Archive for the mulheres
Mulheres cientistas: um olhar para a Ciência
TERTÚLIA DE CIÊNCIA
Conferencista: Maria da Graça Martins Miguel (Departamento de Química da Universidade de Coimbra)
16 de Dezembro, 17h00.
Resumo:Desde há muitos anos, elas têm descoberto galáxias, formulado teoremas, sintetizado elementos químicos e investigado segredos da matéria e da vida. Mas muitas cientistas são desconhecidas, apesar de as suas descobertas terem sido decisivas para a Humanidade.
Em Portugal, e na Europa em geral, as mulheres estão cada vez mais presentes nas várias áreas da investigação científica. Contudo, elas, paradoxalmente, continuam longe do topo das carreiras, dos círculos do poder e dos centros de decisão, como reflectem as mais recentes estatísticas.
São necessárias estratégias que revertam esta situação, de modo a optimizar a capacidade de intervenção das mulheres e a utilizar os enormes benefícios que dela podem advir.
Vislumbram-se no horizonte alguns esperançosos indicadores. Com trabalho e persistência, irá aumentar a auto-confiança e a participação das mulheres na ciência e tecnologia. A ciência pertence a toda a Humanidade, transcendendo questões de género. Mulheres e homens possuem objectivos comuns na decifração dos mistérios da Natureza.
Museu da Ciência, Largo Marquês de Pombal, 3000-272 Coimbra
Email: divulgacao@museudaciencia.org; Tel. 239 85 43 50; Fax. 239 85 43 59
ONU – É preciso mais mulheres em negociações de paz

Mulheres cientistas no Mundo Lusófono

Informação recebida da Associação Viver a Ciência (na foto a matemática Irene Fonseca):
O Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, a Associação Viver a Ciência, o Círculo de Leitores e a Temas e Debates têm o prazer de o convidar para o lançamento do livro «Vidas a Descobrir — Mulheres Cientistas do Mundo Lusófono», coordenado por Joana Barros.
Este livro leva-nos numa viagem cultural e científica por vários continentes, apresentando as histórias de mulheres de origem lusófona que construíram carreiras profissionais ímpares no mundo da ciência.
A sessão terá lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, Auditório 3, Av. Berna, 45A, 1067-001 Lisboa, no dia 14 de Julho pelas 19h. No final da sessão será servido um cocktail.
A obra será apresentada por Nuno Crato.
Nota sobre o conteúdo do livro:
Este livro reúne reportagens realizadas entre 2006 e 2008 sobre cientistas naturais de sete países lusófonos. O livro leva-nos numa viagem cultural e científica através da história de vida de dez investigadoras de diferentes gerações e culturas que trabalham em diversas áreas do conhecimento. Queremos que este livro seja uma celebração da diversidade e que contribua para o abandono de alguns estereótipos relacionados com ciência e cientistas.
Cientistas entrevistadas:
- Anabela Leitão (Angola) - Engenharia Química e Ambiental, Univ. Agostinho Neto, Angola
- Norma Andrews (Brasil) – Microbiologia, Univ. de Yale, EUA
- Thaisa Storchi Bergmann (Brasil) – Astrofísica, Univ. Federal do Rio Grande do Sul, Brasil
- Niède Guidon (Brasil) - Arqueologia, Parque Nacional Serra da Capivara, Brasil
- Fátima Monteiro (Cabo Verde) - Ciências Políticas, Univ. Católica Portuguesa, Portugal
- Amabélia Rodrigues (Guiné-Bissau) - Epidemiologia, Projecto de Saúde Bandim, Guiné-Bissau
- Alcinda Honwana (Moçambique) - Antropologia, Open University, Reino Unido
- Cláudia Sousa (Portugal) – Primatologia, Univ. Nova de Lisboa, Portugal
- Irene Fonseca (Portugal) – Matemática, Univ. de Carnegie Mellon, EUA
- M. Jesus Trovoada (S. Tomé e Príncipe) - Antropologia Biológica, Instituto Gulbenkian de Ciência, PortugalContinue a ler Mulheres cientistas no Mundo Lusófono
DEUS ODEIA AS MULHERES?

