UMA ESCOLA QUE DÁ O EXEMPLO

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Sistema educativo, política educativa
A melhor escola pública portuguesa, a avaliar pelos "rankings" dos exames do secundário é a Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra. Pois esta escola, onde as reformas antecipadas de vários professores estão a causar graves problemas, decidiu, por unanimidade dos seus docentes, que suspendia o processo de avaliação. Se outras escolas seguissem o seu exemplo - e outras de Coimbra parece que o querem fazer - o imbróglio em que o Ministério meteu as escolas poderia terminar... De assinalar que, ao arrepio de falsas divisões que foram cultivadas, os pais confiam nos professores e estão com eles na decisão que tomaram. A Associação de Pais foi clara a este respeito: "Não queremos que esta escola perca a qualidade que tem".PS) Rosário Gama, a Presidente do Conselho Executivo da Escola, é militante do PS, tendo inclusivamente colaborado no último número, dedicado ao ensino, da "Ops!", revista de opinião socialista.

No rescaldo da manifestação do dia 8 de Novembro

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, educação escolar, política educativa
Regressa a opinião, como sempre desassombrada, do nosso colaborador Rui Baptista, cuja pena se tem distinguido no comentário a assuntos de educação: "Mário Nogueira reconhece que está a travar 'um combate político-partidário' " (Jornal de Notícias, 8/Novembro/2008). Pela interpretação à letra desta frase conclui-se estarmos em presença de uma desastrada confissão a que a embriaguez de uma vitória havida como fácil conduz. Ele certamente sabe, como soube Eça, que “quando se quer fazer marchar um regimento não se lhe explica com a subtileza de um protocolo os motivos que levam à guerra: desdobra-se uma bandeira, faz-se soar um clarim e o regimento arremete”. Resta saber qual o verdadeiro papel da Plataforma Sindical no meio do cheiro acre da pólvora por se fazer representar através do seu porta-voz de sempre, Mário Nogueira, que, sem qualquer peias que o bom senso e o tacto político recomendariam, transforma a justa luta dos professores num braço-de-ferro entre o Partido Socialista e o Partido Comunista. E quando o mar bate na rocha… Dias atrás, David Justino, ex-ministro da Educação e assessor da Presidência da República ...

“QUEREMOS ENSINAR”

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Ensino, educação escolar, política educativa
Os professores portugueses, que na sua maioria, marcharam em protesto no sábado passado pelas ruas de Lisboa, fizeram bem em dizer que queriam ensinar. De facto, é isso que sabem fazer e é isso que é preciso que eles façam. O Ministério da Educação devia também querer isso deles, mas a palavra "ensinar" parece estranha ao seu vocabulário. Se o Ministério quer que haja ensino, precisa mesmo dos professores, pois não há ensino sem professores. E devia precisar mais dos melhores professores, procurando apoiá-los e incentivá-los.Para saber quem são os melhores professores é preciso um processo de destrinça. Quero crer a maioria dos professores aceita um método de avaliação competente, mas esse método terá pouco a ver com o caos burocrático com que a 5 de Outubro está a sufocar as escolas. Por outro lado, parece-me óbvio que os sindicatos não querem avaliação nenhuma, quanto mais não seja porque muitos dos seus dirigentes já não ensinam há muito tempo e ficariam decerto mal avaliados se a qualidade do ensino fosse o factor mais importante para a progressão na carreira. O governo tem todo o direito de contrariar os sindicatos. ...

Quem pode, foge

Helena Damião @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Ensino, política educativa
Recebi, na minha caixa de correio, um artigo de Manuel António Pina, publicado recentemente no Jornal de Notícias. Tomo o liberdade de aqui o reproduzir, pois sobre o assunto eu não escreveria mais nem melhor.Bem sei que já conhecemos a realidade que nele se retrata, mas é preciso que se fale nela, que se fale bastante nela, que se fale, sobretudo, nos enormes prejuízos que, por certo, acarreta para os alunos, que são aqueles que, como sociedade, deveríamos ter a preocupação de proteger, ensinando-os em condições adequadas (isto para não falar nos prejuízos para a própria sociedade).Não parecem restar dúvidas de que nas presentes condições criadas pela tutela, mesmo aqueles que assumem estoicamente a sua profissão, têm as maiores dificuldades em a exercer.As razões são várias, como Manuel António Pina refere, começam os professores por não ter tempo para preparar o ensino nem para ensinar, encontram-se sob supeita contante, não compreendem qual é, ao certo, a função da escola, nem o seu papel na mesma...Algumas razões são antigas, reconheço, mas há algo que me parece novo: é a sua concertação a agudização. Como se alguém tivesse a ...

