Antônio Lopo Montalvão e a Arqueologia Brasileira: Uma Breve História

Elton Luiz Valente @ Geófagos Categorias: André Prous, Antônio Lopo Montalvão, Arqueologia, Ciência Geral, Ciência Geral, Dom Quixote, Erich von Däniken, Ficção Científica, Filosofia, João Guimarães Rosa, João da Ana, Livros, Mantena, Museu de História Natural, Quaternário, Revista do Brasil Remoto, UFMG, Zé Limeira, arte popular, arte rupestre, história da arqueologia, misturismo, mitologia, montalvanismo, pleistoceno, plioceno, zé-limeirismo
Por Elton Luiz Valente Gostaria de oferecer aos Geófagos uma curiosidade histórica, na figura de um ilustre e lendário mineiro chamado Antônio Lopo Montalvão (Nhandutiba, 1917 - Montalvânia,1992). De caráter popular, era um autodidata, idealista, arqueólogo, filósofo, historiador e visionário. Assim, através do Geófagos, pretendemos render-lhe uma pequena homenagem. No post anterior tratei de algumas considerações sobre a arqueologia brasileira, que tem em Minas Gerais uma coleção bastante diversificada de sítios arqueológicos, sobretudo na Depressão do Rio São Francisco, nas áreas de relevo cárstico que margeiam a Serra do Espinhaço. A história da arqueologia no Brasil e principalmente em Minas Gerais é tangenciada pela história de Montalvão. Dono de uma biografia ímpar sob muitos aspectos, Antônio Lopo Montalvão nasceu em 1917, em Nhandutiba, distrito rural do município de Manga, no norte de Minas Gerais. Por volta dos vinte anos foi parar em Buenos Aires, fugindo de uma confusão em que se metera em Goiânia. Voltou para sua terra natal em 1949 com um projeto: fundar a cidade de Montalvânia. “Eu pensava na Nova Tróia, fadada aos descendentes de Enéias“, dizia. Construiu o centro da cidade em 1952, na confluência dos rios Cochá e Poções, afluentes do Rio Carinhanha, a 80 km ...

Pré-História Brasileira: Um Ensaio

Elton Luiz Valente @ Geófagos Categorias: Arqueologia, Ciência Geral, Ciência Geral, Mudanças climáticas, Pré-História, arqueologia brasileira, cerrados, glaciação, holoceno, modificações morfoclimáticas, paleoclimas brasileiros, pleistoceno, povos pré-colombianos, savanas
O gênero humano evoluiu em ambiente de vegetação do tipo savana, de fitofisionomia aberta. Em condições naturais, a floresta não é um ambiente confortável para a nossa espécie. Em sua diáspora pelo mundo, o Homo sapiens provavelmente colonizou mais facilmente aquelas áreas onde o ambiente era semelhante ao de sua origem atávica. Na América do Sul, mais especificamente na área que corresponde ao Brasil, durante e após a última glaciação (cerca de 10.000 anos atrás), parece natural que o homem tenha desenvolvido suas comunidades em áreas como as Coxilhas Gaúchas, a Caatinga e o Cerrado, ambientes de vegetação aberta. Nestas áreas encontram-se muitos dos sítios arqueológicos já descobertos no território brasileiro.É bem possível que a principal rota de dispersão do homem pela América do Sul tenha se dado por vias litorâneas, que certamente apresentavam clima mais agradável, facilidade de locomoção e maior disponibilidade de alimentos independentemente das estações. Em períodos frios do Pleistoceno (de 1,6 milhão a 10.000 anos atrás), o nível global dos oceanos sofreu recuos em até mais de 100 metros, portanto, os possíveis sítios arqueológicos litorâneos, da transição entre o Pleistoceno e o Holoceno (iniciado no fim da última Era Glacial, há cerca de 10.000 anos), ...
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