Os Demônios entre nós…

Igor Pivomar @ Bafana Ciência Categorias: Artigos, Ciência Geral, Dostoiévski, História, Os Demônios, literatura, livro, russia
Não há dúvida entre os biógrafos de Dostoiévski (1821-1881) que seu “Os Demônios”, escrito entre 1870 e 1872, é um panfleto contra os radicais russos e mais precisamente contra o niilismo. Publicado primeiramente em capítulos no O Mensageiro Russo, o autor dos já consagrados, “Notas do Subterrâneo” (1864), “Crime e Castigo” (1866) e “O Jogador” (1867), paralisou seu trabalho “A Vida de um Grande Pecador” no final de 1869, para se dedicar, em suas próprias palavras, à “uma questão contemporânea mais importante”. Tratava-se das agitações políticas que começavam a abalar seriamente a Rússia dos anos 60 e 70 do século XIX. Lembremos que o próprio Dostoiévski esteve encrencado vinte anos antes (ver artigo anterior), mas agora a nova geração se radicalizara. Por exemplo, em abril de 1866, um estudante (Karalósov) atirou em Alexandre II, errando, porém, o alvo. Levado no ato à presença do czar, que pessoalmente lhe tomou a pistola, o estudante não mostrou nenhum arrependimento. Este episódio culminou numa série de atentados à liberdade de expressão. Coitado do Dostoiévski. Ex-condenado, ex-editor de sua revista (Época) recentemente fechada, pois desagradava o ...

Preparando-se para Os Demônios

Igor Pivomar @ Bafana Ciência Categorias: 1849, Artigos, Ciência Geral, Dostoiévski, História, Livros, Os Demônios, crítica, literatura, russia
Fiodor Dostoiévski Foi em abril de 1849 que Dostoiévski e outras 27 pessoas foram presas acusadas de conspiração contra o czar Nicolau I da Rússia. Sim, ele tinha lá sua culpa, pois um ano antes, o aclamado autor de Gente Pobre (1846), passara a se reunir na casa de Petrachévski para discutir temas censurados na imprensa russa: as recentes transformações liberais da Europa, a eficácia de alguns sistemas socialistas e o fim da servidão dos camponeses, este último, o assunto preferido de Dostoiévski. A eloqüência usada por Dostoiévski, quando se referia às “intoleráveis injustiças contra o povo russo”, fez com que Spechniev, também membro do círculo de Petrachévski, o convidasse para outras reuniões com o objetivo de organizar ações mais práticas na luta contra o autoritarismo. Dostoiévski empolgou-se com a fala, o cavalheirismo e o dinheiro emprestado de Spechniev, a quem chamou uma vez de “meu Mefistóteles”, e passou a integrar um grupo seleto para discutir tais “atitudes”. Foram presos três meses depois. Em 16 de novembro do mesmo ano, Dostoiévski e outros 14 foram condenados à execução por um pelotão de fuzilamento. ...
Design by j david macor.com.Original WP Theme & Icons by N.Design Studio
Entries RSS Comments RSS Login