à actualidade - Lisboa).A ...
...vertebrados, dodós, pigmentos, conchas, xistos de Burguess, espectros, reflexo, visão, predador, ultra-violeta, T-Rex, análogos modernos, púrpura, mimetismo, rãs, verde, paleobotânica, tecidos, ciência, fósseis, Antropocénico, geologia, "Plastocénico", 3D, simetria, forma, função, neve, universos multidimensionais, matemática, futebol, pentágonos, monstros, graus de liberdade, atracção sexual, cartoons,...,e.........................................sobretudo.........................divertido e excelente divulgação científica!BBC4 - Material WorldPara ouvir - aqui (não liguem aos primeiros 30 segundos que são o final das notícias...)Imagens - iStockphoto; BBC4; Andrew Parker, Natural History Museum
A não perder a Palestra do paleontólogo Carlos Marques da Silva do Dep. de Geologia da Faculdade de Ciências da UL, hoje, dia 24 de Janeiro, pelas 21h30 (vá lá, as novelas não são nada comparadas com este folhetim evolutivo...), na Galeria Matos Ferreira (bom programa antes de irem beber um copo ao Bairro Alto), na R. Luz Soriano, 14 e 18, à calçada do Combro.Integrada no ciclo "Do Grão ao Planeta", a palestra intitula-se "Gravado na Pedra: Registo Fóssil e Evolução""Quando se fala de evolução a primeira coisa que nos vem à mente é: progresso!No dia a dia, quando se usa o termo evolução, ele é quase sempre empregue como sinónimo de melhoria. E quando se fala de "evolução biológica", uma vez mais, por arrastamento, a ideia dominante, é que se está a falar de "progresso biológico" ao longo do tempo. Pois se os mamíferos (entenda-se: nós!) ainda cá estão e os dinossáurios se extinguiram... devemos ser melhor que eles. É a "Evolução"!Contudo, evolução não significa progresso, nem semanticamente, nem biologicamente. Evolução é mudança! É transformação! É, parafraseando Camões, mudarem-se os tempos e ...
Procurei uma metáfora para demonstrar à uns amigos porque tenho certeza da seleção natural.O que você faria com R$ 1,00? E com R$ 4.500.000.000,00 (quatro bilhões e meio de reais)?Eu diria que com um não dá pra fazer quase nada e com outro, quase qualquer coisa que você queira. Pois bem, a Terra tem 4,5 bilhôes de anos. O que a gente acha impossível da natureza ter feito em um ano, ou em 100, é o mesmo que a gente acha impossível conseguir fazer com apenas R$1,00. Já se a gente tivesse os bilhões...Só que a Terra teve. E é por isso que as coisas estão todas ai.Deus, é o tempo.VQEB: a vida como ela é (do ponto de vista do cientista)!
(Publicado no jornal O Primeiro de Janeiro a 03/08/2007 - segunda e última parte)Os derrotadosOs perdedores biológicos do nosso abandono serão vários.Sem a presença humana, as cidades e zonas próximas serão mais um ambiente a explorar. Manadas de vacas à solta serão um manancial meigo para lobos e raposas.Estas serão uma fonte de alimento fácil para todo o tipo de predadores, que se aproximarão cada vez mais dos ambientes urbanos.Cadáveres de porcos, por alimentar, serão fonte de alimento para todo o tipo de necrófagos. Algumas das aves, como os corvos, habituais em ambientes urbanos mais a norte, invadirão inicialmente as urbes, alimentando-se das carcaças. Este ciclo será apenas momentâneo, uma vez que sem o factor humano presente a fonte de alimento em putrefacção condicionará aqueles vencedores fugazes.As galinhas com sua capacidade de se geo-orientarem, recentemente descoberta, não encontrarão caminho para uma salvação evolutiva. Voadoras débeis, serão para o futuro sem humanos o que o Dodó foi para o séc. XXI humanos – uma recordação…...
(Publicado no jornal O Primeiro de Janeiro a 02/08/2007 - continua amanhã)Cidade sem SonoNinguém dorme no céu. Ninguém, ninguém.Não dorme ninguém.As criaturas da lua cheiram e rondam as choupanas.Virão iguanas vivas morder os homens que não sonhame o que foge com o coração partido encontrará pelas esquinaso incrível crocodilo imóvel sob o frouxo protestos dos astros.(…)Um diaos cavalos viverão nas tabernase as formigas furiosasatacarão os céus amarelos que se refugiam nos olhos das vacas.Outro diaveremos a ressurreição de mariposas dissecadase ainda, ao andar por uma paisagem de esponjas pardas e barcos mudosveremos brilhar nosso anel e brotar rosas de nossa língua.Alerta! Alerta! Alerta!Aos que guardam ainda pegadas de garra e aguaceiro,àquele rapaz que chora porque não sabe a invenção da ponteou àquele morto que já não tem mais que a cabeça e um sapato,há que levá-los ao muro onde iguanas e serpentes esperam,onde espera a mão mumificada do meninoe a pele do camelo se ...
Devido ao meu passado e formação como professor, as analogias têm em mim, como noutros, um fascínio e utilidade únicas.Sempre as utilizei como forma de introduzir e sistematizar diversos conceitos das Ciências Naturais.Os alunos gostavam e pediam sempre mais, embora seja difícil e não aconselhável em todas as situações.Uma das analogias práticas que utilizava era em relação à enormidade do tempo geológico. Depois de lhes ter dado rolos de máquina registadora, bem como uma folha com as diversas idades e acontecimentos geológicos, pedia-lhes para marcarem, cronologicamente e com distâncias proporcionais à idade dos acontecimentos, no rolo esticado, esses mesmos acontecimentos. Era uma actividade de que gostavam – inicialmente, porque os libertava das habituais cadeiras e interagiam em grupos e no final…devido ao resultado prático.Imaginemos uma realidade bem conhecida – viagem entre duas cidades do nosso país, Porto e Lisboa – pela auto-estrada.Agora comparemo-la com os acontecimentos biológicos e geológicos do nosso planeta (desde a formação do planeta – Porto - até à actualidade - Lisboa).A distância percorrida nesta viagem comum – 300 km – vai ser proporcional à idade da Terra, i.e., ...
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