Açafrão, a especiaria da vida
Deixo-vos um interessante vídeo sobre o cultivo do açafrão no Irão, um dos maiores produtores do mundo.
O estudo quantitativo da biodiversidade é importante não apenas para se saber quantas espécies existem, ou ainda existem, mas também para se fomentar esforços e estabelecer políticas de conservação biológica. Como dito no blog Química Viva, exercícios quantitativos sobre a diversidade biológica podem ser realizados utilizando-se diferentes abordagens. Desta forma, podem ser comparados para se verificar qual a variação observada entre os resultados e se determinar os intervalos quantitativos para diferentes classes de espécies biológicas analisadas.
O que se observa de maneira consistente é que a maioria das novas espécies biológicas descobertas são de pontos quentes de biodiversidade (“biodiversity hotspots”). Associadas a estas novas espécies estão aquelas de ocorrência única, as mais ameaçadas de extinção por situarem-se em uma única região. Tal raciocínio é válido para todos os principais grupos de organismos – inclusive plantas.
No que se refere às plantas em particular, a estimativa do número de espécies passa pela resposta a duas perguntas: a) quantas espécies únicas já foram descritas por taxonomistas (ou seja, deve-se estimar o número de espécies sinônimas para as já descritas), e; b) como se deve estimar o número de espécies por serem ainda descritas.
No caso da primeira questão, uma estimativa feita por Paton et al. (2008) levou à verificação que existe uma porcentagem consistente de espécies sinônimas em cada família de plantas – o que permitiu aos autores deste estudo propor o número de 352.282 espécies únicas de plantas já descritas. Uma abordagem mais recente (feita por Joppa et al., 2010), levou em consideração o número de espécies disponibilizado pela World Checklist of Selected Plant Families (WCSP 2008) e pelo Royal Botanic Gardens de Kew (Inglaterra).
No caso da segunda questão, estimativas anteriores realizadas por Robert May (1988, 1990 e 1992) para diferentes grupos biológicos utilizaram dados de escalas em cadeias alimentares, abundância, tamanho, raridade, e outros caracteres. Na abordagem mais recente (Joppa et al., 2010), estes utilizaram outros dados, principalmente o número de taxonomistas participando da descrição de espécies (no caso, de plantas). Os dados obtidos indicam um aumento no número de taxonomistas de plantas ao longo de 250 anos. Em paralelo, observou-se um aumento no número de espécies de plantas a serem ainda descritas. Tais resultados levam em conta não somente o número total de taxonomistas, mas também o aumento no esforço da descrição de espécies/taxonomista. Desta forma, observa-se que estes profissionais são atualmente…