Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the Medicina

Ernesto Burgio – Lamark vs Darwin

Intervenção do meu amigo Ernesto Burgio
[ISDE Italia Scientific Committee] no Convénio organizado pelo Istituto Italiano per gli Studi Filosofici ,
com o tema:


Il Dibattito sulla Priorità delle Nuove Idee: Prolegomena ad una Controstoria della Scienza. Lamarck versus Darwin [vídeo abaixo]


Todos os 4 vídeos aqui:



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Irresponsabilidade médica e o risco desnecessário

Ontem, ao fim da novela "Viver a Vida", um comentário de uma mulher chamada Patrícia me chamou a atenção. Ela dizia que fez uma cirurgia bariátrica (de redução de estômago) e teve uma séria complicação que a deixou em coma e resultou muitas cicatrizes e discorre sobre a superação do problema da auto-imagem débil.
Na verdade a parte mais significativa para mim do seu depoimento foi que ela havia procurado dois bons profissionais que haviam se recusado a fazer o procedimento, por ela não ter indicação para isto. Ela não era obesa mórbida.
Estava acima do peso e por uma disfunção tireoidea não conseguia atingir o peso-forma que havia pré-estabelecido para si própria. Como a paciente havia uma exigência de uma imagem compatível com seu passado de modelo (sic), ela insistiu.
Então procurou um terceiro médico, que aceitou fazer o procedimento que resultou em todas as complicações já ditas. Mesmo sem indicação.
Aqui ficou bem claro que houve um deslize. A coisa era grande, resultou em uma complicação evidente.
Mas o mesmo acontece quando as pessoas vão ao consultório e exigem com prepotência antibióticos para tratar seu resfriado. Ou se decepcionam quando o médico diz que elas não têm necessidade de nenhum medicamento, mas dieta e exercício, bom sono, abandonar um hábito nocivo, ou seja: simplesmente disciplina e higiene.
Na faculdade de Medicina se aprende que todo o procedimento médico implica em riscos. Alguns maiores, outros menores. Todo o procedimento médico possui uma indicação e contra-indicações.
Em qualquer circunstância, o benefício obtido pelo ato médico deve suplantar abundantemente o risco, ou ele é inútil, fútil, irresponsável, torna-se iatrogênico. Não cura doença, a cria.
Isto se aplica a toda a prática médica. Desde uma delicada cirurgia até um aparentemente inocente comprimido de aspirina.
Ali, no depoimento, o risco foi superior ao benefício, e aconteceu. De risco se tornou fato.
Já tive na UTI histórias similares em nome de um excesso de "beleza", mas não só. Histórias de irresponsabilidade de ambas as partes e que acabam perpetuadas a cada vez que um profissional diz sim quando deveria dizer não.

Você que é paciente, reflita. Você que é médico também.


Para assistir o depoimento:http://especial.viveravida.globo.com/portal-da-superacao/2010/03/10/patricia-hall-versao-estendida/Continue a ler Irresponsabilidade médica e o risco desnecessário

O que seria da ciência sem as mulheres?

De um modo geral, a mulher apresenta várias qualidades fundamentais para o desenvolvimento de uma carreira científica bem sucedida. Entre estas destacam-se a imaginação, o espírito criativo, a perseverança, o empenho e o entusiasmo. Estas qualidades tornam a mulher um importante impulsionador da ciência.

Neste dia internacional da mulher, é importante realçar a garra que as caracteriza e que tanto as fez envolver no mundo científico e nas maravilhosas descobertas ao longo dos séculos.

Assim sendo, podemos afirmar que a contribuição da mulher em áreas da ciência como a matemática, a astronomia, a química, a medicina, a agricultura ou a biologia, é já de longa data:

-Há quatro mil anos uma sacerdotisa na Babilónia dedicou-se ao estudo das estrelas, constituindo uma referência importante para os astrónomos e matemáticos que a sucederam.
-O conhecido “banho-Maria” que todos nós usamos diariamente no laboratório, e que contribuiu para o desenvolvimento de muitas áreas da ciência e da indústria, é atribuído a uma química, Maria la Hebrea, que viveu no século I em Alexandria.