21th Century Learning Matters?

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Tecnologia, educação, política educativa, professores
Novo post convidado de Norberto Pires, director da revista "Robótica". Este texto será o editorial do número de Novembro da revista e agradecemos ao autor colocá-lo à disposição dos nossos leitores (as referências [1], [2] e [5] são os vídeos intercalados no texto):Este mundo focado no curto prazo e numa ideia muito particular de sucesso e felicidade tem coisas perversas. A aversão pela reflexão, pela ponderação, pelo raciocínio estratégico baseado em objectivos de longo prazo tem, como não podia deixar de ser, consequências muito complicadas. As pessoas só se apercebem disso quando acontece um desastre e afinal se conclui que a auto-regulação não funciona e que é necessária uma regulação responsável (ou seja, com regras claras), que permita um desenvolvimento sustentado (verdadeiro suporte da liberdade e da democracia): passo-a-passo, sem cortar etapas, só passando para o degrau seguinte quando o anterior está sólido. O curto prazo não permite isso, porque são necessários resultados imediatos, é preciso vender ilusões e mostrar números. Para descobrir, anos depois, que afinal era tudo muito frágil ao observar horrorizados como tudo se desmorona com uma simples brisa.Agora existe a aprendizagem do século XXI [1], invariavelmente reduzida a tecnologia (e portanto incapaz ...

Ranking de Universidades - 2

Paulo Gama Mota @ De Rerum Natura Categorias: Ciência, Ciência Geral, Ensino Superior, educação, política educativa
O post do Carlos sobre o ranking das universidades portuguesas suscitou alguns comentários ao texto que me decidiram a acrescentar alguma informação e esclarecer alguns aspectos do investimento em ensino superior público em Portugal.Parte dos dados provêm do Relatório de 2008 da UE ‘Education and training 2010’:http://ec.europa.eu/education/policies/2010/progressreport_en.htmlRanking das universidades portuguesasO THES-QS é um dos dois rankings utilizados pela UE. O Outro é o ARWU produzido por uma universidade chinesa. Estes rankings produzem resultados diferentes, porque usam metodologias distintas. A U. Coimbra é a primeira portuguesa no ranking THES, surge em 387 lugar e não aparece no ARWU. Passa-se o contrário com as U. Porto e U. Lisboa que estão no ARWU. A U. Porto está para lá das 500 no THES. O Reino Unido tem 19 universidades no top 100 segundo o THES e 11 segundo o ARWU. A França tem 2/4, a Holanda 4/2, a Alemanha 3/6 e a Espanha e Portugal 0. Mas, no top 500, a Espanha já tem 9 e nós apenas ...

“UMA OFENSA À NOBREZA DA PEDAGOGIA”

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Sistema educativo, política educativa
Numa entrevista à revista "Notícias" do "Diário de Notícias" e "Jornal de Notícias" de domingo passado a professora de Português Maria do Carmo Vieira denuncia alguns dos problemas maiores da nossa escola. Eis aqui um excerto dessa entrevista:P. Quando diz que o verbo Ensinar foi banido, está a referir-se ao facto de ele ter sido banido do discurso oficial?R. Sim, e essencialmente dos programas. Segundo esse discurso, um professor não ensina, deve apenas «respeitar o discurso que os alunos trazem de casa», estar atento aos seus interesses, deixando-se estimular por eles. Esta nova estratégia pedagógica foi apresentada, como incontornável, numa acção promovida pelo Ministério da Educação (ME), em que estive presente, enquanto formadora, e que incidia sobre os objectivos da nova disciplina de Português, mascarada sob o nome de «Língua Portuguesa», para de forma aparentemente natural dissociar Literatura e Língua, como se isso fosse possível. P. Como interpreta isso? R. Pura e simplesmente como estratégia para obter um êxito rápido e cumprir metas estatísticas. Com efeito, as novas teorias pedagógicas, uma ofensa à nobreza da pedagogia, viciam os alunos no facilitismo, cultivando a preguiça e ...

