Archive for the Matemática
série matemática 6: jornada ao centro de um triângulo
Aproveito a ótima dica do Igor Zolnerkevic para retomar a série matemática aqui no blog com a animação Jornada ao centro de um triângulo, de 1977, que mostra como é feita a determinação de diversos tipos de centros (circuncentro, ortocentro etc) em uma variedade de triângulos.
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Republicação temporária de “Séries de Fourier 1 – Sistemas de Funções Ortogonais”
pdf: ver caderno
Começo por considerar sistemas de funções ortogonais para desenvolver a questão da representação de uma função em série do tipo
em que são precisamente funções ortogonais em
.
Chamam-se funções ortogonais às funções [complexas de variável real] que satisfazem as seguintes condições:
Revestem-se de grande interesse nas aplicações as funções do tipo e
.
Chama-se norma de um sistema de funções ortogonais a
.
Um sistema ortogonal diz-se ortonormado se a sua norma for igual à unidade: .
Exemplo 1: definida em
.
.
Consideremos uma função de variável real
e as seguintes hipóteses:
-
a série converge;
-
converge para
Multiplicando a série por vem
e
porque pode trocar-se a ordem de e
, se admitirmos a convergência uniforme da série no intervalo
. Assim,
,
ou seja,
Aos coeficientes chamam-se os coeficientes de Fourier. À série chama-se série de Fourier relativa ao conjunto de funções ortogonais
.
NOTA: esta dedução não é rigorosa!
Consideremos uma função de quadrado integrável no intervalo
. Vamos aproximar
por uma expressão da forma
Seja o erro quadrático médio. Vamos impor que
seja mínimo.
o que é o mesmo que
.
DEDUÇÃO:
Dados dois complexos e
, verifica-se
.
Assim, tem-se
,
e
donde vai resultar
,
ou seja, a fórmula acima que se repete:
.
Os termos
são independentes de . Para minimizar
deve ter-se
que é equivalente a
ou a
Vimos então que os coeficientes da série de Fourier minimizam o erro quadrado médio.
Fazendo tender para infinito, no limite tem-se a desigualdade de Bessel
.
Se o sistema for ortonormado, , e
Para as funções de quadrado integrável, a série
converge. A seguinte igualdade verifica-se, se e só se, o erro quadrático médio for nulo; então, será
e o sistema de funções é completo. Então
.
Nestas condiçoes, diz-se que a série de Fourier converge em média para , mas a convergência não é necessariamente uniforme. Por definição uma série converge uniformemente para uma função quando simbolicamente se verificar
Para cada , existe um inteiro
tal que,
implica
, para todo o
no intervalo
. O facto essencial é que
é independente de
Normalmente dependeria de
Continua em Séries de Fourier 2 – Relação de Parseval.
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Equações cúbicas e quárticas
Para comodidade de leitura, reuno aqui as duas entradas publicadas em Maio sobre a resolução destas equações:
Equação cúbica
A forma canónica da equação cúbica ou do 3.º grau é
com
O método de resolução usual começa por transformá-la noutra, fazendo a substituição :
Dividindo por e ordenando o polinómio do lado esquerdo pelas potências decrescente de
, obtemos — se escolhermos
– uma nova equação cúbica (em ) à qual falta o termo do 2.º grau:
cujos coeficientes são:
e
Se exprimirmos a variável na soma de duas outras
a equação transforma-se em
Uma solução de é a dada pelo sistema em
e
Somos assim conduzidos ao problema de achar dois números e
dos quais se sabe a soma
e o produto
. Como é bem sabido esses números são as duas soluções
e
da equação auxiliar do 2.º grau:
De facto
e
Resolvendo-a determinamos
Nesta notação o discriminante é igual a
.