Ao longo dos anos foram surgindo também outras referências importantíssimas que tornaram o papel das mulheres na ciência cada vez mais conhecido:

      - Marie Curie (imagem da direita) é sem dúvida o caso mais marcante que culminou com a atribuição de dois prémios Nobel (da física em 1903 juntamente com o seu marido, e da química em 1911, pela descoberta de dois elementos químicos).


- Elizabeth Blackwell foi a primeira mulher 
no mundo a licenciar-se em medicina e, a partir de então, dedicou-se à educação feminina na área da medicina.

- Florence Nightingale: quase se pode dizer que esta senhora inventou a profissão de enfermeira, tendo sempre trabalhado no sentido de estabelecer condições de higiene e segurança nos hospitais militares, numa altura em que era mais frequente os soldados morrerem de infecções do que das próprias lesões de combate.

- Margaret Sangre (imagem à esquerda): depois de verificar, de perto e ao vivo, o sofrimento das mulheres que se viam confrontadas com gravidezes não planeadas e indesejadas, dedicou a sua vida à enfermagem e a ajudar a população feminina a obter informação sobre e medicamentos contraceptivos.


- Rachel Carson: pioneira do movimento ambientalista, esta escritora, cientista, biólogo marinha, ecologista e ambientalista não descansou enquanto não sensibilizou os americanos e o mundo para as questões ambientais. Felizmente, conseguiu.

      - Sally Ride (imagem da direita): foi uma tenista de renome que trocou o desporto pela física, acabando por

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O sexto gosto

Os sentidos são a nossa comunicação com o mundo que nos cerca.
Na Australia, cientistas acabam de descobrir o sexto sabor: gordura!
Até então sabíamos de cinco sabores primordiais: amargo, doce, salgado, azedo e umami.
O interessante é que pessoas sensíveis ao sabor da gordura tendem a comer menos o que leva a índices de massa corpórea menor. Esta descoberta pode abrir uma nova fronteira no combate à obesidade.
Os cientistas da Deakin University, liderados pelo Dr Russell Keast descobriram que os humanos podem identificar o sabor da gordura mais por sua composição química que por sua textura.
O grupo estudou diversas amostras de ácidos graxos encontrados em alimentos comuns misturados em leite desnatado. Todos os 33 indivíduos estudados foram capazes de detectar o sabor da gordura de certa forma.
Assim como nos demais sabores, o grau de sensibilidade dos indivíduos pode variar de indivíduo para indivíduo.
As pessoas que são mais sensíveis ao sabor grasso, podem sentir concentrações muito pequenas de gordura e assim acabam ingerindo uma menor quantidade delas. Segundo o Dr. Keast, parece que estes indivíduos possuem um mecanismo que limita a ingesta, fazendo com que a pessoa sensível pare de comer, o inverso acontece com os insensíveis levando ao sobrepeso e à obesidade.
O grupo agora deverá interessar-se do porque algumas pessoas são sensíveis e outras não. Vamos aguardar as pesquisas.

http://www.deakin.edu.au/
http://www.deakin.edu.au/hmnbs/ens/staff/index.php?username=russellk


Stewart JE, Feinle-Bisset C, Golding M, Delahunty C, Clifton PM, Keast RS.
Oral sensitivity to fatty acids, food consumption and BMI in human subjects.
Br J Nutr. 2010 Mar 3:1-8.Continue a ler O sexto gosto

Palestra com o Professor Dr. Daniel Serrão

Fotografia onde se encontram os elementos do nosso grupo juntamente com a professora responsável pela disciplina, Fátima Vara, o Senhor Professor Dr. Daniel Serrão, seguido do Senhor Director da nossa escola, Álvaro Santos e o Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Valadares, Artur Gandra

No âmbito do nosso tema e, como forma de envolver uma parte significativa da comunidade escolar e também da freguesia de Valadares (na qual se insere a escola que frequentamos), convidámos o Senhor Professor Dr. Daniel Serrão a realizar uma palestra na qual desejávamos abordar o seguinte tema: Bioética. Assim sendo, após uma confirmação positiva do nosso ilustre orador, realizámos, no passado dia 25 de Fevereiro, pelas 14h30, no Cine-Teatro Eduardo Brazão, em Valadares, a respectiva actividade.
Dada a grande varriedade de público-alvo (entre o 9.º e 12.º ano de escolaridade e professores de diversas áreas) o Senhor Professor optou pelo seguinte alinhamento na conferência:

