E onde fica a História sem Adão?

Igor Pivomar @ Bafana Ciência Categorias: Artigos, Bafana Divulga, Ciência Geral, Divulgação Científica, Evolução, História, História da Ciência, ancestralidade, bíblia, crítica, educação
No artigo anterior Ademir Luiz, dissertou sobre os problemas de um professor de História ao ensinar as crianças a evolução e os ancestrais da espécie humana. Segundo ele, alunos dizem não acreditar no processo de seleção natural e então estudam por obrigação, “já que aquilo não está nas Escrituras”. Isto sinceramente me soa não como crendice [...]

CIMÉLIOS CIENTÍFICOS

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, História da Ciência, Livros
Pedimos à Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra que nos facultasse alguns dados sobre livros e documentos quje estão patentes na sua exposição "Cimélios", já aqui anunciada. Eis o texto do "catálogo" da parte científica da exposição, da responsabilidade do bibliotecário António Eugénio Maia Amaral, que descreve várias obras preciosas, aqui por ordem cronológica:TÁBUAS DOS ROTEIROS[Tábuas dos roteiros] [manuscrito]. [15--]. 1 álbum (63 f.) : todo il. ; 430x290 mm. Encadernação em pele gravada a ferros secos com lombada gravada a ferros dourados, atilhos em fita de seda verde. Cofre 33É o único manuscrito conhecido que inclui os desenhos que ilustravam ambos os roteiros “de Goa a Diu” (1538-1539) e o “do Mar Roxo” (1540) do 4.º Vice-Rei da Índia, Índia, D. João de Castro (1500-1548). Conhecem-se outras cópias (os originais consideram-se perdidos) em separado: da costa da Índia na Biblioteca Nacional de Portugal e da costa do Mar Vermelho, na British Library. Esta é uma das melhores cópias, de meados do século XVI, com vinte e nove das trinta e uma tábuas previstas. O manuscrito foi facsimilado, com estudo do Professor Luís de Albuquerque, em versões portuguesa, ...

BIBLIOGRAFIA DE HISTÓRIA DA CIÊNCIA

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, História da Ciência, Livros
Informação recebida do Centro de História das Ciências da Universidade de Lisboa:Vimos por este meio avisar que a Bibliografia de História da Ciência em Portugal, 2000-2004, de Conceição Tavares e Henrique Leitão, publicada pelo Centro de História das Ciências da Universidade de Lisboa, foi agora disponibilizada integralmente em versão PDF, livre (540 KB): http://chcul.fc.ul.pt/textos/Bibliografia_2000-2004.pdf Também foi preparada uma Adenda e Corrigenda que resolve as faltas e lapsos entretanto detectados na Bibliografia: http://chcul.fc.ul.pt/textos/Adenda-Corrigenda_2008-07.pdf Mais informações aqui: http://chcul.fc.ul.pt/livros/bibliografia_2000_4-2006.htm Conceição Tavares e Henrique Leitão http://chcul.fc.ul.pt

E onde fica Adão nesta história?!

Igor Pivomar @ Bafana Ciência Categorias: Artigos, Bafana Divulga, Charles Darwin, Ciência Geral, Divulgação Científica, Evolução, História, História da Ciência, Religião, crítica
Apresentando, nosso grande amigo Ademir Luiz: Do desafio de ensinar História diante do fundamentalismo religioso. Todo professor de História vive um dilema anual: como apresentar a matéria sobre o surgimento do homem sem ofender a gregos ou a troianos? A escola é, ou deveria ser, uma instituição laica por definição. Muito mais do que uma [...]

Filosofia e história da Ciência em Portugal no século XX

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Filosofia, História da Ciência, Livros
Recensão do livro “Filosofia e História da Ciência em Portugal no Século XX” por António José F. Leonardo:A obra “Filosofia e História da Ciência em Portugal no Século XX”, de Augusto Fitas, Marcial Rodrigues e Maria de Fátima Nunes, é, de facto, “uma análise serena e rigorosa” que fornece ao leitor “as ferramentas necessárias a um percurso crítico e esclarecido, através das posições assumidas pelos pensadores e cientistas portugueses do século XX, em face dos grandes debates europeus.” É com estas palavras que Pedro Calafate, do Centro de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, caracteriza a obra no seu prefácio.Da autoria de uma equipa que inclui uma historiadora, um filósofo e um físico, esta reunião de competências, metodologias e saberes confere à visão, que é partilhada com o leitor, um carácter abrangente das principais ideias, polémicas e discussões que sustentaram a evolução da ciência e da epistemologia no nosso país no século passado.Trata-se de uma segunda edição, revista e modificada, de “A Filosofia da Ciência em Portugal no século XX”, que integrou a colecção “História do Pensamento Filosófico Português” (Vol. 5, tomo 2), publicada em 2006 ...

