Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the História da Ciência

O REGRESSO DA "FÍSICA ALEMÃ"

No nosso habitual destaque para a coluna do físico Robert Park, escolhemos hoje a sua chamada de atenção para a estranha parecença entre uma entrada na "Conservapedia" (Wikipedia Conservadora) e as posições nazis da "Física Alemã", que comparavam Hitler aos "gigantes da ciência" (na foto Philipp Lenard):
"CONSERVAPEDIA: OMINOUS ECHOES OF DEUTSCHE PHYSIK.

Last week I commented about Conservapedia, which was created to counter the "liberal bias of Wikipedia." As an example, I quoted from an item about relativity and Einstein. Physicist Don Langenberg, Chancellor Emeritus of the University of Maryland, who happened to be reading "The German Genius" by Peter Watson (Harper, 2010), remarked that the Conservapedia position quite accurately echoes a view expressed in May 1924 by Nobel physics laureates, Philipp Lenard and Johannes Stark in which they compared Hitler with the giants of science. This marked the emergence of "Deutsche Physik," which eschewed relativity and quantum theory, arguing that they were too theoretical, too abstract, and "threatened to undermine intuitive mechanical models of the world." Langenberg wonders if it’s possible that our rabid right might be pushing us toward revisiting the tragic events of the early 20th century."

Robert Park
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Porque não há Prémio Nobel da Matemática?


Tony Rothman, no livro "Tudo é relativo", acabado de sair na Gradiva, tenta responder a esta questão:

"(...) os matemáticos não têm par na aceitação sem sentido crítico da sua própria mitologia. A melhor demonstração disso deverá ser a velha história do motivo por que não existe um Nobel da Matemática61. Pergunte-se a qualquer matemático ou cientista e a explicação será provavelmente (a menos que a desmontagem continuada da questão lhe tenha posto fim) que Gösta Mittag-Leffler, o principal matemático sueco da altura, quinze anos mais novo que Nobel, tinha tido um caso amoroso com a mulher de Nobel. Furioso, Nobel recusou-se a financiar um prémio da matemática, de modo a garantir que Mittag-Leffler nunca o ganharia. O problema com esta versão da história é que Nobel era uma «pessoa reservada e discreta, que detestava todas as formas de publicidade». E um solteiro inveterado. Por outro lado, um matemático finlandês meu conhecido afirmou uma vez que tinha visitado a casa de Mittag Leffler em Estocolmo e no jardim das traseiras havia um busto da irmã de Nobel... Curiosamente, a historiadora do Prémio Nobel Elisabeth Crawford chega a dar alguma credibilidade a toda a história, conjecturando que Mittag-Leffler, como vingança pela ausência de um prémio de matemática, terá ele próprio espalhado o boato; Nobel fora derrotado na guerra pelo amor de uma mulher e por isso recusara-se a criar o prémio. Talvez. Mittag-Leffler era um bisbilhoteiro malicioso e era óbvio que os dois homens se odiavam."

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A FÍSICA DO FOGO


Minha crónica no "Sol" de hoje:

Para o filósofo grego Heráclito de Éfeso, que viveu nos séculos VI e V antes de Cristo, tudo provinha do fogo e tudo seria consumido pelo fogo. Mas o que é o fogo? Na Antiguidade era um dos quatro elementos. O conceito só ficou, porém, claro quando emergiram a física e a química. A meio do século XVIII, a Academia de Ciências de Paris anunciou um prémio para a melhor memória sobre a natureza do fogo. Embora o primeiro lugar tenha sido ganho pelo maior matemático da época, o suíço Leonhard Euler, aconteceu algo inédito: um escrito da autoria de uma mulher foi pela primeira vez galardoado pela Academia com a respectiva publicação. A autora de “Dissertação sobre a Natureza e a Propagação do Som” era a francesa Madame de Châtelet, amante do filósofo Voltaire, o qual, tendo também concorrido, viu o seu trabalho ser igualmente distinguido.

