Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the ilhas galápagos

Quando a realidade é melhor que a ficção!!

Imagem do National Geographic

Quando chegou a Galápagos, Darwin só não praticou seu esporte preferido, a caça, porque os animais eram muito dóceis e não fugiam, não fogem ainda, quando vêem os humanos. Ele deixou o rifle de lado, pegou um iguana marinho com as próprias mãos e o jogou na água várias vezes, para analisar o comportamento e o modo de nadar destes animais que ocorrem apenas nestas ilhas.

Ao nadar, os indivíduos da espécie Amblyrhynchus cristatus, colocam as patas para trás e balançam o corpo de lado, incluindo a cauda que tem metade do tamanho do corpo que é, nos adultos, de um metro. Sua coloração é preta o que colabora para camuflá-lo de predadores no substrato de lava endurecida e negra, mas principalmente os ajudam a absorver calor, pois a água do mar é fria e os iguanas precisam se aquecer depois de se alimentarem de algas que crescem aderidas a rochas a dez metros ou mais de profundidade.

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Na terra eles “espirram” muitas vezes, eliminando o excesso de sal do alimento ingerido. Este jato de água salobra é também usado para espantar predadores como aves, o que faz com que a expectativa de vida deles chegue a 30 anos.

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O mais incrível desta espécie é o fato de que seu ancestral era um iguana que tinha hábitos de terra e veio flutuando em troncos desde o continente a 900 km de distância. Por falar nestes iguanas de terra, há duas espécies dele nas Galápagos, ambas do gênero Conolophus sp. e que são pouco maiores que os marinhos. Estas espécies são amareladas e herbívoras, se alimentam de folhas de cactos gigantes ou flores e gramíneas.

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Apesar de serem as fêmeas que escolhem os machos, estes protegem sete delas, mas que literalmente se matam por melhores locais para colocarem os ovos (dentro de buracos no solo). Também já foi identificado que há uma relação mutualística entre estes iguanas e os tentilhões (pequenos pássaros) que comem os carrapatos que infestam os corpos destes répteis.

Quando Godzilla foi criado em 1954, o trauma das bombas fez com que os japoneses imaginassem uma super-mutação atômica que transformaria um pequeno e pacífico iguana num monstro feroz e destruidor. Ainda bem que a energia atômica, injustamente acusada dos piores impactos ambientais no mundo, nunca produziu nada nem parecido com isto.

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George, e a Idade do Lobo – Tartaruga

Imagem exclusiva Bafana Ciência

No artigo anterior falei sobre as tartarugas gigantes das Galápagos e citei de relance o Lonesome George ou George, o Solitário. Trata-se de um macho que vive na Estação de Pesquisa Charles Darwin (EPCD) e é o último espécime de Geochelone abingdoni (veja foto), uma das 11 espécies de tartarugas gigantes das Galápagos.

George foi levado para um cativeiro da EPCD em 1971 e viveu apertado até a chegada da Dra. Linda Cayot em 1988 que, encontrando-o acima do peso, começou um longo e paciente trabalho para que ele conseguisse se reproduzir. George foi primeiramente submetido a uma dieta rigorosa, pois répteis obesos têm menores chances de procriarem. Depois foi colocado num cativeiro maior, que o obrigava a caminhar bastante para obter seu novo alimento, que sempre era servido longe dele.

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Quando George entrou em forma, recebeu a companhia de duas fêmeas da espécie G. becki, que viviam no vulcão do Lobo na ilha de Isabela e que são morfologicamente bem parecidas com a espécie de George que originalmente é da ilha Pinta, ao norte de Isabela. Na época não se sabia que geneticamente George está mais próximo de tartarugas da ilha Espanhola e que há ainda uma espécie híbrida entre G. abingdoni e G. nigrita, o que talvez facilitasse o cruzamento de George.