Hermann Minkowski e o nascimento do Espaço-Tempo

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Física, História da Ciência, Matemática
Estão quase a comemorar-se os cem anos do "nascimento" do espaço-tempo. E a Universidade do Porto está a organizar um colóquio comemorativo (ver aqui). Temos o maior gosto em publicar um "post" convidado de José Carlos Santos, matemático da Universidade do Porto, sobre esse conceito e o seu criador, o alemão Hermann Minkowski:A 21 de Setembro de 1908 decorria em Colónia, na Alemanha, o 80º encontro da Associação Alemã de Cientistas e Médicos. Uma das conferências apresentadas nesse dia foi de um matemático, Hermann Minkowski, professor há vários anos naquele que era provavelmente o mais prestigiado departamento de Matemática do mundo: o da Universidade de Göttingen. Pouco havia na sua carreira que levasse a esperar que a palestra atraísse grande interesse por parte de não matemáticos, pois os seus trabalhos científicos eram quase todos da área da Teoria dos Números, o ramo da Matemática que se ocupa das propriedades dos números inteiros. O único trabalho científico dele ligado às ciências experimentais (excepto um artigo escrito para uma enciclopédia) era sobre Física teórica e tinha sido publicado meses antes numa revista da sua Universidade. A palestra tinha, no entanto,um título intrigante e ...

Resenha: Grandes Debates da Ciência

Thiago Henrique Santos @ polegaropositor.com.br Categorias: Ciência Geral, Divulgação Científica, História da Ciência, Resenhas, blog
Como qualquer atividade humana, a ciência é permeada por pontos polêmicos e disputas de egos. Não é raro observar propostas de teorias que de certa maneira, concorrem para explicar um mesmo fenômeno. Da mesma forma, também há casos clássicos de cientistas que partem para “contendas” de todos os tipos. Embora a imagem de uma ciência segura de seus enunciados, sabemos que na prático isso dificilmente ocorre. Este é justamente o ponto do livro Grandes Debates da Ciência, de Hal Hellman. O autor selecionou alguns dos casos mais populares de disputa entre cientistas e compilou estes casos em um livro bastante interessante. Eu diria até, bastante viciante. Desde Harry Potter e o Cálice de Fogo (e daí né gente!) eu não lia nada que realmente me empolgasse e que fosse difícil de largar. Evidente que o livro do Hellman nada tem a ver com os livros do Harry Potter. Não se trata de um livro de ficção, mas sim uma amostra bastante curiosa de casos clássicos da ciência. Entre estes casos temos a disputa entre Newton e Leibiniz, Galileu contra o Papa Urbano VIII, Thomas Huxley contra Samuel Wilberforce durante a legendária briga envolvendo a teoria da evolução de Darwin, e por ...

Duzentos anos de Darwin

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Artigos, Charles Darwin, Ciência Geral, Divulgação Científica, Evolução, História da Ciência, Livros, a origem das espécies, huxley
Em 2009 o mundo será invadido por reportagens, documentários, lançamentos editoriais, vídeos e toda a sorte de mídias versando sobre um assunto: Charles Darwin. A avalanche de informação terá início provavelmente em fevereiro, mais precisamente no dia 12 quando se comemora 200 anos do nascimento do pai da seleção natural. Os festejos não se encerrarão [...]