Para se perceber o que era uma combustão foi preciso, no entanto, esperar pelos trabalhos do químico francês Antoine-Laurent Lavoisier (muito ajudado por sua mulher, Marie-Anne), que identificou o oxigénio, quase ao mesmo tempo que dois outros cientistas. O oxigénio, esse sim, é que é um elemento químico, sem o qual o fogo não pode existir. Quando uma árvore arde, compostos de carbono das fibras da madeira combinam-se com o oxigénio da atmosfera, produzindo dióxido de carbono e água, numa reacção que liberta energia, manifesta pela emissão de calor e de luz. No século XIX, de posse dessa explicação, o inglês Michael Faraday já podia descrever “a história química de uma vela”, em conferências populares que procuravam tornar simples o que é um fenómeno extremamente complexo.

Um fogo é, portanto, química. Mas, mostrando que química e física andam juntam como duas irmãs siamesas, a propagação de um fogo só se consegue explicar com a ajuda da física. Tomemos um fogo florestal, esse mal infelizmente tão comum no nosso país em tempo de Verão. Para explicar o modo como progride um desses fogos, já temos de falar de fenómenos físicos como difusão, convecção, radiação, etc. Ora, se uma chamazinha de uma vela já é uma coisa muito complicada, o que dizer de um imenso e demorado braseiro como o que há poucos dias alastrou nas encostas da Serra da Gralheira, em S. Pedro do Sul? Os físicos são, porém, engenhosos:

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Leituras de Verão (V)

A Ciência vive de modelos, como por exemplo o Big Bang, que descreve como a origem do Universo e a sua evolução até os tempos actuais. Mas este modelo não surgiu do nada nem foi criado por um ser irreal. Uma descrição da evolução dos nossos conhecimentos  sobre o Universo, a mudança de modelos da descrição do Cosmos, as origens do modelo Big Bang, os modelos opostos, as personalidades mais marcantes, as provas experimentais e muitos factos curiosos.

Big Bang A descoberta científica mais importante de todos os tempos e porque precisa de a conhecer - Simon Singh - Gradiva

A contra-capa indica:

Todos ouvimos já falar da teoria do Big Bang, mas saberemos realmente do que se trata? Porque estão convencidos os cosmólogos de que o Big Bang é uma descrição exacta da origem do universo? Quem foram os cientistas que se debateram para que esta teoria não-ortodoxa fosse reconhecida? E o que significa, exactamente, Big Bang?Neste livro, um grande autor do género explica a ideia mais famosa e provavelmente mais importante da história da ciência com a clareza que até hoje ninguém conseguira. Com uma escrita fluida e uma narrativa recheada de episódios curiosos, Simon Singh conta-nos a assombrosa história do início do cosmos.

Um livro um pouco viciante, mesmo para quem já leu muitos outros sobre o mesmo tema, sobre a evolução do Universo. Ao Big Bang estão ligados inúmeros nomes, desde os clássicos e famosos Ptolomeu, Galileu, Copérnico, Newton, Hubble, mas muitos outros, inclusive todos nós que percorremos aproveitando a boleia da Terra o Cosmos e sempre nos fascinamos com o céu nocturno.

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Leituras de Verão (IV)

Uma obra sobre a História da Ciência, que analisa as diversas “omissões” cometidas ao longo de décadas, por vezes séculos, e a forma como elas moldam o nosso conhecimento sobre alguns dos marcos mais importantes da Ciência e Tecnologia.

Tudo é Relativo e outras lendas da ciência e da tecnologia - Tony Rothman - Gradiva

Ao longo de +/- 450 páginas o autor vai-nos revelando o papel que a interpretação dos factos tem na construção da teia histórica que se perpetua nos livros, na Internet e no senso comum.

