É regra que os cadernos culturais da grande mídia impressa dedicam-se aquilo que é “popularmente” conhecida como cultura, isto é, as ciências humanas, entendendo aqui quase que tão somente a Literatura, contemporânea ou não, a Sociologia, de algum fenômeno recorrente tido como alta novidade, e em menor grau, a Filosofia, que por vezes é chatamente ideologizada. É o pensamento se repetindo como farsa… Mais recentemente os cadernos têm aberto espaços para a “divulgação científica”, ocupados geralmente por algum pesquisador que se acha apto à tarefa, ou mesmo um jornalista que “gostaria de ter sido cientista”. Apesar destas honrosas exceções, o fato é que as ciências naturais (Exatas e Biologia) nunca são vistas como parte da cultura, inclusive seu legado é chamado em alguns círculos como “terceira cultura”. Assim inúmeros intelectuais (um cientista, mesmo competentíssimo, nunca é considerado intelectual) discutem nos cadernos, como Shakespeare inventou o mundo, se a mensagem de Sancho Pança serve mais a revolução que a de D. Quixote, ou a importância da poesia regional num país continental ou ainda a elasticidade da ética (assunto muito em ...