Archive for the James Rachels
Objectivismo Moral
Subjectivismo moral (3): Haverá provas em ética?
Subjectivismo moral (1): A verdade dos juízos morais depende da opinião pessoal?
Estudo da religião: a parte da Sociologia e a parte da Filosofia
O 1º e o 2º parágrafos do texto apresentam alguns dos aspectos que, no estudo da religião, interessam à Sociologia. O 3º parágrafo refere alguns dos aspectos que, nesse estudo, interessam à Filosofia.
«Em 2002, o Pew Center, uma empresa de opinião pública (…), perguntou a pessoas de 44 países em que medida a religião era importante para elas. Nos EUA 59 % disseram que a religião desempenhava um papel “muito importante” na sua vida. Esta percentagem é invulgarmente alta. Em Inglaterra, apenas 33 por cento disseram que a religião era importante. Noutros países, as percentagens foram as seguintes: 27% em Itália, 21 % na Alemanha, 12% no Japão e 11 % na França. No entanto, as percentagens relativamente à Bolívia, à Venezuela e ao México foram semelhantes à dos EUA, o que levou os analistas a concluir, de forma pouco generosa, que as atitudes norte-americanas “estão mais próximas das atitudes das pessoas das nações em vias de desenvolvimento do que das pessoas das nações desenvolvidas”.
Entretanto, na sondagem Gallup International Millenium Survey, perguntou-se a pessoas de 60 países se acreditavam em Deus. Apenas 45 % disseram acreditar num Deus “pessoal”, ao passo que outros 30 % disseram acreditar “numa espécie de espírito ou força vital”. A sondagem Gallup mostrou não só que a crença religiosa é mais forte nos mais velhos e nos que têm menos educação, mas também que o índice de crença é mais elevado na África Ocidental, onde predomina o Islão. Aí, 99 % acreditam num Deus pessoal. Nos EUA, 86 % têm essa crença, enquanto os europeus, conclui a sondagem, “são os mais agnósticos”. (…)
No entanto, não queremos apenas saber no que acreditam as pessoas – queremos saber se as crenças religiosas são verdadeiras. (…) Existirá alguma boa razão para acreditar que o mundo foi criado por uma divindade todo-poderosa? (…) Será possível apresentar boas razões que apoiem a crença em Deus?»
James Rachels, Problemas da Filosofia, tradução de Pedro Galvão, Gradiva, Lisboa, 2009, pp.27-29.
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Ler bons livros diminui o calor no Verão e o frio no Inverno!
Jean-Baptiste Camille Corot, “Mulher lendo com paisagem” (1869).
Charles James Lewis, “Mulher lendo à janela” (1830).
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Continue a ler Ler bons livros diminui o calor no Verão e o frio no Inverno!O dinheiro não traz a felicidade!
“Os filósofos antigos tiveram muito a dizer sobre a felicidade. Supunham que ‘a melhor vida’ e ‘a vida feliz’ eram a mesma coisa, e geralmente aceitavam que a felicidade consistia numa vida de razão e virtude. Epicuro (341-270 a. C.) recomendou uma vida simples, de modo a se evitarem sofrimentos e ansiedades. Os estóicos acrescentaram que um homem sábio não permitiria que a sua felicidade dependesse de coisas que estivessem fora do seu controlo, como a riqueza, a saúde, a boa aparência ou as opiniões dos outros. Não podemos controlar as circunstâncias externas, disseram, pelo que devemos ser indiferentes a essas coisas, aceitando-as como aparecem. Epitecto (c. 55-135 a. C.), um dos grandes professores estóicos, deu este conselho aos seus estudantes: ‘Não peçam que as coisas ocorram segundo a vossa vontade; façam com que a vossa vontade seja que as coisas ocorram como ocorrem de facto, e terão paz.’
Algumas destas ideias podem parecer questionáveis, mas uma parte significativa delas tem sido confirmada pela investigação psicológica moderna.
Consideremos, por exemplo, a ideia de que a riqueza não traz felicidade. Dado que a maior parte das pessoas quer ser rica, poderíamos pensar que há alguma correlação entre a riqueza e a felicidade. Mas não há. Quando Ronald Inglehardt, cientista político da Universidade de Michigan, comparou os níveis de riqueza de países diferentes com aquilo que as pessoas desses países dizem sobre a sua satisfação com a sua vida, descobriu que as pessoas dos países mais ricos não são mais felizes do que as dos países mais pobres. Por vezes acontece o oposto: os alemães ocidentais têm o dobro da riqueza dos irlandeses, mas os irlandeses são mais felizes. Dentro de países específicos, encontrou a mesma ausência de correlação: as pessoas que têm mais dinheiro não são mais felizes que as outras. Portanto, sermos ricos não importa. As pessoas afectadas pela pobreza tendem a ser menos felizes do que aquelas que possuem o suficiente para viver; mas, para aqueles que estão acima da linha de pobreza, o dinheiro adicional faz pouca diferença. O psicólogo David Myers observa que ‘quando se ultrapassa a pobreza, o crescimento económico suplementar não melhora significativamente o ânimo dos seres humanos’.
Os estudos sobre os vencedores de lotarias confirmam isto de forma notável. Como é óbvio, os vencedores de lotarias ficam extremamente felizes quando sabem das boas notícias e a euforia tende a…
Continue a ler O dinheiro não traz a felicidade!Ler aos bocadinhos
Ando a ler este livro (o mais recente da colecção Filosofia Aberta) em pequenos goles: um bocadinho de cada vez. Não por medo de me engasgar, mas por causa da correcção dos testes.
Pode ler uma breve mas informativa apresentação do livro aqui, na revista Crítica.
James Rachels, Problemas da Filosofia, tradução de Pedro Galvão, Gradiva, Lisboa, 2009.
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