Na contra-capa:

«Se o leitor não for céptico em relação à mitologia da descoberta, sê-lo-á após ler este fascinante livro de Tony Rothman. É uma colagem de anti-histórias cativantes, todas elas deliciosas, que contrariam as histórias que os cientistas contam a si mesmos e depois nos contam. E que nós desejamos ardentemente ler…»

Roald Hoffman, Prémio Nobel da Química

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Leituras de Verão

Breve História da Ciência em Portugal - Gradiva

Uma obra curta, de Carlos Fiolhais e Décio Martins, que cumpre o prometido:

Trata-se de um resumo sobre a ciência que houve em Portugal desde o tempo dos Descobrimentos ate ao fim do Estado Novo. Num livrinho de divulgação como este deixou-se propositadamente de fora a erudição, as notas de pé de página e a bibliografia exaustiva.

Mas apresentam-se, pela primeira vez num só volume, a sucessão dos factos e personagens mais assinaláveis que constituíram e protagonizaram o percurso da ciência entre nós.

Foi um percurso de avanços e recuos, avanços sempre que houve suficiente abertura ao exterior, e recuos, quando muitas vezes, vezes demais, o país se fechou em si próprio. Se nomes como Pedro Nunes, Garcia da Horta, Avelar Brotero e Egas Moniz são mais ou menos conhecidos, muitos outros que se encontram nestas páginas são mais ou menos desconhecidos, não o merecendo ser.

Um sintoma do atraso português é a falta de atenção dada à história da ciência em Portugal: não é que ainda não havia um resumo como este, destinado ao público mais alargado?

Um livro que permite descobrir as pessoas mais marcantes da nossa Ciência até ao 25 de Abril, perceber as contribuições, por exemplo, do  premiado Egas Moniz, relembrar Pedro Nunes, enquadrar Avelar Brotero ou Bento de Jesus Caraça no seu tempo e muito mais, numa forma resumida. Mas que desperta a curiosidade!

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MANIFESTO DOS NEOCIENTISTAS – OS TREZE PONTOS



Nós, cientistas do mundo inteiro, as criaturas mais ávidas por conhecimento do século XXI, declaramos aos devidos fins e trá-lá-lá-lá-lá-lá que:

1. Por mais que carreguemos o estereótipo milenar de pessoas excêntricas e malucas, somos civilizados e politizados, já que não é muito inteligente ser uma coisa sem ser a outra.

2. Definitivamente, nós não gostamos mais de livros, enlemeyers ou telescópios do que das pessoas. É cruel achar isso.

3. Deus existir ou não: isso não está em questão, a menos que se queira entrar no campo da Filosofia, Teologia ou História da Religião.

4. Se às vezes temos dificuldade no exercício de tarefas simples, é porque nos acostumamos com as coisas difíceis. Precisamos ser desafiados.

5. Método científico, criticidade, racionalidade, ceticismo ao inobservável. Não podemos tirar essas coisas da nossa rotina. Mas é inevitável que, inconscientemente, busquemos, ao nosso modo, nossos eldorados, ou, melhor dizendo, “suportes temporários de claridade”. Eu disse TEMPORÁRIOS !

6. Você pode falar o que quiser, mas a gravidade vai continuar caindo à medida que aumenta o quadrado da distância.

7. A teoria da relatividade não pode ser simplificada como “tudo é relativo”. Einstein ficaria furioso.

8. “Todo fenômeno natural possui uma causa física” (Thales de Mileto). É a primeira lei da ciência, do primeiro cientista do ocidente.

9. Não somos gênios. Até porque, originalmente, a palavra “gênio” está vinculada a alguém capaz de realizar desejos miraculosamente. Não fazemos milagres. Somos pessoas comuns tentando descobrir coisas. Apenas somos incapazes de controlar a nossa curiosidade.

10. O nosso ideal de ciência não é exatamente o mesmo do que o ideal iluminista do século XVIII. O instinto esclarecedor permanece, mas admitimos a falibilidade da ciência em muitas situações. Hoje, se a religião não coage para ganhar adeptos, a ciência também não. Não queremos converter o mundo aos nossos propósitos. Nós não queremos dominar o mundo. Somente entendê-lo.

11. Estudar teorias científicas não significa desrespeitar as suas crenças religiosas. No fim, os indivíduos continuam desfrutando do livre arbítrio, e, quando a liberdade de escolha não for a regra do jogo, de um outro nome para inteligência, que muita gente se esquece: chama-se “bom senso”.

