Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the professores

O problema mais importante e urgente

É à Escola e aos professores que, desde a Antiguidade, muitas sociedades, com destaque para as sociedades ocidentais, têm confiado a educação formal de crianças e jovens.

E porque é que o têm feito? Entendo que há uma razão fundamental que, curiosamente, vejo escapar em muitas discussões actuais sobre a função de tal educação e na qual vislumbro três pólos: o desenvolvimento de certas capacidades cognitivas, afectivas e motoras dos sujeitos; o funcionamento a níveis aceitáveis de comunidades e estados; e a transmissão e ampliação da herança civilizacional.

Na verdade, como humanos, cedo percebemos que a educação formal nos permite vir a desfrutar de capacidades que trazemos em potência ao nascer e que tal se faz com base em conhecimentos acumulados ao longo do tempo, conhecimentos que valorizamos e, nessa medida, transformamos em memória funcional.

Assim, transmitir conhecimentos, técnicas, valores, instruir, preparar para a cidadania, para a consciência do mundo, para o progresso, para o bem, para o belo, para a liberdade, até para a felicidade, são alguns dos grandes propósitos que têm conduzido o sonho e a acção educativa.

É certo que há muitos momentos em que a tais propósitos têm dado lugar aos seus contrários: regimes aberta ou disfarçadamente totalitários encarregam-se disso nas suas primeiras medidas.

Porém, desde os esboços de democracia grega até ao presente, temos conseguido fazer face a esses regimes bem como a crises de toda a ordem. Por isso, a escola e os ideais que persegue, ainda que com inúmeras variantes, sobreviveram, o mesmo se pode dizer do ensino, a profissão que os concretiza. Mas isto não constitui qualquer garantia de que assim continue a acontecer.

Efectivamente, a educação é uma tarefa interminável, que requer, a cada momento, reconstituições com cada sujeito e para cada sujeito, de modo que este se aproprie de uma parte do humano, se conduza por ele e, eventualmente, o transmita a outros. Percebe-se que qualquer falha menor nessa tarefa, acarreta prejuízos incalculáveis: debilita-se a vocação e o entendimento que temos de “pessoa”; perece o passado e compromete-se o futuro.

Pela permanência e urgência de tal tarefa, muitos assemelham-na à de Sísifo, mas também pelo esforço que é preciso despender e pela vontade de a empreender, tendo por certo que nunca ela se concretiza por inteiro, que é sempre preciso recomeçar do nada ou de próximo do nada…

Esta é a consciência que acompanha os verdadeiros

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Money makes the education go round – 2

Texto na sequência de outro que poderá ser lido aqui:

Espero que o leitor não me interprete mal quando afirmo que o investimento no ensino e na aprendizagem não pode ser apresentado como estando directa e linearmente dependente de “incentivos financeiros”. Obviamente, não defendo o empobrecimento dos professores, defesa que se fez em tempos que se esperam passados, sob o pretexto destes, por terem sido alvo de um “chamamento interior”, decidirem dedicar-se a uma missão, mais do que a uma profissão. Obviamente, também não defendo que devam ser retiradas todas as bolsas de estudo aos alunos, pois sem elas seria impossível a muitos deles estudarem.

O que defendo é que os “incentivos financeiros” não podem ser apresentados como condição necessária e suficiente para ensinar e para aprender, pois entendo que estas duas actividades têm valor em si mesmas.

Sabemos que o ensino e a aprendizagem não acontecem no vazio, que estão relacionadas com as circunstâncias em que ocorrem, e sabemos também que as circunstâncias lhes podem ser favoráveis ou desfavoráveis, mas, ainda assim, não podemos confundir a essência do ensino e da aprendizagem com as suas circunstâncias.

O que nos diz a pedagogia sobre o assunto, no que respeita ao ensino? Nesta área disciplinar fizeram-se investigações sobre as principais preocupações dos professores? Se sim, as preocupações com os “incentivos financeiros” são as mais evidenciadas?

