Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the Sexo

A Ditadura do Orgasmo Feminino



O médico Gerson Lopes afirma que as mulheres vivem “um regime ditatorial” com relação ao sexo e desempenho na cama


A mulher contemporânea usufrui de sua liberdade sexual, aproveita o direito ao prazer e conhece melhor o próprio corpo. Com a queda de barreiras morais e o advento da pílula anticoncepcional, o sexo erótico ganhou força na vida delas, a ponto de incitar uma busca incessante pelo orgasmo, que agora tem que ser "múltiplo".
O novo momento é marcado por uma grande cobrança pelo gozo e performance na cama, segundo o ginecologista Gerson Lopes, presidente da Comissão Nacional de Sexologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Com isso, a satisfação sexual estaria mais associada ao resultado do que com a entrega, e assim o "fim da festa" ganha mais atenção que a experiência completa.
Diz Gerson Lopes:  "É como se fosse um regime ditatorial em relação ao orgasmo. O direito ao gozo não pode ser substituído pela obrigação de tê-lo. Presa nessa ditadura, a mulher não se solta no processo do brincar e o foco está no resultado (orgasmo) e não no durante. Presa ao 'fim' ela não curte adequadamente o 'meio', comprometendo o envolvimento afetivo e sexual com o parceiro.
Claro que toda relação tem que ser prazerosa, mas não obrigatoriamente orgástica. Existem outros prazeres como olhar, ouvir, tocar, relaxar... Toda mulher deve sim tentar ter orgasmo, mas a satisfação sexual e a felicidade não têm necessariamente a ver com o orgasmo. A pressão de ter o orgasmo dificulta ainda mais a experiência orgástica".
Gerson Lopes afirma que na sua clínica chegam mulheres que têm orgasmo, mas não sabem. "Isso acontece porque elas possuem expectativas irreais", diz. A literatura diz que aproximadamente 20% das mulheres têm orgasmos e não sabem.
O mundo moderno é um mundo de resultados e a visão do orgasmo pelas mulheres é o reflexo disso.
Erroneamente muitos homens se responsabilizam pelo orgasmo da mulher. A pergunta cretina “você chegou?“ não traduz uma preocupação com ela e sim uma forma de autoavaliação. Ela chegando, significa para ele que desempenhou bem seu papel. Diante disso, o caminho para muitas mulheres é fingir o orgasmo para agradá-lo. Mas ninguém dá orgasmo a ninguém, ele simplesmente acontece. O homem pode apenas facilitar ou dificultar.
Gerson Lopes acrescenta: "Infelizmente as mulheres estão tão competitivas em relação ao sexo como os homens e também acabam mentindo tanto quanto eles. Sexualidade não

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Seleção e evolução não são sinônimos

Disse Borges (ou escreveu) no prólogo de Elogio das sombras: “O tempo ensinou-me algumas astúcias: evitar os sinônimos, que têm a desvantagem de sugerir diferenças imaginárias”. Enquanto Borges, discorrendo sobre sua estética, levantou a questão de se imaginar diferenças onde elas não existem, a presente e breve nota tem o intuito oposto: mostrar que abundam diferenças entre conceitos que julgamos perfeitamente intercambiáveis.

Um desses falsos sinônimos, do qual eu gosto especialmente de falar, é o par reprodução e sexo. Para a maior parte dos que têm um conhecimento mais elaborado de ciências esses termos não significam a mesma coisa, apesar do público leigo não perceber isso tão facilmente. Ainda assim, mesmo os que têm maior intimidade com a biologia derrapam quando tentam conceber sexo sem reprodução. Vejamos:

O tratamento matemático que usarei com esses termos consiste em estabelecer que há reprodução sem sexo e que há sexo sem reprodução. Não temos muitas dificuldades na primeira das tarefas, pois quase todo mundo conhece ou já ouviu falar de reprodução assexuada, também chamada em biologia de clonagem. Nesse processo, há produção de cópias sem que ocorram alterações no material genético dos envolvidos, lembrando que em biologia o termo sexo significa recombinação genética, embaralhamento do material genético. Até agora, sem problemas. Porém, isso dito, é fácil perceber porque muitos, mesmo os que conhecem um pouco mais sobre biologia, se atrapalham na segunda tarefa: encontrar casos onde ocorre sexo sem que haja reprodução. Sexo sem reprodução não é, como se costuma pensar, casais tendo relações com camisinha ou usando pílula anticoncepcional. A cópula, que pode resultar ou não em uma reprodução, não é sexo no sentido biológico do termo (eis aqui, portanto, outro par de falsos sinônimos em biologia: sexo e cópula). Quando um casal tem relações sexuais usando preservativo, não ocorre nem reprodução nem sexo. O que seria, portanto, sexo sem reprodução? Deve ser um processo de recombinação genética (sexo), sem que haja produção de novas cópias. Com isso em mente, é fácil encontrarmos um exemplo de sexo sem reprodução: a conjugação, como a famosa troca de micronúcleos em Paramecium (a maioria dos alunos do ensino médio e de seus professores, tão apegados a conceitos consagrados unicamente pelo uso e incapazes de abandoná-los, estrebuchar-se-ão até o fim, jamais aceitando que conjugação não é um tipo de reprodução…).

Dois protozoários da espécie "Paramecium caudatum" em processo de conjugação

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Sexo no Espaço

Já falamos neste blog de Sexo no Espaço. Vejam estas notícias. Até colocamos este documentário. Vejam agora este segmento do Keith Olbermann sobre este assunto: Visit msnbc.com for breaking news, world news, and news about the economy Posts relacionados:Armstrong critica ObamaVida em Marte?Hawking avisa: não falem com ETsColbert e GalileuColbert fala com astronautasPowered by Contextual [...]Continue a ler Sexo no Espaço

Não era o fumo…

Primeiro vi a notícia numa daquelas revistas que só com muito boa vontade se designam por cor-de-rosas, depois vi uma entrevista num canal de televisão generalista. E o que vi foi algo que se não tivesse sido pensado antes por João Bénard da Costa, eu teria alguma dificuldade de entender. O melhor é explicar…

Imagine-se que em título, na tal revista, se lia: “Filho fuma e a mãe, que já o viu fumar, não se importa”.

Ainda que o filho fosse maior de idade com certeza que nos indignaríamos. Que mãe não se importaria que o seu rebento fizesse perigar a sua saúde!? E se o caso fosse à televisão seria certo e sabido que umas tantas associações viriam exigir pelo menos o mesmo tempo de antena para, em primeiro lugar, reclamar o destaque que a comunicação social dava a um comportamento de risco, abeirado do pecado, e, em segundo lugar, para listar todos esses riscos, deixando no ar a promessa de que, uma vez evitados, era possível encontrar a salvação (que sendo apenas carnal, não deixa de ser salvação!).

Felizmente a notícia em causa não se reportava ao comportamento de fumo, é muito menos preocupante: reportava-se apenas e só a caso de um filho que decidiu fazer filmes pornográficos e a mãe, que já viu a sua representação, não se importa. Instruiu-nos o apresentador de televisão que se trata de uma opção de vida, e que ninguém deve atirar pedras ao ar porque telhados de vidros todos têm.

Foi aqui que me lembrei de uma deliciosa crónica de Bénard da Costa intitulada Era o fumo, publicada no espaço que ele tinha no jornal Público e que se chamava A casa encantada. Contava ele em 22 de Abril de 2007:
Aqui há uns anos, num congresso da Federação Internacional de Arquivos de Filmes (…) houve um simpósio em que cada cinemateca apresentou singularidades das suas colecções.

Belgrado por exemplo mostrou uma colecção de filmes pornográficos dos anos 20 e 30, encontrada no castelo de um arquiduque servo-croata (…) que apreciava orgia e apreciava ainda mais filmá-las. De modo que tinha uma vasta colecção que “documentava” autênticos bacanais, com os convidados a mostrar as suas habilidades (…)

Na mesma sessão, uma cinemateca americana mostrou uns filmes publicitários de antanho, desses que passavam nos intervalos dos cinemas (…) Eram uns filmezinhos de uns cinco minutos se tanto, que contavam uma

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O prazer na estampagem sexual

Prolegômeno: creio ser prudente avisar antecipadamente que essa nota, um pouco mais extensa que de costume, é um ensaio: apesar dos primeiros parágrafos conterem concepções já bem estabelecidas da etologia, o argumento final é apenas uma concepção particular e um exercício filosófico, e não há referências científicas que o corroborem.

