Partindo ligações com o efeito de estufa

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ambiente, Ciência Geral, Química, climatologia
Os fluorocarbonetos, HFCs e PFCs -compostos químicos em que o carbono se liga ao flúor -, são compostos que encontram muitas utilizações especialmente depois de o protocolo de Montreal ter banido a utilização de clorofluorocarbonetos (CFCs) devido ao facto de destruirem a camada de ozono.Para além de muito utilizados como fluidos de refrigeração em frigoríficos e unidades de ar condicionado, as propriedades químicas da ligação C-F tornam os fluorocarbonetos ideais para utilizações que exijam materiais resistentes quimica e termicamente. São ainda muito hidrofóbicos pelo que podem ser utilizados como revestimento em materiais à prova de água, não aderentes ou repelentes de sujidade, encontrando aplicações desde a óptica ao vestuário passando por utensílios de cozinha. Para além disso, a elevada solubilidade do oxigénio nestes compostos faz com que sejam um componente base do sangue artificial.Os fluorocarbonetos são igualmente gases de efeito de estufa (GEEs) muito potentes, com o problema adicional de a sua inércia química e resistência térmica os tornarem persistentes no meio ambiente. Por exemplo o tetrafluorometano, o análogo fluorado do metano, tem um potencial de aquecimento global a 100 anos de 6 500 ...

Algo de novo debaixo do Sol

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, História da Ciência, Medicina, Química
«I don't understand it Dr. von Tappeiner. The paramecia were all wiggling just fine a minute ago, but now these over by the window seem to be dead.» Oscar Raab, 1898.Num jornal de São Paulo da semana passada descobri um artigo muito interessante que dá conta de um novo tratamento luminoso para o cancro de pele. António Cláudio Tedesco, do departamento de Química da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto trabalha no que se designa por terapia fotodinâmica (Photodynamic Therapy ou PDT). O cientista brasileiro conseguiu obviar ao principal problema desta técnica aumentando a sua especificidade por nanoencapsulamento do fotossensibilizador. Os testes clínicos - já no final da Fase II - da pomada que desenvolveu estão a ser conduzidos, com muito sucesso, nos hospitais universitários da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).Esta técnica basicamente envolve a activação com luz de um fotossensibilizador químico administrado topica ou sistemicamente, para tratamento do cancro e outras doenças ou para a destruição de vírus, bactérias ou fungos. Esse sensibilizador fotoquímico é uma espécie química que no estado excitado transfere facilmente energia para o oxigénio ...

Ácido clorídrico (HCl)

AJFF @ Ciência no Quotidiano Categorias: Ciência Geral, Ciência em Acção, Química
No Jornal de Notícias lê-se: "O acidente de segunda-feira com um camião cisterna na A29 provocou o derrame de quatro toneladas de ácido clorídrico e destruiu parte significativa da vida no Rio Febros, revelou, esta terça-feira, o vice-presidente da Câmara de Gaia. Em conferência de imprensa, Marco António Costa lamentou que o acidente tenha afectado um curso de água recentemente recuperado pela

O cheiro do cancro

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência, Ciência Geral, Química, Saúde, Tecnologia
Retirando amostras dos cheiros da pele. Crédito da imagem: Monell Chemical Senses Center, Philadelphia.Terminou ontem em Filadélfia o 236º Encontro da American Chemical Society, ACS, onde foram apresentadas os trabalhos mais recentes da comunidade química norte-americana. Um dos trabalhos apresentados, «First detection of 'odor profile' for skin cancer may lead to rapid, non-invasive diagnostic test», poderá levar ao desenvolvimento a breve trecho de uma técnica de diagnóstico de cancro de pele absolutamente revolucionária.Apenas nos Estados Unidos, são diagnosticados mais de um milhão de cancros de pele por ano. Os carcinomas espino-celulares e basocelulares são a forma mais comum de cancro da pele, normalmente não fatais: a maioria das mortes relacionadas com cancro de pele são devidas a melanomas, que dão conta de cerca de 5% dos casos diagnosticados. As pessoas que se suspeita poderem desenvolver cancros de pele necessitam submeter sinais suspeitos a exames e biópsias frequentes de forma a que eventuais tumores possam ser detectados numa fase inicial. O trabalho de Michelle Gallagher, uma post-doc do Monell Chemical Senses Center, em Filadélfia actualmente a trabalhar na Rohm & Haas, poderá permitir o desenvolvimento de testes de diagnóstico ...