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Mesmo assim, com as duas fêmeas e um trabalho diário, os pesquisadores tentaram estimular George para que ele acasalasse. Este procedimento não foi inteiramente revelado, mas imagino que colocando as fêmeas sempre próximas ao macho ele possa ter maior interesse em copular. Apesar disto, ele continuava reticente e, por vezes, agressivo com as fêmeas. Assim, houve outra mudança em sua dieta, agora com mais minerais e vitaminas, prescrita por pesquisadores do Zoológico de Washington, que é considerado um dos melhores do mundo.

Então, semana passada os pesquisadores descobriram no cativeiro de George um ninho com nove ovos (em tempo, para fazer o ninho, a fêmea escava um pequeno buraco e defeca abundantemente, para que quando o ovo caia, não se quebre. Além disso, o odor das fezes deve enganar os predadores de ovos).

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Infelizmente, quatro ovos estavam podres e dois apresentaram fissuras nas cascas. Os três restantes foram levados à incubadoras e submetidos à diferentes temperaturas (quanto m aior a temperatura, maior a chance de nascerem fêmeas). Daqui à aproximadamente quatro meses…

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Gigantes pela própria natureza

Imagem exclusiva Bafana Ciência

As ilhas Galápagos, que pertencem ao Equador e se situam no chamado “meio do mundo” têm um símbolo inequívoco que lhes fornece o nome: as tartarugas gigantes. Há dois significados para Galápagos em espanhol: cágado e sela, já que os grandes cascos destes répteis lembram uma sela de cavalo.

Independente disto, estes animais realmente são gigantes pela própria natureza: os machos alcançam um metro e meio e cerca de 250 kg (junte apenas 4 e você tem uma tonelada). Foram servidas em banquetes para quase todos os navegantes que visitaram as ilhas, começando pelo Frei Tomas de Berlanga, arcebispo do Panamá, que durante uma viagem ao Peru em 1535, perdeu-se para descobrir oficialmente as ilhas. Não se tem certeza se o Frei disse que “Deus escreve certo por linhas tortas”, já que ele achou as ilhas pouco convidativas, apesar de entrar para a história por este acontecimento.

Imagem exclusiva Bafana Ciência

Outro visitante inusitado das Galápagos foi Robinson Crusoé, cujo nome real era Alexander Selkirk e que quatro anos depois de ser resgatado da ilha que vivera sozinho na Costa do Chile, apareceu por lá em 1709, pouco antes de saquear o porto de Guayaquil.

Imagem Free

Estima-se que 250 mil destas tartarugas existiram no arquipélago antes da chegada do homem. Hoje são 15 mil, pois todos esses visitantes estavam sempre a buscar alimento fácil. Provavelmente três espécies de tartarugas gigantes foram levadas à extinção por causa deste overkill. É mais triste ainda saber que os navegantes comiam apenas as patas delas (cerca de 5% do peso do animal), já que o restante do corpo era intragável (não dava pra fazer buchada de tartaruga). De vez em quando, usavam as reservas de gordura das tortoises como óleo e aproveitavam-se também de suas reservas de água doce, que é escassa na maior parte das ilhas.

Hoje, as 11 espécies restantes do gênero Geochelone sp. são divididas pelos pesquisadores em dois grupos principais: as que têm casco em forma de sela, com pescoço e patas alongadas, próprias para buscar alimento acima do solo e as com casco arredondado que comem gramíneas rasteiras (veja abaixo).

Imagem Free

Não se sabe ao certo, mas os ancestrais destes animais teriam vindo sobre troncos que flutuaram errantes até as Galápagos e, à partir de então, passaram por um processo intitulado radiação adaptativa, isto é,…

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Ilha Bartolomé

Fragatas

Oi pessoal, nos desculpem a demora. Muita correria e canseira. A vida no mar, descansa a cabeça mas o corpo velho de guerra, já não é mais aquele…. Enfim, nossa última visita em Galápagos foi para uma de suas inúmeras pequenas ilhas, a Bartolomé. Bem, no caminho até lá, no barco, muitas fragatas (Fregata minor e Fregata magnificens) nos seguiram, voando ao lado da janela da cozinha do barco, esperando que o cozinheiro jogasse-lhes restos de comida. Ele estava de bom humor, elas comeram bem e bastante.