A necrofilia da Ciência: Leibniz

Thiago Henrique Santos @ polegaropositor.com.br Categorias: Ciência Geral, Divulgação Científica, História, História da Ciência, Temas diversos, blog
A banda de rock Pato Fu, no disco Televisão de Cachorro, gravou uma música chamada Necrofilia da Arte. A música é sobre como músicos ganham fama rapidamente depois que morrem de maneira trágica ou misteriosa. Na ciência, isso ocorre algumas vezes. Embora talvez possamos justificar que a ciência demora para mudar seus paradigmas. Além de em muitos casos as idéias de determinado cientista serem tão modernas e arrojadas, que simplesmente não podem ser verificadas com a tecnologia atual. Se o Leibniz morreu, e eu amo ele*É o caso do cientista, filósofo e matemático alemão Gottfried Wilhelm von Leibniz. Dono de um intelecto incrivelmente versátil (e de uma bela peruca), Leibniz foi influente nos campos mais diversos do desenvolvimento humano. Liebniz e sua peruca. Clique para ampliar.Liebniz e sua peruca. Clique para ampliar. Trabalhava pesquisando genealogias para a aristocracia, e por isso tinha uma boa influência. Além disso é creditado a ele, em conjunto com Isaac Newton, a criação do cálculo moderno. Nesta mesma área, Leibniz foi um dos primeiros a construir uma máquina de calcular. Suas idéias ainda tiveram grande impacto na filosofia (aonde provavelmente é melhor reconhecido) e política. O problema de Gottfried, foi ter se ...

Lamarck e os grande enigmas da vida

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Artigos, Biografia, Ciência Geral, Divulgação Científica, Evolução, História da Ciência, Lamarck, Personalidades e Cientistas
Aprendemos na escola que Darwin não foi o único a imaginar um processo de evolução para as espécies. Quase que inevitavelmente no ensino deste tema, os livros didáticos e professores contrapõem a teoria darwiniana com a lamarckista. Em muitos casos, inclusive, Lamarck e sua hipótese de evolução, são ridicularizados. Com a exposição Darwin, que acontece [...]

“PORTUGALIAE PHYSICA”

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Física, História da Ciência
Em 1943, quando a Segunda Guerra Mundial se aproximava do fim na Europa, uma nova revista científica aparecia em Portugal em resultado dos esforços de um pequeno grupo de físicos que tentavam desenvolver a Física num clima bastante adverso (é bem sabido que Salazar não era um particular entusiasta da ciência). A sua ideia era a de disseminar a nível internacional trabalhos originais de física teórica, experimental e aplicada. A revista “Nature”, em 15 de Julho de 1944, dava as boas vindas ao novo jornal:“At a time when the study of pure science has been necessarily replaced for so many by sterner pursuits, it is pleasant to realize that there are still countries where it is growing and need new mediums for publication”.O título – “Portugaliae Physica” – vinha do latim e era certamente inspirado pelo de outra revista que tinha sido fundada, alguns anos atrás, por matemáticos portugueses – “Portugaliae Mathematica” - e que ainda hoje existe. Os fundadores da revista de Física foram Manuel Valadares (1904-1992), Aurélio Marques da Silva (1905-1965), dois físicos nucleares que tinham sido alunos de doutoramento de Madame Curie em Paris, Cyrillo ...

Expondo Darwin

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Artigos, Bafana Divulga, Charles Darwin, Ciência Geral, Divulgação Científica, História da Ciência, Turismo, exposição darwin
Já está em Goiânia a exposição Darwin – Descubra o homem e teoria revolucionária que mudou o mundo promovida pelo Instituto Sangari.  Como alguns sabem critiquei tempos atrás, aqui mesmo neste espaço, outra produção deste Instituto, a Exposição Genômica (vi em SP) que, por motivos diversos, achei mal feita (aparelhos de TV em exagero e [...]

OS ERROS DE EINSTEIN

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Física, História da Ciência, Livros, erros
Errar é humano e os cientistas erram, mesmo os maiores deles todos. Segundo a revista "Discover" (número de Setembro) já saiu o livro "Einstein's Mistakes: The Human Failure of Genius", do físico Hans Ohanian (W. W. Norton). Segundo esse autor, Einstein, apesar da sua intuição genial, cometeu numerosos erros, alguns de carácter matemático mas também outros de carácter físico. Transcrevo a sua lista cronológica de erros em tradução minha:"1905 - Erro no procedimento de sincronização de relógios no qual Einstein baseou a sua teoria da relatividade restrita.1905 - Falha ao não considerar a experiência de Michelson-Morley.1905 - Erro na massa transversa de partículas a alta velocidade.1905 - Vários erros na matemática e física no cálculo da viscosidade de líquidos, do qual deduziu o tamanho das moléculas.1905 - Erros na relação entre a radiação térmica e os quanta de luz.1905 - Erros na primeira demonstração de E = m c^2.1906-1907 - Erros na segunda, terceira e quarta demonstrações dessa relação.1907 - Erro no procedimento de sincronização para relógios acelerados.1907-1915 Erros no Princípio de Equivalência entre gravitação e aceleração.1911- Erro no primeiro cálculo da curvatura ...

