Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the História

Em agradecimento de várias mensagens de parabéns, partilho dois belíssimos temas de Hector Zazou baseados na polifonia da Córsega: Anima & Memoria



Dois temas complementares
Anima 0 aos 4.19 min. (bonita, alegre)
Memoria 4.21 aos 9.59 min. (sublime, espectacular)
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O CHEIRO DOS RICOS


Minha crónica no semanário "Sol" de hoje:

A estação central de comboios da cidade alemã de Colónia é dominado pela publicidade à água de Colónia 4711, que é, aí como noutros lados, denominada “autêntica”. Ora essa publicidade, como tantas outras, é bastante enganosa, pois a água original de Colónia é quase um século mais velha, remontando a 1709, o ano em que, em Portugal, Bartolomeu de Gusmão fazia subir, perante o rei D. João V, a sua Passarola.

Com efeito, foi nesse ano que o comerciante italiano Giovanni Maria Farina inventou e passou a vender uma “água milagrosa” que ele próprio descreveu nestes termos: "Encontrei um cheiro que me lembra uma manhã na Itália, narcisos da montanha e folhas de laranja depois da chuva. Ele me refresca e fortalece os meus sentidos e a minha fantasia.” Em homenagem à cidade onde foi inventada, passou a ser anunciada como “água de Colónia”.

Aconteceu à água de Colónia o mesmo que, mais tarde, aconteceu à Gilette, isto é, passou a designar-se todo um tipo de produtos com o mesmo nome do produto inicial. Embora de fórmulas químicas diferentes, a 4711 e a Farina são ambas águas de Colónia, isto é, são uma mistura de óleos essenciais de plantas, em concentração inferior a sete por cento, com álcool (etanol) diluído em água. A 4711 será talvez a água de Colónia mais famosa em todo o mundo, pese embora a história da sua pretensão à autenticidade ser um pouco recambolesca: o alemão que criou, também em Colónia, o sucedâneo convidou para sócio da sua empresa um Farina que não tinha nada a ver com a família do perfumista com o mesmo nome, só para que as duas águas pudessem ser confundidas. As leis da propriedade industrial ainda não tinham sido feitas!

A 4711 (nome que deriva do número de porta da loja, na Rua dos Sinos, Glockengasse, no tempo em que os números diziam respeito a toda a cidade e não apenas à rua) tem uma relação com o nosso país: toda uma linha dos seus produtos de perfumaria se intitula Portugal. Porquê? Acontece que um dos óleos essenciais usados para preparar esses produtos é feito com casca de uma laranja azeda, proveniente dos países do Sul da Europa. A associação de Portugal com a produção

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Crónica da desolação

Caveiras de vítimas dos Khmers Vermelhos no campo de extermínio S-21, no Camboja. «Entre 1915 1 1917, os Turcos massacraram talvez um milhão e meio de arménios. Nos anos 30, Estaline deu ordem para que se matassem de 7 a 10 milhões de pessoas. É geralmente atribuído o número de 6 milhões ao genocídio nazi dos Judeus. Depois foi a vez dos massacres no Camboja, no Ruanda e, quando o século se Continue a ler Crónica da desolação

O MOTOR CAÍDO DOS CÉUS


Não, a peça mais surpreendente do Museu Romano-Germânico, mesmo ao lado da catedral de Colónia, na Alemanha, não é o belíssimo chão de mosaico de Dionísio, que foi encontrado "in situ" quando se escavava durante a Segunda Guerra Mundial um abrigo anti-aéreo (e que consegue superar os de Conímbriga). O que mais me surpreendeu foi encontrar, no meio de tantos e tão ricos fundos romanos e pré-romanos, um motor enferrujado, dificilmente reconhecível, de um avião-caça da Luftwaffe que caiu em Enger-Pödinghausen, Herford, no estado de Nordrhein-Westfalen, em Novembro de 1944, e que, ao fim de 66 anos, foi encontrado por acaso numa escavação arqueológica.

