Gigantes pela própria natureza

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Artigos, Bafana Divulga, Charles Darwin, Ciência Geral, Divulgação Científica, Ecologia, História da Ciência, Manejo de Recursos, Turismo, especiação, ilhas galápagos, tartarugas
Imagem exclusiva Bafana Ciência As ilhas Galápagos, que pertencem ao Equador e se situam no chamado “meio do mundo” têm um símbolo inequívoco que lhes fornece o nome: as tartarugas gigantes. Há dois significados para Galápagos em espanhol: cágado e sela, já que os grandes cascos destes répteis lembram uma sela de cavalo. Independente disto, estes animais realmente são gigantes pela própria natureza: os machos alcançam um metro e meio e cerca de 250 kg (junte apenas 4 e você tem uma tonelada). Foram servidas em banquetes para quase todos os navegantes que visitaram as ilhas, começando pelo Frei Tomas de Berlanga, arcebispo do Panamá, que durante uma viagem ao Peru em 1535, perdeu-se para descobrir oficialmente as ilhas. Não se tem certeza se o Frei disse que “Deus escreve certo por linhas tortas”, já que ele achou as ilhas pouco convidativas, apesar de entrar para a história por este acontecimento. Imagem exclusiva Bafana Ciência Outro visitante inusitado das Galápagos foi Robinson Crusoé, cujo nome real era Alexander Selkirk ...

Um pouco sobre Matemática e Ciências (I de II)

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Artigos, Bafana Divulga, Ciência Geral, Divulgação Científica, Ecologia, História da Ciência, Livros, Manejo de Recursos, Matemática, newton
O meu negócio é número” repetia uma personagem do humorista Jô Soares (no tempo que ele era engraçado) para ironizar o então ministro - forasteiro da Agricultura, o economista Delfim Neto. Afinal a Economia é uma ciência exata ou não? Roberto Campos que tem uma substancial obra econômico-política disse certa vez que os Ensaios Analíticos de Mário Henrique Simonsen era o livro que ele gostaria de ter escrito. Neste, os assuntos vão desde a associação entre matemática e música, passando pela teoria da relatividade e culminando claro, com economia (fico devendo uma resenha deste excepcional livro). A Economia já foi denominada como a ciência irmã da Ecologia. A etimologia das palavras é similar: “nomia”: manejo, “logia”: estudo, “eco”: casa. Assim enquanto a Ecologia é o estudo da casa, a Economia trata de seu manejo. Uma das formas mais eficazes na conciliação destas disciplinas, buscando desenvolvimento e preservação, é através do uso de modelos matemáticos que são simplificações do mundo real, e às vezes servem como a hipótese nula para cientistas nos mais diversos campos do saber. Aliás, foi um destes ...

As intermitências da morte, segundo Jared Diamond (II de III)

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Ciência Geral, Divulgação Científica, Ecologia, História, Livros, Manejo de Recursos, civilições antigas, colapso, jared diamond
A vida e morte pascoalina descrita acima é baseada no segundo capítulo do livro de Jared Diamond Colapso: Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso (2005, Record, 683 páginas). O autor é o mesmo de Armas, Germes e Aço: os Destinos das Sociedades Humanas, que mostra o desenvolvimento de diferentes sociedades nos últimos 13 mil anos e que lhe rendeu o Prêmio Pulitzer de 1998, colocando, de quebra, seu nome como o 9º intelectual mais importante (pra ser mais preciso “famoso”) na recente lista da revista Prospect e do portal Foreign Policy. Diamond é professor da Universidade da Califórnia (Los Angeles), doutor em ornitologia tendo trabalhado por anos com os maravilhosos pássaros da Nova Guiné que tanto encantaram no século XIX o naturalista Alfred R. Wallace, o co-autor da teoria da seleção natural. Diamond foi também diretor, durante 12 anos, da WWF (World Wildlife Fund) nos EUA, uma das mais poderosas ONGs ambientalistas do mundo. Pra encurtar, o homem tem background. ...

