Meu colega (de lablogatório) João Carlos atiçou a minha curiosidade quando pediu ajuda a dois outros colegas nossos para que eles falassem sobre a Síndrome de Münchhausen.
Eu já havia ouvido falar (apesar de vez por outra confundir com a de Estocolmo) mas nunca me aprofundei muito no assunto.
Até agora.
Devo confessar que tomei abuso das pessoas que sofrem disso, portanto devo avisar que este artigo pode conter um viés fortemente negativo contra os portadores da síndrome (diria mais; diria que é inevitável que isso aconteça daqui pra frente).
Começando bem do comecinho:
Síndrome é o nome dado a um conjunto de fatores (sintomas) que podem ser produzidos por mais de uma causa.
A de Münchhausen é caracterizada como sendo uma perturbação mental em que as pessoas, de maneira deliberada, simulam sintomas de incapacidades físicas ou psicológicas, se auto-mutilam, alegam sofrer de uma doença grave ou mesmo se submetem a uma cirurgia para tratar de uma enfermidade inexistente, apenas para chamar a atenção.
Eu grifei as palavras-chaves.
O sujeito se faz de doente sabendo que não está (diferentemente do hipocondríaco que acha que está doente) com a única intenção de ser notado pelos outros.
Isso é coisa de menino ruim, que corre dentro do quarto e chama a mãe dizendo que está com febre e suando frio para não ir pro colégio.
Eu entendo que isso é um problema psicológico e que o paciente não tem muita escolha, mas o tamanho da dissonância cognitiva que um desses deve possuir é inefável!
Eu não consigo parar de pensar que isso é falta de vergonha na cara. Dá vontade de dizer “tome jeito, seu cabra!”
Mas esperem! Ainda fica pior!
Existe também uma modalidade chamada Síndrome de Münchhausen por procuração, e essa sim é sebosa.
Nessa variedade, quem sofre não é o portador, mas uma criança!
Geralmente uma mãe ou um parente próximo faz da criança um instrumento para saciar sua necessidade de atenção, expondo o menor a remédios e tratamentos desnecessários e potencialmente perigosos para sua saúde por causa de uma doença imaginária criada pelo adulto.
Desta vez, me vem à cabeça a expressão “doido também apanha”.
Mesmo sofrendo de uma doença, a pessoa é consciente da própria mentira e deve responder objetivamente pelo risco em que coloca outrem, especialmente quando “outrem” é menor de idade e está sob seus cuidados.
O que