Consideremos, sem perda de generalidade, e
. Introduzindo
e
em
, obtemos a solução
:
ou seja
e uma solução da equação inicial
Conhecida a solução…
Continue a ler Equações cúbicas e quárticasA tragédia da Matemática no básico
Salta à vista que o ensino da Matemática é um dos maiores problemas nacionais. Os péssimos resultados dos exames do final do ensino básico são apenas um dos indicadores do desprezo pela Matemática que reina entre nós. O Ministério da Educação, que devia estar na primeira linha da defesa da Matemática, pouco ou nada tem feito na área. Pior: procura até esconder o seu falhanço. Os resultados do Plano de Matemática são aqueles que se vêem. Onde estão os relatórios com as conclusões? A tragédia será ainda maior se os responsáveis não forem mudados.Continue a ler A tragédia da Matemática no básico
Bases de numeração — dois números brasileiros: 333333 e 2010
Um número diz-se brasileiro se existir uma base
na qual se escreve com dígitos iguais. (Ver Números dou Brazil, de Choux romanesco, vache qui rit et intégrales curvilignes; ou 2007 est-il un nombre brésilien?, de Les-mathématiques.net)
Da identidade
conclui-se que um número par se escreve na base
com dois dígitos iguais, que são o
:
Esta propriedade generaliza-se a um número múltiplo de
:
escreve-se com dois dígitos
, na base
que resulta da identidade
Aplicando a , podemos escrever, usando dígitos apenas até 9
Quanto a é um número brasileiro na base 10, mas também nas bases
,
ou
, nas quais se escreve
Se podermos utilizar dígitos superiores a 9, por exemplo, , tal que
,
será
* * *
Curiosidade: hoje foram atingidas as 333333 visualizações deste blogue.
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Propriedade dos valores próprios das matrizes hermitianas
Seja uma matriz de entrada (ou elemento) genérico
. Admita que
. Relembremos que a conjugada de
, designada por
é a que tem como elemento genérico
, o conjugado de
; a transconjugada de
é a transposta de
, isto é, a matriz
. Uma matriz
diz-se hermitiana quando coincide com a sua transconjugada:
, logo
. Claro que os elementos
,
,
,
da diagonal principal de uma matriz hermitiana são todos reais. As raízes
da equação característica
, em que
é a matriz identidade, recebem o nome de valores próprios da matriz quadrada
(de
linhas e
colunas).
Se a matriz for de 2.ª ordem, será da forma
sendo a equação característica dada por:
que é equivalente à equação polinomial (quadrática, neste caso):
Os valores próprios :
uma vez que o determinante da equação característica é nulo ou positivo:
Esta é uma propriedade das matrizes hermitianas de qualquer ordem: se for uma matriz hermitiana de ordem
, os seus valores próprios
serão todos reais.
Pode encontrar uma demonstração na entrada Hermitian Matrices de MathPages.
Editado em 22 e 23.07.2010: alterado título e feitas ligeiras alterações ao texto.
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A malvada matemática
-
É difícil dizer quando o povo vai perder o medo.

Beautiful mind
John Nash (ao lado, fotografia de Enric Vives-Rubio), o matemático em torno do qual gira a história do filme Uma mente brilhante, de Ron Howard, realizado a partir da biografia de Sylvia Nasar, publicada em finais dos anos noventa, esteve em Portugal como conferencista na 24.ª Conferência Europeia de Investigação Operacional, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.O seu contributo para a teoria dos jogos foi muito importante. O que é a teoria dos jogos?
A expressão teoria dos jogos é uma descrição popular. A mesma área científica poderia ter tido outro nome. A teoria dos jogos foi desenvolvida com a publicação de um livro [em 1947], por John von Neumann e Oskar Morgenstern, intitulado em inglês Theory of Games and Economic Behavior (Teoria dos jogos e Comportamento Económico), que se tornou muito influente. Mas Von Neumann já tinha publicado na Alemanha em 1928 - o ano em que eu nasci - um artigo intitulado Zur Theorie der Gesellschaftsspiele, que significa "jogos sociais". E antes disso, tinha sido publicado em França um artigo com théorie du jeu no título. Von Neumann também publicou uma nota [em 1928] na Comptes Rendus de l"Académie des Sciences onde falava de théorie des jeux. Foi assim que o nome ficou.
É algo que permite a modelização matemática de comportamentos sociais e económicos?
Sim, mas com a ênfase nas escolhas alternativas e na ideia de estratégia - uma palavra de origem grega que significa a escolha de uma política. Há estratégia no xadrez e noutros jogos. Pode haver uma estratégia no futebol. Só que, aí, as estratégias têm como objectivo fazer com que o outro perca. É o que chamamos um jogo de "soma zero". Todos os jogos de entretenimento e desportivos são desse tipo. Também podem ser de "soma constante", com um certo benefício para ambos os lados, como a final de um Mundial de futebol - mas onde o vencedor beneficia mais do que o outro. E também há jogos onde todos perdem... Sim, são os jogos de soma negativa. Por exemplo, podemos imaginar uma situação em que uma prisão obriga prisioneiros a entrar num duelo onde apenas um irá sobreviver.
(...)
O seu contributo para a teoria
…
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