Estava enterrado no solo a 4,5 metros de profundidade, tal foi a violência da queda. Mas foi ainda possível encontrar testemunhas oculares da queda, alemães que se lembram de ter recolhido o piloto, ejectado de páraquedas (uma sua pistola e um seu crucifixo foram também escavados por arqueólogos e são mostrados junto ao motor no segundo piso do museu). O avião era um Messerschmitt Bf 109 G 6/Y e o motor era Daimler-Benz,

Dois anos antes, mais precisamente a 30 de Maio de 1942, tinha havido um dos primeiros grandes ataques aéreos da história, com 1100 caças bombardeiros da Royal Air Force a semear a esmo bombas sobre a cidade. O burgo ficou quase arrasado, como mostram alguns postais ilustrados (embora a preto e branco) que os turistas hoje gostam de comprar. Num mar de ruínas ergue-se, solitária e altiva, a catedral. Que os pilotos tenham conseguido poupar uma das jóias da arquitectura gótica que demorou mais de 600 anos a construir mas que poderia ter sido destruída em poucas horas só mostra a sua perícia. Perícia que é comprovada pelo facto de a defesa antiaaérea alemã só ter conseguido abater 43 aviões dos 1100 que enxamearam o céu sobre o rio Reno (uma perda de cerca de quatro por cento!). Nenhum destes aviões britânicos apareceu ainda em escavações arqueológicas, mas isso pode ainda vir a acontecer.

E o que não poderão dizer, se existirem, os arqueólogos daqui a milhares de anos quando descobrirem motores do século XX à mistura com pedras medievais?Continue a ler O MOTOR CAÍDO DOS CÉUS

Retratos do Brasil

Edição especial da revista “História Viva”, publicada pela Duetto Editorial, traz como tema “O Olhar dos Viajantes – O Brasil ao Natural”. A edição reúne uma série de textos escritos por pesquisadores brasileiros sobre a documentação da biodiversidade e costumes brasileiros por estrangeiros desde o descobrimento até o século XIX. Em publicação com muitas ilustrações de artistas como Von Martius, Hercule Florence, James Forbes, Nicolas-Antoine Taunay, Jean-Baptiste Debret, dentre outros, os textos reúnem informações sobre relatos de viagens e expedições feitas ao Brasil, quando a natureza deste país ainda era exuberante.

Os textos são:

A construção do Brasil na literatura de viagem – Jean Marcel Carvalho França, professor de história da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), campus de Franca.

Retratos das terras de lá e de cá – Susani Silveira Lemos França, também professora de história da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), campus de Franca.

No novo mundo, o lugar mais próximo do paraíso – Jean Marcel Carvalho França, professor de história da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), campus de Franca.

Paisagens eternizadas na arte francesa – Valéria Lima, professora de história da Universidade Metodista de Piracicaba

Viajantes brasileiros do império português – Magnus Roberto de Mello Pereira (professor de história da Universidade Federal do Paraná) e Ana Lúcia Rocha Barbalho da Cruz (pesquisadora do Centro de Documentação e Pesquisa dos Domínios Portugueses da mesma universidade).

Emmanuel Liais contempla o Rio das Velhas – Marcus Vinicius de Freitas, professor de teoria literária da Universidade Federal de Minas Gerais

Spix e Martius, historiadores da natureza – Karen Macknow Lisboa, professora de históra do Brasil da Universidade Federal de São Paulo

Registros fundadores: as primeiras visões de estrangeiros – Temístocles Cezar, professor de história e diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Naturalistas desvendam o sertão nordestino – Maria Lucia Abaurre Gnerre, pesquisadora da Universidade Federal da Paraíba.

Teoria da evolução norteia “Viagem ao Brasil” – Marcia Regina Capelari Naxara, professora de história da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), campus de Franca.

A natureza e os naturalistas do século XIX – Miriam Lifchitz Moreira Leite, professora de história aposentada da Universidade de São Paulo.

O país na escultura de Louis Rochet – Paulo Knauss, professor de história…

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O SEGREDO DO DISCO ASTRONÓMICO


De férias na Alemanha, leio na imprensa alemã uma interessante notícia sobre o disco de Nebra (já referido neste blogue), cuja descoberta no lugar de Nebra, na província da Saxónia-Anhalt tem levantado grande discussão desde há dez anos.

Investigadores das Universidades de Mainz e de Halle (cidade em cujo museu arqueológico o disco está guardado) pretendem ter encontrado uma explicação para o enterramento do disco, há 3600 anos, em plena Idade do Bronze. Nessa época, as cinzas de um vulcão na ilha de Santorini, no Mediterrâneo, terão causado um obscurecimento dos céus da Europa durante um período de cerca de 20 anos (um fenómeno um pouco parecido com o que se passou recentemente com a erupção de um vulcão islandês). O instrumento foi posto de lado e enterrado no local onde foi descoberto porque a sua utilização como calendário astronómico se tornou assim inútil. A notícia acrescenta que na mesma época terá também cessado a utilização astronómica do sítio de Stonehenge, na Inglaterra?

