Microalgas que não fazem fotossíntese

Luiz Bento @ Discutindo Ecologia Categorias: Ciência Geral, Curiosidades, Science, microalgas
O título deste post não é um paradoxo. Oceanógrafos da Universidade de Santa Cruz, Califórnia descobriram um novo grupo de algas cianofíceas (mais conhecidas como cianobactérias) que não apresentam praticamente todos os genes necessários para o funcionamento do fotossistema II e para a fixação de carbono, essenciais para o processo de fotossíntese tanto em cianobactérias quanto em plantas superiores. O estudo foi publicado semana passada no periódico Science.O mais interessante deste caso é o papel ecológico deste grupo. Inicialmente alguém poderia perguntar: "Mais isso deve ser uma aberração. Este grupo não teria sucesso já que não teria como obter matéria orgânica". É aí que o assunto começa a ficar interessante.Mesmo sendo o principal constituinte da nossa atmosfera (quase 80%), o nitrogênio gasoso (N2) não é assimilável pela maior parte dos organismos. O N2 pode ser fixado por bactérias (do gênero Rhizobium) que vivem em nódulos de raízes de plantas leguminosas e, principalmente, por cianobactérias. O processo de fixação biológica do nitrogênio (FBN) requer uma energia de ativação muito alta, desta forma está longe de ser um processo espontâneo. Além deste pequeno problema, uma das grandes restrições da FBN é a fragilidade da ...

Anfíbios, pesticidas e fertilizantes: Uma interação complexa

Rui Barqueiro @ Discutindo Ecologia Categorias: Ciência Geral, Curiosidades, Science, anfíbios
A algum tempo cientistas de todo mundo tem observado um desaparecimento de várias espécies de anfíbios. Muito tem sido discutido sobre as causas destes fenômeno de extinção em massa. Até o aqueciemento global já foi sugerido como possível causa.Em um outro contexto, mas ainda falando sobre anfíbios, cientistas tem relacionado o uso de pesticidas com o supressores imunológicos. Ao analizarem brejos próximos a fazendas, foi encontrado uma maior incidência de animais infectados por fungos patogênicos, quando comparados com brejos sem a influência de fazendas (ScienceNOW).Recentemente, pesquisadores da Universidade de Illinois observaram uma outra influência negativa das fazendas sobre os anfíbios. Eles observaram que fertilizantes usados nas plantações e que eram lixiviados até brejos próximos estimulavam o crescimento algal destes corpos d'água. Entretanto, estas algas servem de alimento para caramujos que são fonte alimentares dos anfíbios. Só que, quanto mais caramujos, maiores são as chances deles serem infectados por platelmntos chamados trematodos. Estes vermes parasitas de caramujos aumentam a mortalidade dos anfíbios. Isto ocorre, pois ao se alimentar destes animais contaminados, os anfíbios são infectados pelos vermes. Eles afetam os rins dos anfíbios, além ...

A intrigante e controversa história do oxigênio atmosférico

Luiz Bento @ Discutindo Ecologia Categorias: Ciência Geral, Nature, Science, oxigênio
Uma das mais intrigantes discussões científicas dos últimos anos esteve focada em quando e como ocorreu a alteração de uma atmosfera praticamente anóxica para uma formada por 21% de oxigênio. Pensar em um tempo geológico em que este gás praticamente não estava presente é um exercício fascinante. Uma fração considerável da vida (excluindo parte das bactérias, que podem tirar energia de praticamente tudo) precisa oxidar a matéria orgânica com o oxigênio para obter energia. Sendo assim, sem a presença de oxigênio na atmosfera, boa parte da vida pluricelular como conhecemos hoje seria inviável.Bilhões de anos depois desta fase anóxica do nosso planeta, o oxigênio se tornou o segundo gás mais abundante da Terra, perdendo apenas para o nitrogênio. A hipótese mais aceita para este fato hoje em dia é que há mais de 2 bilhões de anos atrás, apenas um grupo de bactérias realizava o processo de oxidação fotobiológica da água (o mecanismo e a evolução deste processos ainda são desconhecidos). Esta bactéria teria sido incorporada por outra célula formando o organismo progenitor de todos os eucariotos fotossintetizantes atuais (desde algas até árvores), segundo a teoria endossimbiótica. Estes organismos passaram a fixar carbono e liberar oxigênio ...

