Archive for the moral
Psicologia Evolucionista: uma bobagem moral
Winnicott e o cristianismo VI – a gênese da moralidade e a ética cristã
Moral religiosa: qual o problema? – II
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Ateísmo e Religião: Tricô e Conflito Inescapável
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Onde está nossa moral?
Liane Young do Massachusetts Institute of Technology em Cambridge, e seus colegas de trabalho pediram à nove pacientes com lesões no córtex pré frontal ventromedial (CPFVM -Figura) para avaliar vários cenários sobre a sua legitimidade moral. Os cenários retratados eram de uma pessoa tomando uma conduta neutra ou perigosa para outra pessoa, como por exemplo, dar-lhe um veneno que lhe leve a morte. Quatro tipos de avaliação aos pacientes foram tomadas como parâmetro: sem perigo (ação neutra), perigo acidental, falha ao perceber o perigo e sucesso ao perceber o perigo. Os pacientes com lesão no CPFVM se mostraram mais permissivos á falha no julgamento moral do problema apresentado pelos pesquisadores quando comparados com pacientes normais ou com outros tipos de lesões cerebrais. Estes resultados destacam o papel crucial do CPFVM no processamento do julgamento moral em nossa espécie.
A moral objectiva
Para defender que Deus existe agora argumenta-se (outra vez) que a moral é objectiva e que só pode ser objectiva se deus existir
- e logo deus tem de existir.
Mas quando chega à altura de mostrar que a moral é objectiva ficam os defensores desta tese sem recursos. Porque não têm saída.
Porque:
Se a moral é objectiva porque há coisas que são consensuais, é falso. Nem tudo é consensual. E o que é consensual é porque é fácil de explicar relativamente a outras opções morais. Istp se for de facto justificável porque senão não passa de um "ad populum".
Se se justificar a moral objectiva por ser a melhor, é ser redundante. Não acrescenta justificação.
Se determinada regra moral é objectiva por ser a mais racional, então isso é o que defendem os ateus - que a justificação deve ser baseada na inteligência e no respeito pelos outros. (excepto que não consideram que objectiva seja igual a ser a "melhor possível").
Se a moral é objectiva por ser o que deus quer, então é preciso provar que deus existe e mostrar como sabemos que é o que deus quer. E não se pode provar que deus existe porque a moral é objectiva e que a moral é objectiva porque vem de deus. Ciclo vicioso.
Se se disser que a moral tem de vir de deus porque temos de ter uma moral objectiva - chama-se a isso "wishfull thinking", uma falácia conhecida.
Mas a moral não é objectiva. É um conceito relativo ao homem - relativo aos agentes morais, ao sujeito. É por isso subjectiva. E deve ser aberta a refutação e critica. E pode ser avaliada apesar de ser relativa, tal como o espaço ou o tempo.
O facto de se chegarem a consensos mostra como a inteligência e a empatia têm um papel na sua génese.
Em suma, quando se diz que a moral x é objectiva é preciso mostrar que é de facto objectiva, melhor que as restantes opções e porquê. Se não forem capazes de o fazer, é porque não é objectiva. Se forem capazes de o fazer só mostram que não precisam de deus para o fazer. A não ser que mostrem como sabem que a moral vem de deus.
Há! E o perigo não é não ter uma moral absoluta. É achar que se a tem. E agir autoritariamente dizendo que se esta a fazer o que deus quer. Sem realmente saber…
Continue a ler A moral objectivaO argumento do Hitchens pela moral
Mundo devasso
Nós vivemos num mundo onde moral e bons costumes é apenas uma expressão ritmada sem sentido real, como sim-sim-salabim, lupuliplim-clapatopô, abracadabra, cosme e damião ou atirei o pau no gato.
Antigamente tudo era trancável.
A porta do meu guarda-roupa tinha uma fechadura, hoje tem um puxador triangular.
Meus disquetes de 5 1/4″ contendo jogos ficavam num porta-disquete com chave; hoje meus DVD’s ficam empilhados numa prateleira aberta, independente do conteúdo.
Até meu computador tinha uma fechadura!
E bem antes disso existia um brinquedo de encaixar que usava chaves num molho.
Naquela época, em que loja de eletrônicos ainda se chamava Laboratório de Revelação, existia um contrato implícito entre cliente e técnico de revelação: um pagava pelo privilégio de ter suas fotos profissionalmente manipuladas pelo outro enquanto este se comprometia a manter as fotos daquele confidenciais. O sistema funcionava e todos ficavam felizes.
Em algum momento nos últimos dez ou quinze anos esse selo sagrado de confiança foi rompido. E nossa vida pacata, senera, segura e privada foi tirada de nós por nossas câmeras modernas, inclusão digital e Web 2.0: todos tiram fotos com seus celulares e as espalham pelas inúmeras redes sociais que existem.
Não existe mais a intercessão profissional que mantinha a fronteira do permitido/proibido bem demarcada.
Antes a segurança era fortalecida desde a primeira etapa: “pelo menos mais uma pessoa vai ver o conteúdo deste filme; devo me comportar”.
Do mesmo jeito que a melhor forma de guardar um segredo é não compartilhá-lo, a melhor maneira de não se expor publicamente ao ridículo é evitar fazer ridicularidades.
Mas hoje a primeira linha de defesa caiu. Por causa disso, ninguém sente mais a vergonha imposta pelo sistema e todos acabam caindo na armadilha da falsa privacidade: “meu celular, minhas fotos”.
Nós vivemos num mundo onde não existem mais chaves, reais e simbólicas, onde tudo é aberto e nada mais é confidencial.
Não existe mais privacidade, só devassidão.


