Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the Insetos

Saúvas: uma sociedade de formigas

As Saúvas - Uma sociedade de formigas (Jo Fava Alves)

As formigas habitam o planeta Terra há mais de cem milhões de anos. Apesar de pequenas e da aparente simplicidade, elas têm uma complexa organização social com um sofisticado sistema de divisão de tarefas. Este vídeo mostra fenômenos e comportamentos que retratam a biologia e a ecologia desses insetos sociais.

Assine nosso Feed ou receba os artigos por email.Continue a ler Saúvas: uma sociedade de formigas

Mamangava, nova vítima do aquecimento global

Segundo uma pesquisa realizada pela UFPR, a abelha da espécie Bombus bellicosus, popularmente conhecida como mamangava, pode estar extinta localmente no Brasil. O inseto aparentemente desapareceu do Paraná, onde era bastante comum, mantendo-se ainda no Uruguai e na Argentina. Segundo os cientistas do estudo, a principal causa de seu desaparecimento é o aquecimento global, bem como a poluição e alteração do seu hábitat.

Os pesquisadores do Laboratório de Biologia Comparada de Hymenoptera do Departamento de Zoologia da UFPR monitoraram os municípios de Ponta Grossa, no Paraná, além de Esteio e Bom Jesus no Rio Grande do Sul e regiões de Curitiba e Santa Catarina. Nenhum indivíduo foi encontrado no Paraná e se constatou que a espécie está desaparecendo também nas outras regiões.

O gênero Bombus contém abelhas bastante generalistas em se tratando de material para a construção dos ninhos e alimentação, mas são sensíveis a mudanças climáticas. Desde 1950, 13 espécies já desapareceram em pelo menos um país da Europa e 4 são consideradas extintas no continente.

O desaparecimento destes insetos traz problemas como a polinização de plantas, pois as abelhas são de fato os mais importantes polinizadores na natureza, visitando diversas espécies em diferentes épocas do ano.

Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2009/11/mais-uma-vitima-do-aquecimento-global

Artigo do trabalho: http://www.springerlink.com/content/g2062448t172864q

Continue a ler Mamangava, nova vítima do aquecimento global

Moscas-escorpiões: abelhas da pré-história

Antes do surgimento das Angiospermas, as plantas com flores, o mundo era dominado pelas coníferas e cicas. Acreditava-se assim que o mais provável é que a polinização destas plantas era realizada pelo vento e pela água, como continua a ser com estes grupos hoje em dia. A polinização por insetos teria surgido só após o aparecimento das primeiras plantas com flores.

Descobertas recentes, no entanto, indicam que a polinização por insetos pode ser mais antiga do que se imaginava, precedendo as flores.

Insetos da ordem Mecoptera (chamados de "scorpionflies" em inglês, literalmente "moscas escorpião") parecem já ter sugado líquidos semelhantes a néctar em coníferas e samambaias há milhões de anos, segundo fósseis recentemente examinados. O aparelho bucal de formato tubular seria capaz de sorver néctar de pelo menos cinco espécies diferentes de coníferas. O único problema com a teoria é a falta de grãos de pólen fossilizados em tais insetos, contudo eles podem ter sido destruídos pela oxidação com o passar do tempo.

Entre o elenco que compunha estes primeiros polinizadores, cita-se as espécies Jeholopsyche liaoningensis e Vitimopsyche gloriae.

Fonte: http://www.livescience.com/animals/091105-scorpion-nectar.html

Mais uma curiosidade sobre Mecoptera: estudos filogenéticos (Michael F. Whiting, 2002) mostraram que as pulgas são seus parentes próximos. provavelmente as pulgas tendo derivado de um grupo de Mecoptera que se tornou bastante especializado.

Continue a ler Moscas-escorpiões: abelhas da pré-história

Suck you dry!

Este pequeno e estranho inseto da família Reduviidae livra os jardins da sua avó de diversas "pragas" como moscas, mosquitos e principalmente lagartas que poderiam acabar com as folhagens e flores que foram tão mimadas durante as estações. Mas também são popularmente conhecidos como "Assassin bugs" (insetos assassinos), por causa de sua dieta peculiar que consiste em sangue de pássaros, répteis e mamíferos como o morcego.

O mecanismo de captura da presa é a clássica e popular espreitada, e quando bem sucedida, ela injeta sua probóscide no corpo da presa, e libera toxinas que anestesiam e a liquefazem, o que torna facil para os insetos assassinos" sugarem o sangue das vitimas. Por outro lado, membros dessa família incluem o famoso "barbeiro" que ao picar uma pessoa transmite o protozoário Trypanosoma cruzy, o agente da Doença de Chagas.