Informação sobre novo livro recebida via Amazon (na imagem "Adão e Eva", quadro de Duerer, de 1507, no Museu do Prado, Madrid):
- Ophelia Benson and Jeremy Stangroom, "Does God Hate Women?", Continuum (June 30, 2009)
The new book from high profile philosophy writers Ophelia Benson and Jeremy Stangroom (authors of the hugely successful "Why Truth Matters"), exploring a topical and controversial religious and cultural issue in a highly accessible manner.This fascinating book explores the role that religion and culture play in the oppression of women. Philosophy writers Ophelia Benson and Jeremy Stangroom ask probing questions about the way that religion shields the oppression of women from criticism and why many Western liberals, leftists and feminists have remained largely silent on the subject.The lives of women in the industrialized world have improved enormously in the last hundred years, especially so, in social, cultural and political terms, in the last forty. But throughout the rest of the world, a great many women lead lives of misery and sometimes plain horror. They are often considered and treated as the property of men and have few, if any, rights. Such treatment is generally sustained and protected by a combination of religion and culture. "Does God Hate Women?" explores instances of the oppression of women in the name of religious and cultural norms and how these issues play out both in the community and in the political arena. Drawing on philosophical concerns such as truth, relativism, knowledge and ethics, Benson and Stangroom assess the current situation and provide a rallying call for a progressive politics that is committed to universal values. This important new book will appeal to anyone interested in issues of global justice, human rights and multiculturalism.
About the Authors:
Ophelia Benson is editor of www.butterfliesandwheels.com, deputy editor of The Philosophers' Magazine and co-author, with Jeremy Stangroom, of Why Truth Matters. She is also a frequest contributor to Free Inquiry. Jeremy Stangroom is co-editor, with Julian Baggini, of The Philosophers' Magazine and co-author of Do You Think What You Think You Think? (Granta, 2006), What Philosophers Think and Great Thinkers A-Z. He and Ophelia Benson are co-authors of Why Truth Matters and The Dictionary of Fashionable Nonsense.
Product Details
Hardcover: 208 pagesContinue a ler DEUS ODEIA AS MULHERES?
Comprovado: as mulheres são mais inteligentes que os homens
He he he. Me sinto vingada! O pesquisador José Abrantes, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), analisou 137 mil notas tiradas durante um semestre por 22 mil alunos da instituição privada Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam). Qual a conclusão? As mulheres são mais inteligentes do que os homens. Na média, as notas femininas foram 3% superiores às masculinas. Além disso, na análise dos 12 tipos de inteligência, nós somos melhor em nove!
Machos
Os homens são mais hábeis usando as inteligências matemática-lógica, visoespacial e cinestésico-corporal. Demonstraram maior compreensão matemática, capacidade para entender mapas e se localizar no espaço. Também se saíram melhor na inteligência corporal e nas atividades que exigem força – claro.
Fêmeas
Já as lindas mulheres são um sucesso com as inteligências pictórica, ultrapessoal, interpessoal, naturalista, existencial, musical, social, linguística e emocional. Mostraram mais facilidade em se expressar pela escrita e pela fala – óbvio -, maior entendimento sobre questões filosóficas, habilidade para desenhar, para a música e para usar os conhecimentos no meio ambiente. Ah, e levamos vantagem na inteligência emocional, autoconhecimento, capacidade de se relacionar com outros e de equilibrar competição e qualidade de vida.
Pesquisa
O cientista estudou o tema por 11 anos. Abrantes se baseou, principalmente, na Teoria das Inteligências Múltiplas – entenda o que é aqui - do neurologista americano Howard Gardner. As disciplinas, que tiveram as notas analisadas, são de 30 cursos superiores como direito, engenharia, administração, economia, marketing, educação física, cosmética e culinária. Agora, me responda. De que adianta ter mais neurônios, se nós – mulheres – concatenamos melhor?
Posted in comportamento, pesquisa Tagged: inteligência, mulheres, pesquisa
O QUE JORGE BUESCU SABE SOBRE AS MULHERES
Da revista "Pública" de hoje transcrevemos o texto da jornalista Ana Sousa Dias (na foto)) baseado numa conversa com o matemático Jorge Buescu sobre o que ele sabe sobre as mulheres:Sei muito pouco sobre as mulheres, mas isso é um lugar-comum. Teoricamente, teria obrigação de saber mais porque cresci numa família de mulheres: a minha mãe e três irmãs mais velhas. O meu pai faleceu quando eu tinha seis anos, tenho umas memórias muito longínquas dele. Meio a brincar, digo que tive quatro mães.
