Gosto do Outono, esta estação triste convém às recordações. Quando as árvores já não têm folhas, quando o céu conserva ainda, ao crepúsculo, o tom rubro que doura as ervas murchas, é bom ver apagar-se tudo o que ainda ontem em nós ardia.
A história das… civilizações passadas coincidiu com a exploração das florestas — cada atingiu o seu auge e depois declinou quando o seu manto florestal se perdeu. Desconhecendo a sua dependência das árvores, falharam na preservação de uma cobertura florestal razoável, expondo a sua sociedade à queda resultante dessa negligência ignorante.
Richard St. Barbe Baker, fundador da sociedade Men of the Trees, in Green Glory, 1949
Os meus fins foram sempre não trabalhar só para mim, senão que tambem empenhar-me em introduzir plantas novas para desenvolver a horticultura no paiz. Ora o paiz não raro costuma dizer: “Quem te encommendou o sermão que t’o pague!”
in Jornal de Horticultura Pratica, Vol. IV (1873)
O Dr. Júdice é um “entertainer” completo. Estava aqui a passar o tempo, à espera que a chuva chova para ir dar uma volta com os cães, enquanto escrevia uns pequenos textos no blogue. Lá longe a televisão debita uma opiniões. As de António Barreto interessam-me. As de José Miguel Júdice decididamente não me interessam.
Hoje fiquei a saber que o Dr. Júdice acredita sempre na imensa bondade da espécie humana (só para contextualizar, a propósito do responsável da ASAE que começou por negar a existênca de determinado documento).
Já parou de chover, o Dr. Júdice continua a falar e de facto prefiro o ar fresco da noite e a companhia dos meus cães. Nunca acabo de ver este programa, apesar de António Barreto.
Plantar árvores como parte da restauração ecológica tem sido uma preocupação que transitou do século passado, por vezes com grande perfil, como a atribuição do prémio Nobel a Wangari Matai (BBC), mas muito antes, verdadeiros guerreiros das árvores entenderam esta necessidade.
(more…)
Bem, eu não penso apenas que a biosfera está em dificuldades, sei que está. Só tenho que olhar em volta no meio-ambiente em que vivo.
Na minha parte da parte do Mundo onde vivo, estou sempre a dizer às pessoas para não cortarem árvores irresponsavelmente. Para não cortarem árvores nas florestas das montanhas. Porque se destruimos essas florestas nas montanhas, os rios pararão de correr e as chuvas tornar-se-ão irregulares, as colheitas falharão e morreremos de fome. O problema é que as pessoas não fazem essas correlações.
A ler a entrevista com Anthimio de Azevedo na revista que acompanha o JN (e DN) de hoje (Domingo). Opiniões do “homem do tempo”, serenas e sem berros, sobre as alterações climáticas.
José Marques Loureiro era natural de Besteiros, distrito de Viseu. Pode-se dizer que a sua carreira como horticultor começou com apenas 15 anos, quando veio para o Porto. Assim conta Duarte de Oliveira no Jornal Horticolo-Agricola.
O professor na escola de aldeia onde aprendeu os rudimentos da língua portuguesa, era também um escultor de grotescos santos de madeira.
Um dia, depois da aula, dizia aos discípulos o homenzinho, que acumulava o ofício de esculpir e ensinar:
— Ajoelhem-se meninos, diante deste santo e rezem.
Os rapazes ajoelharam-se e o Josésito, com muita fungadela de riso, virou-se para o mestre e resmungou:
— Eu não me ajoelho. Isto não é um santo, é um boneco que vocemecê acabou ontem de fazer.
Aí é que foram elas. Caiu uma carga de palmatoadas no desgraçado José, que desatou a fugir para casa com as mãos que pareciam cepos.
— Meu pai! Meu pai! Veja estas mãos! — gritava desesperadamente, em grande pranto.
— Que é isso?
— Foi por eu dizer ao senhor mestre que, o mono que ele fez, não era um santo mas sim um boneco.
O pai, que era uma abençoada criatura, irritou-se com a história e quis ...
Só por si, é fascinante e um bom retrato da sociedade, um programa radiofónico de jardinagem emitir durante 60 anos.
Na sua primeira edição, em Abril de 1947, advogavam a utilização de DDT e nafta para combater a aranha vermelha (é um ácaro e não sei se é o nome em português). No programa de aniversário, convidaram a Garden Organic (antiga HDRA) e ainda transmitiram uma entrevista com SAR o Príncipe de Gales, que falou da horticultura biológica nas suas propriedades e da Heritage Seed Library.
O contraste não podia ser maior e a ideia era mesmo essa. Felizmente, há algumas coisas que mudam para melhor.
O mais notável horticultor português, era um apaixonado sincero por todas as maravilhas do reino vegetal. Por mais de uma vez se recusou a vender por bom preço plantas raras a que ligava particular estima.
O monarca D. Luís I desejou comprar a todo o custo um raro Neottopteris nidus avis, que o horticultor não vendeu, dizendo-lhe que se o rei tinha prazer em possuir o explendoroso feto, também com ele Marques Loureiro, se dava o mesmo e por isso não o cedia por preço algum.
