Realismo, coragem face às adversidades e um bom Ano Novo

Sara Raposo @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Opinião, pintura
O salvamento de Oschichi (Japão, 1885) de Tsukioka Yoshitoshi (1839-1892).

Realismo, coragem face à adversidades e um bom Ano Novo

Sara Raposo @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Opinião, pintura
O salvamento de Oschichi (Japão, 1885) de Tsukioka Yoshitoshi (1839-1892).

Falta de ideias gerais, reivindicações mesquinhas… Quem enfia o barrete?

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Opinião, Orwell, Portugal, educação, literatura
“E mesmo quando se mostravam descontentes, como sucedia por vezes, o descontentamento não levava a coisa nenhuma, pois desprovidos de ideias gerais, só conseguiam canalizá-lo para reivindicações limitadas e mesquinhas. Os males maiores geralmente escapavam à sua percepção.”George Orwell, Mil Novencentos e Oitenta e Quatro, Antígona, Lisboa, 1991, pág. 78.George Orwell refere-se aos proles. Perceber quem são os proles é fácil: basta ler o romance, que (à semelhança de muitas obras - mas não todas - da melhor literatura, da melhor filosofia e da melhor divulgação científica) constitui um contra-exemplo à célebre máxima de Platão: “O belo é difícil”.Menos fácil talvez seja perceber quem é que, na sociedade portuguesa actual, pode ser descrito com as palavras de George Orwell. Como é costume nestas coisas, é duvidoso que alguém vá enfiar a carapuça – ou o barrete, pouco importa o nome, pois o que está em causa é a necessidade da culpa morrer solteira.Seja como for, como voto de Ano Novo deixo aqui o desejo de que em 2009 cada vez menos portugueses (nomeadamente no complicado sector do ensino, da aprendizagem e da política educativa) possam ser descritos pelas palavras de George Orwell que citei.Complementarmente, desejo ...

Para ser professor em Portugal é preciso saber distinguir as pistolas a sério das imitações

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Opinião, Portugal, educação
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12 ideias para um ensino de qualidade em Portugal

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Opinião, Outros sítios, Portugal, educação
Trata-se de um artigo de Maria Regina Rocha (professora do Ensino Secundário) sobre os males da educação em Portugal. São 12 ideias muito claras, simples e sensatas. A autora chama-lhes verdades e não exagera. Pode lê-las no sítio do jornal Sol ou no De Rerum Natura.O que é que impede a sua aplicação? Apenas o facto das ideias absurdas geralmente designadas por "eduquês" dominarem as cabeças de muitas pessoas ligadas à educação em Portugal - alguns professores, alguns políticos e quase todos os "especialistas" em Educação que trabalham no Ministério.Eis, a título de exemplo, a 3ª e a 4ª ideias de Maria Regina Rocha:3.ª – A abolição dos exames foi um erro. A existência de exames (provas de avaliação externa) com um peso de 50% é essencial para a responsabilização de todos os intervenientes no processo educativo, desde o 4.º ano de escolaridade e a todas as disciplinas (no 4.º, no 6.º, no 9.º no Ensino Básico; em cada disciplina terminal no Ensino Secundário).4.ª – Os currículos estão desajustados. É necessário que tenham um número equilibrado de disciplinas, devendo desaparecer do mesmo disciplinas instrumentais como, por exemplo, «Área de Projecto» ...

“Avaliação e mentira” - a opinião de Desidério Murcho sobre a avaliação dos professores

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Opinião, Outros sítios, Portugal, educação
Vale mesmo a pena ler a crónica que Desidério Murcho escreveu hoje no jornal Público, também publicada no De Rerum Natura. Eis o primeiro parágrafo."Há quem pense que a avaliação de professores imposta pelo Ministério da Educação visa melhorar o ensino, mas isto é falso. Pior: nem é por essa razão que os responsáveis ministeriais querem avaliar os professores. Pois se o fosse, a maneira mais óbvia de os avaliar, com menos custos e menos complicações processuais, seria através do tratamento estatístico dos resultados dos alunos em exames nacionais, cientificamente rigorosos e pedagogicamente lúcidos."Infelizmente, é preciso acrescentar que a maioria dos professores também contestaria uma avaliação dos professores que tivesse em conta os resultados obtidos pelos alunos em exames nacionais.