Breve história da energia solar

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Física, História da Ciência, Química, Tecnologia
A primeira bateria solar da Bell em Americus, Geórgia.Os primórdios da História da energia solar estão marcados pela serendipidade. O efeito fotovoltaico foi observado em 1839 pelo físico francês que observou pela primeira vez o paramagnetismo do oxigénio líquido, Alexandre Edmond Becquerel. Um muito jovem Becquerel conduzia experiências electroquímicas quando, por acaso, verificou que a exposição à luz de eléctrodos de platina ou de prata dava origem ao efeito fotovoltaico.A serendipidade foi igualmente determinante na construção da primeira célula fotovoltaica. Nas palavras de Willoughby Smith numa carta a Latimer Clark datada de 4 de Fevereiro de 1873, a sua descoberta do efeito fotovoltaico no selénio foi um acidente inesperado:«Being desirous of obtaining a more suitable high resistance for use at the Shore Station in connection with my system of testing and signalling during the submersion of long submarine cables, I was induced to experiment with bars of selenium - a known metal of very high resistance. I obtained several bars, varying in length from 5 cm to 10 cm, and of a diameter from 1.0 mm to 1.5 mm. Each bar was hermetically sealed in a ...

FARMACOPEIA NO MUSEU

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Arte, Ciência Geral, Medicina, Química
Minha crónica no "Sol" de hoje:“Pharmacopea Lusitana" é o título de um livro saído em 1704, da autoria do médico e boticário do Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, D. Caetano de Santo António, que foi pioneiro ao reunir na nossa língua formulários de medicamentos de origem química. “Pharmacopoeia” é o nome do grupo de artistas britânicos formado por Susie Freeman, Liz Lee e David Critchley (a primeira artista têxtil, a segunda médica e o terceiro artista de vídeo) que criaram uma monumental peça de arte que está patente no Museu Britânico em Londres, no centro da exposição “Living and Dying” ("Viver e Morrer"). A peça, intitulada “Cradle to Grave” ("Do Berço à Campa"), surpreende por mostrar, dentro de uma rede com 13 metros de comprimento, os cerca de 14 000 medicamentos que um ser humano, homem ou mulher, toma por receita médica ao longo de toda a sua vida. Se os autores acrescentassem os fármacos tomados sem receita, a obra tomaria dimensões gigantescas pois seriam precisas mais 40 000 unidades por cada indivíduo. Mostram-se os casos de um homem e de uma mulher típicos, levantados a partir ...

No Dia do Orgasmo, cientistas descobrem água em Marte. Sugestivo!

Isis Nóbile Diniz @ Xis-Xis Categorias: Ciência, Ciência Geral, Comportamento, Marte, NASA, Química, Sexo, homem, mulher, orgasmo, vida
Às vezes, acredito que coincidência não existe – já li estudos sobre isso, será Jung? Ontem, no Dia do Orgasmo, cientistas da Nasa disseram ter provas definitivas de que existe água em Marte, depois de novos testes feitos com o gelo achado em junho pela sonda Phoenix Mars Lander. Eles viram sinais de gelo antes, em observações da sonda orbital Mars Odyssey, e em pedaços que estavam desaparecendo e foram observados pela Phoenix no mês passado. Mas, essa é a primeira vez que a água marciana foi tocada e provada. Assim, a Nasa anunciou a prorrogação da missão Phoenix em cinco semanas. Agora, sua tarefa é ver se dia pode ter existido vida ali. A missão irá até dia 30 de setembro. Leia mais aqui. Importância: onde há água, existe condição para ter ou ter havido vida proveniente de moléculas de carbono. A foto, do site do Observatório Astronômico Frei Rosário - Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) -, parece mostrar rios e lagos antigos de Marte. Visite aqui. Agora se, realmente, encontrarem sinais de vida, será no Dia do Orgasmo Múltiplo? Aliás, falando nisso, tenho três coisas para contar: Vocês já viram uma pessoa que tem mais de ...

Química revela quadro perdido de van Gogh

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Arte, Ciência Geral, Química
Terça-feira foi publicado online na revista Analytical Chemistry um artigo muito interessante intitulado «Visualization of a Lost Painting by Vincent van Gogh Using Synchrotron Radiation Based X-ray Fluorescence Elemental Mapping».No artigo, uma equipa multidisciplinar envolvendo a Universidade Técnica de Delft, a Universidade de Antuérpia, o museu Kröller-Müller, o Centro de Investigação e Restauração dos Museus Franceses e dois aceleradores de partículas, o DESY em Hamburgo e o ESRF — Instalação Europeia de Radiação Sincrotrónica - em Grenoble, revelou o rosto de uma camponesa que durante 121 anos permaneceu escondido sob um «Pedaço de relva».Van Gogh reciclava as suas telas pintando sobre elas obras diferentes - os especialistas consideram que até um terço das primeiras obras do artista ocultam outras composições. Investigações preliminares tinham revelado que esse era o caso do quadro «Patch of Grass», pintado em Paris em 1887 e exposto no museu Kröller-Müller, na cidade holandesa de Otterlo. As técnicas convencionais de raios-X utilizadas neste tipo de análise apenas permitiam ver sob as camadas de pintura mais superficiais vagos traços de uma cabeça, que se pensa poder fazer de uma série pintada por Van Gogh entre 1884-85, durante a estadia na aldeia holandesa ...

