Archive for the Geral
A nova plataforma da Google — Public Data Explorer
Tomei conhecimento ontem, através de um post de Scott Morrison, de que a Google já disponibilizou a sua nova plataforma, o Public Data Explorer, embora ainda em fase de afinações, com a intenção de obter reacções e de contactar com os fornecedores de dados públicos. Eis um exemplo dos gráficos que é possível obter com as informações constantes das bases de dados utilizadas, copiado através de um print screen.
(Clique para obter o gráfico original)

Life expectancy at birth, total (years) vs Adolescent fertility rate (births per 1,000 women ages 15-19)
Neste caso é a esperança média de vida em função do número de filhos de jovens adolescentes entre os 15 e os 19 anos; os círculos representam os países, as suas côres, as regiões geográficas e o seu tamanho, o número de filhos dessas jovens.
Mais exactamente, em inglês:
” Life expectancy at birth, total (years)
Life expectancy at birth indicates the number of years a newborn infant would live if prevailing patterns of mortality at the time of its birth were to stay the same throughout its life. Source: World Bank staff estimates from various sources including census reports, the United Nations Population Division’s World Population Prospects, national statistical offices, household surveys conducted by national agencies, and Macro International. “
e
” Adolescent fertility rate (births per 1,000 women ages 15-19)
Adolescent fertility rate is the number of births per 1,000 women ages 15-19. Source: World Bank staff estimates from various sources including census reports, the United Nations Population Division’s World Population Prospects, national statistical offices, household surveys conducted by national agencies, and Macro International. “
Os gráficos originais são animados, permitindo ver as relações representadas a evoluir no tempo.
(Clique para obter o gráfico original)
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Relações Humanas
Brevissima história de tudo
formspring.me
Discalculia — o que é isso?
Discalculia está para os números como a dislexia para as palavras. O último especial da Sience et Vie trata desenvolvidamente desta desordem, que se pode manifestar de formas diferentes: a visio-espacial, logico-matemática, procedimental, cálculo aritmético, leitura e escrita dos números. Há duas teoria para a explicar. O que é que está afectado? É o sentido do número ou a capacidade de abstracção? As investigações estão apenas no seu início. A própria dislexia ainda é debatida, quanto às suas causas, que continuam a ser desconhecidas.
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É proibido sentar
Saiu em alguns jornais: é proibido deitar em bancos em 9 parques de São Paulo. Também é proibido andar de bicicleta, skate, patins. Também não valem “trajes ou atitudes atentatórias à moral e aos bons costumes”. Essa é a São Paulo que vivemos. Essa é a Sampa que não é uma cidade. Ou talvez seja, afinal pra que serve uma cidade?
Uma particularidade da ex-cidade da garoa é que, em algum nível, ela comporta todos os vícios e qualidades das cidades brasileiras. E geralmente numa escala muito maior. Nesse sentido, ela vira metonímia do país. Nesse caso específico, a referência é a forma como se lida com os problemas no Brasil.
Quando não se sabe como resolver um problema, proibe-se. É o jeitinho brasileiro de lidar com os males da sociedade. Em alguns casos, pode ser interessante, como na guerra contra o fumo passivo. Em outros, é uma forma bem contraproducente de lidar com um problema.
Quem não ouviu a avó, tia, pai, mãe reclamar que tal praça está cheia de “maconheiros”, e que não é para você passar lá. Criança não deve brincar nesses lugares. Aliás, é melhor que todos evitem esses locais e, finalmente, vamos cercar essa praça e fechar durante a noite. Só que a medida que parece resolver o problema acaba não resolvendo nada. Muitas vezes pioram. Se tem menos gente em um lugar, esse lugar tende a se tornar mais inseguro e, portanto, atrair menos gente. Da mesma forma, a retomada do espaço público inibe a violência e atividades ilícitas e/ou prejudiciais à sociedade. Se as crianças estão brincando no parquinho, os “maconheiros” evitam esse local. O mesmo serve para traficantes ou até ladrões (e olha que não estou colocando todo mundo no mesmo balaio, por isso as aspas no termo maconheiros).