O sono da razão produz monstros

Sara Raposo @ Dúvida Metódica Categorias: Atitude crítica, Ciência Geral, Opinião, Portugal, educação, pintura
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Aderi à greve e fiquei em casa a trabalhar

Sara Raposo @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Opinião, Portugal, educação
Sou professora há mais de dezassete anos. Sempre desejei ser avaliada (com objectividade e rigor, entenda-se). Mas nunca como agora, em que finalmente se tentou efectuar a avaliação dos professores, me senti tão desrespeitada e tão humilhada. E nunca tive tão poucas condições de trabalho.Hoje, apesar de fazer greve, estou desde manhã a trabalhar em casa: a corrigir testes e a elaborar os testes que irei fazer amanhã a outras turmas. Lecciono aulas a cinco turmas, tenho cento e trinta alunos, sou directora de turma e por isso não tenho alternativa – caso queira fazer o meu trabalho com rigor e honestidade intelectual.Espanta-me a indiferença dos Pais e Encarregados de Educação, dos portugueses em geral e do Senhor Presidente da República em particular, que promulgou os novos Estatutos do Aluno e da Carreira Docente. Qualquer leitor atento dessas duas leis percebe que põem em causa alguns dos pressupostos essenciais do ensino: ao dividir, arbitrariamente e injustamente (sem critérios objectivos), os professores em professores titulares e professores; ao multiplicar os trabalhos burocráticos dos professores quando os alunos faltam; ao impedir que o absentismo dos alunos tenha consequências penalizadoras como a exclusão por faltas (o que promove a desresponsabilização); etc.Os leitores já ...

Fiz greve e fui trabalhar

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Opinião, Portugal, educação, falácias
1. Fiz greve. Motivo: o governo está a tentar impôr um sistema de avaliação comprovadamente absurdo e por motivos meramente eleitorais não reconhece que tem de suspendê-lo. Parece que dar o braço a torcer custa votos.2. Dei as aulas (mas pedi às funcionárias para registarem a minha falta e disse ao PCE para me pôr na "lista" dos grevistas). Motivo: tinha 2 testes marcados e seria complicado marcá-los para outro dia (segunda-feira é feriado outra vez), para não falar na complicação que seria corrigi-los a tempo e horas.3. Como articular de modo coerente o ponto 1. e o ponto 2.? Deixo a resposta ao critério e à imaginação dos leitores. Só peço que os leitores, ao reflectirem sobre o caso, se lembrem das insinuações que o governo tem feito sobre todos os professores: estavam habituados a ter privilégios e não querem trabalhar, não querem ser avaliados...Já agora, se algum leitor conhecer membros do governo talvez lhes possa explicar em que consiste a falácia da generalização precipitada. E, se tiver oportunidade, aproveite para lhes dizer que, pelo menos neste caso, não dar o braço a torcer talvez custe ainda mais votos do que dar o braço a ...

Leituras para um dia de greve: um elogio dos exames nacionais

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Opinião, Outros sítios, Portugal, educação
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Como evitar a subjectividade na avaliação dos professores?

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Opinião, Portugal, educação
Em posts anteriores (veja aqui e aqui) defendeu-se neste blogue que um dos parâmetros da avaliação dos professores deve ser a coerência entre os resultados obtidos pelos alunos em exames nacionais e as classificações atribuídas pelo professor. Quero agora explicitar um argumento a favor dessa ideia, que estava presente nesses textos mas de modo pouco explícito. O argumento é este: Ter em conta os resultados obtidos pelos alunos em exames nacionais é indispensável para assegurar a justiça e a objectividade da avaliação dos professores, pois esse parâmetro contribuirá para que a aplicação dos outros parâmetros seja justa e objectiva. Ora, não existe nenhum outro processo capaz de garantir esse efeito. Na avaliação do desempenho dos professores devem ser considerados diversos parâmetros. Estes por exemplo: A qualidade científica e pedagógica dos instrumentos didácticos elaborados pelo professor avaliado (planificações, textos de apoio, esquemas, fichas de trabalho, testes, etc.). A qualidade científica e pedagógica das próprias aulas (rigor e clareza das explicações, atenção e apoio prestado aos alunos, capacidade de criar um ambiente tranquilo e propício à aprendizagem, etc.). Não é preciso ser especialmente céptico em relação à natureza humana para considerar que a ...

