Diplomas são necessários?
Artigo assinado pelo jornalista Gilberto Dimenstein, “Honra ao Mérito”, publicado no jornal Folha de S. Paulo (edição de domingo 28/06/09), discute a necessidade de diploma para exercer profissões.
Honra ao mérito
A partir de agora, para você ganhar um título de mestre não será mais necessário entregar aquelas gigantescas dissertações, repletas de citações, rodapés, tudo isso embrulhado na hermética linguagem universitária. Basta um produto: música, pintura, reportagem, software ou artigo. Muitos de seus professores não ostentarão títulos acadêmicos, alguns deles talvez nem mesmo tenham diploma de ensino superior. Mas, necessariamente, precisa demonstrar reconhecida experiência no mercado de trabalho. Essa é a consequência de uma portaria anunciada na semana passada, propondo uma nova avaliação para os mestrados profissionalizantes, destinados a pessoas que não querem dar aula nem fazer pesquisa, mas se aprimorar na sua profissão. A residência médica ou um MBA, por exemplo, já valeriam o mestrado.
O ministro Fernando Haddad me diz que, com essas mudanças, será mais fácil colocar nas universidades os talentos do mercado de trabalho, compartilhando sua experiência com os alunos. “É exatamente o que muitos estudantes esperam de seus cursos, depois que terminam a graduação”, explica. A chance de um sofisticado marceneiro, com seu diploma de ensino médio, dar aula num mestrado de arquitetura de uma USP indica que estamos metidos num interessante debate sobre méritos e talentos.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, voltou a sinalizar, na semana passada, que, além do jornalismo, mais diplomas poderão deixar de ser obrigatórios – arquitetura, administração, educação, economia, e por aí vai. Se um advogado, devidamente treinado em comunicação, pode trabalhar em jornal, por que um aluno de engenharia não poderia dar aula de física ou matemática numa escola pública? Bastaria que tivesse uma ajuda para saber transmitir seu conhecimento.
Para melhorar as escolas públicas, a cidade de Nova York chama os talentos da sociedade e oferece um curso de didática em apoio – são mandados para os piores lugares. Os resultados são bons, claro. Os alunos gostam de professores que adoram fazer coisas, sejam elas quais forem. Esse tipo de questionamento pode parecer estranho agora num país elitista dominado por cartórios e corporações. Mas é apenas consequência da velocidade do conhecimento.
O debate sobre o mérito profissional e acadêmico aparece das mais diversas formas – e ocorre, em boa parte, porque estamos buscando novas formas de
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