Mai 15
Sobre a língua portuguesa
Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, língua
É sempre um gosto ler Onésimo Almeida, professor na Universidade Brown, nos EUA. Eis um excerto de um seu artigo sobre a língua portuguesa e a lusofonia, que publicou aqui: "A língua é mais um reflexo, ou espelho, do que colectivamente somos, do que o inverso. Noutras palavras, não somos o que somos por causa da língua que falamos, e a nossa língua não é melhor do que as outras naquilo em que não formos melhores do que os outros. Os brasileiros desengravataram o português (como diria Vinicius de Morais) e a língua que tinham era a nossa, barroca, dos séculos XVII e XVIII. Os americanos arregaçaram as mangas ao inglês e vestiram-lhe jeans. A língua portuguesa não é mais ou menos fraterna do que as demais, nem mais ou menos dominadora ou dialogante que as suas congéneres (Alfredo Margarido cita o gramático João Ribeiro para quem o português não seria “uma língua de diálogo, mas de dominação e de ordens”[13]. Ela foi perra e atada no tempo do fascismo, e era a mesma descendente de Camões e de Eça. Hoje está solta (para alguns, ...




Título: Empires of the Word: A Language History of the WorldAutor: Nicholas OstlerLondres: Harper Collins, 2005, 615 pp.As dez línguas mais faladas no mundo são as seguintes: o chinês (mandarim), com 1052 milhões de falantes; o inglês, com cerca de metade de falantes (508 milhões), seguido de perto pelo hindi (487 milhões) e pelo espanhol (417 milhões), e depois pelo russo (277 milhões), bengali (211 milhões) e português (191 milhões). O alemão, o francês e o japonês ocupam as últimas três posições. As doze línguas mais faladas do mundo ocupam cerca de metade da população da Terra, e todas tiveram origem na Ásia ou na Europa. As línguas morrem, renascem, adaptam-se e alteram-se e este livro procura ajudar a compreender melhor esta dinâmica. Pleno de factos, mas também de ideias, as suas mais de 600 páginas de grande formato abordam a dinâmica linguística simultaneamente em termos sincrónicos e diacrónicos. O autor conduz-nos por uma história das grandes e pequenas civilizações, da primeira língua clássica — o sumério — à actualidade. A sua preocupação fundamental é compreender como as línguas se cruzam, adaptam, morrem e sobrepõem.O autor defende que não se ... 






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