Neste video da National Geographic, aparece uma parte da historia de vida de insetos dessa familia que nascem em cavernas, e onde seu prato principal constitui-se de morcegos vampiros, que tambem se alimentam de sangue, o que torna essa historia insana e "sangrenta" muito mais interessante...


Mais informações aqui: http://assassinbug.com/

Escrevi o texto ao som de "Suck you dry" da banda Mudhoney que também ilustra esse post.

imagem: Academic dictionaries and encyclopedias
Continue a ler Suck you dry!

Porque as folhas mudam de cor e caem no outono?

 arvore-outonoCrédito: Exothermic 

 

No último mês o periódico americano Science publicou um artigo que relata mais uma tentativa de melhorar o nosso entendimento sobre um dos mecanismos mais comuns e visíveis da natureza. A senescência sazonal das folhas das plantas, principalmente de espécies características de clima temperado. O trabalho de JH Kim e colaboradores coreanos analisou a cadeia de eventos que regulam este processo em plantas normais e em mutantes, onde as folhas demoravam mais tempo para morrer. Segundo os autores, a chave deste complexo processo está na regulação do gene ORE1, responsável pela produção de uma proteína que induz a perda e clorofila e a consequente morte da folha. Se não houvesse um mecanismo de supressão do gene ORE1 em folhas jovens, certamente o tempo de vida das folhas seria drasticamente reduzido. Além da importância de responder a uma questão intrigante da natureza, o estudo da senescência sazonal das folhas pode ser muito importante para o ser humano, principalmente na agricultura. 

Acompanhando o processo de morte celular, a mudança de cor destas folhas é algo realmente marcante. Mas será que a alteração da cor das folhas resulta somente do processo de senescência celular? Na verdade não totalmente. As chamadas “cores de outono” (pelo menos em clima temperado) são resultado da mistura de três pigmentos: clorofila (verde), carotenóides (amarelo-laranja) e antocianina (vermelho-violeta). Tanto a clorofila quanto os carotenóides são produzidos ao longo ao ano todo, mas devido a grande produção do principal pigmento fotossintético, as cores amarelo-alaranjadas são mascaradas. Já os pigmentos de cores avermelhadas (antocianina) são produzidos especificamente no outono, logo antes antes da queda das folhas. Então a coloração vermelha das folhas no outono não é um efeito colateral da senescência sazonal, o que torna a produção ativa deste pigmento no outono ecologicamente interessante.

 

cores-outono Predominância das coloração vermelha (a), amarela (b) e marrom (c) em folhas. O marrom normalmente indica morte celular. Fonte: Archetti et al. 2009

 

A explicação mais antiga e testada para a função do pigmento vermelho é a proteção contra fatores abióticos, principalmente a radiação solar. As antocianinas aliviariam esse estresse foto-oxidativo, funcionando como um verdadeiro “protetor solar”. Mas para que aliviar esse estresse em folhas que vão morrer de uma maneira ou outra? Aí entramos no papel de um mecanismo muito importante, a reabsorção de nutrientes. Folhas mais saudáveis podem aumentar a…

Continue a ler Porque as folhas mudam de cor e caem no outono?

Por que não existem insetos no mar?

Outro dia, em um momento de iluminação, percebi que não há muitos insetos marinhos por aí (ouso a dizer que não existem mas a Biologia adora exceções). Intrigado, fui tentar descobrir o porquê. Já aviso que este é mais um daqueles posts cheios de especulações e achismos que deve estar cheio de maluquices e meias-verdades tiradas dos macaquinhos do meu sótão.

Vamos aos fatos: os insetos são o grupo de animais mais bem sucedidos no ambiente terrestre. A combinação da metamorfose, vôo, metabolismo baixo e polinização explicam parte da enorme diversidade de insetos que encontramos fora do mar. Em ambientes marinhos, no entanto, os artrópodes dominantes são os crustáceos, grupo dos camarões, siris e lagostas. Apesar de existirem crustáceos terrestres (tatuzinhos de jardim) e aracnídeos marinhos e terrestres, não há insetos marinhos. Eu creio que esta é uma conseqüência da história evolutiva deste grupo.