LINUS PAULING E A VITAMINA C

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, História, Química, erros
Transcrevo um extracto do recente livro da química e escritora Raquel Gonçalves-Maia, “O Legado de Nobel. Perfis da Ciência do Século XX (1900-1959)”, Escolar Editora, Lisboa, 2008, onde fala do único duplo Nobel que o recebeu sozinho em áreas diferentes, o químico norte-americano Linus Carl Pauling, cujo prestígio científico foi manchado no final da vida pela sua crença nos superiores poderes curativos da vitamina C se tomada em overdose. Esse episódio mostra que mesmo os maiores cientistas podem protagonizar grandes erros. "Aos nove anos já tinha lido a Bíblia e a Origem das Espécies de Charles Darwin. Aos onze fascinava-o a Entomologia e lia tudo o que com este tema se relacionasse; aos 12 era a vez da atracção pela Geologia e aos 13 pela Química. Foi a única pessoa a receber dois prémios Nobel não partilhados em áreas tão diferentes como a Química e a Paz. Legou-nos mais de 300 artigos científicos, principalmente de Química e Bioquímica, e largas centenas de outros de cariz sociológico, contra a guerra, contra as armas e o armamento, contra os testes nucleares, em suma, em nome da Paz. Foi um grande professor. Associava a originalidade ...

As cores da água

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Pseudociência, Química, fraude
Uma das ideias mais populares sobre a cor da água é que esta é devida à reflexão da cor do céu. A imagem da Terra vista do espaço é uma confirmação de que esta é uma explicação pelo menos parcial. Assim como não explica o facto de continuarmos a ver azul a água numa piscina interior ou o mar em dias nublados em que o céu está branco ou acinzentado. Por outro lado, debaixo do mesmo céu azul, a cor da água tem tons diferentes consoante a profundidade, o que não pode ser explicado por reflexão.Outras explicações dizem que as cores da água são devidas ao mesmo fenómeno de dispersão que nos faz ver o céu azul ou devido a impurezas dissolvidas, por exemplo iões Cu2+. Embora quer a dispersão quer a presença de impurezas sejam importantes, o factor determinante da cor da água tem a ver com mais uma anomalia desta.A superfície da água reflecte muito pouca luz (cerca de 7%) o que ajuda a contribuir para o azul da água mas o mais relevante é o que acontece aos restantes 93% de ...

Combustíveis metálicos

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Química, Tecnologia
Já falámos no De Rerum Natura sobre automóveis movidos a lítio. Agora é a vez do alumínio, outro metal leve e muito «plebeu», ser considerado como «combustível» alternativo.A crise do petróleo, que ontem voltou a atingir preços record depois de duas semanas em baixa, torna os carros eléctricos muito atractivos para o público em geral e cada mais indústrias automóveis investem no desenvolvimento de novas baterias, nomeadamente de lítio, presentemente muito utilizadas em dispositivos móveis como telemóveis e computadores portáteis.Assim, a Continental anunciou em Janeiro que irá comercializar ainda em 2008 baterias de lítio para automóveis tornando-se o primeiro fornecedor de componentes para a indústria automóvel a iniciar uma produção em massa desta forma de energia. Embora a Continental não tenha revelado que marca ou marcas irá fornecer, é expectável que na lista de clients esteja incluída a General Motors. De facto, um consórcio da Continental com a A123 Systems tem um contrato com a GM para o desenvolvimento de baterias de lítio ião destinadas ao sistema E-FLEX do programa Chevy Volt da GM.Outras parcerias da indústria automóvel com a indústria eléctrica traduziram-se em programas ...