Dafhne Maior

Ainda, passamos próximos a uma outra pequena ilha chamada “Dafhne Maior” que lembra exatamente um vulcão, mas ninguém tem permissão de aportar nela.

Ronaldo na Ilha Bartolomé

Em Bartolomé, o espetáculo é realmente incrível. Há 17 vulcões extintos na ilha, incluindo um submerso pela alta maré, os outros formam uma verdadeira aula de geologia vulcânica que detalharei mais tarde pra vocês quando finalmente estiver de volta ao Brasil.

Ilha Bartolomé

A todos que por aqui passaram nestes dias em que o Bafana tornou-se um “foto-blog” o nosso muito obrigado. Semana que vem escreverei, com mais calma, sobre a viagem… ainda tem a ida ao pé do vulcão Cotopaxi que nos deixou literalmente sem fôlego. Também daremos dicas pra quem se arriscar nesta aventura formidável. Um verdadeiro tour-acadêmico e científico.

Ronaldo e Adrina em Galápagos

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Floreana e Santa Fé

Dia 10/07

No dia 10 fomos à Ilha Floreana (mais duas horas de barco) e, subindo a montanha pudemos observar as diferenças das “zonas vegetacionais”. Na parte alta chovia e fazia frio, mas próximo ao litoral, além da vegetação ser mais baixa, fazia um calor danado. Um problema de Floreana, foi a introdução de muitas espécies exóticas (mamona, por exemplo) e hoje é bem difícil eliminá-las.

Na foto, estou entre rochas vulcânicas na parte alta da ilha e que serviram como abrigo para os primeiros habitantes: a Família Villamil em 1750. Depois circundamos a ilha para um mergulho. Vimos tubarões e tartarugas marinhas, além de inúmeras espécies de peixes.

Dia 11/07

Fomos à Santa Fé, uma ilha com alta população de leões marinhos (Zalophus wollebaeki) que ficam tomando sol, enquanto o cheiro deles (de peixe) atrai muitos mosquitos, que servem de alimento à pequenos lagartos (na foto, a fêmea toma conta de seu ninho).

Em Santa Fé, também pudemos observar a iguana terrestre (Conolophus pallidus), uma espécie endêmica desta ilha. Ela se alimenta principalmente de cactus mas come também pequenos arbustos.

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Ilha Isabela: vulcões, espirros e náuseas!

Oi gente, aqui nas Galápagos o tempo está fechado. Chove à cântaros…

Bem, ontem fomos a ilha Isabela, a maior das ilhas Galápagos e que parece um cavalo marinho (veja mapa).

Isabela possui 5 vulcões, um deles entrou em erupção mês passado, com lava e tudo, mas, infelizmente, o show já parou… O mais incrível é que a ilha tem apenas 700.000 anos e para cada região que circunda os vulcões, há uma espécie de tartaruga gigante do gênero Geochelone. É nesta ilha também que recentemente foi construído um heliporto, para ajudar os caçadores na erradicação das terríveis cabras, uma das muitas espécies exóticas que perturbam as nativas, incluindo as tartarugas gigantes, por competição alimentar.

Uma curiosidade histórica é que em 1946, foi implantada em Isabela uma Colônia Penal para presos políticos e comuns. Um diretor extremamente cruel obrigava os prisioneiros construírem um muro que separava “o nada do lugar nenhum”. Eles não podiam usar camisa e quem tentasse fugir era morto pelos vigias armados e enterrado pelos companheiros no lugar em que caísse. O muro tem 7 metros de altura, 5 de largura e 150m de comprimento. A colônia foi fechada 13 anos depois, quando o Governo Equatoriano descobriu este castigo.