E porque é que a descoberta do disco foi tão polémica? O achado foi feito por arqueólogos amadores que o tentaram vender no mercado negro, mas a polícia acabou por os apanhar numa operação digna de um filme no Hotel Hilton de Basileia, na Suíça. Alguns arqueólogos duvidaram na altura da autenticidade do disco que representa, além do Sol e da Lua, as Pleiades, mas estas dúvidas dissiparam-se depois de uma cuidadosa análise do disco de 32 centímetros de diâmetro cuja massa é de cerca de dois quilogramas. Trata-se, sem dúvida, do mais antigo instrumento astronómico conhecido até hoje.Continue a ler O SEGREDO DO DISCO ASTRONÓMICO

Australopithecus afarensis já utilizava ferramentas e comia carne

 A descoberta de ossos animais fossilizados (nomeadamente de um antílope do tamanho de uma cabra e de um animal do tamanho de uma vaca) com cerca de 3,4 milhões de anos, apresentando marcas (muito provavelmente feitas por instrumentos), sugere que os hominídeos já utilizavam ferramentas e comem carne há mais tempo do que anteriormente se julgava.

 Estes ossos foram descobertos na Etiópia, por investigadores do Instituto Max Planck, na Alemanha, estando inseridos num estrato, cujos sedimentos tinham cerca de 3,2 milhões de ano. Contudo, outras evidências geológicas apontam para que os ossos apresentem uma idade de 3,4 milhões de anos. Ora, como nesse período o Australopithecus afarensis (espécie à qual pertencia a Lucy) era a única espécie de antepassados do ser humano presente naquele local, assume-se agora que A. afarensis já utilizava ferramentas e comia carne.

 Sabia-se já que os indivíduos pertencentes à espécie Homo habilis (que vivera entre há 2,4 e 1,4 milhões de anos atrás) não tinham sido os primeiros a utilizar ferramentas, pois em 1997 foram descobertas, também na Etiópia, artefactos pontiagudos de pedra com cerca de 2,5 milhões de anos. Porém, esta nova descoberta indica que a utilização de ferramentas é cerca de 800 000 anos mais antiga, o que sugere que a espécie Australopithecus afarensis não era tão primitiva quanto se pensava.

Fontes: http://www.newscientist.com/article/dn19302-early-humans-were-butchers-34-million-years-ago.html
           http://www.nature.com/nature/journal/v385/n6614/abs/385333a0.html
           http://www.publico.pt/Ciências/a-australopiteca-lucy-ja-comia-carne-e-usava-faca_1451073 (12/09/2010)
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A LONGA MARCHA PARA O ESPAÇO


Outro texto meu de há alguns anos sobre a aventura espacial, este extraído de "Curiosidade Apaixonada" (Gradiva):

Segundo o historiador de ciência inglês Joseph Needham o foguete foi provavelmente (nestas coisas nunca pode haver certezas) a invenção mais importante da China e a sua contribuição tecnológica mais importante para a humanidade. Ele estaria talvez a pensar na possibilidade de um dia a humanidade poder deixar o seu “berço” e estabelecer-se noutros planetas ou mesmo em estações permanentes no espaço.

Needham é uma das maiores autoridades mundiais sobre a ciência e a tecnologia da China. Nascido em 1900, deu aos 37 anos uma grande volta na sua carreira de embriologista formado por Cambridge. Tendo encontrado e feito amizade com estudantes chineses, entusiasmou-se pela história da civilização chinesa. Para isso aprendeu a língua chinesa clássica. E, em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, foi nomeado Conselheiro Científico da Embaixada Britânica na China. Correu a China toda, reunindo informações e coleccionando, com a obsessão de um caçador de tesouros, muitos livros sobre a antiga ciência chinesa. Essa biblioteca constitui hoje em Cambridge a maior biblioteca sobre a história da ciência e da técnica chinesa fora da China, tendo justamente o nome do seu fundador. Depois da Guerra, Needham tornou-se subdirector geral da UNESCO para a área das Ciências Naturais, tendo sido ele o responsável pelo S da sigla entre o E e o C (originalmente, a UNESCO tinha a intenção de se dedicar apenas à ciência e à cultura, mas a ciência, de “Science” fica muitíssimo bem entre as duas). De volta à sua “alma mater” Needham começou a escrever um longo e erudito tratado intitulado “Science and Civilization in China”, que tem saído sob a chancela da Cambridge University Press em 25 volumes (já saíram 17 volumes; o projecto continua depois da morte do autor em 1995). É praticamente impossível a um leitor ler por completo essa verdadeira obra prima da história da ciência, mas há resumos, um dos quais bastante acessível e ilustrado (que tem a vantagem de ter sido não só sancionado como prefaciado pelo próprio Needham): Robert Temple, “The Genius of China: 3000 Years of Science, Discovery and Invention”, Prion, Londres, 1986.