  • Conceito de Bioética
  • Algumas questões mais problemáticas e actuais (eutanásia e métodos de fecundação in vitro e embriões excedentários)
  • Questões futuras relacionadas com a temática abordada
Assim sendo, de forma extremamente apelativa, ilucidativa e dinâmica, estivemos cerca de 1h30m em presença de um orador maravilhoso que nos cativou cada segundo e nos transmitiu de forma exímia os mais diversos conhecimentos relativos aos tópicos anteriormente mencionados, abordando factos científicos, históricos, actuais e a sua própria experiência de vida e opinião pessoal. Contámos também com a presença do Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Valadares, Artur Gandra, do Senhor Director da nossa Escola, Álvaro Santos, e com a cobertura da palestra pelo Senhor Armindo do Jornal Valadares & a cidade em foco.

De forma a conhecer um pouco melhor o Senhor Professor Daniel Serrão, seguem-se alguns dados biográficos acompanhados de algumas imagens e de referências bibliográficas mais actuais:

Dados biográficos

Nascido na cidade de Vila Real a 1 de Março de 1928, termina o Curso Geral dos Liceus, em Aveiro no ano de 1944. No ano seguinte, conclui o Curso Complementar de Ciências e, em 1951, completa o Curso de Medicina, destacando-se sempre pelo brilhante desempenho académico. Cumpre também, durante dois anos, serviço militar prestando serviço no Hospital Regional n.º1 do Porto. Concluiu, com a brilhante classificação de 19 valores, o seu doutoramento e, entre as mais prestigiadas actividades, é de mencionar a sua carreira como professor, a sua especialidade hospitalar na área de anatomia patológica e o facto de ter montado e dirigido, entre 1975 e 2002, um conceituado Laboratório privado de Anatomia Patológica. Devido ao

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DMRI: vilão da Terceira Idade.

O progresso do Brasil pode ser percebido no aumento da expectativa de vida da população. Mas como problema nunca é demais, junto com o progresso vem as doenças características de países desenvolvidos ou em desenvolvimento.

Uma delas é a Degeneração Macular Relacionada à Idade, o assunto de hoje nesse texto escrito a quatro mãos com o Dr. Caio Regatieri, que é oftalmologista, PhD em Ciências e meu colega de laboratório (onde faz pós-doutorado).

O que é a DMRI e como afeta a visão?

olho.jpgEssa doença causa importantes alterações na mácula (região da retina que deixa você ver nitidamente o centro do seu campo visual), fazendo com que as linhas fiquem tortas e a parte central da visão fique escura. Ela se apresenta em duas formas clínicas:

  • DMRI úmida (neovascular ou exudativa): ocorre pelo crescimento de novos vasos sanguíneos atrás da retina a partir da coróide (responsável pelo suprimento de sangue da mácula); pode ocasionar o descolamento da retina.
  • DMRI seca (atrófica): ocorre por acúmulos de material extracelular chamados drusa (comuns acima dos 40 anos) e também pode levar ao descolamento da retina.
dmri3.jpgVisão de um paciente com DMRI (à direita).

A forma atrófica é mais comum e leva a perda lenta da visão, enquanto pacientes com DMRI neovascular perdem a visão de modo súbito e grave. Uma das "boas notícias" é que a DMRI não leva a perda total da visão por preservar a visão lateral, ou seja, ela não causa cegueira.

Pedi para o Dr. Caio deixar algumas dicas para passarmos para nossos conhecidos mais velhos (pais, tios, avós, etc.):

Como identificar?
1. Linhas retas, como o batente da porta e prédios, começam a aparecer distorcidas;
2. As letras aparecem borradas na leitura;
3. Aparecimento de uma mancha negra no centro da visão.

O que devo fazer se tiver DMRI?
Você deve checar a visão central de cada olho separadamente pelo menos uma vez por semana. Se ao fazer isso perceber alguma diferença procure seu oftalmologista rapidamente.