São Paulo vem fechando parques e praças durante a noite, impedindo que muita gente tenha um lugar de lazer gratuito. O Parque da Aclimação é um exemplo. A partir das 19h ele é fechado. Se você chegar ao parque nesse horário, vai notar a quantidade de frequentadores que são “expulsos”. O fato é que muita gente chega em casa tarde e não pode sequer aproveitar o local.
Por outro lado, temos uma cidade sem bancos nas praças. O metrô Vila Madalena está sempre cheio…
Continue a ler É proibido sentarPaulicéia da Cefaléia: parabéns São Paulo 456 anos
A cidade de São Paulo chega ao seu 456º aniversário em estado de alerta pelas chuvas. O levantamento até ontem, dia 24/01/2010, dava conta de pelo menos 60 mortes desde o dia 1º de Dezembro. Junto a isso shows espalhados pela cidade faz a média por parte do governo da 4ª maior cidade do planeta.
São Paulo vive um cenário que deveria suscitar imensas discussões das pessoas engajadas na melhoria urbana, na discussão dos problemas nas megalópoles e tantos outros trabalhos visando prever e minimizar os efeitos do crescimento dessa cidade que responde por 33% do que é produzido em todo país. Porém vive no ostracismo de sua grandeza como se, comparado ao resto do Brasil, não tivesse o que reclamar. Tem sim, e muito!!!
Por outro lado, o mito do Sul Maravilha ainda persiste, fazendo com que cheguem os “ainda” desvalidos de todo canto para tentarem a sorte, como se São Paulo ainda precisasse ser construída por mão-de-obra semi-escrava para depois relega-la aos cinturões periféricos que lhe dão a fama de violenta a se organizarem em poderes paralelos que aterrorizam tantos os paulistanos quanto os migrantes e imigrantes que fazem dessa terra uma polinésia tupiniquim.
São Paulo já foi palco de revoluções, movimentos culturais importantes, que trouxeram os paulistanos e a cidade sempre em uma posição de vanguarda, apesar dos protestos dos “descolados” que se constituíam, por anuência e interesse do Estado, “os progressistas”. Assistimos aqui o nascedouro de movimentos que contaminaram o Brasil e o mundo, mesmo que esses movimentos não fossem protagonizados por seus “nativos”. Aliás, terra de Oswald, Mario e Rita Lee; terreno propício ao Tropicalismo Antropofágico e à Afrociberdélia do Mangue Beat, São Paulo importa, mastiga e cospe ao mundo tudo que lhe chega; abrigando, acolhendo, mas também fazendo sofrer, querendo luta e superação… São Paulo é antropofágico. Ele come seus inimigos e se torna mais forte. Quando é comido, irrompe das entranhas e surge mais forte. São Paulo é o único lugar do país em que podemos dizer: “é de todos nós”.
Do sotaque “italianado” ao arrastado caipira, já não sabemos mais como paulistano fala: ele fala a linguagem do mundo; terra de mil povos.
Uma Poesia a partir de SP
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A cidade de São Paulo chega ao seu 456º aniversário em estado de alerta pelas chuvas. O levantamento até ontem, dia 24/01/2010, dava conta de pelo menos 60 mortes desde o dia 1º de Dezembro. Junto a isso shows espalhados pela cidade faz a média por parte do governo da 4ª maior cidade do planeta.
São Paulo vive um cenário que deveria suscitar imensas discussões das pessoas engajadas na melhoria urbana, na discussão dos problemas nas megalópoles e tantos outros trabalhos visando prever e minimizar os efeitos do crescimento dessa cidade que responde por 33% do que é produzido em todo país. Porém vive no ostracismo de sua grandeza como se, comparado ao resto do Brasil, não tivesse o que reclamar. Tem sim, e muito!!!
Por outro lado, o mito do Sul Maravilha ainda persiste, fazendo com que cheguem os “ainda” desvalidos de todo canto para tentarem a sorte, como se São Paulo ainda precisasse ser construída por mão-de-obra semi-escrava para depois relega-la aos cinturões periféricos que lhe dão a fama de violenta a se organizarem em poderes paralelos que aterrorizam tantos os paulistanos quanto os migrantes e imigrantes que fazem dessa terra uma polinésia tupiniquim.