Nobreza e preciosidade de um metal

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Química
ALUMINIUM, the Bright Star of Metals,The principal metal in common clay,Is extremely light, bright, and silver-like;It does not oxide pn exposure to AirNor does its compact mass though ignited in Air;Exhaled effluvia from towns do not affect it;It may be cast or filed and is grandly mall'able;Conducts Heat and 'lectric force like Silver.J. Carrington Sellars, Chemistianity, 1873A nobreza de um metal é ditada pela sua «resistência» à corrosão e é medida pela sua facilidade de oxidação expressa no potencial normal de redução. Quanto mais positivo este for, mais nobre é o metal. O ouro, por exemplo, tem um potencial normal de +1.5 V, muito próximo do topo da tabela no que a potenciais de redução diz respeito. A maioria dos metais nobres, como o ouro, prata, tântalo, platina, paládio ou ródio, são igualmente metais preciosos agora devido à sua raridade.O alumínio, com potencial de redução E0= -1.66 V é não só um metal abundante hoje em dia como um dos mais «plebeus», só sendo suplantado pelos metais alcalinos (como o potássio, sódio ou o lítio, o metal menos «nobre» com ...

A história dos elementos químicos

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Livros, Química
Há livros que contam histórias e há livros que têm uma história. E há também livros que contam histórias e têm uma história que vale a pena contar. É o caso do livro “Os Elementos Químicos”, com o subtítulo “A história fascinante da sua descoberta e dos famosos cientistas que os descobriram”, de Nechaev e Jenkins, que acaba de sair na editora Replicação de Lisboa.As histórias são as histórias das descobertas dos elementos químicos, dos principais elementos que compõem a Tabela Periódica que o químico russo Dmitri Mendeleev descobriu em 1869. Para o leitor ficar com uma ideia do estilo simples e cativante de Nechaev (Jenkins entra só no fim, já lá vamos) transcrevo no post anterior um trecho do capítulo consagrado precisamente a Mendeleev. Esse capítulo relata-nos como é que, a partir das suas aulas, muito populares, um jovem químico perseguiu e alcançou a ideia de unidade no mundo químico.Mas a história do livro é talvez ainda mais interessante do que qualquer uma das histórias da história da química. A obra recém-publicada em português saiu originalmente na Rússia em 1939. Conheceu várias reedições e acabou por ser publicada, ...

A lei de Mendeleev – Um labirinto químico

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Livros, Química
Transcrevo extracto do livro de Nechaev e Jenkins, “Os Elementos Químicos. A história fascinante da sua descoberta e dos famosos cientistas que os descobriram”, Lisboa: Replicação, 2008, que foi publicado originalmente na Rússia em 1939. Este trecho ilustra a relação entre pedagogia e a ciência: Mendeleev chega à sua Tabela Periódica a partir de uma cuidadosa preparação das suas aulas."Em 1867, um jovem químico chamado Dmitri Mendeleev foi convidado a ocupar a cadeira vaga de Química Geral, na Universidade de S. Petersburgo, na Rússia.Era uma grande honra ser convidado a leccionar o curso mais importante de Química na principal universidade do país e o professor, de 33 anos, resolveu fazer todo o possível para mostrar que era digno dela.Mendeleev começou a preparar as suas aulas com entusiasmo. Enterrou-se no meio de livros e jornais. Foi buscar todos os apontamentos que tinha tomado sobre o seu trabalho, ao longo de anos de estudo e investigação. Afundou-se num mar imenso de factos, experiências e leis, estabelecidas no decurso de décadas por centenas de químicos. Existia material suficiente para uma dúzia de cursos universitários. Mas, estranhamente, quanto mais Mendeelev mergulhava na ...

As cores da água - visão

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, História da Ciência, Química
Numa das aulas em que se falava das propriedades anómalas da água um aluno perguntou-me se afinal a água era ou não azul e se a designação colorida do nosso planeta se deve não à cor intrínseca da água mas a um qualquer fenómeno físico como reflexão ou a dispersão que torna azul o céu.Respondi-lhe na altura que nunca tinha pensado nisso e portanto não lhe sabia responder, só tinha a certeza que a água não tinha nenhuma transição electrónica no vísivel mas que ia procurar e logo lhe diria.O que encontrei, para além de uma explicação científica para o fenómeno na revista de Educação Química (J. Chem. Edu.), foi deveras interessante. Achei conveniente um pequeno preâmbulo para que não persistam dúvidas nos nossos leitores a propósito de (mais) pseudo-ciências que encontrei a propósito das «cores» da água, aparentemente a espécie química de eleição para banhas da cobra New Age.Há uns tempos escrevi sobre o fascínio do ser humano pela cor, um arquétipo que nos acompanha desde os primórdios da História. Embora este fascínio humano tenha associado luz e cor muito ...