Uma bactéria que vale por um ecossistema inteiro

Fernanda Carvalhal @ Discutindo Ecologia Categorias: Ciência Geral, Science, bactérias
Em um trabalho publicado na última edição da revista Science, pesquisadores americanos ao analisarem amostras de fluidos provenientes de fendas na crosta com mais de 2,5Km de profunidade descobriram que estas continham basicamente uma única espécie de bactéria (representava >99% dos organismos encontrados). Esta é capaz de fixar seu próprio nitrogênio e carbono, além de ser termofílica quimioautotrófica e redutora de sulfato. Este ambiente apresentava temperatura de aproximadamente 60°C e pH 9,3, além disso estava exposto a altíssimas pressões e a uma severa limitação de nutrientes. O genoma desta bactéria (Desulforudis audaxviator) possui genes capazes de produzir proteínas que participam da redução dissimilatória de sulfato. Além disso, a assimilação de carbono desta bactéria pode ter várias origens, pois seu genoma apresenta genes para transportadores de açúcares e aminoácidos. Analisando as condições do ambiente, acredita-se que o carbono fixado provem de fontes inorgânicas. Maquinaria metabólica da Desulforudis audaxviator. Fonte: ScienceDeste modo, esta fenda apresenta a mais simples comunidade microbiana encontrada na natureza (quase que exclusivamente uma espécie). A habilidade desta bactéria reduzir sulfato garante a ela acesso ao aceptor de elétrons mais energeticamente favorável. ...

Interação entre insetos (besouros) e microorganismos (fungos)

Fernanda Carvalhal @ Discutindo Ecologia Categorias: Ciência Geral, Fungos, Insetos, Science, biólogo
A diversidade global de insetos é gigantesca. Atualmente, por volta de 950 mil espécies de insetos são descritas na literatura. Sendo que um terço das espécies de insetos são da ordem coleoptera (isto é, mais de 300 mil espécies são besouros!). Eu tinha um professor de zoologia que dizia assim: Se Deus fosse um animal, ele seria um besouro! Acredita-se que existam de 5 a 8 milhões de espécies de besouro.Entretanto, Jarrod Scott (e colaboradores) argumentam que isto é só a ponta do iceberg da diversidade. Em seu trabalho na revista Science intitulado “Bacterial Protection of Beetle-Fungus Mutualism”, Scott observou que a espécie Dendroctonus frontalis utiliza-se de uma espécie de bactéria para proteger os fungos de que se alimenta de outra espécie fungo competidora.Dendroctonus frontalis carrega em consigo uma espécie de fungo chamada Entomocorticium sp. A, e ao depositar suas larvas em galerias junto ao floema de pinheiros, estes inoculam o fungo para servir como fonte de alimentos para suas larvas. Porém, o sucesso dessa interação mutualística é posto em xeque por outra espécie de fungo (Ophiostoma minus). Esta espécie compete com a espécie de ...

O delicioso cheiro de alga…

Carlos Hotta @ Brontossauros em meu jardim Categorias: Ciência Geral, Corais, Mar, Notícias, Science
Identificar a presença de presas é uma habilidade essencial para qualquer predador. Qualquer um que só comprou pãezinhos na padaria porque sentiu o cheiro de uma fornada nova sabe disso. No mar isso também pode ocorrer. Pesquisadores descobriram que o Dimetil-sulfoniopropionato (DMSP, para íntimos), produzido por algas pode ser usado como indicador da presença de alimentos, assim como o cheiro dos pãezinhos.Os pesquisadores chegaram a esta conclusão colocando garrafões na borda de recifes de corais contendo DMSP ou somente água. Os pesquisadores, então, contaram por 60 min a quantidade e tipo de peixes que eram atraídos pelos garrafões e perceberam que os que liberavam DMSP atraíam mais peixes herbívoros que o que só liberava água. Na figura abaixo,modificada do artigo original, é possível ver que o Clepticus parrae (nome popular, alguém?) aparecia em quantidade até dez vezes maiores nos garrafões que liberavam DMSP (barras em preto)!A lógica, segundo eles, é que o DMSP é liberado na água quando as algas são comidas por zooplâncton. O DMSP, então, funciona como um indicador das atividades gastronômicas do zooplâncton e, então, é usado por carnívoros maiores, peixes, para a detectar a presença de pãezinhos, ...

Não é tão simples assim…

Carlos Hotta @ Brontossauros em meu jardim Categorias: Ciência Geral, Ecologia, Predação, Science
Aprendemos nas aulas de ecologia que os ecossistemas funcionam assim: i) o tipo de solo determina os tipos de nutrientes disponíveis para as plantas. ii) O tipo de nutrientes disponíveis para as plantas determina que tipos de plantas crescem neste sole. iii) O tipo de planta determina o tipo de comedor de folhas que vive na região e iv) o tipo de herbívoro determina o tipo de carnívoro que vive na região. Muito simples, fácil e lógico né? Pois não é que a coisa, para variar, é mais complexa que isso?Um estudo que saiu na Science deste mês sugere que, em alguns casos, a história pode inverter o seu rumo. Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores acompanharam a dinâmica dos vegetais que crescem em campos norte-americanos por 3 anos. O que eles observaram foi interessantíssimo: às vezes o tipo de solo e vegetação podem ser determinados pelos predadores e não o contrário!Tome o caso de duas espécies de aranhas: uma que sai andando (ou saltando) por aí atrás de suas presas e uma que fica em apenas um local à espera das suas vítimas passar ...