Que tipo de relação deve existir entre os cidadãos e o Estado?

Sara Raposo @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Filosofia política, Livros, Opinião, Portugal, Stuart Mill, educação, estado
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Desobediência civil: não entregaremos os “objectivos individuais”

Rui Barqueiro @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Opinião, Portugal, educação
Na passada quinta-feira, dia 13 de Novembro, fizemos uma reunião de professores na Escola Secundária de Pinheiro e Rosa, onde discutimos o problema da avaliação do desempenho. Estiveram presentes 53 professores (pouco mais de metade do total). Com 48 votos a favor e 5 abstenções, aprovámos uma moção propondo a suspensão do processo de avaliação na nossa Escola. Concordámos em não entregar os objectivos individuais (cuja data de entrega é o próximo dia 17). Entretanto, a moção foi também assinada por diversos professores que não tinham estado presentes na reunião. É previsível que no início da próxima semana surjam mais assinaturas.Queremos sublinhar que a nossa decisão de não entregar os objectivos individuais não se teria alterado mesmo que fôssemos poucos a fazê-lo. Mas felizmente seremos muitos – não só na nossa Escola como em quase todas as Escolas do país.Talvez não valha a pena acrescentar mais argumentos. Não é por falta de argumentos contra o actual modelo de avaliação dos professores que a ministra da Educação e os seus poucos aliados se têm obstinado na sua defesa.Este modelo de avaliação é tão injusto que recusá-lo constitui um acto de desobediência civil legítimo e moralmente justificável. Exortamos outros professores a fazê-lo.No ...

Quantas horas por dia trabalham os professores?

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Opinião, Outros sítios, Portugal, educação
Pode ler no (interessante) blogue Ciência ao Natural uma pequena e curiosa história (“Treino diferente” - http://cienciaaonatural.blogspot.com/2008/11/treino-diferente.html).Esta ajuda a perceber porque é que, apesar dos professores terem obviamente razão nas críticas que fazem a diversas políticas do Ministério da Educação (o novo Estatuto do Aluno, o novo Estatuto da Carreira Docente, o modelo de avaliação que está a ser imposto…), tem sido difícil fazer a opinião pública perceber isso. É que muitas pessoas pensam que os professores trabalham pouco e desconfiam deles – não deste ou daquele em particular, mas da classe inteira.Tendo em conta que os professores têm como profissão explicar e esclarecer ideias, é um pouco estranho que não consigam mostrar ao resto da sociedade portuguesa que as horas que passam na escola, apesar de serem muitas (e excederem largamente as 4 ou 5 horas em que dão aulas) , são só uma parte do seu trabalho, pois em casa também trabalham como professores: ao preparar aulas, elaborar materiais, conceber e corrigir testes, etc. Qual será a causa dessa dificuldade de comunicação?Acessoriamente, na leitura dessa história vale a pena prestar atenção à frase “Deve ser um gene meu, isto de conseguir ...