Novas oportunidades ou novos oportunismos?

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, educação, política educativa
Novo post sobre educação do nosso colaborador Rui Baptista:Calar-se equivale a deixar crer que se não julga e que nada se deseja; e, em certos casos, isso equivale, com efeito, a não desejar coisa alguma”. Sophia de Mello Breyner O artigo do “Diário de Notícias” de 6 de Setembro passado, com o título “15% da população sem secundário já estão nas Novas Oportunidades “, reforça, na minha opinião, o parecer da Associação Comercial do Porto que ...

Do Caos à Ordem dos Professores

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Sistema educativo, avaliação do ensino, política educativa
Novo post convidado de Rui Baptista, o nosso colaborador habitual para as questões do ensino: “As ideias, em Portugal, são meros instrumentos de paixões ...

A DREN e o segredo de polichinelo

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, educação escolar, política educativa
A habitual crónica de Rui Baptista sobre educação: A queixa apresentada por estes dias ao Ministério Público pela Direcção Regional do Norte (DREN) pela passagem nas televisões do filme feito com um telemóvel por um aluno da Escola Carolina Michaelis do Porto veio mostrar o grande incómodo deste organismo estatal pela vinda a lume de um verdadeiro segredo de polichinelo. Acontece que em 11 de Março deste ano, ou seja dias antes deste lamentável caso, chamava já eu a atenção neste blogue, no post “Sementes de Violência” (título retirado de um filme americano dos anos 70 que versava esta temática), para o recrudescimento em Portugal do fenómeno do “bullying”, isto é, actos de agressão, verbal ou psicológica contra indivíduos incapazes de se defenderem. Em nome da virtude pública e do ditado popular “a roupa suja lava-se em casa”, apesar de no interior das escolas reinar, em matéria de indisciplina e mesmo de violência, um verdadeiro inferno, convinha que passasse para o exterior que havia um verdadeiro paraíso comportamental. Ora, não assumir responsabilidades, escondendo a ...

Trinta anos de eduquês: origem e instrumentos do mal

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Ensino, Sistema educativo, política educativa
Artigo de opinião de Guilherme Valente publicado no Público de 30/3/2008:"O cérebro é uma coisa maravilhosa.Era bom que todas as pessoas tivessem um."Anónimo1. Disse-se que a aluna do Carolina Michaëlis iria ser responsabilizada judicialmente (em Espanha, um juiz acaba de aplicar uma multa pesadíssima aos pais de um aluno que insultou uma professora). Ocultaram e relativizaram enquanto puderam os resultados dos exames com que não conseguiram acabar (arremedo de exames, aliás). Ocultariam e relativizariam enquanto pudessem, usando o natural constrangimento dos docentes atingidos, a indisciplina (que chegaram quase a elogiar), a violência, o regresso à barbárie que se está há trinta anos a promover. Bem-vindo, pois, de fora, o alerta às consciências do procurador-geral da República! Mas é preciso ter presente a origem do mal e a responsabilidade pela situação nas escolas e nas ruas: os Governos, os sucessivos ministérios, a Assembleia, os Presidentes da República, todos nós, afinal, a insensatez inimaginável, o conformismo, o assobiar para o lado, o arranjismo e oportunismo de todos estes anos.2. Dos instrumentos de disseminação do flagelo, um dos mais perversos e eficazes é, seguramente, o modelo de gestão das ...

Guerras da propaganda

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, História, Política, educação escolar, política educativa
Deve-se a Dario Hystapis, um dos grandes reis aqueménidas (538-330 a.C.), um fenómeno que perdura até ao século XXI. O monarca atribuiu-se a defesa do Bem e da Verdade, projectando sobre os seus adversários a pecha de serem os defensores da mentira e do mal.A origem dessa dicotomia ética aplicada à política encontra-se no dualismo original da religião persa, codificada por Zarathushtra ou Zoroastro, em que Ormudz ou Ahura Mazda é o detentor da bondade e veracidade, em oposição a Arihman, o «grande satã», deus do mal e da mentira. Essa dicotomia ética/política atingiu o seu expoente com Mani ou Manes (séc. III), que criou uma religião que pretendia ser «ecuménica», o maniqueísmo, em que foram integrados elementos do hinduismo, zoroastrismo e cristianismo.Um mural do século XIII, pintado por volta de 1265 e descoberto há oito anos nos banhos públicos da cidade Massa Marittima, na Toscânia, é, na opinião de George Ferzoco, o primeiro «cartaz» de propaganda política na História. É curioso confirmar que embora o teor e forma das mensagens políticas propagandistas tenha evoluído ao longo dos séculos, o seu propósito não variou muito e continua próximo da inovação ...