O CASO URBINO DE FREITAS

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Química, direito
Texto escrito com António José Leonardo e Décio Ruivo Martins sobre um dos mais famosos casos judiciais portugueses onde houve recurso à química forense:Um dos mais célebres casos de envenenamento, que abalou toda a opinião pública portuguesa no final do século XIX, veio demonstrar as fragilidades do sistema médico-legal da época e atestar a importância das análises toxicológicas. Este caso envolveu directamente antigos alunos do professor da Universidade de Coimbra Costa Simões, um dos pioneiros entre nós da química forense.Vicente Urbino de Freitas (1849-1913) foi um médico portuense, formado na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra em 1875 e professor na Escola Médico-cirúrgica do Porto . Em 1877 casou com Maria das Dores, filha de um rico comerciante de linhos. A este casamento sucederam-se um conjunto de mortes de familiares directos de Maria das Dores em circunstâncias suspeitas, nomeadamente as dos seus irmãos Guilherme e José, este último após ter sido consultado por Urbino de Freitas e com os sintomas típicos de ingestão de veneno. Alguns meses depois, os três sobrinhos de Maria das Dores, filhos dos seus irmãos falecidos que passaram a viver com os avós, receberam ...

Bifenol A : a polémica continua

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Química, Saúde
A toxicologia endocrinológica é uma área emergente que se debruça sobre o efeito de compostos designados xenobióticos (substâncias químicas de origem exógena ao homem, quer «naturais», por exemplo originárias de plantas, quer produtos sintéticos ). Entre os xenobióticos incluem-se substâncias químicas que mimetizam estrogénios e anti-androgénios e ainda moléculas que interagem com o sistema endócrino.A maioria dos estudos nesta área, de certa forma despoletada por problemas como os originados pelo DDT (o,p'-1,1,1-tricloro-2,2-bis-p-clorofeniletano, incide sobre os xenoestrogénios ou compostos não fisiológicos com estrutura similar à dos estrogéneos endógenos, fitoestrogénios (alguns ubíquos na nossa dieta) e de origem sintética. Uma substância é considerada um xenoestrogénio quando apresenta afinidade pelos receptores de estrogénio (ER) (ou por receptores designados estrogen-related receptor gamma (ERR gamma), demonstrada tanto in vitro como in vivo, ou se encontram efeitos tróficos no trato reprodutivo feminino.Em Agosto do ano passado referi as preocupações levantadas por um grupo de cientistas em relação em bifenol A (BPA), um aditivo presente numa série de plásticos, nomeadamente policarbonatos muito utilizados para produzir biberões e garrafas de água. Na altura referi que a controvérsia, que não se sente muito deste lado ...

Química no ensino básico: quem nos liberta desta cruz?

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Ensino, Química
Para tentar entender como surgira a aberração química incluída nas orientações curriculares da área disciplinar «Ciências Físicas e Naturais» para o 3º ciclo do Ensino Básico, passei dias mergulhada em documentos absolutamente indescrítiveis e simplesmente aterradores, recheados de expressões aparentemente inócuas (embora de uma vacuidade atroz) mas que, na pena do eduquês, se transformaram em armas de destruição massiva da literacia científica.Descobri expressões bizarras como «Cognição Corporizada» que aparentemente implica ser «fundamental ter em conta os constrangimentos não-arbitrários, biológicos e experienciais que moldam a actividade social e a linguagem, através dos quais a cognição e a aprendizagem são empreendidas num processo genuinamente corporizado».Ainda não consegui entender o que cargas de água isto significa, se se recomenda estar na sala de aula em posição de lótus ou quejandos, mas percebi muito rapidamente que o eduquês tem uma aversão vincada ao ensino de conteúdos, embora a tente disfarçar com expressões como a supra-citada ou outras igualmente delirantes como «processo cognitivo e social contextualizado» e afins.Assim, as orientações curriculares para Química não têm conteúdos, pior, não têm qualquer lógica química: quimicamente são recortes de revistas cor-de-rosa reunidos de forma desconexa ...

Química no ensino básico - um instrumento de opressão

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Ensino, Química, educação escolar
Do not all charms flyAt the mere touch of cold philosophy?There was an awful rainbow once in heaven:We know her woof, her texture; she is givenIn the dull catalogue of common things.Philosophy will clip an Angel’s wings,Conquer all mysteries by rule and line,Empty the haunted air, and gnomed mine -Unweave a rainbowJohn Keats in Lamia«Desvendando o arco-íris: A Ciência, a Ilusão e o Apetite pelo Deslumbramento» publicado pela Gradiva em 2000, é um livro de 1998 de Richard Dawkins que deve o nome à acusação de John Keats a Isaac Newton de que este destruiu a poesia do arco-íris explicando-o. De facto, para Keats a poesia/beleza do arco-íris seria indissociável da mística que permite imaginar panelas de ouro escondidas no local onde toca a terra, ver nele a túnica de Íris, mensageira dos deuses, ou o sinal da paz entre Deus e os homens.A verbosidade mística ou antes, a mítica construtivista, das orientações curriculares da Química no ensino básico (debitada por peritas em eduquês Ciências da Educação) parece inspirada em Keats. As emanações ...