12. A pseudociência pode existir à vontade. Contanto que nos deixem fazer a nossa ciência em paz. Quem somos nós para vetá-la. Além do mais, toda linguagem está sujeita a deturpações, por erro de interpretação e muitas vezes, intencionais. Mas, se nos chamarem para opinar, aí, não há porque não sermos incisivos.

13.

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A MAFIA INVENTA O BARÓMETRO 2

Continuação do texto anterior de Tony Rothman, uma das histórias do livro "Tudo é relativo" (Gradiva):

Também tinha amigos. Do tipo certo. Estes incluíam Raffaello Magiotti, Evangelista Torricelli, Emmanuel Maignan, Athanasius Kircher, Niccolò Zucchi e, evidentemente, Gasparo Berti. Tratava-se da máfia romana. Algures entre 1639 e 1641 — as datas foram eliminadas —, Berti realizou uma experiência na sua casa de Roma. Os mafiosos Kircher, Magiotti e Zucchi estavam lá; Maignan não estava presente e o paradeiro de Torricelli é desconhecido. Existem quatro relatos da experiência, três elaborados pelas testemunhas oculares e um por Maignan, que foi informado dos acontecimentos por Berti, uma semana mais tarde. Os relatos diferem nos pormenores e as interpretações dos resultados chocam violentamente.

De acordo com Maignan, «uma das mentes mais brilhantes do século XVII», a experiência estava montada aproximadamente da seguinte forma. Berti prendeu com um grampo um longo tubo de chumbo, pelo menos com «quarenta palmos» de altura, ao exterior da sua casa. O fundo do tubo, que terminava num barril de água, foi equipado com uma válvula. Por cima da extremidade superior estava selado um balão de vidro, o qual estava também equipado com uma torneira de passagem. Os autores da experiência fecharam a torneira de passagem inferior e depois, de uma janela de uma torre, encheram todo o tubo, incluindo o balão de vidro, através da válvula superior. A torneira de passagem superior foi fechada e a inferior foi aberta. Tensão. Suspense. O nível de água cai — mas não por completo.

Os autores da experiência baixam uma sonda pelo tubo, para determinar a altura da água. Chegam os dados: dezoito cúbitos. Trata-se da altura a que Galileu afirma que uma bomba pode elevar a água. O nível de água mantém-se durante um dia. A experiência é repetida com algumas variações. Os dados são sólidos. Mas o que é o espaço por cima da água? Quando os filósofos abriram pela primeira vez a torneira de passagem superior, para baixar a sonda, ouviram um som muito alto, quando o ar se precipitou no interior. Ar a precipitar-se para o interior — é essa a perspectiva de Maignan. A queda do nível de água no tubo, portanto, deverá ter deixado um vazio. Os outros mafiosos não estão convencidos. Os plenistas argumentam que o ar penetrou pelos poros do chumbo ou do vidro para preencher o espaço deixado

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A MÁFIA INVENTA O TERMÓMETRO 1

Por amabilidade da editora publicamos um extracto do livro de Tony Rothman "Tudo é relativo" que acaba de sair na Gradiva. Outras histórias, tanto ou ainda mais interessante do que esta, encontram-se nos outros capítulos.

Os compêndios contam metade: «Entre outras unidades [de pressão] de uso corrente encontram-se a atmosfera, o milímetro de mercúrio — ou torr — e o milibar.» Bolas. É uma maldição do maior calibre: foi promovido de pessoa a unidade e perdeu o nome. Truncado e posto em letra minúscula, a prova provada de que se desvaneceu no pano de fundo cultural, à semelhança da sua invenção, que se encontra pendurada sem qualquer fim nas paredes dos restaurantes de portos. Por vezes um autor lá deixa cair o seu nome completo. A referência é invariavelmente lacónica: «Um outro instrumento usado para medir a pressão é o barómetro comum, inventado por Evangelista Torricelli (1608-1647).» Pressão do ar, barómetro. Ah. Uma vez por outra, quando um autor perde a cabeça, Torricelli tremeluz momentaneamente em forma humana.