Kelvin em Portugal

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, História da Ciência, Tecnologia
Na sequência do post “Um casamento no Funchal”, António José Leonardo, doutorando em História da Física na Universidade de Coimbra, faz um resumo sobre a ligação de Lord Kelvin (1824-1907) a Portugal (na imagem o aparelho de sondagem inventado por Kelvin): O grande físico britânico Lord Kelvin (William Thomson) veio a Portugal por causa da rede internacional de telegrafia eléctrica que no final do século XIX estava a ser montada e pela qual se interessou logo desde o início. A sua primeira visita ao nosso país ocorreu em Junho de 1871. A bordo do seu iate, o Lalla Rookh (título de um poema de Thomas Moore), e numa viagem realizada no Atlântico e no Mediterrâneo, fez escala em Lisboa, de onde aproveitou por enviar correspondência para casa. A navegação era a grande paixão de Lord Kelvin, tendo conhecimentos alargados sobre ela. No ano seguinte, em 1872, regressou a Lisboa, tendo visitado uma das estações telegráficas da rede em instalação.Foram muitos os contributos de Kelvin na navegação e na telegrafia com a invenção de muitos aparelhos e o aperfeiçoamento de outros já existentes. Um destes ...

Algo de novo debaixo do Sol

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, História da Ciência, Medicina, Química
«I don't understand it Dr. von Tappeiner. The paramecia were all wiggling just fine a minute ago, but now these over by the window seem to be dead.» Oscar Raab, 1898.Num jornal de São Paulo da semana passada descobri um artigo muito interessante que dá conta de um novo tratamento luminoso para o cancro de pele. António Cláudio Tedesco, do departamento de Química da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto trabalha no que se designa por terapia fotodinâmica (Photodynamic Therapy ou PDT). O cientista brasileiro conseguiu obviar ao principal problema desta técnica aumentando a sua especificidade por nanoencapsulamento do fotossensibilizador. Os testes clínicos - já no final da Fase II - da pomada que desenvolveu estão a ser conduzidos, com muito sucesso, nos hospitais universitários da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).Esta técnica basicamente envolve a activação com luz de um fotossensibilizador químico administrado topica ou sistemicamente, para tratamento do cancro e outras doenças ou para a destruição de vírus, bactérias ou fungos. Esse sensibilizador fotoquímico é uma espécie química que no estado excitado transfere facilmente energia para o oxigénio ...

Outros exorcismos

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Biologia, Ciência Geral, Evolução, História da Ciência
Matthew Cobb é um biólogo na Faculdade de Ciências da Vida na Universidade de Manchester que estuda a genética do comportamento e química da comunicação em insectos. Ou, como se descreve, é um «neurobiólogo evolucionário - estou interessado em saber como a evolução moldou os sistemas sensoriais e comportamento animal através de genes e redes neuronais».Cobb é igualmente um historiador de ciência cujo interesse na biologia e biólogos do século XVII se deve ao facto de considerar que «estudar a história da biologia enriquece a minha investigação e permite uma perspectiva muito valiosa para a compreensão dos problemas de hoje».Este livro fascinante, com uma capa igualmente fascinante, conta-nos a história dos feitos filosóficos e científicos do século XVII que estiveram na base da nossa compreensão sobre a reprodução. Ao mesmo tempo, Cobb dá-nos uma visão realista e colorida, mas sem qualquer estetização, da sociedade da época descrevendo o contexto cultural, social e político em que estas descobertas pioneiras foram efectuadas.A história desenvolve-se em torno de cientistas e pensadores principalmente na Holanda (que atravessava a sua «golden age», com um ambiente fértil para o renascimento das artes ...

Alterações climáticas, acção humana e biodiversidade

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Biologia, Ciência Geral, Evolução, História da Ciência, climatologia
O arquipélago das Galápagos é formado por ilhas vulcânicas que emergiram há mais de 2 milhões de anos. O clima de Galápagos flutua bastante e com estas alterações climáticas altera-se igualmente a quantidade e a variedade dos frutos e sementes que são a a fonte de alimentação dos fringilídeos conhecidos como tentilhões de Darwin.Charles Darwin, agora um blogger na Nature, tinha apenas 25 anos quando desembarcou no arquipélago de Galápagos no ano da graça de 1835. O cientista passou apenas cinco semanas nas Galápagos e só visitou quatro ilhas: São Cristóvão, Floreana, Isabela e Santiago. Em conversa com os locais — na época viviam nas ilhas algumas centenas de exilados do Equador, então colónia britânica —, foi informado de que era possível identificar a ilha a que as tartarugas pertenciam, apenas pelos cascos. O mesmo acontecia com as iguanas e tentilhões, umas aves de aspecto «sul-americano» que apresentavam uma grande variação em tamanho, forma do bico e hábitos alimentares. Entre esses pássaros existem os que têm bicos que lembram alicates, capazes de esmagar as sementes mais duras, outros comem insectos, outros ainda são vegetarianos e um deles, o tentilhão ...