Cientistas são chatos e invejosos

Carlos Hotta @ Brontossauros em meu jardim Categorias: Cientistas, Ciência Geral, Ciência Geral e Ceticismo, Dinossauros, Opinião
Umas semanas atrás, publiquei uma notícia sobre uma coleção de pegadas de dinossauros encontradas nos Estados Unidos. O que impressionava da coleção era a quantidade de pegadas reunidas em um só local, o que levou os cientistas chamarem o local de “discoteca de dinossauros”, para o meu horror e o deleite da mídia internacional. Obviamente, tal notícia chamou a atenção da comunidade de paleontólogos/geólogos, que foi investigar o tal local. De modo mais do que previsível, alguns dos especialistas discordam da conclusão dos geólogos e concluíram que os buracos devem ser mesmo buracos causados pela chuva. A controvérsia em torno do sítio foi tanta, que os cientistas que primeiro divulgaram as pegadas resolveram publicar outro press-release alertando sobre a possibilidade das “pegadas” não serem pegadas. Este caso é emblemático de duas características da comunidade científica que geralmente passam despercebidas pelos civis: 1) Nenhuma conclusão científica é uma verdade absoluta e cientistas erram. Todas conclusões científicas são interpretações de resultados/observações. Se um grupo de cientistas interpretam um fato de uma forma, um outro grupo de cientistas podem interpretar de outra forma. Mais experimentos/observações podem ser feitas para saber quem está mais errado (provavelmente ambos grupos estão). O bom disso é que a ...

O pesadelo de uma avaliação absurda

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Opinião, Portugal, educação
Aires Almeida escreveu no Público de hoje um artigo chamado “O pesadelo burocrático e a desobediência à lei” em que descreve sem papas na língua a confusão introduzida nas escolas portuguesas pelo modelo de avaliação que o governo está a tentar impor e em que desmonta algumas das perversidades que este encerra. Conclui dizendo que este é um caso em que a desobediência civil faz sentido. Vale mesmo a pena ler:http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1349637

Se é professor, é melhor evitar desgostos de amor

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Opinião, Portugal, educação
Sugiro aos leitores interessados no problema da avaliação dos professores que leiam os comentários ao post aqui publicado na passada quinta-feira (“Como deveriam os professores ser avaliados?”). Encontrarão uma interessante troca de argumentos, nomeadamente entre Porfírio Silva e Aires Almeida. Este último, que é professor de Filosofia no ensino secundário, descreve com muita clareza alguns dos aspectos absurdos do modelo de avaliação que o governo está a tentar impor. Parte desses aspectos absurdos prende-se com a sobrecarga de trabalho a que actualmente muitos professores estão sujeitos – esse modelo de avaliação agravou a sobrecarga que já existia e ainda a agravará mais se for completamente implementado.Quem não é professor ou não conhece professores, provavelmente desconhece que a maior parte desse trabalho é meramente burocrático e contribui pouco ou mesmo nada para a qualidade do ensino. A quantidade de reuniões acerca de assuntos vácuos (Projecto Curricular de Turma, Projecto Educativo da Escola, Plano de Actividades, etc.) e de papelada inútil ou pouco relevante que é preciso preencher é sufocante. Eis alguns exemplos que comprovam que este é, de facto, o “país dos papelinhos”: avisos a torto e a direito informando os pais acerca das faltas dos alunos, actas das inúmeras ...

Separar o trigo do joio

Rui Barqueiro @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Opinião, Outros sítios, educação
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Como deveriam os professores ser avaliados?

Rui Barqueiro @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Opinião, Portugal, educação
O modelo de avaliação dos professores que este governo tem tentado impor possui inúmeros defeitos. Estes têm sido alvo de justas e frequentes críticas. Por parte dos professores e não só.Infelizmente, essas críticas não têm sido acompanhadas de propostas alternativas ao dito modelo. Essa incapacidade de apresentar propostas alternativas (nomeadamente por parte dos sindicatos e de outros movimentos de professores) contribuiu para descredibilizar – aos olhos da opinião pública – os professores, pois permite a suspeita de que estes não querem ser avaliados.E é realmente verdade que muitos professores não querem ser avaliados – nem desta maneira absurda nem de nenhuma outra. Mas não é o nosso caso. Nós queremos ser avaliados.Como deveria ser feita a avaliação dos professores? Qualquer avaliação inclui sempre vários parâmetros e não seria possível analisar todos eles num simples post. Por isso, vamos apenas falar daquele que, na nossa opinião, deveria ser considerado o parâmetro principal de uma avaliação dos professores.Se quiséssemos, por exemplo, avaliar um fabricante de tesouras o parâmetro principal dessa avaliação consistiria certamente em verificar se as tesouras cortavam ou não cortavam bem o papel, os tecidos, etc. Contrariamente às tesouras, um professor não tem apenas uma função (actualmente pode-se até dizer ...

