Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the Poesia

Em agradecimento de várias mensagens de parabéns, partilho dois belíssimos temas de Hector Zazou baseados na polifonia da Córsega: Anima & Memoria



Dois temas complementares
Anima 0 aos 4.19 min. (bonita, alegre)
Memoria 4.21 aos 9.59 min. (sublime, espectacular)
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Hoje faço (44) anos: partilho convosco uma belíssima foto do Miguel Pimenta e um poema sobre o Mar de Miguel Torga, escrito no ano do meu nascimento

Ilhas Cies, Galiza- Foto do meu Amigo Miguel Pimenta






Mar Sonoro

Rumor das ondas, música salgada,
Eterna sinfonia
Da energia
Inquieta:
Que búzio te ressoa a nostalgia
Além do meu ouvido de poeta?

Torga, 1966

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Perseguição do Vento, por Aurélio Porto

Diante de mim o Sarónico desdobra-se em anfractuosidades
e na luz de oiro azul esqueço já quanto li.
Dizia o jornalista que a guerra suja algures no Cáucaso o indigna,
lá onde assassinatos, torturas, gente para sempre desaparecida,
é o que a todas as horas acontece.
Porém, a ilusão da guerra limpa, a guerra cumpridora
das civilizadas convenções, o massacre legitimado, cordato, legal,
quem poderá ainda suportá-la?
Entrando pelos olhos dentro o horror da guerra,
a sua definitiva barbárie mesmo quando promana
das grandes civilizações,
nada mais restou: as nações declararam proscrevê-la,
apontando nela finalmente a maldição. Fatal porém
a timidez com que o fizeram:
distinguindo entre defesa e agressão e permitindo a primeira
contra a segunda,
como de justiça parece,
abriram a porta a todas as falsidades.
Disfarçar de defesa a agressão tornou-se um jogo de principiantes,
e sempre de grande efeito.



E os corpos esfacelados explodindo, as cabeças decepadas
à bomba servidas em bandeja,
as mais científicas e fisiológicas torturas,
livremente proliferam.
E enquanto o mundo se revolta com a revelação das crueldades
que só os ingénuos,
e são multidão,
suporiam os senhores do império incapazes de cometer,
e ocupam as pantalhas e as primeiras dos jornais,
o legalíssimo exército avança e massacra sobre as cidades
para outros santas,
e para o invasor apenas uma vulgar posição a tomar.
E o mundo, justamente clamando o seu horror pelo horror civilizado
e pelo bárbaro terror,
placidamente consente entretanto o legalíssimo massacre,
aquele que impõe a implacável lógica do poder e da conquista.
Resta apenas banir toda a guerra,
a legal e a ilegal,
a civilizada e a barbárica,
a de defesa e a de agressão,
que como hidra surgem de quem produz e detém armas
em sete cabeças sempre renascidas,
banir a inútil tralha antes de tudo o mais,
tornar impossível a agressão
e inútil a defesa.
Tudo mais vento e perseguição de vento.

Biografia e mais info aqui


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Já existe A VOZ do BioTerra, através do Read Speaker



O BioTerra adoptou mais uma ferramenta para que os utilizadores possam ouvir ou ler os conteúdos do blogue com igual facilidade. Mais transparência, mais justiça e mais igualdade. Celebro este momento com uma sugestão de ouvirmos Nude, dos Radiohead.

Letra (excerto, traduzida)
 
Não tenha grandes idéias
Elas não vão acontecer
Você se pinta de branco
E sente-se com problemas
Mas ali estará alguma coisa faltando.

Agora que você encontrou, se foi
Agora que sente isso, não sentirá
Você vai sair fora dos trilhos

Então não tenha grandes idéias
Elas não vão acontecer
Você irá para o inferno pelo o que sua mente suja pensa.

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Billy Bragg – She’s Got a New Spell



What is that sound
Where is it coming from
All around
What are you running from
Something you don't understand
Something you cannot command

Chorus:
That's how I know
She's got a new spell
Yes, that's how I know
That she's got a new spell

What's going down
Who's moved this room from round me
Where has it gone
I fear this night will drown me
So I lie awake all night
'Cos I can't sleep with something I can't fight

The laws of gravity are very, very strict
And you're just bending them for your own benefit

One minute she says
She's gone to get the cat in
The next thing I know
She's mumbling in Latin
She cut the stars out of the sky
And baked them in a pie

She stole the scene and scenery
The script and the machinery
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Momentos de Verão: Ismael Lo – Baykat


