Córneas Biossintéticas
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Continue a ler Caminhos e Descaminhos da Ciência Brasileira
Recherche, palavra francesa que significa “pesquisa”, muito similar à palavra em inglês, research, de mesmo significado. Se analisarmos com cuidado a etimologia das duas palavras, é fácil observar uma raiz comum: re-cherche, re-search. Chercher, do francês, significa “procurar”, “buscar”, tal como search, do inglês, “procura”. Então, recherche e research têm, na origem, um significado de “procurar de novo”. A pesquisa, assim, adquire uma significação geral de “procurar e procurar”. E procurar de novo, até encontrar. Ou não.
Em 1905 Einstein publicou, sozinho, 26 artigos, dentre os quais aquele em que define sua teoria especial da relatividade, no qual apresenta o conceito de “equivalência” entre massa e energia, mais tarde descrito com a mais famosa equação científica, E = m.c2. Porém, Einstein, insatisfeito com o aspecto ainda “restrito” de sua teoria trabalhou mais 10 anos, de forma a abranger a gravitação e o conceito do universo com 4 dimensões (altura, largura, profundidade e tempo) para levar à elaboração do conceito de “espaço-tempo curvo”, e poder descrever suas idéias com equações matemáticas (com as quais tinha algumas dificuldades), incluindo ainda as leis do eletromagnetismo. No final de 1915 Einstein publicou a sua “Teoria Geral da Relatividade”. Este é um belo exemplo de re-cherche, de re-search, que durou 10 anos.
Outro exemplo é do de Charles R. Darwin, que abandonou seus estudos de teologia para embarcar em uma viagem de 5 anos a bordo do H.M.S. Beagle. Durante a viagem, com direito a duas paradas no Brasil (uma na ida a outra na volta), Darwin coletou uma enorme quantidade de espécies biológicas e fósseis. Ao longo de sua viagem leu algumas obras importantes, como ensaios de Thomas Malthus sobre o crescimento populacional e também uma obra anônima intitulada “Vestiges of the Natural History of Creation”, que discutia como os seres vivos poderiam ter surgido. Após voltar para a Inglaterra, Darwin trabalhou durante 20 anos, sob intensa pressão científica, psicológica, emocional e social, para publicar a sua Origem das Espécies. Ao longo de tanto tempo, Darwin exerceu continuamente sua re-cherche, sua re-search, para escrever sua grande obra (outras, tão grandes, mas menos conhecidas, viriam mais tarde).
Carl Gustav Jung, discípulo de Freud enquanto jovem, também não gostava de escrever rápido ou sem muita reflexão. Várias de suas obras foram escritas ao longo de muitos anos, publicadas em ensaios que mais tarde se tornariam livros. Dentre estes, alguns dos quais em…
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O último número da revista Chemistry World, editada pela Royal Society of Chemistry, traz notícias nada animadoras para os profissionais da educação superior na Europa. Segundo a revista, os efeitos da crise econômica já se fazem sentir em cortes no financiamento de pesquisa de vários países: Itália (10%), Romênia (10%), Estônia (10%), Irlanda (9,4%), Reino Unido (6,6%). Os orçamentos de pesquisa foram congelados na Bélgica e na Hungria, enquanto que na Espanha e na Áustria os governos locais declararam que a crise ainda afetará o orçamento de pesquisa nas universidades.
Contra esta tendência, o governo da Alemanha aumentou o orçamento de educação em nível superior e pesquisa em 800 milhões de euros, e anunciou que investirá 2,7 bilhões de euros entre 2012 e 2015 para apoiar pesquisa e inovação com alto nível de excelência. O governo francês também anunciou um incremento de 30 bilhões de euros no orçamento da educação em nível superior.
Já nos EUA o governo anunciou que o financiamento da pesquisa deverá estimular maior competitividade, objetivando estimular pesquisa dentro das prioridades nacionais. A íntegra da notícia pode ser lida aqui.
Outra notícia publicada no mesmo número da revista Chemistry World apresenta a discussão em torno do aumento das taxas dos cursos universitários do Reino Unido (UK). O assim chamado Grupo Russell, que representa a elite das universidades do UK, considera que os alunos deveriam pagar mais por seus estudos, e serem menos subsidiados. Por outro lado, o mesmo Grupo Russell adverte que uma tal medida deverá afetar a pesquisa nas universidades e a formação de doutores. O Grupo Russell manifestou sua opinião dizendo que o aumento no valor das anuidades deverá ser um reflexo no real interesse dos estudantes de nível superior, e que o sistema nacional de estabelecimento dos valores das anuidades deveria ser substituído por valores a serem estabelecidos por cada instituição de nível superior. De acordo com o Grupo Russell, o atual sistema de subsídio do ensino superior é insustentável. No entanto, associações estudantis, como a União Nacional dos Estudantes (National Union of Students, NUS), manifestou-se contra as declarações do Grupo Russell, argumentando que a dívida dos estudantes ao término de seus cursos de graduação é, na média, de £ 20,000 (vinte mil libras esterlinas, ou cerca de R$ 55.300,00). Adicionalmente, o problema pode ser ainda mais grave, pois, com o eventual aumento das anuidades escolares, os estudantes…
Reportagem publicada hoje no jornal Folha de S. Paulo on-line traz dados levantados pelo Presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Carlos Aragão.
Ciência rural turbina publicação no país – Ricardo Mioto
Se todos os pesquisadores brasileiros produzissem como os da área de ciências agrárias, o peso científico do país hoje seria equivalente ao da França. Já campos como psicologia, economia e ciências sociais, bem inferiores à média nacional, puxam a produtividade para baixo. Os dados que permitem essas conclusões foram apresentados pelo presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Carlos Aragão, na reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Natal (RN). A medida usada nas estatísticas é o número de artigos publicados em revistas científicas mundo afora, indexados (cadastrados) em bases de dados internacionais.
“A ciência brasileira, apesar de aceita como uma ciência de qualidade, ainda não tem protagonismo mundial. São poucas as áreas em que você pode dizer que um grupo brasileiro causou uma verdadeira mudança de paradigma”, disse Aragão. “Tanto que, nas reuniões da Academia Brasileira de Ciências, sempre alguém pergunta por que ainda não temos um Prêmio Nobel. Claro que um Nobel não é tudo, mas é um indicador de liderança científica.”
Na média, o país vem, porém, melhorando rapidamente. Só entre 2007 e 2008, o número de artigos publicados em revistas científicas internacionais cresceu de 19 mil para 30 mil – e o país subiu da 15ª para a 13ª posição no ranking mundial.
O bioquímico Rogério Meneghini, especializado em medições de produtividade científica, lembra que pode existir uma margem de erro nas comparações. Segundo Meneghini, elas funcionam para definir quais são os extremos, o que há de melhor e pior na pesquisa nacional, mas as áreas com notas intermediárias precisam ser analisadas caso a caso. Isso porque a base internacional na qual os dados estão não separa os trabalhos científicos em campos – é necessário fazer buscas por palavras relacionadas à área. Para Meneghini, é preciso ter cuidado especialmente em áreas interdisciplinares, como a bioquímica. “São áreas menos definidas e, conforme as palavras usadas numa busca, aparecem resultados diferentes. Nas pesquisas que fiz, a bioquímica está perto da média.” Segundo ele, a baixa produção das ciências humanas se relaciona com a dedicação maior dos pesquisadores da área aos livros e coletâneas. “Em outros lugares, como a Espanha, não é…
Continue a ler Segundo Carlos Aragão, produção científica em ciências agrárias é a mais significativa do Brasil