Há uma questão de comunicação. Tendencialmente, os homens são animais do hemisfério esquerdo, ligado às questões da lógica, do espírito analítico, do raciocínio numérico, aritmético. O hemisfério direito está ligado a outras questões - à intuição, à comunicação não verbal, à linguagem dentro de contexto. Felizmente, todos temos hemisfério esquerdo e direito. Mas as mulheres são mais intuitivas, de decisão mais rápida e imediata, com uma comunicação não verbal dentro de contexto mais perceptível. Os homens precisam de mais tempo e mais dados para tomar decisões, são mais racionais, se as coisas não estão preto no branco não são capazes de se aventurar.
Na casa da minha mãe, às vezes parecia que elas estavam a falar entre si em código. Diziam uma coisa imprecisa, entendiam-se e eu ficava sempre de fora. Quando a minha mulher foi lá pela primeira vez, a minha mãe a certa altura disse-lhe - "Ó Catarina, passa aí o coiso dos coisos." Ela percebeu: era a base para pôr os tachos quentes. Eu vivia lá em casa e não sabia. E a ela bastou-lhe olhar para perceber o contexto. Ainda hoje falamos sobre isso. Isso faz parte da comunicação informal que funciona via hemisfério direito. Nós devemos ter umas ligações menos eficientes.
Acho que se aplica aqui o princípio de Pareto [Vilfredo Pareto, 1848-1923], estabelecido por um economista que viu que 80 por cento da riqueza em Itália era detida por 20 por cento das pessoas. A regra dos 80-20 funciona bem em muitos contextos. Por exemplo, 80 por cento do nosso trabalho é feito em 20 por cento do tempo. As mulheres funcionam assim: tomam decisões com 20 por cento dos dados e 80 por cento das vezes a decisão está certa. Os homens são mais analíticos, mais chatos, precisam de mais dados, correm o risco de paralisar por excesso de análise.
O maior prémio mundial
…
Continue a ler O QUE JORGE BUESCU SABE SOBRE AS MULHERESCIMÉLIOS “FEMINISTAS”
O primeiro texto feminista português, 1557:
GONÇALVES, Rui, fl. 1539
Dos priuilegios & praerogatiuas q[ue] ho género feminino te[m] por dereito com[um] & ordenações do Reyno… [Lisboa?] : apud Iohanne[m] Barreriu[m], 1557. 106 [i.e. 104], [4] p. ; 4º (22 cm). Encadernação em pele com lombada gravada a ferros dourados R-13-27
Na esteira de obras do mesmo tipo publicadas por toda a Europa (Heinrich Cornelius Aggrippa, Martin Le Franc, Galeazzo Flavio Capella, François Billon e outros, no que ficou conhecido como a querelle des femmes), também em Portugal este Lente de Instituta da Universidade, o Licenciado Rui Gonçalves publica um elogio do género feminino, dedicado à Rainha regente D. Catarina de Áustria. O objectivo do livrinho é-nos dado logo no prefácio: …mostrar quão errados estavam os que escreviam contra as mulheres… Na primeira parte da obra, o autor trata de …algumas virtudes em que as mulheres foram iguais e precederam aos homens. Na segunda, trata da situação jurídica da mulher. O facto de ter sido escrito em português e não em latim, mostra a preocupação do autor em dar a conhecer às mulheres a legislação que lhes dizia respeito. A obra tem sido considerada como o mais antigo texto feminista português.
Papeis inéditos sobre o casamento de D. Catarina de Bragançacom Carlos II de Inglaterra:
ORIGINAL DOCUMENTS
[Original documents relating to Charles II] [manuscrito]. 1660-1697. 54 f. (59 docs.) : il., retratos ; 420x335 mm. Textos em latim, espanhol, inglês e português. Encadernação inglesa do séc. XIX, em chevreau preto, seixas decoradas com ferros gravados, lombada de 6 nervos gravados a ouro com título também a ouro. Cofre 45.
Álbum de autógrafos de Carlos II e de várias personalidades marcantes da Corte inglesa do seu tempo. Inclui cartas, documentos e retratos gravados do Rei e da sua mulher, a Princesa portuguesa D. Catarina Henriqueta de Bragança (1638-1705), da sogra D. Luísa de Gusmão, do historiador e homem de Estado Edward Hyde (1609–1674), 1º Conde de Clarendon, do confessor Frei Domingos do Rosário (o dominicano irlandês Daniel O´Daly, 1595-1662), do embaixador (e tradutor de Camões para o inglês) Sir Richard Fanshaw (1608-1666) e de sua mulher Lady Ann Fanshaw (1625-1680), do Almirante Sir Thomas Allin (1613-1685), do diplomata Sir Robert Southwell (1635-1702), etc. Normalmente, a cada documento na página ímpar corresponde uma gravura
…
Continue a ler CIMÉLIOS “FEMINISTAS”Do suor feminino
Uma vez eu procurei por uma explicação razoável (nem precisava ser nada cientificamente provado, bastava fazer o mínimo de sentido) do porquê homens suam mais que mulheres.
