Ossos da História

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Evolução, História, divulgação da ciência, paleontologia
Paul Sereno é um dos paleontólogos e divulgadores desta ciência mais famosos da actualidade. Sereno é responsável por descobertas que contribuiram de forma determinante para a elucidação da evolução dos dinossáurios, que resumiu de forma fabulosa no «The Evolution of Dinosaurs», um dos cinco artigos de um número especial da Science sobre evolução.A descoberta mais mediática do cientista da Universidade de Chicago e explorador residente da National Geographic foi sem dúvida o Sarcosuchus imperator (mais conhecido como SuperCroc), mas é igualmente fascinante o Nigersaurus Taqueti, descrito em Novembro do ano passado na Plos One no artigo «Structural Extremes in a Cretaceous Dinosaur» e apresentado ao público na mesma data no Museu da National Geographic.O dinossáurio, nomeado por Sereno em 1999 em honra do paleontólogo francês Philippe Taquet, que na década de 1950 encontrou os primeiros ossos, revelou-se anatomicamente muito bizarro. A característica mais inesperada do Nigersaurus reside no seu crânio, inspeccionado com o auxílio de tomografia computadorizada. Com um comprimento de apenas 9 metros, este primo mais novo e mais pequeno do conhecido Diplodocus apresenta um um crâneo quase translúcido em que a caracteristica mais inesperada é ...

Geomagnetismo e Geocronologia

blacksmoker @ Blacksmoker Categorias: "Desintegração radioactiva", "Estratigrafia", "Geocronologia", 1, Ciência Geral, Datação absoluta, Geologia, Tectónica de Placas, datação relativa, paleontologia
  O nosso planeta possui um campo magnético que, possivelmente, resulta do movimento dos fluidos metálicos do núcleo exterior em fusão. Este movimento gera correntes eléctricas fracas que, em interacção com a rotação mecânica do fluido, associada ao movimento de rotação do planeta, gera um campo magnético auto-sustentável. Alguns materiais rochosos têm estruturas atómicas que mudam sob a influência de um campo magnético, ficando as suas partículas orientadas relativamente às linhas de força magnética. Se a modificação induzida na orientação das partículas persistir, o material retém as suas propriedades magnéticas depois do campo magnetizante ter sido afastado.Assim, algumas rochas tornam-se magnetizadas pela influência do campo magnético da Terra na altura da sua formação (por solidificação dos materiais magmáticos ou, em menor escala, por sedimentação).Retêm então um registo fóssil do campo magnético terrestre (paleomagnetismo) tal como existia no local e no momento da sua formação. Através de estudos de magnetismo fóssil de rochas de várias idades, foi possível estabelecer que o campo magnético terrestre tem sofrido ao longo do tempo geológico inversões completas, tendo o pólo norte magnético passado a ser pólo sul magnético e vice-versa. Os estudos de magnetismo terrestre foram determinantes para a elaboração ...

O que são fósseis de Fácies? e de idade?

blacksmoker @ Blacksmoker Categorias: "Fossilização", "Fósseis Estratigráficos", "Fósseis de Fácies", "Fósseis de Idade", 1, Ciência Geral, Geologia, fósseis, paleontologia
 O que são fósseis de Fácies? e de idade? Vinha eu de uma aula de Sustentabilidade do Planeta, quando ao meu lado nas escadas duas alunas discutiam o que eram os fósseis de fácies, que objecto estranho, e fósseis de idade. A dicussão mais parecia o célebre diálogo de Sócrates e Platão e estava acesso. Não resisti e decidi meter-me na conversa, aliás porque senti que o próprio Darwin se sentiria mal em saber que os fósseis também evoluem! Achei que a discussão das duas pequenas estava a ir longe de mais na evolução e ainda acabava em fósseis de T-Rex mutagénicos. Vamos lá ver do que estamos a falar….. O conceito de “fóssil de fácies” é usado para destacar aqueles fósseis que melhor desempenham o papel de indicadores paleoambientais. Para que um fóssil seja um bom indicador paleoambiental, o organismo (ou grupo biológico) que lhe deu origem deveria ter uma forte limitação ambiental, para que a informação paleoecológica contida no fóssil seja o mais precisa possível. Por vezes o “fóssil de fácies” é apresentado em oposição ao “fóssil de idade” e como para esses importa que a evolução dos grupos no passado seja lenta (que os fósseis tenham distribuição estratigráfica estreita, curta)… então, por vezes, ...

A medida do Tempo e a Idade da Terra (Curiosidades)

blacksmoker @ Blacksmoker Categorias: "Dover", "Estratigrafia", "Fósseis Estratigráficos", 1, Ciência Geral, Geologia, Tempo Geológico, fósseis, paleontologia
Eras e Períodos, são para saber professor?   Sim, as Eras são para saber, trata-se de conteúdos obrigatórios no programa de Biologia e Geologia, os períodos são para saber se o exame for feito em Espanha. Mas há uma forma fácil de aprender os Períodos. A Biologia e Geologia utilizam termos que derivam de palavras gregas e do latim, e apesar de não ser necessário saber latim nem grego no ensino das ciências, algumas palavras dão muito jeito. Alguns exemplos.   Os dois períodos mais antigos do Paleozóico são o Câmbrico e o Silúrico. Assim foram designados por dois geólogos britânicos, Adam Sedwick e Roderick Murchison, que estudaram estratos no País de Gales. O termo Câmbrico deriva de Cambria a palavra latina para Gales e Silúrico vem do nome de uma tribo celta do País de Gales, os Siluros. Estes dois geólogos acabaram por desentenderem-se porque Murchinson considerava que o Silúrico incorporava o Câmbrico. Professor, aqui no livro entre o Câmbrico e o Silúrico surgue o Ordovícico! Pois é, um outro geólogo, Charles Lapworth, eventualmente terá resolvido o conflito entre os dois amigos galeses, através da criação do, Ordovícico! Mas foram sem dúvida Sedwick e Murchison que  por volta de 1830 lançaram a ...