Jornal de Agricultura e Horticultura Prática, Janeiro de 1895
No leito de morte, deram a beber ao augusto enfermo umas colheres de vinho Tokai de 1814, que em tempo lhe fora oferecido pelo imperador da Áustria. O Papa ao ingerir esta preciosidade, aludindo ao precário estado da sua saúde e à sua avançada idade, exclamou sorrindo:
– Só os vinhos é que melhoram à medida que envelhecem!
A propósito do comentário de José Santos sobre Marques Loureiro, convém esclarecer que aparentemente Portugal sempre teve uma capacidade fora de comum para esquecer os seus melhores e na verdade a horticultura já nos tempos do ilustre horticultor não era tida em grande conta. Cito de memória Duarte de Oliveira a propósito de uma exposição de pêras e pereiras em Paris, por volta de 1904, que dizia “para isto Portugal é um país morto”. Referia-se à horticultura.
Já no blogue Dias Com Árvores pode ler-se que “Quando José Duarte de Oliveira se apagou já os tempos áureos da horticultura portuense pertenciam ao passado; tais estrangeirismos nunca se tinham verdadeiramente enraízado na vida da cidade, tanto na classe abastada como na popular. Duarte de Oliveira era obviamente um estrangeirado, um conhecedor de línguas (francês, inglês e alemão) que muito viajou por toda a Europa; como, além de tudo o mais, foi um comerciante rico, O Tripeiro, no obituário que lhe dedicou, pôde usar termos elogiosos, descrevendo-o como «negociante honrado», mas ignorando o Jornal de Horticultura Prática, e referindo apenas de passagem, em tom de quem desculpa uma excentricidade, a paixão de Duarte de Oliveira pelas ...
Em 1880, Marques Loureiro visitava o estabelecimento de William Bull em Londres. Ao entrar numa das estufas de orquídeas, exclamou para os amigos que os acompanhavam:
- Se Van Siebold — interrogava — se descobrira ao encontrar a Peonia ‘Gloria belgarum’, o que devo fazer em face destas maravilhas?
E tirando o chapéu ajoelhou-se.
- É mais do que fez Seibold, com efeito — observaram os amigos.
- E não lhes beijo os pés, porque me tomariam por um louco — rematou o desventurado Marques Loureiro, cheio de contentamento e entusiasmo, pelas maravilhas que nunca julgara que existissem e quase com lágrimas nos olhos por não as poder trazer todas para o seu adorado país.
É difícil imaginar o amor que estes homens tinham às plantas e às coisas da horticultura. Era uma época de descobertas constantes, novas plantas chegavam a toda a hora das colónias e de todo o Mundo. Muitas eram importadas pela sua utilidade — a casca das temíveis acácias australianas usou-se muito nos curtumes. Não sei se há mais de 100 anos já mostravam as tendências invasoras de hoje.
A erudição e os conhecimentos vastíssimos, colocavam Marques Loureiro ...
“A festa floral, promovida pelos horticultores, com o fim do seu producto reverter em favor da homenagem que vai ser prestada, no square de Carlos Alberto, a Marques Loureiro, o grande vulgarisador de riquezas de Flora e Pomona, em Portugal”.
Jornal Horticolo-Agricola, Março de 1899.
“Ainda está na memoria de todos os grandes serviços que Marques Loureiro prestou á horticultura portugueza, da qual foi, por assim dizer, o seu creador. Ainda não se pensava em todo o paiz no que ella era e poderia vir a ser, quando esse homem corajoso e apaixonado por Flora, lançava os primeiros alicerces para o vasto e sumptuoso templo que lhe elevou no Porto. É gloria para esta terra! Foi d’aqui que se propagaram todas as especies e variedades que embellezam e enriquecem o paiz ; como foi aqui que se realisaram os mais brilhantes torneios floraes, graças ao seu enthusiastico apoio.
É assim que elle tem direito ao reconhecimento de todos quantos, mais ou menos, são apaixonados pelo mundo vegetal, que ainda hoje seria, provavelmente, o que era ha meio seculo, se um Marques Loureiro não houvera apparecido entre nós.”
Jornal Horticola-Agricola, Dezembro de 1899.
Na ...
Ou deverei chamá-los “designers de jardins”? Na Gardens Illustrated de Maio, faz-se uma antevisão do que vai ser o concurso de jardins deste ano do Chelsea Flower Show. A qualidade do trabalho apresentado, que pode ser comprovada nos sites dos jardineiros, é extraordinária e demonstra a enorme distância que ainda temos que percorrer neste país, ainda na idade das obscuras rolagens selvagens. Há no entanto uma vantagem em ir atrás. Temos o caminho perfeitamente iluminado e delineado. É só querer trilhá-lo.
Cleve WestJinny BlomTom Stuart SmithAndy SturgeonStephen WoodhamsChris BeardshawMarcus BarnettPhilip Nixon
e ainda a neozelandesa Xanthe White, mas sem página na internet.
Recent Comments