Nobel de Literatura e da Paz 2008

Carlos Hotta @ Brontossauros em meu jardim Categorias: Ciência Geral, Ciência Geral e Ceticismo, Nobel, Opinião
Eu nem falei do Nobel de Literatura 2008, que saiu ontem. Não é preconceito, é ignorância minha mesmo, que nem sabe o que o cara escreveu. O prêmio Nobel de Literatura foi para o francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, que desconheço. Ele é descrito pela fundação Nobel como: “author of new departures, poetic adventure and sensual ecstasy, explorer of a humanity beyond and below the reigning civilization.” Se nem consigo entender a descrição dada pela Fundação, que o dirá a importância do prêmio… Já o prêmio Nobel da Paz foi dado a Martti Ahtisaari, mediador de conflitos. Martti foi presidente da Finlândia e agora trabalha como mediador de conflitos internacionais. O trabalho de Martti consiste em reunir as partes em conflito e traçar meios de se terminar os conflitos. Minhas fontes dizem que a Paula está escrevendo um post mais detalhado. Aproveito a oportunidade de lançar o Presidente Lula como mediador internacional depois de seu mandato. Gostem de suas políticas ou não, o presidente chegou onde chegou por suas habilidades na mediação de conflitos. Eu acho que o Lula demora para tomar decisões importantes talvez mesmo porque ele goste de ouvir muitos lados, porém a função do mediador não é tomar decisões, ...

Nobel Brazuca? Quero, mas não agora…

Carlos Hotta @ Brontossauros em meu jardim Categorias: Ciência Geral, Ciência Geral e Ceticismo, Nobel, Opinião
uma especulação de que o Brasil pode ganhar um Nobel de Medicina/Fisiologia amanhã. Acho que o neurocientista Miguel Nicolelis é um cientista extraordinário e que trouxe avanços que serão importantíssimos para a Medicina dos próximos anos. Também acho que ele tenha chances de ganhar o prêmio… …mas não amanhã. Os prêmios Nobéis (?) são geralmente entregues para pesquisas estabelecidos que mudaram o rumo da Ciência. O problema é que a pesquisa do Dr. Nicolelis é relativamente recente (na maioria dos casos, demora-se anos até o reconhecimento) e não chega aos pés de pesquisas como o óxido nítrico, estrutura do DNA ou RNA de interferência, exemplos de premiações “rápidas”. Portanto as chances são de que podemos ganhar um Nobel mas não agora. Sem contar que dar o prêmio para o Nicolelis agora seria não dar o prêmio para descobertas importantes ainda não agraciadas, como os telômeros, transportes de membranas, sinalização intracelular, o robossomo (!), células-tronco, etc. É uma lista longa de pesquisas importantíssimas! (tem muitas delas citadas no blog Daily Transcript). Sinceramente, acho que darão o prêmio para as pesquisas com células-tronco, que foram bastante proeminentes neste ano que passou. O que eu queria mesmo é que o prêmio fosse dado pros inventores do ...

Tolerância zero

Carlos Hotta @ Brontossauros em meu jardim Categorias: Ciência Geral, Ciência Geral e Ceticismo, IFUSP, Opinião, fraude
Existe uma acusação de plágio no Instituto de Física da USP que aconteceu no ano passado. Descobriu-se que um artigo escrito por um par de professores continha parágrafos inteiros de outros artigos sem menção clara da fonte (alguns artigos foram citados mas não fica clara que o texto foi copiado deles). Duas foram as desculpas dadas pelos pesquisadores: uma é a de que o artigo foi mandado sem o consentimento do autor e a outra é a de que houve um “erro de referenciamento” e que os trechos plagiados deveriam estar entre aspas. Só que o uso de parágrafos inteiros de outros textos em um artigo próprio na area de biológicas (e, acredito que também seja na área de exatas) é muito incomum para ser considerado apenas uma falha no referenciamento (falha esta que deve ter acontecido múltiplas vezes para se explicar o caso). Uma nova cópia do artigo foi mandada, cheia de aspas e referências ao texto original. É uma evidência de que houve mesmo o uso impróprio de textos de outros autores. Misturado a isto há todo um contexto de disputa política no Instituto. Há moções de censura, há acusações descabidas e há relatos de ameaças de ...