As intermitências da morte, segundo Jared Diamond (I de III)

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Artigos, Bafana Divulga, Ciência Geral, História, Ilha de Páscoa, Livros, Manejo de Recursos, Moai
O jovem Matu’a, de ascendência nobre, bateu mais forte com seu machado de pedra e viu, aliviado, a queda da palmeira que faltava para montar o “trenó”. Logo em seguida, se deu conta da realidade e suspirou cansado do futuro recente: restava ainda rolar o moai para cima do trenó e arrastá-lo (sem rodas) para perto da praia a 10 km de distância. O mesmo moai que séculos depois se descobriria pesar 75 toneladas e que o leitor certamente ouviu falar e conhece a história, ao menos em parte. Apesar dos pesares, Matu’a sabia da necessidade imperiosa da obra, pois, do contrário, o trabalho de seus súditos de entalhar o moai e o pukao (uma espácie de ‘chápeu’ colocado nos Moais) estaria perdido. Além disso, pelo menos 500 habitantes do clã que herdaria ali estavam para auxiliar no transporte e era preciso, mais do que nunca, dar exemplo de trabalho e determinação, já que alguns deles não andavam tão satisfeitos com a vida e ameaçavam o poder dos chefes. Com este novo moai, Matu’a sonhava em reverenciar mais dignamente seus ancestrais e, então, a comida voltaria farta, através da pesca de peixes ...

Transposição pode ser a gota d’água!!!

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Artigos, Bafana Divulga, Ciência Geral, Divulgação Científica, Manejo de Recursos, Turismo, chesf, crítica, nordeste, sudene, são francisco, transposição do rio são francisco, usinas hidrelétricas
Velho Chico em Pirapora-MG Além da polêmica ambiental, transposição das águas do Velho Chico mexe com o imaginário! Como o assunto da transposição do Rio São Francisco voltou à mídia no final do ano passado, segue abaixo um artigo do Ronaldo originalmente publicado no Jornal Opção – Goiânia em 15/05/2005. Da literatura dos antigos viajantes até a música de Caetano Veloso, passando por uma rica literatura regionalista, o Rio São Francisco é personagem freqüente da arte brasileira. Talvez também por isso, e não apenas pela questão ambiental, pensar em mexer nesse rio provoca muita polêmica. É o caso do propalado projeto de transposição de suas águas para o Polígono das Secas, objeto de reportagem da jornalista Sici Adriana Rosa para o Jornal Opção (veja aqui). O Brasil possui importantes bacias hidrográficas que colaboram com o desenvolvimento nacional: a bacia Amazônica (eixo Solimões-Amazonas), a bacia do Tietê (caminho de entrada dos bandeirantes e hoje esgoto de saída dos paulistas), que por sua vez pertence à bacia do Paraná ...

Escada para peixes: ouro de tolo para conservacionistas

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Artigos, Ciência Geral, Divulgação Científica, Ecologia, Itaipu, Manejo de Recursos, balbina, barragem, crítica, impactos ecológicos, peixe, reservatórios, usina hidrelétrica
  Escada para peixes A falta de energia elétrica volta a rondar o país comprometendo o já pífio crescimento da economia nacional, pois cerca de 90% da energia brasileira é gerada em reservatórios e São Pedro não foi muito generoso nesta época do ano. Correndo atrás do prejuízo, o governo já mandou acender as termoelétricas, movidas a óleo e carvão, preocupando os que temem o dióxido de carbono na atmosfera. Isto é, quase o mundo todo. Novas barragens são continuamente propostas, mas as obras são lentas e os órgãos ambientais são, às vezes, considerados culpados pela demora da liberação de licenças que supostamente impigem às construtoras. Este é o retrato do Brasil: de um lado nos orgulhamos de nossa legislação ambiental como a “mais completa do mundo”, do outro reclamamos que “atrasa o desenvolvimento”. Tudo isto à toa, pois a lentidão das construções é mesmo creditada à falta de regras claras na definição do preço da energia (variável preferencial para os investidores). Sete Quedas Independente disto, o fato é que a construção de ...

Bafana Divulga: UEG chega à África !!!

Igor Pivomar @ Bafana Ciência Categorias: Bafana Divulga, Cape Town, Ciência Geral, Divulgação Científica, Ecologia, Manejo de Recursos, Publicação, Publicações, Turismo, crítica, ueg, universidade, África, áfrica sul
Esta semana o Jornal Opção publicou uma matéria sobre o intercâmbio universitário entre a Universidade Estadual de Goiás e a Universidade de Cape Town (África do Sul) realizado pela pesquisadora Adriana Rosa de Carvalho (minha professora viu!!) no projeto Restabelecimento do sistema de monitoramento comunitário da pesca artesanal do Rio Olifants (África do Sul) para subsidiar a participação dos pescadores no processo de co-manejo da pesca do Harder (Liza richardsonii)” financiado pelo CNpq. Veja na íntegra aqui. Isto é um tapa sem luvas àqueles professores que passam mais tempo a reclamar e criticar a falta de recursos da universidade e não arregaçam as magas e trabalham com o que têm.  Bons profissionais não se concentram (e acomodam) nos obstáculos de seu projeto e sim buscam soluções para continuá-lo. O recado também serve para os alunos, o sucesso e reconhecimento da sua universidade estão em suas mãos. Incentivem seus professores, busquem parcerias com outras universidades e dediquem-se à profissão da sua vida, porque ninguém lê caixinha de reclamações. Além do prestígio acadêmico pelo trabalho, a professora Adriana nos trouxe belas fotos da África ...