Alberts é o novo editor da Science

Carlos Hotta @ Brontossauros em meu jardim Categorias: Alberts, Cell, Ciência Geral, Notícias, Science
Não vai abalar o mundo mas é uma notícia curiosa: Bruce Alberts é o novo editor-chefe da revista científica Science. Para quem não reconhece o nome, Alberts é um dos autores originais do clássico Molecular Biology of the Cell, livro básico de Biologia Celular, considerado uma Bíblia para muitos da área. Eu estudei muito pelo Alberts mas sempre achei-o detalhista demais. Didaticamente há melhores e mais bonitos mas o The Cell (ou o Alberts) ainda é um excelente livro de referência.

Saiu na Science da semana passada…

Carlos Hotta @ Brontossauros em meu jardim Categorias: Ciência Geral, Notícias, Relógios Biológicos, Ritmos Circadianos, Science
...ou meus 5 segundos de fama.Ninguém sabe mas eu sou pesquisador. Ninguém sabe mas eu estudo relógios biológicos em plantas. Ninguém sabe, aliás, que as plantas têm relógios. Ninguém sabe mas eu acabei de publicar um artigo na Science!Assim como quase todos os organismos que vivem sob o sol, as plantas possuem mecanismos para medir a passagem do dia. Um relógio interno as permite antecipar a chegada do sol e preparar a maquinaria necessária para fazer a fotossíntese. Um relógio interno permite as plantas perceberem que hoje fez menos claro do que ontem e anteontem e, por isso, o inverno deve estar chegando (é hora de perder as folhas e armazenar energia nas raízes).Pois é, os relógios biológicos das plantas é tão importante que plantas que não o possuem crescem menos, têm menos clorofila e usam água mais ineficiente. Por isso entender o funcionamento do relógio das plantas pode ter impacto profundo na agricultura e no melhoramento de plantas.Então, nós acreditávamos que os relógios biológicos eram feitos via controle da expressão gênica. No entanto, duas pesquisas recentes sugerem que moléculas pequenas de sinalização também regulam o relógio. ...

humor para químicos…

jmgs @ blog about science Categorias: Chemistry, Ciência, Humor, Science
source :  http://www.humornaciencia.com.br/

Rankings em Ciência nas Universidades Portuguesas

jmgs @ blog about science Categorias: Chemistry, Ciência, Química, Science
O Departamento de Química da Universidade de Coimbra disponibilizou na sua página dois textos do Prof. Doutor Sebastião Formosinho sobre a situação actual da investigação científica actual em Portugal. Vale a pena ler. Rankings em Ciência nas Universidades Portuguesas Texto retirado do livro do Prof. Sebastião Formosinho “Os Bastidores da Ciência 20 anos depois” (no prelo) <Download> | <tamanho: 64 Kb> O desempenho científico da química portuguesa Documento (até há pouco tempo disponível no site da SPQ) onde o autor realça o papel actual da Química como ciência de maior relevo em Portugal por possuir 5 universidades (IST/UTL, Coimbra, Nova de Lisboa, Aveiro e Porto, ocupando a primeira posição em Coimbra, Nova de Lisboa e Aveiro e a segunda nas duas restantes) no top 1% (mundial). Este <i>top</i> 1% singinfica, exemplificando com a Química, que das pouco mais de 76000 instituições a nível mundial, a base do ESI regista as 762 instituições académicas com melhores desempenho em termos do número de citações: o topo 1%. <Download> ...

EVENT: SPQ-ANALÍTICA’07, 6º Encontro da Divisão de Química Analítica da SPQ

jmgs @ blog about science Categorias: Chemistry, Ciência, Events, Química, Science
SPQ-ANALÍTICA’07, 6º Encontro da Divisão de Química Analítica da Sociedade Portuguesa de Química terá lugar em Lisboa no Centro de Congressos do Instituto Superior Técnico nos dias 29 e 30 de Março de 2007. homepage: http://www.spq.pt/congressos/analitica07/

Papaformigas: motor de busca de cientistas portugueses

jmgs @ blog about science Categorias: Astronomy, Biochemistry, Biology, Chemistry, Ciência, Mathematics, Physics, Química, Science
Aqui fica a minha contribuição para a divulgação desta iniciativa. O texto que se segue foi retirado do site. Porquê um motor de busca de cientistas portugueses? Apesar de ainda haver muito para fazer, a verdade é que Portugal está a fazer um investimento considerável na formação avançada de recursos humanos. Este esforço, que já começou há alguns anos, está a ter como resultado a formação de uma verdadeira rede de académicos portugueses espalhados pelos quatro cantos do mundo e inseridos nas melhores universidades. Muitas destas pessoas reconhecem o apoio que lhes foi dado e estão dispostas e interessadas em manter a ligação a Portugal, partilhando todo o conhecimento que até ao momento adquiriram. O Papaformigas.com é apenas uma ferramenta que tenta servir de interface desta rede. Este site é gratuito e foi desenhado para ser o mais funcional e simples possível. Quem se pode inscrever no Papaformigas.com? Qualquer licenciado, ou estudante em vias de se licenciar e com alguma experiência profissional (estágio, rotação num laboratório, etc.). O público alvo inicial é a comunidade científica juntamente com a ...
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