Quem está a tramar a ministra?

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Sistema educativo, política educativa
Trancrevemos um extracto (do início) de um artigo de opinião de Guilherme Valente no "Expresso" de hoje sobre a educação nacional:1. José Sócrates parece-me ter o enorme mérito de ser o primeiro chefe de governo a identificar e a querer enfrentar o problema central da educação, a ideologia e o obscurantismo pedagógico verificadamente geradores de ignorância, desigualdade e miséria, algo que o eduquês não lhe perdoará. O seu erro foi o "casting".Na sua primeira declaração (numa escola de Guimarães) –significativamente dissonante da intervenção do Primeiro-Ministro na mesma ocasião – a Ministra, desvalorizando os exames, logo revelou ao que vinha.Formada no caldo do eduquês, nunca lhe vimos manifestações de distanciamento crítico do flagelo. A tese que adoptou não era nova, mas fez dela o programa do Ministério: a tragédia educativa não se deveria ao eduquês, mas ao modo como foi aplicado. Ou seja, aos professores, que não o aplicam bem, e aos sindicatos, que não deixam pôr os docentes na ordem.2. Ora, não foi o eduquês, em todos os Governos, que criou, nestes trinta anos, a legislação que «rege» o sistema, formou, infectou, intimidou os professores, comandou ...

AVALIAÇÃO?

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Ensino, Sistema educativo, política educativa
A propósito de toda esta trapalhada em que o Ministério da Educação se meteu sobre a avaliação dos professores, queria deixar um curto comentário. Não discuto a necessidade da avaliação porque ela praticamente não existe apesar de ser indispensável a todos os níveis para a melhoria da qualidade do nosso ensino: os professores, as escolas, os governos têm de ser avaliados. E, ao contrário de outras vozes, acho que uma má avaliação é preferível a avaliação nenhuma.O problema é que o esquema que está previsto - e que por várias razões provoca a repulsa dos professores e de outros cidadãos - nem sequer é uma má avaliação. Não é avaliação nenhuma. Não passa de uma burocracia confusa e mal-pensada, feita à pressa e para ser feita à pressa. Não tem nada a ver com a escolha e recompensa dos melhores, que exige ponderação do mérito (os melhores professores recusam-na tanto ou mais do que os outros). De resto, o "eduquês" sempre fugiu da avaliação como o diabo da cruz...

A luta dos professores e o apelo do Presidente da República

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Ensino, Sistema educativo, avaliação do ensino, política educativa
A actualidade educativa mais uma vez comentada por Rui Baptista: “Depois do 25 de Abril, tenho-me sentido tentada a escrever uma peça que se chamaria ‘Auto dos Oportunistas’, mas que é impossível de escrever porque há sempre mais um acto” - Sophia de Mello Breyner. Começo por citar o pedagógico discurso do Presidente da República, Prof. Cavaco Silva, nas comemorações solenes dos 205 anos do Colégio Militar (1.Março.2008): “Temos de ter um ambiente de confiança entre todos os intervenientes do nosso processo educativo. É preciso que todos emitam sinais positivos, porque o país tem de recuperar em matéria de qualificação dos recursos humanos”. Decorreu esta cerimónia num vetusto estabelecimento de ensino de jovens que prima pela selecção cuidada do seu quadro docente e por uma ambiência escolar exemplar na sua exigência para com um ensino integral de elevada qualidade. Assim, em local apropriado e em tempo próprio se ouviu este apelo do Chefe do Estado a um desejável armistício na batalha campal que tem tido como protagonistas a ministra da Educação e os professores que se agrupam em ruidosas manifestações sindicais de rua ou ...
Design by j david macor.com.Original WP Theme & Icons by N.Design Studio
Entries RSS Comments RSS Login