Achei várias páginas dizendo que mulheres têm um mecanismo mais eficiente de dissipação de calor. Muito bem.
E?
Explicou o que eu já sabia. Mulheres suam menos porque não precisam.
Por que?
Minha busca foi frustrante e infrutífera.
Pois bem. Desisti disso, vou contar um causo.
Dia desses estava eu, num carro, esperando.
Escolhi uma sombra completa de uma árvore frondosa num canteiro central de uma rua calma de paralelepípedos e parei o carro embaixo.
Abri todos os vidros e a porta do meu lado para aproveitar o vento (venta muito em Natal nesta época do ano).
Tirei a camisa e me sentei um pouco mais para a frente, para desencostar as costas do encosto do banco e aumentar minha área de contato com o vento que soprava.
Não estava suando, mas também não estava me mexendo; estava no limiar da sudorese. Se levantasse minha sobrancelha com um pouco mais de vigor, suaria.
Uns dez minutos se passam e uma camionete estaciona do outro lado do canteiro, exatamente ao meu lado.
Uma mulher apenas habitava a carroceria.
Pelo que deu para perceber, ela parou para falar ao celular.
Do lado do canteiro em que ela parou, a sombra não era completa (muitos espaços na copa da árvore deixavam passar o sol) nem se estendia por toda a extensão do automóvel, deixando-o aproximadamente 75% sob luz solar.
Depois de algo que pareceu dez minutos (aproximadamente oito páginas do livro que lia, o que é uma maneira eficiente de contar o tempo enquanto leio, um página a cada minuto e vinte, sem me preocupar com o relógio), ela abriu o equivalente à largura de dois dedos humanos da janela do lado do passageiro, talvez numa tentativa de melhorar a troca de gases entre os ambientes interno e externo da buléia, como aquelas minúsculas aberturas em caixas de transporte de animais peçonhentos que são apenas grandes o suficientes para deixar passar moléculas gasosas e não a besta a ser transportada.
Mais alguns capítulos se passam e o fim da minha espera se aproxima e a motorista impávida, ao celular, sequer se abanou ou soprou o sopro dos que têm calor mesmo depois de meia-hora de gesticulação
…
Continue a ler Do suor femininoSobre os preconceitos
"(...) O pior erro será sempre o de partir de um preconceito, mesmo que este se diga fundeado em análises científicas. E aqui chegamos a uma história bizarra, já com alguns meses, contada por Palmira F. da Silva no blogue De Rerum Natura. Os pormenores mais deliciosos estão nos detalhes, mas o essencial é que, num dos colégios norte-americanos mais prestigiados, membro da exclusiva Ivy League, o de Dartmouth, uma professora, de seu nome Priya Venkatesan Hays, tentou processar os seus alunos porque estes contestavam, nas aulas, as suas prelecções, aparentemente muito aborrecidas mas, sobretudo, muito disparatadas.
A senhora faz parte de uma das escolas modernas mais radicais defendendo, nos seus textos, que "os factos científicos não são um retrato da realidade" antes o resultado de "construções sociais" ou de os cientistas não trabalharem no quadro das suas "referências morais" predilectas.
Não se sabe se a professora Venkatesan foi ao ponto de classificar como sexista a equação E=mc2 ou se defendia que o pénis é igual à raiz quadrada de -1, mas isso pouco importa. O que importa é que, confrontada com o cepticismo dos alunos, a professora argumentou que estes tinham violado os seus direitos civis, uma tese que, mesmo nos EUA, não encontrou advogado capaz de a levar a tribunal.
E o que importa sobretudo é entender que sobre qualquer assunto - a perigosidade das mulheres terroristas, as prestações dos atletas ou as vocações das futuras fuzileiras - é sempre mais útil e construtivo colocar perguntas, desafiar o que parece pré-estabelecido, em vez de partir da resposta preconcebida.
Ou seja, as dúvidas são por regra muito mais construtivas do que as certezas, e não só no debate intelectual."
José Manuel FernandesContinue a ler Sobre os preconceitos