Lá também vimos muitos indivíduos da iguana marinha (Amblyrhynchus cristatus) que come algas aderidas às rochas do fundo do mar e nada como o Godzilla… A ‘vida imita a arte’… depois do mergulho, descansam ao sol e, vamos dizer assim, “espirram” para eliminar o excesso de sal.

As iguanas ficavam principalmente perto de uma área cujas rochas estão sendo colonizadas por líquens. Nós gostamos de ver isto, pois é um exemplo real de sucessão primária, isto é, um processo sequencial de substituição de espécies iniciado sem a influência da comunidade anterior. Estas rochas foram formadas, não pelo escorrimento da lava vulcânica, mas sim, por arremesso à distância, assim tivemos uma sensação de estar andando em Marte. Um pequeno passo pra Adriana, um grande passo para o Bafana…

Outro animal fantástico são os “bobbies” de patas azuis (Sula nebouxii excisa) que pegam os peixes mergulhando violentamente na água.

Fiz um pequeno mergulho com snorkel e, além de ver ao menos 15 espécies de peixes, os pinguins (Sphensicus magellanicus) e leões marinhos (Zalophus wollebacki) vieram, literalmente, brincar comigo (na foto eles já tinham voltado pras rochas). Lembrando que na África do…

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Darwin e as desprezíveis Galápagos – I

Quando Charles Darwin (1809-1882) chegou às Galápagos em 15 de setembro de 1835 pareceu relativamente desapontado com o que viu. Apesar de já conviverem com pelo menos 200 exilados deportados do Equador, então colônia inglesa, as aves locais não fugiam dos homens quando os avistavam. Darwin cutucou uma delas com seu rifle e achou que elas não serviam ao nobre esporte inglês de caça ao pássaro que ele adorava. O que ele poderia fazer ali, naquelas ilhas áridas com suas flores feias e aves de aspecto “sul-americano”?

Foi então observar os vulcões e os comparou com fornalhas de ferro inglesas “perto de Wolverhampton”. Depois caminhando sob o sol escaldante em busca de depósitos de águas da chuva, ajudou à capturar alguns iguanas para uma refeição que o capitão do Beagle, FitzRoy, classificou como “razoável”, o que para nosso paladar de brasileiro, deve ser considerada “quase desprezível”.

Mas Darwin também pegou um dos iguanas e jogou-o ao mar. O iguana voltou nadando, e ele repetiu a maledicência com o pobre bichinho mais algumas vezes, anotando seu comportamento. Se mamãe Darwin, estivesse por lá, provavelmente diria com a típica empáfia inglesa: “Charles, você já tem 26 anos. Pare de brincar com a comida”.

De qualquer forma, o jovem coletou 31 tentilhões com seu rifle, representando nove ou seis tipos diferentes (há controvérsias), de três ilhas que visitou, mas irritado com o sol e a falta de água, e achando que eles não se diferenciariam naquelas ilhas próximas, fez anotações imprecisas sob quais ilhas eles pertenceriam, misturando os indivíduos de duas delas. Como se diz no jargão científico, o ex-aluno relapso da Universidade de Edimburgo usou “acochambration methods ecology”.

Mas seu superior olhar inglês cometeu um erro ainda maior, quando ignorou a informação do governador local e dos exilados, que era possível identificar de qual ilha, as tartarugas pertenciam, apenas olhando o formato e o desenho de seus cascos. Darwin achou que as tartarugas eram espécies continentais, levadas pelos navegantes até a ilha para servirem de alimento.

Saiu de lá, cinco semanas depois, achando difícil imaginar ilhas tropicais “tão inteiramente inúteis para o homem como para os animais maiores”. Porém antes que chegasse ao próximo destino do Beagle (o Taiti), ele verificou os espécimes coletados e encontrou…

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