São Paulo já foi palco de revoluções, movimentos culturais importantes, que trouxeram os paulistanos e a cidade sempre em uma posição de vanguarda, apesar dos protestos dos “descolados” que se constituíam, por anuência e interesse do Estado, “os progressistas”. Assistimos aqui o nascedouro de movimentos que contaminaram o Brasil e o mundo, mesmo que esses movimentos não fossem protagonizados por seus “nativos”. Aliás, terra de Oswald, Mario e Rita Lee; terreno propício ao Tropicalismo Antropofágico e à Afrociberdélia do Mangue Beat, São Paulo importa, mastiga e cospe ao mundo tudo que lhe chega; abrigando, acolhendo, mas também fazendo sofrer, querendo luta e superação… São Paulo é antropofágico. Ele come seus inimigos e se torna mais forte. Quando é comido, irrompe das entranhas e surge mais forte. São Paulo é o único lugar do país em que podemos dizer: “é de todos nós”.
Do sotaque “italianado” ao arrastado caipira, já não sabemos mais como paulistano fala: ele fala a linguagem do mundo; terra de mil povos.
Uma Poesia a partir de SP
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Continue a ler Paulicéia da Cefaléia: parabéns São Paulo 456 anosHaiti : existem coisas que parecem conspirar…
Eu estava ensaiando uma forma de dizer alguma coisa sobre a tragédia que abateu o Haiti. Pensava a respeito, mesmo cheio de coisas para fazer, compromissos, trabalhos, estudos… Mas qual o que? Como pensar em compromissos, trabalhos e estudos diante de algo assombroso e absolutamente trágico desse? Quantas pessoas? Cem mim, centro e cinqüenta mil? Resolvi apenas escrever; refletir enquanto escrevo. Por todos os lados que tento olhar o acontecido, só uma coisa sobrevém: existem coisas que, simplesmente, acontecem…. E são absurdas.
Fazendo uma pesquisa rápida na internet, encontro no Scielo uma resenha do livro Os Jacobinos Negros chamada O Épico e o Trágico na história do Haiti do historiador Jacob Gorender. No início da resenha Gorender diz:
“NESTE PRECISO momento, em que escrevo a resenha de um livro notável sobre o Haiti, o país caribenho esteve assolado por uma rebelião sangrenta, que obrigou o presidente Jean Bertrand Aristide a abandonar o cargo e se refugiar no exterior. Em dois séculos de história, no entanto, Aristide foi o primeiro governante haitiano a exercer o poder após conquista-lo pela via eleitoral, em 1994.”
O Haiti, de primeiro país latino-americano a conquistar sua independência nacional e ter sido a colônia mais produtiva das Américas, em menos de 150 anos, tornou-se o país mais pobre do continente. Independente do terremoto desse ano, que cai sob a égide, talvez, da maior tragédia natural do milênio, o Haiti era prova viva de que o ideal cubano, ao invés de morrer, poderia apenas ser melhorado rumo a uma possível democracia socialista. Um caso, sem sombra de dúvidas, de um capitalismo que não deu certo.
Historicamente, os dois terços da população negra da ilha sofreram as mais cruéis barbáries, explorações e abusos que se tem notícia, muitos, senão a maioria, semelhantes ao regime escravocrata brasileiro. Quando se viram livres e independentes, optaram a voltar a uma cultura de subsistência e a não ingressar na competitividade mundial, apesar de serem grandes produtores de açúcar.
Mesmo épica, com os levantes heróicos contra a colonização e, posteriormente, com a declaração definitiva da independência (vencendo franceses, ingleses e espanhóis) a história do Haiti se confunde com a impulsividade e a “circunstancialidade” de quem apenas quer um lugar para encostar e ficar quietinho; vivendo em paz e da maneira que melhor lhe aprouver. Não querem ser ricos, não querem competir, querem…
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