Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the moral

Será a moral religiosa de fato objetiva?

O argumento religioso Todas as religiões nos informam sobre como surgimos e porque vivemos. E imediatamente vem o como devemos viver. E este último é exatamente o objeto da moral ou ética – tidos como sinônimos em filosofia. Independentemente das … Continue lendo Continue a ler Será a moral religiosa de fato objetiva?

Psicologia Evolucionista: uma bobagem moral

Quero criticar uma bobagem. A noção teleológica[1] orignalmente introduzida por Aristóteles permeou o pensamento científico por séculos. O Cristianismo, por sua vez, fortaleceu essa concepção. Essa noção de ciência adequava-se muito bem à percepção da Igreja. Se a natureza manifesta … Continue lendo Continue a ler Psicologia Evolucionista: uma bobagem moral

Winnicott e o cristianismo VI – a gênese da moralidade e a ética cristã

Por que não fazemos tudo o que queremos? Essa questão, aparentemente banal e de fácil resolução, não obstante está no cerne das discussões concernentes aos domínios da moral e da ética. Poderíamos formulá-la em outros termos tais como: “Por que muitas vezes sentimos o desejo de agredir e até matar determinadas pessoas e não o [...]Continue a ler Winnicott e o cristianismo VI – a gênese da moralidade e a ética cristã

Moral religiosa: qual o problema? – II

Revendo o post anterior – “Moral religiosa: qual o problema?” – confesso que deixei a desejar. Mas vou continuar tentando. Admito que o uso da palavra ‘problema’, no título, não foi de fato explorado, além do quê, é óbvio que isso é um ‘problema’ na minha opinião. Nessa nova tentativa eu parto das ‘mensagens’ do [...]Continue a ler Moral religiosa: qual o problema? – II

Ateísmo e Religião: Tricô e Conflito Inescapável

Em certo sentido, o movimento neo-ateísta, dentre outros problemas, como que posiciona-se de forma meio birrenta, numa espécie de agressividade quase gratuita. A motivação original parece ser (ou ter sido) a resistência de certos grupos religiosos à teoria da evolução, particularmente no que tange à tentativa de posicionar o criacionismo (ou o DI) com o [...]Continue a ler Ateísmo e Religião: Tricô e Conflito Inescapável

Onde está nossa moral?

Julgamentos morais são essenciais para vivermos em sociedade. Nós perdoamos danos intencionais ou acidentais e condenamos tentativas de prejudicar outras pessoas baseados nessa capacidade. Alguns trabalhos científicos têm demonstrado o papel importante de uma estrutura cerebral chamada córtex pré frontal ventromedial em desempenhar esse papel. Pesquisadores do grupo coordenado pelo renomado neurocientista português, Antonio Damásio (Brain and Creativity Institute and Dornsife Center for Cognitive Neuroimaging, University of Southern California, Los Angeles), publicaram num dos mais importantes periódicos de neurociências, Neuron, um trabalho que vem para trazer luz às bases fisiológicas da moral humana. Trabalhos anteriores já haviam relacionando essa estrutura cerebral com nossa capacidade de julgamento.

Liane Young do Massachusetts Institute of Technology em Cambridge, e seus colegas de trabalho pediram à nove pacientes com lesões no córtex pré frontal ventromedial (CPFVM -Figura) para avaliar vários cenários sobre a sua legitimidade moral. Os cenários retratados eram de uma pessoa tomando uma conduta neutra ou perigosa para outra pessoa, como por exemplo, dar-lhe um veneno que lhe leve a morte. Quatro tipos de avaliação aos pacientes foram tomadas como parâmetro: sem perigo (ação neutra), perigo acidental, falha ao perceber o perigo e sucesso ao perceber o perigo. Os pacientes com lesão no CPFVM se mostraram mais permissivos á falha no julgamento moral do problema apresentado pelos pesquisadores quando comparados com pacientes normais ou com outros tipos de lesões cerebrais. Estes resultados destacam o papel crucial do CPFVM no processamento do julgamento moral em nossa espécie.
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A moral objectiva

Para defender que Deus existe agora argumenta-se (outra vez) que a moral é objectiva  e que só pode ser objectiva se deus existir

- e  logo deus tem de existir. 

Mas quando chega à altura de mostrar que a moral é objectiva ficam os defensores desta tese  sem recursos. Porque não têm saída.

Porque: 

Se a moral é objectiva porque há coisas que são consensuais, é falso. Nem tudo é consensual. E o que é consensual é porque é fácil de explicar relativamente a outras opções morais. Istp se for de facto justificável porque senão não passa de um "ad populum".

Se se  justificar a moral objectiva por ser a melhor, é ser redundante. Não acrescenta justificação.

Se determinada regra  moral é objectiva por ser a mais racional, então isso é o que defendem os ateus - que a justificação deve ser baseada na inteligência e no respeito pelos outros. (excepto que não consideram que objectiva seja igual a ser a "melhor possível").