Resenha: Cheiro de Ciência

Carlos Hotta @ Brontossauros em meu jardim Categorias: Ciência Geral, Ciências da Vida, Opinião, olfato
Toda vez que pego um livro novo, sigo o mesmo ritual: antes de começar a lê-lo, abro-o no meio e encho os meus pulmões: adoro cheiro de livro novo, aquele cheiro de possibilidades que me lembra de todos os outros livros que li e das horas de prazer que me proporcionaram. Ontem ganhei o livro “O cheiro das coisas” (Ed. Vieira & Lent) para escrever uma resenha. O livro tem um cheiro mais-que-novo, pois só será lançado na semana que vem (convite abaixo). A autora é a Dra. Bettina Malnic, uma cientista do Instituto que trabalho que estuda os mecanismos por trás do olfato. Acho que não valorizamos muito o olfato, no entanto, tente imaginar como conseguimos identificar milhares de cheiros diferentes, lembre-se como é comer com nariz entupido por causa de uma gripe ou note quantas memórias um simples cheiro pode trazer. Quando cheirei este livro na primeira vez que o abri, moléculas se desgrudaram de suas páginas. As mesmas foram carregadas para dentro do meu nariz e lá identifiquei o seu cheiro. O que acontece quando isso acontece é o tema central do ”O cheiro das coisas”. Os primeiros capítulos do livro passam rápidos. O jeito de escrever da autora, leve e interessante, ...

LHC

Igor Santos @ 42. Categorias: Bob Park, Ciência Geral, Física, LHC, Notícias, Opinião, Prótons, vida
LHC: ESTRÉIA EM DEZ DE SETEMBRO. Levou 14 anos e US$8 bilhões para construir e acelerará prótons a 7 TeV, os fará colidir e examinará os destroços. Pessoas geralmente perguntam o que isso fará pelo mundo. É a maior aventura de nossas vidas. Não curará doenças, não lutará em guerras nem nos deixará ricos. Estamos seguindo o caminho inverso através da lei de causa e efeito em busca da primeira Causa. Podemos nós, minúsculos grãos de matéria em um planeta insignificante, realmente fazer isso? Tradução de parte do artigo de Bob Park do dia 8 de agosto. Eu me pergunto: Isso realmente vale a pena? E eu mesmo me respondo: Vale. Por que não valeria? A busca pelo conhecimento pelo interesse da própria busca pelo conhecimento é tão válida quanto por qualquer outro motivo (a busca pela aprimoração de caráter, por exemplo). Isso é o primeiro passo para outros caminhos. Depois de ver um risco de luz numa chapa fotossensível, podemos aplicar esse conhecimento bruto em algo mais refinado (Renan, socorro! Preciso de justificativas!). Dia onze de setembro, no Lablogatórios, se o mundo não tiver sido chupado para dentro de um buraco negro e eu não tiver esquecido/tido ...

Deveríamos educar com Blogs de Ciência?

Carlos Hotta @ Brontossauros em meu jardim Categorias: Ciência Geral, Eu, Opinião, blogagem coletiva
Esta pergunta tem gerado muita discussão na blogosfera científica escrita em inglês. Tudo começou com um post do Science After Sunclipse no qual Blake Stacy afirma que os blogs de Ciência não ensinam Ciências. O problema, segundo Blake, é que os blogs de Ciência não se preocupam em escrever sobre conceitos básicos de Ciência. O autor ainda ressalta, com uma brincadeira de fundo muito verdadeiro, que os blogs de Ciência discutem assuntos que somente interessam cientistas como: coisas engraçadas porém não científicas, reações contra criacionistas e pseudo-cientistas, reações contra o modo que a Ciência é tratada em outras mídias e notícias sobre artigos recém-publicados ao invés de se focar no ensino de Ciências. A razões para tais tendências é a busca de assuntos populares e que estão na mídia, ao invés de escrever sobre assuntos quaisquer que tragam a luz da Ciência para a população.O post nas quais estas idéias são expostas é gigantesco mas cheio de comida para o cérebro. Eu o li pela primeira vez faz alguns dias e ainda não consigo parar de pensar nestas idéias: será que nós, como blogueiros de Ciências, deveríamos nos dedicar mais a informações básicas? Seria útil ...