A resposta é a seguinte: dispomos de numerosas investigações sobre o assunto, realizadas em diversos países, desde os anos de 1960 até ao presente. Os resultados de estudos de revisão dessas investigações indicam que as preocupações dos professores se situam em aspectos como: indisciplina na turma, motivar os alunos para aprender, lidar com alunos que manifestam diferenças individuais (de aprendizagem, culturais,. etc.); planificar e concretizar o trabalho em sala de aula; estabelecer comunicação com pais; sobrecarga do trabalho administrativo; dificuldade de aplicar as orientações curriculares e outras da tutela, dada a sua frequente mudança e inadequação.

Ou seja, parece que as grandes preocupações dos professores se centram no seu trabalho, que é ensinar. Mais concretamente, parecem estar preocupados em fazer bem esse trabalho e referem preocupar-se com os impedimentos que encontram no caminho para chegar a esse fim.Continue a ler Money makes the education go round – 2

Foto do Dia





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Um cenário irrealista

Na sequência de textos anteriores e de comentários de leitores acerca daquilo que é ou que deve ser o ensino.

Nos sistemas educativos ocidentais, a solicitação aos professores para que, além do ensino, desempenhem tarefas várias, para as quais, por princípio, não estão habilitados, tem vindo a intensificar-se nas últimas décadas. Por outro lado, o ensino tem-se tornado mais exigente, sob o ponto de vista académico, pedagógico-didáctico e relacional.

Pode dizer-se que os professores têm aceitado este cenário, sem demonstrarem uma clara posição de resistência, ainda que o seu grau de entusiasmo e empenhamento possa variar.

Genericamente, os professores, além do seu trabalho, assumem funções burocráticas, como se fossem funcionários de secretária; bem como funções de acompanhamento dos alunos, como se fossem auxiliares de acção educativa. Para não falar de funções mais exigentes como detectar e seguir a evolução de crianças e suas famílias, à semelhança de psicólogos ou assistentes sociais; ou fazer observação e planos de intervenção especializados para alunos com características particulares, à semelhança de pedagogos, etc. Isto no quadro estritamente escolar, pois muitas outras coisas lhe são pedidas, como fazer a ligação da escola à comunidade ou organizar eventos com significado para ambas.

Trata-se de um cenário perfeitamente irrealista, pois, para que um profissional tenha um bom desempenho, o número de tarefas que lhe compete tem se ser necessariamente reduzido e, em caso algum, dispensa formação adequada.

Assim, se expõem os professores, sobretudo aqueles que são mais dedicados ao ideal de serviço, a sentimentos devastadores de incapacidade e de culpa, que, em última instância, os pode conduzir ao esgotamento (Hargreaves, 1998).

De facto, estudos empíricos têm demonstrado de modo inequívoco que a dispersão de tarefas e a exigência de perfeição que a acompanha, constitui uma importante fonte de mal-estar entre estes profissionais com consequências nefastas para as aprendizagens (Esteve, 1992). Explica Ph. Perrenoud (1993, 65) que “produz no professor a sensação de não saber por onde começar, de não conseguir fazer nada de jeito, à força de querer fazer demasiadas coisas, de não saber já o que começou, onde ficou, o que ainda resta fazer, o que tem mais urgência”.

Nesta linha de pensamento, Estrela (1999, 23), posiciona-se firmemente ao arrepio da subalternização do papel primordial do professor que consiste na “promoção das aprendizagens”, até porque “o trabalho na sala de aula continua a ser central, até para os próprios professores” na…

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Os professores têm de ser… professores

A jornalista Bárbara Wong perguntou a Ana Maria Bettencourt o seguinte: “Os professores queixam-se por acumular muitas competências como ser psicólogo, assistente social, terapeuta...”. A actual presidente do Conselho Nacional da Educação respondeu: “Mas, os professores têm que ser um bocadinho disso tudo. Há três componentes na missão do professor. Uma é mudar o paradigma do trabalho dentro da sala de aula: mais trabalho e mais acompanhamento aos alunos. A segunda é que o professor tem que ter função de tutoria, de enquadramento e apoio ao aluno; ajudar um aluno com crise pessoal ou que não consegue aprender. A terceira componente é o trabalho em equipa.”