O processo evolutivo modula não apenas caracteres morfológicos, como é comum se pensar, mas também outros atributos dos organismos animais que ocasionalmente são esquecidos na descrição da constituição fenotípica de um indivíduo ou espécie, como é o caso dos caracteres comportamentais.  Devendo ser compreendido não como algo separado da estrutura biológica (como se fora uma anima inserida em algum momento da conceição) mas sim como algo intrinsecamente ligado ao animal como um todo, o comportamento é — como todo o resto — fundamental para o ajustamento (fitness) do indivíduo em seu meio natural de adaptação (isto é, o ambiente no qual o comportamento faz algum sentido, traz algum benefício, aumenta sua freqüência nas gerações futuras e é, evolutivamente, fixado e continuamente refinado).

Denominamos comportamento inato ou comportamento geneticamente modulado a classe de comportamentos evolutivamente modulados e que não dependem, de maneira geral, de um aprendizado do organismo em seu meio de adaptação. Neurologicamente são programas motores, que variam desde padrões motores fixos até planos hierárquicos bastante complexos. Essas estruturas neurológicas evoluíram juntamente com a série de órgãos sensoriais a elas ligados e com o conjunto de estruturas motoras por elas controladas, sem as quais, logicamente, tais comportamentos não poderiam ser efetuados. Os órgãos sensoriais captam estímulos de diversas classes (mecanorreceptores, fotorreceptores, quimiorreceptores…) e transformam-nos em potenciais de ação que são analisados pelo sistema nervoso do organismo. Lá, mecanismos liberadores inatos trabalham para reconhecer alguma característica particular do estímulo (denominada de liberador) e, agindo portanto como um filtro, ativar um certo programa motor. Todos esses componentes direta ou indiretamente comportamentais (os órgãos sensoriais, os mecanismos liberadores inatos, os programas motores…) são modulados evolutivamente e tornam o comportamento de um dado animal, sempre considerando o meio no qual tal adaptação ocorreu, benéfico em algum aspecto de sua vida, aumentando de alguma forma seu ajustamento.

Uma interpretação equivocada que comumente surge após essa (breve) explanação sobre a base da etologia tradicional é a de que definimos aqui o comportamento como uma série de reflexos. Nada, contudo, mais diametralmente oposto. Nesses sistemas comportamentais inatos, a presença de estruturas neurológicas que analisam as informações…

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Os Afrodisíacos, o Cérebro e o Desejo Sexual

Os seres humanos, ao longo de sua história, sempre buscaram formas de melhorar o desempenho no sexo. Uma dessas formas é a busca por ingredientes que ajudem a despertar e a aumentar o desejo sexual, os chamados afrodisíacos. Mas, até que ponto, os afrodisíacos realmente funcionam? Existem alimentos que podem “acender” o desejo sexual? Uma [...]Continue a ler Os Afrodisíacos, o Cérebro e o Desejo Sexual

Mãe, obrigado pelas mitocôndrias!

Passado o dia das mães, é hora de contar um episódio relacionado a essa data comemorativa. Um professor de uma cadeira de pedagogia nos contou em sala de aula sobre a idéia criativa que ele tivera certa vez para um cartão de dias das mães. A história surgiu quando discutíamos a noção de que uma brincadeira ou uma frase de efeito só faz sentido quando o receptor possui alguns conhecimentos específicos sobre o assunto, e nosso professor nos deu um exemplo particular de um processo comunicativo que falhou exatamente por essa razão. Bem intencionado e achando que sua idéia faria sucesso, ele fez um cartão onde se lia “Mãe, obrigado pelas mitocôndrias!”. Mas, para sua frustração, sua mãe não entendeu do que se tratava…

Poucas pessoas entendem; esse, aliás, é mais um exemplo da importância daquilo que nós chamamos de “alfabetização científica”. Contudo, boa parte dos alunos do ensino médio sabe o que é uma mitocôndria, e boa parte sabe também que em organismos que realizam singamia (não estamos aqui falando apenas de animais, portanto) as mitocôndrias provêm de apenas um dos progenitores. Na verdade, o mesmo se dá com os cloroplastos, que são transmitidos ao zigoto por apenas um dos gametas responsáveis pela fecundação. As mitocôndrias geralmente provêm dos gametas femininos, enquanto os cloroplastos podem ser provenientes dos gametas femininos ou dos gametas masculinos, dependendo do grupo vegetal em questão.