Modelos pra quê?

Carlos Hotta @ Brontossauros em meu jardim Categorias: Ciência Geral, Opinião
Modelos sofrem com a sua má reputação. :) Já vi muita gente dizendo que não acredita em aquecimento global porque os modelos matemáticos que os cientistas geraram são muito imprecisos e não prevêem nada. Já muita gente criticar modelos matemáticos porque estão sempre errados. Seria a culpa dos modelos?Na verdade a culpa é dos cientistas que trabalham com os modelos matemáticos, não por fazer modelos ruims mas por não divulgarem a real serventia dos modelos. Pois bem: modelos matemáticos tentam descrever o comportamento de um sistema através de uma linguagem matemática. Este sistema pode ser o crescimento populacional de um país, o comportamento de peixes em um cardume, as oscilações da bolsa, etc. Para se fazer um bom modelo, você deve ter bons dados iniciais e bons pressupostos (não adianta tentar faezr um modelo onde a população de gatos em Tóquio depende do número de jujubas vendidas na escócia). Uma maneira de se testar modelos é tentar prever o que acontecerá no futuro, como no caso do aquecimento global.Um modelo serve, portanto, para prever o futuro? Sim e não. Um modelo pode servir para tentar simplificar um sistema complexo. Desta forma, apesar ...

Campanha anti-plágio

Alcione Torres @ Ensino de Química Categorias: Ciência Geral, Opinião
O colega Carlos Lima, criador do blog L.E.I.A-ME lançou uma campanha muito séria e de grande valor para todos os blogueiros. É uma campanha anti-plágio chamada de "Caçadores de Vampiros". Todos sabemos que plageadores existem em todos os lugares. Como não existiriam num ambiente de tão fácil manipulação, onde bastam algumas teclinhas e tudo se resolve: ctrl+c - ctrl+v! O blog está se juntando a

Coitadização do professor

Alcione Torres @ Ensino de Química Categorias: Ciência Geral, Opinião
Hoje me deparei com uma matéria da Veja, indicada por um colega da comunidade Professores(as) de Química do Orkut, com o título "O professor desvalorizado". De acordo com o autor da matéria, o professor não é desvalorizado pela sociedade e a profissão não é vítima de preconceito. O autor usa uma pesquisa do Inep para confirmar suas idéias de que o professor é tido como um coitado pelo discurso

Apagão do Ensino Médio

Alcione Torres @ Ensino de Química Categorias: Ciência Geral, Opinião
Hoje recebi um e-mail sobre um documento do MEC chamado Escassez de professores no Ensino Médio: propostas estruturais e emergenciais. Esse documento é um relatório produzido por uma Comissão Especial instituída para estudar medidas que visem a superar o défcit docente no Ensino Médio. O que está lá nós já sabíamos, mas agora está escrito num documento do governo! Mas não pensem que porque é um

Dificuldade e relavância do Jornalismo Científico num mundo de extremos

Rita @ Caminhos do Conhecimento Categorias: Ciência e Decisão Política, Jornais, Rádios e TV, Opinião
A relevância do trabalho dos jornalistas de ciência e tecnologia nos países em desenvolvimento foi bem explícita durante o Congresso Mundial de Jornalistas de Ciência, realizado em Melbourne, na Austrália. Apesar das dificuldades sentidas pelos profissionais que se dedicam a questões como a sida, as alterações climáticas, o acesso a medicamentos, ou a biotecnologia [...]
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