Química no ensino básico - conhecimento holístico

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Química, avalição do desempenho, educação escolar
Nas últimas semanas tenho estado ocupada com a organização das Olimpíadas da Química, cuja semi-final regional aconteceu dia 5 de Abril no Técnico e de que ontem se realizaram as semi-finais da versão Júnior, destinada a alunos dos 8º e 9º anos.Quando me passaram esta tarefa pensei que as Olimpíadas+, destinadas a alunos dos 10º e 11º anos, dariam francamente mais trabalho até porque na prova que organizei participaram equipas do Algarve, das regiões autónomas, etc., o que levantava algumas questões logisticas que não se colocavam nas Júnior, em que a etapa que me competia organizar se destinava apenas a escolas da região de Lisboa.Engano meu, rapidamente esclarecido: as primeiras consistem essencialmente numa prova escrita igual para todos; na versão Júnior, realizada em mais escolas, cabe aos organizadores locais pensar e concretizar a prova, normalmente de cariz mais prático. Desenhar uma avaliação em Química para alunos do ensino básico foi uma dor de cabeça que fez empalidecer todos os pormenores organizativos. Foi igualmente muito didáctico, tão didáctico que apenas um post não é suficiente para abordar tudo o que a experiência propiciou.Devo confessar que nunca antes tinha olhado detalhadamente ...

Espinhos da farmacopeia popular

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, História, Química
Começo a dar-me conta: a mãoque escreve os versosenvelheceu. Deixou de amar as areiasdas dunas, as tardes de chuvamiúda, o orvalho matinaldos cardos. Prefere agora as sílabasda sua aflição.Eugénio de Andrade, Os trabalhos da mão (in Ofício de Paciência)Embora cantados por alguns poetas, os cardos são considerados erva daninha em Portugal. As plantas a que chamamos cardos pertencem, na sua maioria, à tribo Cardueae ou Cynareae cujas características distintivas são os espinhos e a ausência de flores liguladas, substituídas por flores tubulosas. Nem todos os cardos pertencem à mesma família, por exemplo o cardo marítimo recordado por Eugénio de Andrade é uma umbelífera.Embora em Portugal o cardo espinhoso não mereça grande consideração, na Escócia é tido em tão alta estima que figura no respectivo emblema nacional. As razões de tal escolha peculiar estão encobertas pelas brumas do folclore, mas rezam as lendas que, algures há uns largos séculos e em lugares diversos consoante a versão, os habitantes de uma dada aldeia ou de um certo castelo foram salvos de um massacre pelos gritos de invasores viking ...

A química da felicidade suprema

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Química
(Come chocolates, pequena;Come chocolates!Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.Come, pequena suja, come!Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)Tabacaria de Fernando Pessoa (ou antes, Álvaro Campos)Ciência e mitos fundem-se no néctar que, reza a lenda, dava alento e vigor a Montezuma, o último soberano asteca que a consumia em grandes quantidades antes das suas sortidas nocturnas a um bem fornecido harém. Para um asteca de posses, 9 sementes eram suficientes para lhe assegurar os serviços de uma dama da noite. Estes rumores auspiciosos alimentaram a mitologia amorosa do chocolatl, a bebida dos deuses até hoje, ou antes, a comida dos deuses, pelo menos no nome da planta que a fornece, Theobroma cacao como foi baptizada por Lineu.Os antropólogos Sophie e Michael Coe consideram no seu delicioso livro «The True History of Chocolate» que a planta cacao foi domesticada muito antes ...

Há elementos superpesados?

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Física, Química
A TSF fez uma série de programas, num formato de entrevista, intitulada "125 Questões de Ciência". Agora está em preparação um livro baseado nessa série, que terá a chancela da Relógio d' Água. Para dar um "cheirinho" do livro transcrevo aqui a minha resposta a uma das 125 questões.TSF: Aquele que encontrar a solução para esta pergunta ganha o Nobel. Sabe-se que há elementos mais pesados do que o urânio, chamados transuranianos, criados pelo homem, mas estes não são estáveis, decaem muito rapidamente e não têm muita utilidade. Mas tem-se procurado uma “ilha” de estabilidade para além da Tabela Periódica hoje conhecida. A procura mantém-se, o Nobel é um bom atractivo. Mas é pouco provável, diz Carlos Fiolhais, que essa “ilha” de estabilidade exista.CF: Têm sido intensivamente procurados elementos químicos estáveis fora dos que são conhecidos na Tabela Periódica, mas não foram encontrados e provavelmente não existem. Poderá haver elementos químicos com um número atómico (número de protões) mais elevado do que aqueles que conhecemos (o máximo actual é o elemento 118, mas o 117 ainda não foi fabricado), mas muito provavelmente não serão estáveis.Convém esclarecer o que ...