Não, não "têm que ser um bocadinho disso tudo". Os professores não podem ser psicólogos, nem assistentes sociais, nem terapeutas… nem outra coisa qualquer que não seja serem professores.

E nem sequer devem tentar ser outra coisa a ser não professores, pois, caso contrário, estarão a interferir ilegítima e ilegalmente na esfera de actuação profissional de outrem. Além disso, por certo, irão cometer erros, uma vez que, para desempenharem tarefas que não lhes competem, disporão apenas do amável bom-senso, que, em matéria de educação, vale muito pouco.

Como está estabelecido, cada uma destas profissões requer formação específica e certificada, que, uma vez obtida, autoriza os profissionais a exercê-la, com exclusão de outrem.

Os professores são formados para serem professores e é isso, e nada mais do que isso, que, como sociedade, lhes temos de pedir.

E o que é que isso significa?

Significa, antes de mais, ensinar conhecimentos (científicos, artísticos, literários, filosóficos, axiológicos…), com intenções cognitivas, relacionais, morais, etc. muito precisas, e recorrendo a metodologias eficazes.

Nessa sua função de ensinar, obviamente que têm de acompanhar e apoiar os alunos, mas esse acompanhamento, mesmo que, em certos casos, tutorial, e mesmo que requerendo trabalho em equipa, é do foro pedagógico-didáctico e não de outro. Por exemplo, “ajudar um aluno com crise pessoal” será, essencialmente, da competência de um psicólogo.

Não tem o professor o dever de estar atento aos seus alunos, às suas manifestações como pessoas que o são? Sim, tem. Trata-se, aliás, de exercer um especial dever de cuidado que, à semelhança de outros profissionais que lidam com crianças e jovens, de forma alguma pode negligenciar. Mas esse dever circunscreve-se à identificação de sinais de risco e à colaboração com outros profissionais, quando tal se justificar. Não é a essência da sua profissão.Continue a ler Os professores têm de ser… professores

O professor que acompanha a evolução da linguagem


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Gulbenkian cria Casa das Ciências para professores do básico e secundário


A pensar nos professores das áreas científicas do ensino básico e secundário, a Fundação Calouste Gulbenkian lança esta manhã, o portal na Internet chamado A Casa das Ciências e coordenado pelo professor Ferreira Gomes, da Universidade do Porto.
Os professores podem registrar-se e aceder a mais de 700 conteúdos educativos na área da Matemática, Física, Química, Biologia e Geologia. Estes estão em constante actualização.
Segundo um comunicado da Gulbenkian, todos os materiais colocados ou recomendados são “sujeitos a uma avaliação prévia segundo critérios de rigor científico e pedagógico”. (Retirado do Jornal Público, 18 de Maio de 2009)
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O dever de educar para o professor

Quinta sessão do ciclo O dever de educar, no próximo dia 16 de Dezembro, pelas 18h15, na Livraria Minerva Coimbra.

Na sequência da sessão anterior, dedicada ao sentido que, no presente, o dever de educar ganha no contexto particular da escola, direccionamos, agora, a atenção para o sentido que esse dever tem para o professor.

Será convidada Maria Regina Rocha, professora de Português do Ensino Secundário, estudiosa e divulgadora da Língua Portuguesa, investigadora da sua didáctica, autora de manuais escolares... O seu pensamento, apurado em mais três décadas de ensino, ajuda-nos a perceber os desígnios da educação escolar.

Local: Livraria Minerva (Rua de Macau, n.º 52 - Bairro Norton de Matos) em Coimbra.

Próxima sessão: 13 de Janeiro.

As sessões deste ciclo são quinzenais e estão abertas ao público.Continue a ler O dever de educar para o professor

21th Century Learning Matters?