Berte Bolle, na sua história do barómetro, diz corajosamente:

Torricelli montou o tubo com mais de dez metros de comprimento na sua casa, com o topo a sair pelo telhado. Pôs um pequeno boneco de madeira a flutuar na água no topo do tubo; com mau tempo, a altura da coluna baixava de tal forma que o boneco já não podia ser visto da estrada, enquanto com o tempo bonito flutuava, alto e distinto, onde todos o podiam ver. Em breve correu o boato de que mestre Torricelli tinha um pacto com o Diabo e o barómetro de água foi rapidamente retirado!

Estamos convencidos. Mas espere aí. No relato de Sheldon Glashow, Torricelli leva a cabo o seu trabalho herético precipitando-se numa correria ao longo do cais para gáudio dos espectadores. Os boatos, evidentemente — e a Inquisição — não o conseguiram impedir: «Torricelli enchia longos tubos, selados numa das extremidades, com líquidos como mel, vinho e água do mar, e amarrava-os com firmeza na posição vertical ao mastro dos navios. Constatou que a altura da coluna dependia apenas do peso total do líquido contido no seu interior.»

Isaac Asimov, evitando o drama em favor do conhecimento, apresenta uma história completa para edificação dos seus leitores. O imortal Galileu, patrão de Torricelli, sugeriu ao seu assistente que investigasse o motivo pelo qual as

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EINSTEIN E OPPENHEIMER

O que significa o génio? O filósofo alemão Arthur Schopenhauer definiu um génio desta maneira:

“Um génio é um homem em cuja mente o mundo, como representação, atinge um grau de maior clareza e ressalta com a marca de uma maior nitidez; e, tal como as visões mais importantes e profundas, provém, não de uma observação cuidada dos pormenores, mas apenas através da intensidade com que se assimila o todo, de tal modo que a Humanidade pode ser instruída por ele.(…) Ver sempre o universal no particular constitui precisamente a característica fundamental do génio.”

Não é por acaso que esta citação surge no muito interessante livro Einstein e Oppenheimer. O significado do génio (Bizâncio, 2010), do historiador de ciência norte-americano Silvan S. Schweber. Einstein e Oppenheimer são justamente considerados dois dos grandes génios do século XX. Einstein, para além de ter sido pioneiro da teoria quântica, desenvolveu quase sozinho a teoria da relatividade, em particular, esse verdadeiro monumento do pensamento humano que é a teoria da relatividade geral que permite uma visão do ”todo” que é o Universo, incluindo a sua estrutura e a sua dinâmica. E Oppenheimer, bastante mais novo, para além de contribuições notáveis para a teoria quântica (aproximação de Born-Oppenheimer) e para a teoria da relatividade geral (proposta de buracos negros, que Einstein erradamente recusou), revelou a sua genialidade na direcção científica do projecto Manhattan, que conduziu à primeira bomba atómica.

Os dois génios, que aparecem juntos na fotografia da capa, conheceram-se bem – trabalharam os dois no Instituto de Estudos Avançados de Princeton. Tinham em comum a sua origem judaica, embora não fossem judeus praticantes, confirmando a ideia comum de que alguns dos maiores génios são judeus. E tinham em comum o seu americanismo, embora tivessem sido considerados esquerdistas no tempo da guerra fria. E ainda um apurado sentido de humanidade.

Os dois reconheceram o génio um do outro. Sobre o génio de Einstein muito tem sido dito, mas este livro ilumina alguns aspectos como a sua relação com as armas nucleares (“Fui eu que carreguei no botão”) e o seu papel na fundação da Universidade Brandeis, uma instituição judaica. Oppenheimer sabia bem, como os outros seus colegas, da superioridade de Einstein; afirmou mesmo numa resposta a um jornalista lhe perguntou que só lamentava na sua vida “escusado será dizê-lo, não ter sido o jovem Einstein”.

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