Os primeiros insetos devem ter surgido uns 400 milhões de anos atrás, no período Devoniano. Este período foi caracterizado pela conquista do ambiente terrestre por vertebrados e artrópodes, seguindo o caminho trilhado pelas plantas no período Siluriano. Nesta época, os crustáceos já dominavam os mares e os insetos acabaram conquistando o ambiente terrestre por falta de competidores. Isto explica, no entanto, somente por que os insetos não eram marinhos no começo, no entanto depois eles poderiam ter voltado ao mar e reconquistado os seus nichos, assim como baleias, focas, etc.

Um dos motivos dos insetos nunca terem voltado ao mar deve ser alguma limitação fisiológica. Uma delas é o seu sistema respiratório, baseado em canais espalhados pelo corpo do animais pelo qual o ar entra. Este sistema não permitem insetos viverem em profundidades muito altas, uma vez que eles necessitam do oxigênio do ar. Porém existem insetos de água doce que possuem estratégias próprias de sobrevivência que poderiam ser aplicados no ambiente marinho.

Uma outra razão para os insetos nunca terem invadido os mares são que dois de seus triunfos: o vôo e a polinização, não funcionam no mar. O vôo, por motivos óbvios. A polinização por que não há plantas com flores no mar (por que não há plantas com flores no mar? próximo post, talvez?). A ausência de flores no mar, cuja associação com os insetos explica o sucesso evolutivo de ambos grupos, explicaria a ausência de insetos marinhos.

Uma última razão para a inexistência de insetos é a ação de predadores. Grupos que…

Continue a ler Por que não existem insetos no mar?

PPBio lança livro eletrônico sobre pesquisas em biodiversidade na Reserva Ducke

O livro "Reserva Ducke: a biodiversidade amazônica através de uma grade" é uma compilação de estudos recentes na Ducke que envolveram diversos grupos biológicos, como sapos, primatas, peixes, invertebrados, plantas e fungos. Ricamente ilustrado e escrito em linguagem simples, o livro tanto instiga a percepção sobre a biodiversidade para um público amplo, como apresenta uma referência para pesquisadores e estudantes sobre a utilização do sistema de grades para estudos de biodiversidade.


Desde 1963, a Reserva Ducke destina-se a proteger 10.000 hectares de florestas de terra-firme no coração da Amazônia Central. Curiosamente, embora a reserva não faça parte do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), sua história representa um exemplo notório sobre a conservação da biodiversidade no Brasil, pois sua existência vem impedindo firmemente o avanço do desmatamento causado pela expansão urbana de Manaus há duas décadas. Além dos efeitos negativos da pressão de caça e desmatamento, a proximidade com a cidade e seus centros de pesquisa favoreceu o desenvolvimento de uma grande quantidade de estudos científicos, principalmente por pesquisadores vinculados ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), responsável por sua existência e gestão.

A reserva se tornou um grande laboratório natural em uma florestal tropical, onde dezenas de estudos taxonômicos e ecológicos foram realizados. Árvores, sapos, primatas, peixes, lagartos, palmeiras, samambaias, formigas, aranhas, ácaros e fungos, dentre muitos outros, foram estudados em profundidade. Entretanto, os estudos iniciais visitaram apenas uma pequena área da reserva (cerca de 20 %). Por volta do ano 2000, foi proposto um sistema que permitiu aos pesquisadores ampliar muito a extensão da área de amostragem, num panorama de integração dos resultados. O sistema consistiu em instalar trilhas de 8 km de extensão na floresta, formando uma grade de 64 km2 que cobre praticamente toda a extensão da Reserva Ducke.

O sistema de trilhas permitiu o acesso a ambientes terrestres, ripários e aquáticos distribuídos por toda a reserva. Conforme os estudos foram realizados, muitas espécies que não haviam sido registradas anteriormente foram descobertas, reforçando a idéia que é importante obter informações sobre a biodiversidade em uma área grande, que tende a incluir mais variação nas condições ambientais. Foi justamente dessa experiência desenvolvida na Reserva Ducke que surgiu o sistema RAPELD adotado pelo PPBio, que está sendo aplicado em diferentes regiões da Amazônia, do Brasil e do mundo.


O livro “Reserva Ducke: a biodiversidade amazônica através de uma grade”, organizado por

Continue a ler PPBio lança livro eletrônico sobre pesquisas em biodiversidade na Reserva Ducke

Como enganar uma borboleta




Não deixe de conhecer o Bichinhos de Jardim.

Continue a ler Como enganar uma borboleta

Interação entre insetos (besouros) e microorganismos (fungos)

A diversidade global de insetos é gigantesca. Atualmente, por volta de 950 mil espécies de insetos são descritas na literatura. Sendo que um terço das espécies de insetos são da ordem coleoptera (isto é, mais de 300 mil espécies são besouros!). Eu tinha um professor de zoologia que dizia assim: Se Deus fosse um animal, ele seria um besouro! Acredita-se que existam de 5 a 8 milhões de espécies de besouro.



