Archive for the Personalidades e Cientistas
Yes Oswaldo II – Sementes da Revolta
Um pouco mais sobre Gödel
Incompletude (agora completa)!
Incompletude (ainda incompleta…)!
Navalha de Ockham
Sagan e a “Teologia da Cientificação”
Lamarck e os grande enigmas da vida
Entrevista com o Prof. José Alexandre Felizola Diniz-Filho
O Prof. José Alexandre Felizola Diniz-Filho do Departamento de Biologia da UFG, está provavelmente entre os mais produtivos cientistas (em quantidade e qualidade) em Ecologia no Brasil atualmente. Pesquisador 1A do CNPq (o nível mais alto), Diniz é também um Fellow, isto é, um dos poucos brasileiros membro da prestigiosa Sociedade Linneana de Londres, aquela que reverenciou Darwin 150 anos atrás, quando o então relutante autor encaminhou um resumo (motivado pela carta de Alfred R. Wallace) sobre sua idéia de evolução pelo processo de seleção natural.
Como a exposição Darwin se inicia em Goiânia no próximo dia 19, exatamente um ano antes das comemorações de 200 anos do nascimento do pai da Biologia, e dos 150 anos da publicação de Origem das Espécies, o Alexandre deixou o computador e o violão de lado (que sabe tocar divinamente) para conversar com o Ronaldo sobre evolução, darwinismo e ciência. Confiram:
Bafana Ciência: Comecemos do princípio, afinal o que é Darwinismo? Uma hipótese científica, uma teoria ou uma área de investigação?
Darwinismo é na realidade uma tradição de pesquisa. Ernst Mayr, considerado um dos maiores biólogos do século XX, diz que o darwinismo tem cinco componentes principais: a confirmação da existência da evolução, a especiação, a ancestralidade comum entre as espécies, o gradualismo e a seleção natural como processo da evolução. É difícil caracterizar tudo isto como uma teoria na acepção da palavra, mas de qualquer forma o cerne do darwinismo é a seleção natural.
Bafana Ciência: Tenho a impressão que dentro do ramo de pesquisa dito darwiniano, cabem teorias aparentemente antagônicas como, por exemplo, o gradualismo proposto por Darwin e o pontualismo do Stephen Jay Gould, ou ainda a radiação evolutiva e a deriva genética . Não é muita contradição dentro de um mesmo arcabouço teórico?
Vamos com calma, Ronaldo. Gradualismo é a evolução dentro da população ou espécie ao longo do tempo e de modo contínuo, já a teoria do equilíbrio pontuado do Gould é alternativa à isto, pois propõe que as mudanças…
Continue a ler Entrevista com o Prof. José Alexandre Felizola Diniz-FilhoMais perto de Deus
Em junho de 1736, chegou à Quito no Equador uma missão da Academia Real de Ciências de Paris formada por Pierre Bouguer (físico), Charles-Marie de La Condamine (geógrafo) e Louis Godin (matemático e chefe da expedição), além de um botânico.
Foram medir um grau do arco do meridiano no equador terrestre para testar a hipótese newtoniana, de que a Terra tem forma elíptica. A mesma Academia também tinha enviado outra expedição à Lapônia, perto do círculo polar. Assim, se o arco do meridiano fosse maior no equador, a Terra deveria ser abaulada no equinócio e Newton estaria certo…
Porém a medição não era tão simples. Para determinar o meridiano era necessário colocar vários pontos fixos (geodésicos) distantes uns dos outros vários graus de latitude, formando triângulos para depois projetar um arco e medir sua longitude. Ainda era necessário um barômetro preciso para considerar e padronizar a altitude.
Tudo isto tinha que ser feito no mau e volúvel tempo dos Andes com suas constantes temperaturas baixas, ventos cortantes e terrenos acidentados. Além disso, os franceses não se deram bem com os desconfiados nativos e os geodésicos eram, por vezes, roubados.
Fim da história: os franceses brigaram entre eles mesmos (típico de cientistas…), demoraram mais de seis anos pra retornar e, quando o fizeram, com exceção de Bouguer e La Condamine, “pereceram”, já que não publicaram nada, perdidos entre incontáveis e desconexas notas de campo. De todo modo a expedição teve sucesso, pois, o “erro” das marcações do equinócio de Bouguer e La Condamine foi de 0,02% (como verificado muito tempo depois). Além disso, a expedição ajudou, no final do século XVIII, à estabelecer o metro como unidade de medida universal, pois que representa um décimo-milionésimo da distância do meridiano ao equador (hoje botaram a velocidade da luz na determinação do metro…). Em todo caso, tenho que dizer: imagine se as notas de campo tivessem sido aproveitadas na totalidade…
Em 1802, Alexander Von Humboldt também foi à região de Quito, passando 8 meses na (como conhecida hoje) “Avenida dos Vulcões”, pois conta com 18 deles, destacando-se o Chimborazo (6.310m) e o Cotopaxi (5.897m), ambos escalados por Humboldt e Aimé Bonpland.
Eu e a Adriana subimos o…
Continue a ler Mais perto de Deus

