Richard Feynman, o físico teórico premiado, o inventor perspicaz, o professor talentoso, o divulgador de ciência, o músico amador, também escreveu poesia, desenhou e pintou.Podemos perguntar, o que há de comum em todas estas actividades, que se afiguram como distintas? A resposta pode ser: observar com precisão e tentar compreender, sem excluir a imaginação, claro. Feynman reconheceu que devia essas aprendizagens, em primeiro lugar, ao pai."Conta-se que, quando a minha mãe estava grávida — não tive conhecimento directo da conversa, bem entendido —, meu pai disse um dia: «Se for rapaz, será cientista. Como é que ele conseguiu isto? Nunca me disse que devia ser cientista». De facto, meu pai não era cientista, era um homem de negócios, chefe de vendas de um armazém de uniformes militares. No entanto, lia e tinha uma verdadeira paixão pela ciência. Quando era miúdo — a primeira história que conheço —, quando ainda comia numa cadeira de bebé, meu pai, depois do jantar, costumava brincar comigo um jogo. Tinha trazido vários azulejos rectangulares de casa de banho de um lugar qualquer da cidade de Long Island. Colocávamo-los de pé, um após outro, todos ...