Novo post convidado de Norberto Pires, director da revista "Robótica". Este texto será o editorial do número de Novembro da revista e agradecemos ao autor colocá-lo à disposição dos nossos leitores (as referências [1], [2] e [5] são os vídeos intercalados no texto):

Este mundo focado no curto prazo e numa ideia muito particular de sucesso e felicidade tem coisas perversas. A aversão pela reflexão, pela ponderação, pelo raciocínio estratégico baseado em objectivos de longo prazo tem, como não podia deixar de ser, consequências muito complicadas. As pessoas só se apercebem disso quando acontece um desastre e afinal se conclui que a auto-regulação não funciona e que é necessária uma regulação responsável (ou seja, com regras claras), que permita um desenvolvimento sustentado (verdadeiro suporte da liberdade e da democracia): passo-a-passo, sem cortar etapas, só passando para o degrau seguinte quando o anterior está sólido. O curto prazo não permite isso, porque são necessários resultados imediatos, é preciso vender ilusões e mostrar números. Para descobrir, anos depois, que afinal era tudo muito frágil ao observar horrorizados como tudo se desmorona com uma simples brisa.

Agora existe a aprendizagem do século XXI [1], invariavelmente reduzida a tecnologia (e portanto incapaz de se adaptar à mudança da nossa forma de viver [5]), (com "slogan" e tudo: “21th Century Learning Matters”), que diz, sem nenhum problema, de consciência ou outro, que a aprendizagem baseada nos três R (Reading, wRiting and aRithmetic), que colocava o foco inicial no domínio dessas competências (que não são skills, segundo esses educadores do novo milénio: isso das skills é mais high-tech, mais 21th century) está ultrapassada (destinava-se a um mundo repetitivo, onde as pessoas não tinham ambições, acomodavam-se, etc., a boring world), com argumentos high-tech e cheios de palavras bonitas e imagens muito atractivas como: skills, Internet, global, community, designing, creating new products, information, data analysis, aggregation, problem solving, information synthesis, in 2007 we produced more words than in the entire human history…, tudo com muitos blip-blip, data-flows e jobs of the future that we are unable to imagine yet, bem misturado e apresentado. :-(

Claro que depois os alunos avançam e não são capazes de uma conta simples sem o auxílio de uma máquina de calcular, pensam que tudo é possível pois não conhecem as regras básicas do cálculo e da aritmética, não sabem ler (muito menos interpretar um texto), não sabem escrever uma simples frase sem vários…

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OS PROFESSORES BEM VISTOS

O "Público On-line", de 9 de Setembro, transcreve a seguinte frase do primeiro-ministro José Sócrates, na qual exprime publicamente a sua preocupação com a opinião pública:

"Ao longo destes anos fizemos mudanças nem sempre bem compreendidas, mas que hoje permitem que aos olhos da opinião pública os professores e a escola sejam mais bem vistos."

Estudos de opinião, como o da empresa alemã GFK divulgado em Agosto último, mostram que os professores gozam, de facto, de uma boa imagem na sociedade portuguesa, tal como os bombeiros e os médicos (88% dos portugueses confiam nos professores). Mas estarão mesmo mais bem vistos aos olhos da opinião pública devido a recentes "mudanças" ou esse é um sentimento mais antigo que está aliás generalizado desde há algum tempo na Europa, conforme mostram esses estudos? Foram mesmo feitas mudanças para valorizar a intervenção dos professores ou vêem-se eles hoje cada vez mais atrapalhados pela máquina infernal do Ministério que os tutela? Será "devido a" ou "apesar de"?

Seja como for, há um dado do estudo do GFK que é mais curioso: é que, enquanto os professores estão no pelotão da frente na tabela da confiança, os políticos estão bem no fundo, no último lugar, em Portugal como em geral na Europa (só 14% dos portugueses confiam nos políticos). Apetece perguntar: Para quando as mudanças que permitam que, aos olhos da opinião pública, os políticos e a política sejam mais bem vistos?Continue a ler OS PROFESSORES BEM VISTOS
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