Uma palavra de esclarecimento pode ser conveniente, numa breve digressão: é muito difundido o conceito de que as mitocôndrias do gameta masculino dos animais, nomeadamente o espermatozóide, não entram no citoplasma do ovócito. Isso é correto para algumas espécies, como o Hamster, por exemplo. Porém, em outras espécies (e esse é o caso do ser humano), ocorre a entrada no ovócito das mitocôndrias do espermatozóide. Essas mitocôndrias, logo depois de entrarem no ovócito, são ubiquitinadas e marcadas para destruição. Eventualmente a ubiquitinação falha, o que explica alguns raros casos de material mitocondrial paterno num organismo animal.

Mas por que é tão importante, uma vez que se trata de um processo praticamente ubíquo, que as mitocôndrias que constituem o zigoto (e, por conseqüência, todo o futuro organismo) sejam originadas de um só dos gametas? As hipóteses mais aceitas para explicar a herança uniparental (ou seja, de apenas um dos progenitores) desse material genético citoplasmático são baseadas em modelos matemáticos que nos mostram que, caso houvesse uma mistura de linhagens…

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Imoral não quer dizer sexual

Segundo os jornais, uma professora posou nua para uma revista erótica. A Câmara Municipal de Mirandela afastou-a das actividades lectivas e colocou-a a trabalhar no Arquivo Municipal. Motivo: impedi-la de contactar com alunos e pais, devido ao “alarme social” provocado pelo caso. A esse alarme não é estranho, além das notícias saídas nos jornais, o facto das pessoas da cidade terem comprado todosContinue a ler Imoral não quer dizer sexual

Cortem as cabeças!

“Alice no país das maravilhas” acabou sendo o primeiro longa metragem em 3D que eu vi. Não sei ao certo o que dizer sobre a projeção 3D: com bem pouco tempo de filme, eu já não percebia mais que se tratava de uma projeção em três dimensões, pois estava mais ocupado em curtir a história e o filme em si. É mais ou menos o que o meu sistema nervoso faz em uma projeção tradicional: ele assume que o cenário está em três dimensões, do mesmo modo que ele assume a veracidade da narrativa. Ou seja, em minha humilde e tresloucada opinião, tanto faz o filme ser projetado de forma tradicional ou em 3D, o que é uma informação valiosa para a economia de alguns trocadinhos futuros.

Quanto ao filme em si, confesso que fui ao cinema já munido de certa ressalva, pois havia descoberto um dia antes que se tratava de uma Alice adulta, que já não lembrava mais do país das maravilhas e que ao voltar para lá acidentalmente encontra seus habitantes numa situação de perigo (Não pude evitar lembrar imediatamente de “Hook”, a versão de Peter Pan de Spielberg, de 91, com Dustin Hoffman e Robin Williams: um Peter Pan adulto, que já não lembrava mais da terra do nunca, que por sua vez estava em perigo e precisava de sua ajuda). Apesar de eu estar esperando uma obra artística do porte de “Big Fish” (2003), que é para mim o melhor filme de Tim Burton, devo dizer que “Alice” é um filme bastante interessante, com momentos impagáveis, mas também com cenas que eu definitivamente modificaria (a cena do futterwacken, ou passo maluco, me fez sentir a famigerada “vergonha alheia”…). Entre os momentos impagáveis estão as aparições da neurótica Rainha de Copas, com aquele hilário cabeção, ordenando decapitações a torto e a direito.

A neurótica e hilária Rainha de Copas

No filme, a Rainha de Copas é constantemente chamada de “Rainha Vermelha”, em oposição à Rainha Branca, à qual Alice se alia. Acontece que, na obra de Carroll, a Rainha Vermelha é outro personagem, que por sinal não aparece no “Alice’s adventures in wonderland”, e sim em sua sequência, “Through the looking-glass”. Essa rainha, uma peça de xadrez, protagoniza um episódio curioso, que veio a nomear uma das hipóteses evolutivas recentemente elaboradas para tentar explicar um dos mais vexatórios problemas da…

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Divulgação – “As Mulheres de Freud”

O psicanalista Jacques Lacan costumava dizer que as mulheres eram analistas por natureza e que aquelas que optassem por seguir a profissão só precisavam aprender um pouquinho de metapsicologia, porque do resto a própria natureza feminina dava conta… A história oficial faz parecer que a Psicanálise fora um empreendimento concebido e estruturado fundamentalmente por homens [...]Continue a ler Divulgação – “As Mulheres de Freud”
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