Estes cientistas malucos e seus modelos engenhosos

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Al Gore, Artigos, Bafana Divulga, Divulgação Científica, Ecologia, IPCC, Manejo de Recursos, Pesca, Turismo, crítica, malária, manejo pesqueiro, modelos ecológicos, pesca industrial, África
Alan Teger (pesca) Esta semana, no Instituto Oceanográfico da USP, aconteceu o 1º Workshop Brasileiro sobre Modelagem de Ecossistemas aplicada à Pesca (Download das palestras aqui). No post Os Bagres da Amazônia falei que esta é minha área de pesquisa principal. Realmente uma pena não ter participado para aprender mais sobre temas correlatos, além é claro de conhecer os pesquisadores (também tenho saudades de São Paulo…). Modelagem ecológica pode parecer mais umas daquelas ocupações de cientistas em suas torres de marfim, mas decididamente não é (Aliás, se fosse não teria problema nenhum, mas este assunto fica pra outra hora). Na verdade é uma forma simples, porém abrangente pra se predizer alguns processos ecológicos e nossa pressão sobre eles. Sofia Dyminski 1989_PescadoresO Ministério do Meio Ambiente estima em 250 mil, o número de pescadores de pequena escala no Brasil. Ainda tem a pesca industrial e a população ribeirinha na Amazônia (mais ...

A Guerra do Mundos

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Artigos, Bafana Divulga, Divulgação Científica, Ecologia, Ecologia de Mercado, Manejo de Recursos, bio-estruturas, espécies invasoras, manejo, nupelia, piranha, sete quedas, urso americano, veado
O NUPELIA e as Piranhas A introdução de espécies exóticas é considerada, depois da redução da área dos habitats, uma das grandes causas da extinção de espécies. Fique claro que na maior parte das vezes esta extinção é apenas local, isto é, a espécie continua a existir em outras áreas, mas não naquela em que passa a competir ou ser predada pela exótica. Um bom exemplo brasileiro é o caso da espécie de piranha Serrasalmus spilopleura que vivia tranqüila acima da Cachoeira de Sete Quedas, até que em 1982, as comportas do reservatório de Itaipu foram fechadas e tudo foi inundado. Como resultado as distintas faunas de peixe (abaixo e acima da cachoeira) se misturaram. Aproximadamente 6 a 8 anos depois, S. spilopleura praticamente desapareceu das pescarias experimentais do pessoal do NUPELIA (Núcleo de Pesquisas em Ecologia, Limnologia, Ictiologia e Aqüicultura da UEM – Universidade Estadual de Maringá) prevalecendo em seu lugar a invasora Serrasalmus marginatus, que aparentemente é mais agressiva ao tomar conta da prole ...

Hotspot & Wilderness: “hit parades” da conservação.

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: , Artigos, Bafana Divulga, Cerrado, Divulgação Científica, Ecologia, Manejo de Recursos, Maputaland-Pondoland-Albany, Publicações, conservação, hotspots, manejo, wilderness, África
  Alagados Desde 1989, trinta e quatro áreas ao redor do mundo têm merecido atenção toda especial dos conservacionistas; foram identificadas como “hotspots” pois possuem ao menos 1500 espécies de plantas endêmicas e já perderam mais que 70% de sua cobertura original. Duas destas áreas estão no Brasil, o cerrado e a mata atlântica, e três na África do Sul, a saber: região das Suculentas do Karoo (litoral do Oceano Atlântico na divisa com Namíbia), Província Florística do Cabo (6200 espécies endêmicas, vai do Cabo da Boa Esperança até o Oceano Índico) e a região de Maputaland-Pondoland-Albany (Oceano Índico na divisa com Moçambique). Mapa aqui Este ano a Nature publicou uma carta (“letter”) enviada pelo grupo de pesquisa do Jardim Botânico de Kirstenbosch que descreve um estudo sobre a Província Florística do Cabo, considerada uma “ilha ecológica continental” (todas as referências ao final do texto). O manuscrito ressoa o conceito de “hotspot” (sem ...