Se a moral é objectiva por ser o que deus quer, então é preciso provar que deus existe e mostrar como sabemos que é o que deus quer.  E não se pode  provar que deus existe porque a moral é  objectiva e que a moral é objectiva porque vem de deus. Ciclo vicioso.

Se se disser que a moral tem de vir de deus porque temos de ter uma moral objectiva - chama-se a isso  "wishfull thinking", uma falácia conhecida.

Mas a moral não é objectiva. É um conceito relativo ao homem - relativo aos agentes morais, ao sujeito. É por isso subjectiva. E deve ser aberta a refutação e critica. E pode ser avaliada apesar de ser relativa, tal como o espaço ou o tempo. 

O facto de se chegarem a consensos mostra como a inteligência e a empatia têm um papel na sua génese. 

Em suma, quando se diz que a moral x é objectiva é preciso mostrar que é de facto objectiva, melhor que as restantes opções e porquê. Se não forem capazes de o fazer, é porque não é objectiva. Se forem capazes de o fazer só mostram que não precisam de deus para o fazer. A não ser que mostrem como sabem que a moral vem de deus. 

Há! E o perigo não é não ter uma moral absoluta. É achar que se a tem. E agir autoritariamente dizendo que se esta a fazer o que deus quer. Sem realmente saber…

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O argumento do Hitchens pela moral

Reparei, em outros blogs, que parece não ser bem compreendido o argumento do Hitchens contra a moral ser de origem divina.

Para além de não haver maneira de saber se a origem foi mesmo Deus, Hitchens resolve o problema dizendo que não ha nenhuma regra moral religiosa que ele não possa fazer sua. Ou melhor, acabou no fim por dizer que havia uma, mas que a igreja também não a seguia.

A questão é que se ele a pode dizer e seguir sem reservas, ou outra pessoa qualquer, é porque essa regra moral tem um suporte racional compreensível por trás. De tal modo que a sua explicação e compreensão não precisa de recorrer a divindades para ser aceite. Se além disso recorre, é um erro grosseiro de argumentação, porque não é necessário. Há uma explicação mais simples. Com menos entidades extraordinárias envolvidas. Aliás nenhuma. Só o homem e a sua mente.

Provavelmente daí se poder compreender o facto de muita moral evoluir com verdadeiros jogos de força.

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A ética nos relacionamentos, identidade masculina e feminina


Filed under: psicanálise Tagged: cafe filosofico, edipo, etica, Freud, identidade masculina e feminina, moral, morte, psicanalistas, valores, vida, video Continue a ler A ética nos relacionamentos, identidade masculina e feminina

Mundo devasso


Nós vivemos num mundo onde moral e bons costumes é apenas uma expressão ritmada sem sentido real, como sim-sim-salabim, lupuliplim-clapatopô, abracadabra, cosme e damião ou atirei o pau no gato.

Antigamente tudo era trancável.
A porta do meu guarda-roupa tinha uma fechadura, hoje tem um puxador triangular.
Meus disquetes de 5 1/4″ contendo jogos ficavam num porta-disquete com chave; hoje meus DVD’s ficam empilhados numa prateleira aberta, independente do conteúdo.
Até meu computador tinha uma fechadura!
E bem antes disso existia um brinquedo de encaixar que usava chaves num molho.

Naquela época, em que loja de eletrônicos ainda se chamava Laboratório de Revelação, existia um contrato implícito entre cliente e técnico de revelação: um pagava pelo privilégio de ter suas fotos profissionalmente manipuladas pelo outro enquanto este se comprometia a manter as fotos daquele confidenciais. O sistema funcionava e todos ficavam felizes.

Em algum momento nos últimos dez ou quinze anos esse selo sagrado de confiança foi rompido. E nossa vida pacata, senera, segura e privada foi tirada de nós por nossas câmeras modernas, inclusão digital e Web 2.0: todos tiram fotos com seus celulares e as espalham pelas inúmeras redes sociais que existem.
Não existe mais a intercessão profissional que mantinha a fronteira do permitido/proibido bem demarcada.

Antes a segurança era fortalecida desde a primeira etapa: “pelo menos mais uma pessoa vai ver o conteúdo deste filme; devo me comportar”.
Do mesmo jeito que a melhor forma de guardar um segredo é não compartilhá-lo, a melhor maneira de não se expor publicamente ao ridículo é evitar fazer ridicularidades.

Mas hoje a primeira linha de defesa caiu. Por causa disso, ninguém sente mais a vergonha imposta pelo sistema e todos acabam caindo na armadilha da falsa privacidade: “meu celular, minhas fotos”.
Nós vivemos num mundo onde não existem mais chaves, reais e simbólicas, onde tudo é aberto e nada mais é confidencial.

Não existe mais privacidade, só devassidão.

Traduzido sem permissão. Clique para o original.

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