Galileu, o Index e a Divulgação Científica.

Thiago Henrique Santos @ polegaropositor.com.br Categorias: Ciência, Ciência Geral, Divulgação Científica, História, História da Ciência, blog
Galileu Galilei foi um dos cientistas mais versáteis da história. Vivei entre o final do século XVI e início do XVII. Foi o responsável pela invenção de uma série de instrumentos de precisão, criou os princípios da inércia (influenciando o trabalho vindouro de Isaac Newton), produziu telescópios mais sensíveis e etc. Galileu Galileu. Clique para ampliar.Galileu Galileu. Clique para ampliar. Mas sua imagem é sempre associada à sua contenda com a igreja. Galileu, grande estudioso de astronomia, defendia que a Terra não era o centro do Universo, como assim pregava a Santa Sé. Pior, Galileu dizia que nosso planeta não só girava ao redor desí mesmo, como também orbitava o Sol. Tal modelo heliocêntrico de sistema solar ia diretamente contra as escrituras, o que levou o astrônomo à julgamento pela inquisição. Durante o julgamento Galileu acabou abrindo mão da defesa do modelo heliocêntrico, o que evitou sua execução. Mesmo assim foi condenado à prisão domiciliar pelo resto de sua vida. Galileu e a Inquisição. Clique para ampliar.Galileu e a Inquisição. Clique para ampliar. A história é bem conhecida, mas quando analisada com mais detalhe é no mínimo estranha. Vejamos ...

ANTÓNIO GIÃO, UM EREMITA CIENTÍFICO

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Física, História da Ciência
Aguçando o apetite para o próximo número da "Gazeta de Física", que está quase a sair, sob a batuta competente da Teresa Penha, deixo aqui a minha crónica nessa revista da Sociedade Portuguesa de Física (na foto a casa de Gião em Reguengos de Monsaraz): Em 16 de Janeiro de 1946 chegava ao gabinete de Albert Einstein na Universidade de Princeton, uma carta de Reguengos de Monsaraz. Assinava-a António Gião, um físico aí nascido e nela era proposta uma teoria das forças fundamentais, um assunto que nessa altura ocupava a mente do sábio exilado. Qual não foi o contentamento de Gião quando, quase na volta do correio, chegava à sua casa de Reguengos uma simpática resposta de Einstein. O autor da teoria da relatividade apresentava alguns cálculos, que exprimiam algumas dificuldades técnicas da proposta do alentejano. Gião replicou com júbilo: parecia um adolescente que obtém resposta de uma “rockstar”! Essa correspondência encontra-se hoje no Arquivo Einstein, na Universidade Hebraica de Jerusalém. Gião (1906-1969) tinha feito estudos secundários em Évora e, em parte, estudos superiores na Universidade de Coimbra. Foi ...

UMA VOLTA A COMO

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, História da Ciência
Minha crónica de "O Sol" de hoje (na foto estátua de Volta em Como, Itália, na qual ele segura a sua pilha):Há lugares de turismo que são também lugares de ciência. Por exemplo, a encantadora cidade de Como à beira do lago com o mesmo nome, a norte de Milão, em Itália. No Verão numerosos turistas passeiam ao longo das margens do extenso lago. Alguns não resistem à tentação de fazerem excursões de barco, já que assim podem observar melhor o casario de Como e algumas belas villas à beira-lago (o actor norte-americano George Clooney comprou uma dessas casas, pelo que o turista pode ter a sorte de o encontrar).Mas como é que Como é um lugar de ciência? Depois da catedral, a casa que mais impressiona o olhar do turista é o Templo de Volta. Não, não é uma outra igreja, mas sim um edifício circular neo-clássico, construído em honra do mais importante filho da terra, o físico Alessandro Volta (1745-1827), que foi inaugurado com pompa e circunstância quando se comemorou o centenário da sua morte. No interior, o visitante encontra muitos instrumentos usados por Volta (ou cópias ...