Entretanto, Jarrod Scott (e colaboradores) argumentam que isto é só a ponta do iceberg da diversidade. Em seu trabalho na revista Science intitulado “Bacterial Protection of Beetle-Fungus Mutualism”, Scott observou que a espécie Dendroctonus frontalis utiliza-se de uma espécie de bactéria para proteger os fungos de que se alimenta de outra espécie fungo competidora.

Dendroctonus frontalis carrega em consigo uma espécie de fungo chamada Entomocorticium sp. A, e ao depositar suas larvas em galerias junto ao floema de pinheiros, estes inoculam o fungo para servir como fonte de alimentos para suas larvas. Porém, o sucesso dessa interação mutualística é posto em xeque por outra espécie de fungo (Ophiostoma minus). Esta espécie compete com a espécie de fungo usada como fonte alimentar pelas larvas do besouro.

Só que nosso amigo besouro possui uma carta na manga. Um outro tipo de fungo não identificado participa da interação, só que este libera substâncias com poder antibiótico que impede o crescimento do Ophiostoma minus. Esta fungo é depositado também na galeria onde o besouro deposita suas larvas juntas com o fungo que é usado com alimento.

Os pesquisadores, que não são nada bobos, isolaram a substância e deram o nome de micangimicina (em homemnagam ao compartimento do besouro que a abriga, o micângio).

Mais uma vez, isso nos mostra o quanto temos que pesquisar para entendermos uma pequena parte do nosso mundo. A bioprospecção é uma corrente importantíssima (e bastante rentável) na biologia. É só imaginar quantas milhões de vidas ela já salvou.

Como diz minha avó: - Os engenheiros fazem nossas casas, pontes e outras coisas, e vocês biólogos? O que fazem? Bem, só pelo simples fato de ela perguntar isso, indica que algum biólogo teve participação. Ou ela não teria acabado de completar 85 anos, já que teria morrido por algum tipo de infecção na juventude. Não estou crucificando a velhinha (rs), mas ela é só um exemplo de como as pessoas ainda não entendem o trabalho

Continue a ler Interação entre insetos (besouros) e microorganismos (fungos)

Hoje é dia de…


…LINKS!

Como é um sábado, vou começar com álcool:

Para iniciar os trabalhos, a Isis nos alerta do teor calórico das nossas beveragens => Bebida alcoólica engorda. E como!;

Felizmente, o Felipe nos confirma que não existe gente feia, você é que não bebeu o suficiente => As pessoas realmente ficam mais bonitas quando você bebe;

E, para os que exagerarão na busca do par ideal, uma receita minha para amanhã de manhã => A melhor cura para ressaca é beber mais…

Álcool é o fruto de frutas e outros vegetais fermentados.
Formigas também usam fermentação em seu dia-a-dia, para conservar a comida.

E, por falar nesses artrópodes, há muito o que falar deles. Por exemplo:

O Atila nos introduz ao fabuloso mundo das Cardiocondyla obscurior, onde estranhamente os machos têm poder sobre as fêmeas => Mais a ganhar do que sexo;

Eu usei os bichinhos para finalmente entender co-evolução => Meu nome é Rmiga. Fo Rmiga.;

E, alternativamente, Tine (minha estaticista favorita) mostra que esses insetos podem nos ajudar a economizar tempo e dinheiro => Formigas… tá na hora de você aprender com elas!!!;

Porém, não podemos acreditar em tudo o que vemos. Pessoas mentem!

Carlos mostrou isso enquanto comprava flores => O golpe da flor-de-lótus;

Renan dá uma navalhada num mito recente sobre o tamanho aparente do planeta vermelho => De quando Marte não ficou e não ficará do tamanho da Lua Cheia;

Este neguinho aqui se aventurou pela astrologia e adivinhação para ver até onde chegaria => Astros;

E, voltando ao início, mais álcool com o Fafá, que mistura Tequila com ceticismo => Tequila contra câncer. Um brinde ao sensacionalismo!

Finalmente, para relaxar o resto do sábado, quadrinhos!

Do xkcd, algo que acontece comigo quase sempre:
sonho

Pelo Savage Chickens, a nossa navalha amiga:
navalha

Vindo do Abstruse Goose, para os nerds entre nós (traduzido por mim):

Bom fim-de-semana!

Continue a ler Hoje é dia de…
  • Arquivos