Novos desenvolvimentos em células fotovoltaicas

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Química, Tecnologia
A conversão de energia solar em electricidade pode ser uma das soluções para a crise energética que o mundo enfrenta. O elevado preço (e o consumo de energia) associado à obtenção do silício utilizado nas células convencionais impede uma maior contribuição da energia fotovoltaica na produção de energia. Embora existam outras alternativas, as células solares de plástico, OPVs, de que falou o Luís Alcácer, que podem ser fabricadas a baixo custo (também a nível energético), são actualmente as mais promissoras.De facto, a facilidade de processamento de polímeros, quando comparada com a dos tradicionais semicondutores inorgânicos, apresenta como atractivo o desenvolvimento de técnicas de custo reduzido para aplicações que requerem semicondutores de hiato no vísivel. Como vimos, a aplicação de polímeros conjugados em diodos orgânicos emissores de luz, PLEDS, já se encontra na fase de fabrico industrial de baixo custo.É aliciante pensar em elementos fotovoltaicos baseados em filmes finos de plástico. A flexibilidade de desenhar polímeros que apresentam as propriedades que se queiram para além da tecnologia barata já bem desenvolvida para todos os tipos de filmes plásticos tornaria essa aplicação um sucesso. A flexibilidade mecânica de materiais plásticos seria bem-vinda para integração ...

Electrónica de Plástico

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Química, Tecnologia
Mais um post convidado de Luís Alcácer.Um novo sector da indústria electrónica baseado em materiais plásticos, em vez de silício, está a surgir. Dispositivos, circuitos e sistemas em plástico, de muito baixo custo, que podem ser impressos sobre qualquer coisa e colocados em qualquer lado, começam a aparecer no mercado.Em paralelo com a electrónica convencional baseada no silício, que na crescente ânsia de colocar cada vez mais componentes num chip de alguns milímetros quadrados, está à beira de atingir os limites do fisicamente possível, está a emergir um novo paradigma baseado, não no elevado desempenho e miniaturização dos componentes, mas sim no baixo custo de fabrico.De facto, os circuitos electrónicos actuais, que estão nos chips dos nossos computadores, já têm componentes com dimensões da ordem das dezenas de nanómetros (1 nanómetro = 0,000000001 m), aproximando-se assim das dimensões dos próprios átomos. Essa tendência de miniaturização que vem desde pouco depois da criação do circuito integrado, mais precisamente desde 1965, é conhecida por lei de Moore e mostra que a evolução da miniaturização é de uma grande regularidade: o número de componentes duplica cada cerca de 18 meses, atingindo actualmente ...

Toxinas amnésicas

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ambiente, Ciência Geral, Química
Numa manhã de Agosto corria o ano de 1961, a pacata localidade costeira de Capitola na Califórnia, foi surpreendida por uma cena saída do livro «Os pássaros» de Daphne du Maurier, editado nove anos antes. Centenas de aves marinhas invadiram o local e atacaram os habitantes num episódio bizarro que fascinou Alfred Hitchcock, veraneante frequente na vizinha Santa Cruz. Hitchcock recolheu as notícias que fizeram as manchetes dos jornais locais numa proposta ao seu estúdio para um filme que apareceria nos cinemas dois anos depois. Está prevista para 3 de Julho de 2009 a estreia de um remake do filme.Na altura, o nevoeiro cerrado que teria confundido os pássaros e os induzira a procurar as luzes da cidade foi a única explicação encontrada para o incidente, que não explicava o comportamento insane de pássaros habitualmente pacíficos.Uma explicação do que de facto acontecera naquela manhã de 18 de Agosto de 1961 só foi possível em 1987 após mais de uma centena de pessoas terem ficado violentamente doentes horas depois de terem comido mexilhões em restaurantes de Prince Edward Island no Canadá. Rapidamente se constatou que não se tratava de ...