Energia solar

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, História da Ciência, Tecnologia
As primeiras utilizações de energia fotovoltaica resumiam-se, como vimos no post anterior, a situações em que não estava disponível energia da rede, nomeadamente em locais remotos e, especialmente, fora da Terra, quer em satélites quer em sondas espaciais. De facto, embora inicialmente a NASA não estivesse muito convencida das vantagens da utilização de painéis solares aceitou, com alguma relutância, dotar o Vanguard I de um pequeno painel, seis células solares com uma área de apenas 1 dm2, para alimentar um transmissor back-up de outro alimentado por uma pilha de mercúrio. O transmissor do satélite, lançado em Março de 1958 e ainda em órbita, funcionou durante cerca de oito anos ... mas aquele alimentado pelas células solares, a pilha «convencional» falhou ao fim de vinte dias.Depois do fiasco salvo pelas baterias solares, que tiveram aqui a sua prova de fogo, o programa espacial norte-americano passou a usar células solares nos seus satélites, solução igualmente adoptada pelo programa espacial soviético: o Sputnik-3, lançado cerca de dois meses depois do Vanguard I, estava igualmente dotado de um pequeno painel solar.Na década de sessenta, a investigação em células solares surge quasi ...

Breve história da energia solar

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Física, História da Ciência, Química, Tecnologia
A primeira bateria solar da Bell em Americus, Geórgia.Os primórdios da História da energia solar estão marcados pela serendipidade. O efeito fotovoltaico foi observado em 1839 pelo físico francês que observou pela primeira vez o paramagnetismo do oxigénio líquido, Alexandre Edmond Becquerel. Um muito jovem Becquerel conduzia experiências electroquímicas quando, por acaso, verificou que a exposição à luz de eléctrodos de platina ou de prata dava origem ao efeito fotovoltaico.A serendipidade foi igualmente determinante na construção da primeira célula fotovoltaica. Nas palavras de Willoughby Smith numa carta a Latimer Clark datada de 4 de Fevereiro de 1873, a sua descoberta do efeito fotovoltaico no selénio foi um acidente inesperado:«Being desirous of obtaining a more suitable high resistance for use at the Shore Station in connection with my system of testing and signalling during the submersion of long submarine cables, I was induced to experiment with bars of selenium - a known metal of very high resistance. I obtained several bars, varying in length from 5 cm to 10 cm, and of a diameter from 1.0 mm to 1.5 mm. Each bar was hermetically sealed in a ...

Entrevista com o Prof. José Alexandre Felizola Diniz-Filho

Igor Pivomar @ Bafana Ciência Categorias: Bafana Divulga, Biologia, Ciência Geral, Comportamento, Divulgação Científica, Evolução, História, História da Ciência, Lamarck, Personalidades e Cientistas, Publicação, crítica, darwinismo, edward wilson, entrevista, neodarwinismo, teria da evolução
Imagem Bafana Ciência O Prof. José Alexandre Felizola Diniz-Filho do Departamento de Biologia da UFG, está provavelmente entre os mais produtivos cientistas (em quantidade e qualidade) em Ecologia no Brasil atualmente. Pesquisador 1A do CNPq (o nível mais alto), Diniz é também um Fellow, isto é, um dos poucos brasileiros membro da prestigiosa Sociedade Linneana de Londres, aquela que reverenciou Darwin 150 anos atrás, quando o então relutante autor encaminhou um resumo (motivado pela carta de Alfred R. Wallace) sobre sua idéia de evolução pelo processo de seleção natural. Como a exposição Darwin se inicia em Goiânia no próximo dia 19, exatamente um ano antes das comemorações de 200 anos do nascimento do pai da Biologia, e dos 150 anos da publicação de Origem das Espécies, o Alexandre deixou o computador e o violão de lado (que sabe tocar divinamente) para conversar com o Ronaldo sobre evolução, darwinismo e ciência. Confiram: ...