Existe tratamento?
Não para a DMRI seca. O estudo AREDS (Age-Related Eye Disease Study, ou doenças oftalmológicas relacionadas à idade), realizado pelo "braço oftalmológico" do NIH, acompanhou 3640 pacientes por uma década para avaliar os efeitos de antioxidantes e zinco na prevenção da DMRI e da catarata. Nos resultados pacientes com DMRI intermediária ou avançada que usaram vitaminas antioxidantes apresentaram progressão mais lenta da doença.

Já a…

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Pela primeira vez uma vacina contra a sida conseguiu evitar a infecção pelo vírus HIV

 Uma vacina não é bem uma verdadeira invenção. Mas uma contra a sida é de certeza. 20 anos depois de ser identificado o vírus, os investigadores atingiram a primeira imunização contra a doença. Neste momento, ainda estão a tentar perceber como é que essa substância é capaz de travar a infecção.

 Um grupo de investigadores americanos, franceses e tailandeses anunciou o desenvolvimento da RV 144, a primeira vacina capaz de reduzir significativamente o risco de infecção pelo HIV. No maior estudo já realizado sobre a imunização contra a doença, a taxa de protecção proporcionada pela RV 144 foi de 31%. O seu grau de eficácia ainda não permite que ela seja usada comercialmente. Em geral, uma vacina só é aprovada se apresentar, no mínimo, 70% de sucesso. Tratando-se do vírus HIV, no entanto, o resultado obtido pela RV 144 já é considerado histórico.

 Nenhum vírus é tão resistente à imunização quanto o HIV. Ao infectar um organismo, o seu primeiro alvo são os linfócitos CD4, as principais células de defesa. Além disso, ao contrário do que acontece com a maioria dos vírus e bactérias, o vírus da imunodefeciência humana nem chega a reagir ao ataque de anticorpos produzidos pelo sistema imunitário. Ele multiplica-se tão rapidamente e entra nos linfócitos CD4 de uma forma tão veloz que o corpo não consegue produzir anticorpos eficientes.

 
Desenvolvimento do HIV numa célula imune humana infectada.

Fontes: http://revistaveja.wordpress.com/2009/09/26/31-de-esperanca-pela-primeira-vez-uma-vacina-contra-a-aids-conseguiu-evitar-a-infeccao-pelo-virus-hiv/
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Encontrada vacina para vírus em rápida propagação

 Cientistas norte-americanos produziram uma vacina eficaz contra o vírus Chikungunya, endémico da África Oriental e cuja proliferação pela costa do Oceano Índico estava a ser motivo de preocupação entre as autoridades de saúde mundiais. 

 O vírus Chikungunya provoca febres altas, náuseas e dores intensas nas articulações que podem durar anos. O seu modo de transmissão é similar ao do dengue - o vírus é transmitido por via de um mosquito (o vector), sendo que, em 2006, uma mutação neste vírus levou a que este pudesse ser transmitido através de uma nova espécie de mosquito (Aedes albopictus). Isto levou à proliferação do vírus Chikungunya para fora de África Oriental, infectando todos cerca de um milhão de indivíduos, na África Oriental, Sul da Ásia e Territórios do Índico. Contudo, também os Estados Unidos e o Sul da Europa estão ameaçados por esta doença, dado que o mosquito transmissor, Aedes albopictus, habita já nessas regiões.

 Para combater essa epidemia, cientistas norte-americanos criaram uma vacina contra este vírus, que "engana" as células do nosso organismo, permitindo-lhes ganhar imunidade contra o vírus. A vacina contém genes que codificam proteínas do vírus, sendo criada uma estrutura semelhante ao vírus, mas que não é infecciosa. Através desta estrutura, é possível a produção de anti-corpos de "resposta" por parte das nossas células de defesa. A vacina já foi testada em ratos e macacos, sendo que os cientistas desejam testá-la em seres humanos, num prazo máximo de três anos.

Tópico de discussão: Caso os E.U.A. e a Europa não estivessem ameaçados por esta doença, seria investigada a vacina contra este vírus?