LETRA
mané hé baykat bi khalam
démonna bay nékh wayé boumgua
dokna mome

mané hé baykat bi khalam démonna
bay nékh wayé boumgua dokna mome

boula nékhé talalal say lokho
yaye docteur biy fath khifou askane bi
liko dalé si nditoum rew bassi miskine
ya souméko di dane sa dolé andak nath
bi di liguey sa gnakha di tourou
ngay bay di doukat bilay ya am diome

kon diarama baykat koufi xiff yako
doundal bamou sour waw koufi fébar
yako nandal aki réén bamou féékh

kon diarama baykat koufi xiff yako
doundal bamou sour
waw koufi fébar yako nandal aki réén
bamou féékh

ya momone sa mbay
ya mome sa guanthiakh mome say
ndiour ya mome sa alla di bay
nguour gneuw dougalthia lokhome ak
boor fékeleuthaa guanthiakh ba
mégneu lole ndékétéyo

kon diarama baykat koufi xiff yako
doundal bamou sour
waw koufi fébar yako nandal aki réén
bamou féékh

kon diarama baykat koufi xiff yako
doundal bamou sour
waw koufi fébar yako nandal aki réén

bamou féékh
dirama diarama baykat bé yaw
kéneu rek mola mana fay
moy bourbi yaalla
guathia ngalama

guathia ngalama yaw baykatbé
guathia ngalama
guathia ngalama yaw baikatbé

dirama diarama baykatbé yaw
kéneu rek moleu mana fay
moye bourbi yalla

Obg,Margarida Pino
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Teoria das cordas de Manuel António Pina




Não era isso que eu queria dizer,
queria dizer que na alma
(tu é que falaste na alma),
no fundo da alma, e no fundo
da ideia de alma, há talvez
alguma vibrante música física
que só a Matemática ouve,
a mesma música simétrica que dançam
o quarto, o silêncio,
a memória, a minha voz acordada,
a tua mão que deixou tombar o livro
sobre a cama, o teu sonho, a coisa sonhada;
e que o sentido que tudo isto possa ter
é ser assim e não diferentemente,
um vazio no vazio, vagamente ciente
de si, não haver resposta
nem segredo.


Atropelamento e Fuga, Asa, Porto, 2001.Continue a ler Teoria das cordas de Manuel António Pina

Noir Désir – En route pour la joie




Qui a miné la base
qui a fait sauter l'pont
qui avait disposé
du ciment sous les plaines
qui savait au debut
qu'il y aurait une fin
qui êtes vous messieurs-dames
pour me parler comme ca ?

[Refrain] :
Hosanna, Hosanna
et en route pour la joie

de la gelée encore
du givre au bord des lèvres
ah mais où sont les mots secrets ?

c'est des bornes d'hopital
c'est des couloirs en vrac
du néon malicieux
et de la douche en laque

[Refrain]

de l'os après la chair
de l'acide au rabais
jusqu'à en faire pourrir
les derniers noyaux frais

qui recréera la base
qui reconstruira l'pont
qui saura déchirer
le ciment sous les plaines

[Refrain]


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John Cooper Clarke – Conditional Dicharge



Satisfaction, comes and goes
biological action, cannot be froze
a sexual recharge, a plug in a socket
conditional discharge, a sticky deposit

more on the sick, down in the dumps
visit the clinics, where the stethescopes jump
on the love-sick side effects
tell me what was it
conditional discharge, a sticky deposit

the memory lingers, in the clean routine
another man's fingers, under my jeans
they give me a card, some antibiotics
said conditional discharge, a sticky deposit

satisfaction, comes and goes
biological action, cannot be froze
a sexual recharge, a plug in a socket
conditional discharge, a sticky deposit


a random fuck, dirty sheets
a crack in a cup, a lavatory seat
I'm in the dark about where I got it
condtional discharge, a sticky deposit

sexual freedom, left me alone
in a garden of eden, syndrome
it's on the cards, you'll come across it
condtional discharge, a sticky deposit

the up's and down's, of times like these
fuckin' around, is a social disease
when the public-at-large don't know they got it
conditional discharge, a sticky deposit

a problem of leisure, measured in turns
of pain plus pleasure, plus poisoned sperm
take this diagram, keep it in your pocket
conditional discharge, a sticky deposit 
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Os ses da vida

Não se trata de um poema  sociológico, se é que há poemas sociológicos, uma vez que descreve uma pessoa ideal e não uma pessoa real, mas é um excelente poema. SE Se consegues continuar de cabeça fria quando à volta Todos a perderam e dizem que a culpa é tua, Se continuas a crer em ti quando todos duvidam, Mas em ti conservas espaço para a dúvida deles; Se consegues Continue a ler Os ses da vida
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