Energias alternativas e hélio

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Física, História da Ciência, Tecnologia
If, indeed, the subatomic energy in the stars is being freely used to maintain their great furnaces, it seems to bring a little nearer to fulfillment our dream of controlling this latent power for the well-being of the human race – or for its suicide.Sir A. Eddington, Brit. Assoc. Advan. Sci. Rept. Cardiff , 1920O último post faz-me recuperar o hélio, o segundo elemento mais abundante no Universo mas muito escasso na Terra. De facto, a nossa atmosfera não consegue reter o mais leve dos gases raros - a sua velocidade térmica na alta atmosfera é superior à velocidade de escape e o hélio «foge» da Terra.O hélio é igualmente um dos três elementos que se pensa terem sido formados no Big Bang. George Gamow foi o autor da proposta de que a formação dos elementos mais leves (hidrogénio, hélio e lítio) poderia ser explicada através da «nucleossíntese primordial» que teria ocorrido no início do Universo, cerca de 3 a 4 minutos após o Big Bang, por recombinação dos nucleões formados. A formação de elementos pesados, ao contrário do que Gamow e outros pensavam, não pode ser explicada ...

Quando a realidade é melhor que a ficção!!

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Artigos, Bafana Divulga, Ciência Geral, Darwin, História da Ciência, Turismo, godzilla, iguana marinha, ilhas galápagos
Imagem do National Geographic Quando chegou a Galápagos, Darwin só não praticou seu esporte preferido, a caça, porque os animais eram muito dóceis e não fugiam, não fogem ainda, quando vêem os humanos. Ele deixou o rifle de lado, pegou um iguana marinho com as próprias mãos e o jogou na água várias vezes, para analisar o comportamento e o modo de nadar destes animais que ocorrem apenas nestas ilhas. Ao nadar, os indivíduos da espécie Amblyrhynchus cristatus, colocam as patas para trás e balançam o corpo de lado, incluindo a cauda que tem metade do tamanho do corpo que é, nos adultos, de um metro. Sua coloração é preta o que colabora para camuflá-lo de predadores no substrato de lava endurecida e negra, mas principalmente os ajudam a absorver calor, pois a água do mar é fria e os iguanas precisam se aquecer depois de se alimentarem de algas que crescem aderidas a rochas a dez metros ou mais de profundidade. Imagem by Net Na terra eles “espirram” muitas vezes, eliminando o excesso de sal do alimento ingerido. Este jato de ...

A invenção da telescopia por Adriano Paiva

De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, História da Ciência, Tecnologia
Cada vez mais o nome do professor português do século XIX Adriano Paiva está a aparecer nas obras de história da ciência e tecnologia associado à invenção do conceito de televisão (ver, por exemplo, aqui, um sítio francês, ou aqui, um sítio australiano). Eis um resumo do seu trabalho escrito por António José Leonardo:A invenção do telefone por Alexander Graham Bell, em 1876, veio a alargar as potencialidades da telegrafia eléctrica, de tal forma que o francês Alfred Bréguet afirmou que “a descoberta da telephonia veio preencher a única lacuna que ainda existia na correspondência rápida do telegrapho”. Em Novembro de 1877 iniciaram-se as primeiras experiências em Portugal com esta nova tecnologia. Esta descoberta conduziu à proposta de Adriano Paiva de associar à telegrafia a transmissão de imagens: telescopia. Adriano de Paiva de Faria Leite Brandão (1847-1907), após ter obtido bacharelato em Matemática e doutoramento em Filosofia na Universidade de Coimbra, foi nomeado, em 1872, professor da Academia Politécnica do Porto, onde assumiu a docência da cadeira de Química tendo transitado, posteriormente, para a cadeira de Física. Como sócio do Instituto de Coimbra, foi através da revista O Instituto ...

JARDINS BOTÂNICOS: DE CHELSEA A COIMBRA

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Biologia, Ciência Geral, História da Ciência, cidades
No bairro de Chelsea, em Londres, talvez o lugar mais conhecido pelo grande público seja o Estádio de Stamford Bridge, o campo da equipa "blue" onde José Mourinho ganhou fama assim como os jogadores portugueses Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira (agora a equipa do Chelsea é treinada por Luís Filipe Scolari e a nova vedeta é Deco). Mas o lugar mais conhecido na história da ciência é um pequeno jardim (ver foto), um jardim quase secreto pois não tem a multidão de turistas apesar de estar praticamente no centro urbano.O nome do jardim é curioso: "Chelsea Physic Garden", que se pode traduzir por Jardim da Física ou Jardim Físico de Chelsea. A palavra física remete para medicina, pois os médicos antigos eram chamados físicos (em inglês "physicist", físico, e "physician", médico, são ainda hoje termos semelhantes). O jardim foi fundado em 1673 por uma Sociedade de Boticários, com o fito de ensinar aos jovens farmacêuticos as plantas medicinais. Hoje alberga, apesar do seu espaço diminuto, quase 5000 espécies botânicas, acarinhadas por jardineiros e cientistas botânicos. Está aqui a maior oliveira de Inglaterra no exterior, assim como espécies botânicas vindas da ...