Mamutes e alterações climáticas

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ambiente, Ciência Geral, paleontologia
Em Maio do ano passado, Yuri Khudi, um pastor de renas da cidade de Nenets, encontrou na península de Iamal, no norte da Rússia, o corpo congelado de uma bébé mamute em excelente estado de conservação. Alexei Tikhonov, vice-director do Instituto de Zoologia da Academia Russa de Ciências, que participou de uma delegação que foi examinar a descoberta, (considerada uma das dez mais importantes de 2007 pelo Instituto Arqueológico da America), declarou então que:«Em termos do seu estado de preservação, é a descoberta mais importante deste género».Com 1.2 m e 50 kg, a bébé Lyuba morreu há cerca de 10 000 anos, no final da última Idade do Gelo, quando os gigantescos animais foram extintos do planeta. Em finais de Dezembro, o mamute foi enviado para a Universidade de Jikei, em Tóquio, onde foi sujeito a um estudo detalhado, que, como explicou Naoki Suzuki, que dirigiu a primeira parte da investigação, se espera consiga lançar luz sobre a extinção dos mamutes. De facto, as opiniões dividem-se sobre as causas que levaram à extinção deste parente dos actuais elefantes, sendo apontadas como possibilidades alterações climáticas, caça excessiva, doença ou mesmo ...

Evolução e encefalização do homem

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Evolução, paleontologia
Este pequeno vídeo educativo ilustra o processo evolutivo da encefalização humana utilizando o registo fóssil de crânios de homínideos. Do ponto de vista neurofilogenético, a inteligência das espécies tem sido avaliada pela extensão das áreas associativas corticais, pela massa cerebral e especialmente pela relação massa cerebral/massa corporal ou índice de encefalização (I.E.), o indicador favorito da maioria dos antropólogos.Apesar de este índice não ser um indicador absoluto de inteligência, especialmente se aplicado a pequenos animais cujas massas corporal e encefálica são acentuadamente baixas - por exemplo, um rato* tem um I.E. muito superior ao do Homo sapiens - é interessante analisar a evolução deste índice na árvore filogenética humana. Na tabela, que inclui o chimpanzé para comparação, são indicados valores médios calculados usando uma das muitas definições de IE. Espécie Capacidade craniana /cm3 IE A. afarensis 414 3.1 A. africanus 441 3.4 P. boisei 530 3.5 ...

Paleontologia molhada

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Evolução, paleontologia
Neste vídeo, Tyler Keillor explica como preparou o modelo do Tiktaalik, o fóssil de uma espécie de transição peixe - anfíbio (tetrápode) descoberto pelo paleontólogo Neil Shubin.E falando em Shubin, este descreveu num post convidado no Pharyngula as suas impressões sobre a ida ao Colbert Report. Apesar de nos confessar ter ficado aterrorizado com o convite e tão nervoso que dormiu muito mal na véspera da gravação, diria que não se nota no produto final. E embora a bloggingheads.tv não tenha o impacto do Comedy Channel, certamente que ajudou falar sobre «Paleontologia Molhada» num Science Saturdays. Achei especialmente interessante o trecho em que Shubin discute «The problem with the idea of a missing link».

Gravado na Pedra: Registo Fóssil e Evolução

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, paleontologia
Realiza-se hoje pelas 21h30mn na Galeria Matos Ferreira uma palestra simplesmente a não perder. O paleontólogo Carlos Marques da Silva do Dep. de Geologia da Faculdade de Ciências da UL «abordará a Evolução Biológica e a Teoria da Evolução Biológica e, com base em exemplos paleontológicos, retirados do registo fóssil, abordará conceitos evolutivos básicos, evidências concretas e, espera-se, desmistificará mitos e desfará equívocos da Evolução.»A palestra «Gravado na Pedra: Registo Fóssil e Evolução» integra o ciclo «Do Grão ao Planeta». Mais informações no Ciência ao Natural, outro blog de divulgação de ciência associado ao Público.

As armaduras da evolução

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Evolução, História da Ciência, paleontologia
Dentro de pouco mais de um ano, em 12 de Fevereiro de 2009, celebra-se o bicentenário do nascimento de Charles Robert Darwin, ano em que se assinalam igualmente os 150 anos de publicação de «A Origem das Espécies», livro que marcou profundamente toda a ciência e a forma como descrevemos o mundo.Na génese do livro está a viagem que um Darwin de apenas 22 anos iniciou a bordo do HMS Beagle. Recomendado por John Stevens Henslow, seu profesor em Cambridge, Darwin embarcou no Beagle a 27 de Dezembro de 1831 numa expedição à volta do mundo que durou quase cinco anos, até 2 de Outubro de 1836. Durante a viagem Darwin leu os «Princípios da Geologia» de Charles Lyell - que seria posteriormente um defensor do evolucionismo, nomeadamente no livro «A Evidência Geológica da Antiguidade do Homem», publicado em 1863. Lyell descrevia as características geológicas da Terra como o resultado de processos graduais ocorrendo ao longo de grandes períodos de tempo e não de acontecimentos catastróficos e repentinos.O Beagle percorreu as costas atlântica e pacífica da América do sul o que permitiu a Darwin a realização de expedições terrestres ...
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