Elefante, manejo pra proteger a memória

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: , Addo Elefante, Artigos, Bafana Divulga, Divulgação Científica, Ecologia, Elefante, Kruger, Manejo de Recursos, Turismo, elefante africano, manejo, rola bosta, zoologia, África, África do Sul
Be Happy Elefante “Um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais…” era assim que começava uma musiqueta que cantávamos, quando crianças, para atormentar os adultos. Depois veio o Jotalhão, o elefante do Maurício de Souza que acabou virando extrato de tomate, com o lema “o mais amado do Brasil”, ou algo similar. Na África do Sul, e na África de modo geral, os elefantes ainda incomodam muita gente, mas atraem turistas, exigindo cuidados especiais da direção dos Parques Nacionais e dos gerentes das reservas particulares (chamadas de “game farms”). Estas propriedades são um atrativo negócio em que o fazendeiro ao invés de criar animais para abate, os cria para serem vistos por turistas em preservadas paisagens naturais. O problema com o “way of life” elefantino é que ele é um glutão. Diferente das girafas que ficam com as folhas e espinhos, os indivíduos da espécie Loxodonta africana, preferem a árvore ou o arbusto inteiros na época seca, pois na chuvosa o consumo é exclusivamente de gramíneas. Apesar ...

Bagres da Amazônia (”et eu” 1)

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Amazônia, Artigos, Bafana Divulga, Citações, Divulgação Científica, Ecologia, IBAMA, Manejo de Recursos, Modelagem, Pesca, Publicações, bagres, ecopath, jaraqui, manejo pesqueiro, modelagem ecológica, piramutaba, provarzea, África
Várzea Amazônica et al. é a abreviação da expressão latina et alicui que significa “e colaboradores”. Explico: na maioria das revistas científicas a citação de um trabalho com mais de dois autores é feita usando-se o sobrenome do primeiro autor acompanhado de et al. (por exemplo, Silva et al. 2007, só pra escrever um dos sobrenomes mais populares do Brasil). Uma vez ouvi não sei onde a expressão “et eu”. Morri de rir. É usada pejorativamente contra o manjado tipo de professor-pesquisador que não cansa de dizer “Eu isso, Eu aquilo, Eu aquele outro, Eu, Eu, Eu….”. Também é usado para cientistas que só enxergam o próprio umbigo na hora de escrever: você lê o paper e o cara se cita toda hora. Bem, nem sempre é tão pecado assim. Pode ser que ele seja um dos poucos a tratar daquele assunto usando uma abordagem recente ou diferente. (Hum….). Certa vez li em uma revista científica famosa um trabalho de 30 páginas de um pesquisador estrangeiro que admiro. Havia 15 citações e 14 se referiam ...

Girafa: o mais simpático dos grandes mamíferos

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Artigos, Bafana Divulga, Divulgação Científica, Ecologia, Giraffa camelopardallis, Manejo de Recursos, Mapinguari, Publicações, Rand, Turismo, acácia, estreito de Behring, girafas, nigéria, overkill, África, África do Sul
O continente africano possui paisagens e flores magníficas, mas no quesito grandiosidade, alguns animais da África têm fama mundialmente inquestionável. As cinco espécies que recebem maior destaque são: rinoceronte, elefante, leão, búfalo e leopardo. O Rand, que é a moeda da África do Sul (7 Rands = 1 dólar), ostenta-os, respectivamente, em suas notas de R10, R20, R50, R100 e R200. Estranhou a lista? Cadê o hipopótamo, a chita, o gorila e a girafa? Na verdade, os chamados “big five” não são exatamente os “maiores”, mas sim os mais agressivos e perigosos ao homem. MapinguariPor que a diversidade de grandes animais só é alta no continente africano? A resposta mais correta é o fator histórico-evolutivo, pois há 20 mil anos atrás, o continente americano também contava com mamíferos quase gigantescos: tatus, ursos, veados (com galhadas de mais 10 metros de largura) e o mais famoso deles, a preguiça gigante, que depois virou lenda na Amazônia com o nome de Mapinguari (tem até pesquisador atrás dela). Então, há cerca de 13 mil anos, o bicho-homem atravessou o ...
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