Chagas e sua doença.

Thiago Henrique Santos @ polegaropositor.com.br Categorias: Ciência Brasileira, Ciência Geral, História, História da Ciência, Temas diversos, blog
Carlos Justiano Ribeiro Chagas, o Carlos Chagas, foi um dos maiores cientistas brasileiros. Mineiro, filho de cafeicultor, estudou na Escola de Medicina do Rio de Janeiro. Teve o privilégio de estar na faculdade quando esta passou por profundas mudanças por conta das descobertas feitas por Luis Pasteur. Teve como orientador Oswaldo Cruz, com quem manteve uma longa amizade. Não é de se espantar que um homem influenciado por Pasteur e amigo pessoal de Oswaldo Cruz, tenha sido um dos maiores médicos brasileiros.Por sua tese de doutorado sobre malária, foi convocado por Oswaldo Cruz a ajudar no combate a doença. A eídemia foi controlada em cinco meses. O sucesso da operação acabaria levando Chagas, um ano depois, a ser enviado para a cidade de Lassance, em Minas Gerais. WikipediaLassance estava no caminho de uma nova linha de trem. Os trabalhadores da ferrovia estavam sofrendo de uma aparente epidemia de malária e, por dois anos, Chagas se instalou em um vagão de trem que também servia de laboratório improvisado. Foi durante este período que ele encontrou o protozoário Trypanosoma cruzi.A descoberta do T. cruzi levou Chagas ...

Gigantes pela própria natureza

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Artigos, Bafana Divulga, Charles Darwin, Ciência Geral, Divulgação Científica, Ecologia, História da Ciência, Manejo de Recursos, Turismo, especiação, ilhas galápagos, tartarugas
Imagem exclusiva Bafana Ciência As ilhas Galápagos, que pertencem ao Equador e se situam no chamado “meio do mundo” têm um símbolo inequívoco que lhes fornece o nome: as tartarugas gigantes. Há dois significados para Galápagos em espanhol: cágado e sela, já que os grandes cascos destes répteis lembram uma sela de cavalo. Independente disto, estes animais realmente são gigantes pela própria natureza: os machos alcançam um metro e meio e cerca de 250 kg (junte apenas 4 e você tem uma tonelada). Foram servidas em banquetes para quase todos os navegantes que visitaram as ilhas, começando pelo Frei Tomas de Berlanga, arcebispo do Panamá, que durante uma viagem ao Peru em 1535, perdeu-se para descobrir oficialmente as ilhas. Não se tem certeza se o Frei disse que “Deus escreve certo por linhas tortas”, já que ele achou as ilhas pouco convidativas, apesar de entrar para a história por este acontecimento. Imagem exclusiva Bafana Ciência Outro visitante inusitado das Galápagos foi Robinson Crusoé, cujo nome real era Alexander Selkirk ...

Mais perto de Deus

Ronaldo Angelini @ Bafana Ciência Categorias: Arte, Artigos, Ciência Geral, História, História da Ciência, Livros, Personalidades e Cientistas, Turismo, andes, chimborazo, cotopaxi, humboldt, la condamine, rafael troya
Cotopaxi Em junho de 1736, chegou à Quito no Equador uma missão da Academia Real de Ciências de Paris formada por Pierre Bouguer (físico), Charles-Marie de La Condamine (geógrafo) e Louis Godin (matemático e chefe da expedição), além de um botânico. Foram medir um grau do arco do meridiano no equador terrestre para testar a hipótese newtoniana, de que a Terra tem forma elíptica. A mesma Academia também tinha enviado outra expedição à Lapônia, perto do círculo polar. Assim, se o arco do meridiano fosse maior no equador, a Terra deveria ser abaulada no equinócio e Newton estaria certo… Rota de La Condamine Porém a medição não era tão simples. Para determinar o meridiano era necessário colocar vários pontos fixos (geodésicos) distantes uns dos outros vários graus de latitude, formando triângulos para depois projetar um arco e medir sua longitude. Ainda era necessário um barômetro preciso para considerar e padronizar a altitude. Tudo isto tinha que ser feito no mau e volúvel tempo ...