É lá que podemos encontrar uma breve história do foguete chinês. Ficamos a saber que o foguete nasceu na China em 1150 (no

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A História das Religiões

A expansão das religiões

A expansão das religiões

Ao clicar na figura acima, o leitor poderá visualizar um mapa animado que sintetiza o surgimento e a expansão das religiões com os maiores números de fiéis.

Esta animação é uma de tantas que podem ser encontradas no sítio: Maps of War, do inglês: Mapas de Guerra.

Como poderão perceber, o forte das animações é a história militar. Também, é difícil retratar a história das civilizações, incluindo aí as religiões, países e culturas de forma geral, sem a presença das guerras. Infelizmente, entender o passado do homem é, quase que, estudar as guerras.

Mas, há outras animações além de guerras. Além da animação acima sobre as religiões, abaixo coloco uma que exibe a propagação da democracia ao redor do globo.

Recomendo fortemente, portanto, uma visita ao sítio Maps of War. E divirtam-se com a história!

Democracia ao redor do planeta

Democracia ao redor do planeta


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O preço da falsa ciência

Relendo o sempre ótimo Fads & Falacies in the Name  of Science, de Martin Gardner, reparei que os ensaios sobre Lysenko e nazismo aparecem um em seguida do outro. Faz sentido: ambos tratam das consequências catastróficas de se tomar bobagem por ciência.
Trofim Lysenko (1898-1976) foi um agricultor soviético que caiu nas graças de Stálin e conseguiu impor à União Soviética, durante décadas, suas teorias infundadas sobre genética e produção agrícola.
Em linhas gerais, ele defendia a ideia de que uma mudança de ambiente poderia “destroçar” a herança genética das plantas — algo que talvez tenha parecido se harmonizar com o ideal socialista de criar um novo ser humano a partir da transformação social.
Sua obra é uma história de terror em duas partes. A primeira, feita pela perseguição, assassinato e intimidação dos geneticistas e agrônomos que se opunham a ele ou que tentavam manter alguma integridade científica e intelectual; a segunda, pelo atraso a que a agricultura soviética foi submetida durante seu período de graça.
O nazismo, claro, é um caso mais complicado. Sua matriz não foi apenas política e pseudocientífica, como também mitológica, cultural e religiosa.
Propostas para expulsar ou escravizar os judeus da Alemanha já apareciam em escritos de Martinho Lutero; Albert Einstein era ameaçado e atacado por fazer “física judia” bem antes da ascensão de Hitler; e o nacionalismo alemão fazia um apelo romântico à Idade Média e a tempos pagãos. Uma mixórdia.
De qualquer forma,  o Reich não teve dificuldade para encontrar antropólogos dispostos a escrever rapsódias sobre a superioridade das “raças nórdicas”. Hans Günther(1891-1968), da Universidade de Jena, que segundo a Wikipedia continuou a publicar material racista e eugenista até 1959, é o exemplo mais destacado.
Gardner acerta o alvo ao escrever que os trabalhos de homens como Günther “são  um testemunho contundente da facilidade com que uma ciência pode ser pervertida por fortes preconceitos emocionais que o cientista deriva não de seu objeto de estudo, mas das forças culturais que o cercam”.
Eu acrescentaria que a relação mantida entre a ciência real e trabalhos como os de Lysenko e Günther é a mesma que há entre aeroportos de verdade e as “pistas de pouso” e “torres de controle” de madeira que, em certa época, eram erguidas por moradores de ilhas do Pacífico para magicamente “atrair” aviões: alguma coincidência de forma, mas absoluta divergência de conteúdo.

por Carlos Orsi
Seção: FILOSOFANDO
27.julho.2010 11:15:37


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