Purinas e gota

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Biologia, Ciência Geral, Química, Saúde
Carl Wilhelm Scheele, o farmacêutico sueco ligado à descoberta do oxigénio, descobriu uma lista enorme de novos compostos, entre eles a primeira purina isolada. A partir de cálculos urinários (calculus vesicae), Scheele isolou em 1776 o ácido úrico que utilizou para sintetizar murexida, o corante púrpura que tomou o nome do molusco que tingiu as elites da Antiguidade. William Prout, o cientista britânico que formulou a hipótese de Prout e foi homenageado por Ernest Rutherford quando este nomeou o protão, renovou o interesse pela murexida com um artigo de 1818 na Philosophical Transactions em que sugere que o corante poderia ser utilizado na «arte de tingir». A murexida, obtida primeiro a partir de excrementos de jibóias e depois de excrementos de pássaros, foi utilizada comercialmente para esse fim até à síntese da mauveína.O ácido úrico necessário à síntese da murexida é a forma como a maioria dos pássaros e répteis excreta compostos azotados resultantes do metabolismo de proteínas. Nos mamíferos, é formado por degradação das purinas, metade das bases do ADN. As purinas sofrem um processo de degradação em hipoxantina e esta em ...

Puberdade precoce, alterações climáticas e excesso de peso

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Biologia, Ciência Geral, Química, Saúde
Ontem teve lugar na sala Camille Blanc no Forum Grimaldi no Mónaco, a conferência «The Environment and women’s pathological conditions» («Mudanças Climáticas e Patologias Femininas»), associada à reunião do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.A 2ª conferência do dia foi proferida por Charles Sultan, da unidade de Endocrinologia e Ginecologia Pediátrica da Universidade de Montpellier, e versou sobre «Environment pollution and early puberty in girls» (Poluição ambiental e puberdade precoce em raparigas»). Como o título indica, o médico deixou um alerta sobre o problema que nos últimos tempos tem preocupado pais, educadores, médicos e psicólogos por ser cada vez mais frequente em crianças um pouco por todo o mundo.A puberdade precoce manifesta-se no desenvolvimento de características sexuais secundárias, como a pilosidade e o aumento dos seios, antes da idade considerada «normal». Embora haja alguma dificuldade em estabelecer limites, normalmente situam-se as fronteiras minímas de «normalidade» nos 8 anos para raparigas e nos nove anos em rapazes. Para além de estar associada a transtornos emocionais, depressão, aumento de agressividade ou baixa auto-estima, a puberdade precoce, normalmente acompanhada de uma menarca igualmente precoce, aumenta o risco de cancros do ...

ADN e evolução

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Evolução, Química
Por razões que nunca percebi, há algumas pessoas que atribuem uma «mágica» especial ao ADN e se recusam a admitir que esta macromolécula, não obstante o que representa em termos biológicos, é uma molécula como todas as outras. Do ponto de vista químico, há algumas propriedades do ADN que são muito interessantes, propriedades essas que resultam essencialmente das características das bases azotadas que o compõem. Arriscando maçar os nossos leitores, antes de passar a essas características, e porque se fala tanto de ADN no De Rerum Natura, vou tentar descrever em termos químicos o ADN.O ADN é uma molécula polimérica que muitos designam por polímero. Tal como os polímeros, o ADN é uma cadeia longa obtida a partir de unidades mais pequenas, os monómeros, mas o número de unidades nessa cadeia não é variável. Isto é, enquanto numa amostra de um polímero típico encontramos cadeias de dimensões diferentes, as dimensões e sequência (a ordenação das unidades repetitivas) das minhas, por exemplo, cadeias de ADN são iguais em todas as células do meu corpo.A unidade fundamental do ADN (ácido desoxirribonucleico) é o nucleótido, o qual ...

Biocombustíveis e sustentabilidade

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Ecologia, Química
A Royal Society alertou o governo britânico para as medidas simplistas que encorajam a utilização de biocombustíveis e que na realidade não diminuem as emissões de gases de efeito de estufa. O «Sustainable biofuels: prospects and challenges» aponta o facto de nem todos os biocombustíveis, apesar do prefixo bio tão na moda hoje em dia, serem de facto «verdes» e alguns poderem mesmo piorar o que supostamente se está a combater.As directivas da UE e a britânica «Renewable Transport Fuel Obligation» (RTFO) apenas exigem que se passe a utilizar mais combustíveis de fontes renováveis sem qualquer consideração sobre se reduzem as emissões ou sobre o impacto ambiental e social dos mesmos. O relatório refere que devem ser favorecidas políticas que promovam combustíveis que de facto permitam diminuir as emissões de gases para a atmosfera.John Pickett da Rothamsted Research, que dirigiu o estudo da Royal Society, afirmou «Seria desastroso se a produção de biocombustíveis destruisse diversidade biológica e ecossistemas naturais. Não podemos criar novos problemas ambientais ou sociais com os nossos esforços para minorar as alterações climáticas».O comunicado foi emitido no dia em que o comissário europeu para o ambiente, Stavros ...
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