Richard Dawkins gastou todo um livro tentando convencer os leitores de que a visão científica do mundo não é incompatível com a visão, por assim dizer, artística. O livro se chama “Desvendando o Arcoíris”, creio ser uma tentativa do autor de desmistificar as tais guerras culturais e pertence à fase em que ele era um excelente divulgador científico e ainda não se tornara pregador. Dawkins argumenta que a beleza vislumbrada por um cientista  ao desvendar algum aspecto do funcionamento do universo poderia encantar também artistas que se esforçassem um mínimo em sanar sua propalada iliterácia científica. Sinceramente, não vejo por que Ciência e Estética não se possam combinar ou por que entender e ver cientificamente o mundo tire algum encanto do mesmo. Pelo contrário. Esta aparente incompatibilidade é desmentida pelas obras de artistas de ficção científica como Arthur C. Clarke, Dan Simmons e Kurt Vonnegut; pelos ótimos escritos de Bráulio Tavares; pela excelente prosa de Charles Darwin, tanto no Origem das Espécies quanto em alguns livros menos conhecidos, como The Formation of Vegetable Mould; e antes que me esqueça, nos brilhantes ensaios de Stephen J. Gould na Natural History. Mas onde vi ...