Fontes: http://www.newscientist.com/article/mg20527465.000-chikungunya-foiled-by-copycat-virus.html (15/02/2010)
            http://www.newscientist.com/article/mg19025484.000-virus-turns-killer-as-insect-host-fans-out.html (idem)
            http://en.wikipedia.org/wiki/Chikungunya (15/02/2010 - 15h00)
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Dia Mundial contra o Cancro


 Comemora-se no dia 4 de Fevereiro de cada ano, o Dia Mundial contra o Cancro, data estabelecida pela União Internacional contra o Cancro, comemorando-se esta data desde 2006.
 Os objectivos do Dia Mundial contra o Cancro são aumentar a consciência e os conhecimentos dos cidadãos sobre o cancro, encorajando dessa forma à adopção de medidas de prevenção (sendo que aproximadamente 40% dos cancros podem ser prevenidos através de medidas simples), de detecção e tratamento. Este ano, as comemorações do Dia Mundial contra o Cancro focam a temática da importância das vacinas contra os vírus que causam o cancro (como o vírus do papiloma humano que causa o cancro do colo do útero).
 De referir que o cancro é diagnosticado todos os anos a cerca de 12 milhões de indivíduos em todo o mundo e que todos os anos cerca de 7,6 milhões de indivíduos morrem vítimas de cancros. Contudo, estes números podem ser reduzidos significativamente, basta levar um estilo de vida mais saudável (por exemplo, tendo uma alimentação equilibrada e evitando o tabaco e a exposição excessiva ao sol) e ter o cuidado de fazer diagnósticos frequentes.

Fontes: http://www.worldcancercampaign.org/ (7/02/2010 - 14h30)
           http://en.wikipedia.org/wiki/World_Cancer_Day (7/02/2010 - 14h30)
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As Hormonas Incretinas e a Diabetes




Nova crónica do bioquímico António Piedade publicada n' "O Despertar":

A diabetes mellitus tipo 2, vulgarmente designada só por diabetes, é uma doença cardiometabólica complexa, caracterizada por um aumento de glicose (açúcar) no sangue, ou hiperglicemia, crónica. A glicose é o principal “combustível” para as células de todo o corpo. A sua concentração no sangue aumenta após uma refeição, devido à digestão dos alimentos, ou quando precisamos de um reforço de combustível celular, por exemplo durante esforço físico intenso ou durante uma situação de perigo como resposta normal do organismo para podermos agir, lutar ou fugir. A sua concentração no sangue diminui nos intervalos entre as refeições ou nos períodos de jejum prolongado. Mas quando a sua concentração no sangue está continuamente acima do normal, a glicose desencadeia processos patológicos, como sejam o aumento do risco cardiovascular, insuficiência renal, problemas visuais, entre outros.

A regulação fisiológica da glicemia é um processo complexo que não cabe explicar nesta crónica. Contudo, o papel da hormona insulina é indispensável. Produzida por células especializadas no pâncreas, a insulina funciona como uma chave possibilitando que a glicose seja assimilada pelas células. Na falta de insulina, ou se o receptor dela (fechadura) estiver ausente ou não funcional, a glicose não entra para as células permanecendo na corrente sanguínea. Por isso, a insulina foi e ainda é a principal personagem farmacêutica no tratamento da diabetes.

Recentemente, descobriu-se que a ocorrência de hormonas segregadas por células especializadas nos intestinos, conhecidas desde 1902 e rebaptizadas por La Barre, em 1932, como hormonas incretinas [1], desempenham um papel importante no desenvolvimento e progressão da diabetes [2].

Após a ingestão de alimentos, principalmente se forem ricos em hidratos de carbono (como os cereais), verifica-se, durante o trânsito intestinal e absorção dos nutrientes, a secreção para o sangue de duas hormonas incretinas: o peptídeo insulinotrópico glicose-dependente ou GIP (do inglês gastric inhibitory peptide), e o peptídeo tipo glucagina-1 ou GLP-1 (do inglês glucagon-like peptide-1).

Estas hormonas incretinas actuam sobre as células dos ilhéus de Langerhans pancreáticos, “avisando-as” de que o organismo recebeu glicose e que, por isso, é preciso segregar insulina para que aquela possa ser assimilada a nível celular.

Sabemos hoje que estas hormonas actuam de forma glicose-dependente, estimulando a secreção de insulina pelas células beta, e inibindo a secreção de glucagina (outra hormona relacionada com o controlo da glicemia)

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