Blogs de Ciência

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Archive for the formigas

Formigas do deserto cheiram a paisagem em estéreo

Formigas Cataglyghis fortisHá umas formigas, no deserto da Tunísia, que cheiram em estéreo: Recebem os cheiros nas suas antenas, e com isso conseguem reproduzir de alguma maneira o espaço à sua volta, uma paisagem de odores, que lhes permite situar-se e encontrar o seu formigueiro.O doutor Markus Knaden e colegas seus, do Instituto Max-Planck para a Ecologia Química em Jena, Alemanha,
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as saúvas: uma sociedade de formigas


Uma formiga saúva cortadeira.

Comecemos a semana com um pouco de beleza: um belo trabalho de divulgação científica sobre ecologia e comportamento de um grupo de insetos sociais, as formigas saúvas.

O trabalho em questão integrou o projeto final de graduação no IB-USP de Joana Fava Alves,  cujo objetivo foi “produzir um material de auxílio ao ensino de ciências e biologia no ensino fundamental e médio, além de informar o público geral e entreter os curiosos sobre a vida!”. O principal resultado foi o vídeo que empresta o título a esse post.

O material é fantástico! Começamos a observar a movimentação das saúvas ao som de Barbatuques e seguimos guiados pelas belíssimas imagens que nos levam para dentro do formigueiro e para o cotidiano dessa sociedade.

Conhecemos os diferentes tipos de saúvas, como se dá a divisão do trabalho dentro das castas desta sociedade, como é o seu ciclo de vida, sua importância ecológica e que sua distribuição está restrita à América tropical. Agora, uma coisa é ler tudo isso em um livro ou site ou ouvir as informação em uma aula. Outra bem diferente é estar junto com as formigas desempenhando estas atividades, coisa que o vídeo consegue tão bem nos propiciar!

Com vocês, As saúvas – uma sociedade de formigas:

As formigas habitam o planeta Terra há mais de cem milhões de anos. Apesar de pequenas e da aparente simplicidade, elas têm uma complexa organização social com um sofisticado sistema de divisão de tarefas.

Este vídeo mostra fenômenos e comportamentos que retratam a biologia e a ecologia desses insetos sociais.

[OBS: na abertura há um alerta sobre difusão pública do material que pode provocar alguma dúvida sobre a legalidade ou não da reprodução neste blog ou a possibilidade de replicá-lo em outros veículos. Conversei com Joana a esse respeito ela me explicou que o aviso foi pensado para a versão em DVD e será alterado em breve. O intuito da equipe é que o vídeo seja divulgado tanto quanto possível para conhecimento do público e uso por professores em escolas. O que está proibido é fazer uso comercial do vídeo sem autorização do produtor.]

O projeto de iniciação científica de Joana foi orientado pelo Prof. Carlos Arturo Navas e feito com colaboração

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Saúvas, fungos, bactérias e nitrogênio

Saúvas dependem de fungos para poder se alimentar. E os fungos das saúvas dependem de bactérias fixadoras de nitrogênio. A fixação de nitrogênio por bactérias é um dos pontos chave do ciclo do nitrogênio na natureza, e é essencial para as plantas poderem biossintetizar aminoácidos e outras substâncias nitrogenadas. Pesquisadores da Universidade de Wiscosin em [...]Continue a ler Saúvas, fungos, bactérias e nitrogênio

Saúvas: uma sociedade de formigas

As Saúvas - Uma sociedade de formigas (Jo Fava Alves)

As formigas habitam o planeta Terra há mais de cem milhões de anos. Apesar de pequenas e da aparente simplicidade, elas têm uma complexa organização social com um sofisticado sistema de divisão de tarefas. Este vídeo mostra fenômenos e comportamentos que retratam a biologia e a ecologia desses insetos sociais.

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Espertinho

Com essa literalmente me caíram os butiás do bolso.
Cá estava eu procurando figuras e fotografias carregadas de ilusão de óptica, e me deparei com esta foto de Christian Ziegler que segue abaixo, a das formigas.

Está se perguntando por que uma delas está com o abdômen vermelho?
Pois bem, segure seus bolsos para seus butiás não cairem também.
Um tipo de nematóide tetradonematídeo (que nome bacana!) gosta muito de ser papado por esta espécie de formiga (aliás, esta belezinha se chama Cephalotes atratus).
E sabe por que?
Sendo papado, este nematóide ocasiona efeitos morfológicos e comportamentais nas formigas, tornando o abdômen delas avermelhado como um apetitoso frutinho da estação na floresta tropical do Panamá, além de "fazer" esses insetos literalmente levantarem o traseiro, para serem mais bem vistas por aves frugívoras, as quais são o verdadeiro objetivo final do nematóide.
Assim, a pobre formiga-fruta é comida pela ave e, com ela, como presente de grego, chegam milhões de ovinhos dos nematóides, que então podem ser dispersos para outras colônias de formigas, alcançando áreas muito mais extensas.
Stephen Yanoviak, da University of Florida, e outros colaboradores de universidades estadunidenses estudaram bem a fundo o quadro explanado acima. Observando uma colônia em especial, verificaram que 5% das formigas tinham seu abdômen vermelho, e estas eram 12% menores e 41% mais pesadas que suas primas desacompanhadas. E mais, esses abdômens coloridos são muito parecidos com os frutos de espécies de Psychotria , que estava aparecendo na floresta no mesmo período de avaliação.

Mas já que a intenção era ilusão de óptica, divirtam-se com uma versão talvez não tão "natureba", do genial artista holandês M.C. Escher, chamada "Relativity", as escadas impossíveis. Esse senhor muito talentoso era especialista em criar cenários intrincados, misturando perfeição normal com o aparente absurdo, colocando pontos de vista contraditórios dentro de um mesmo plano.

Outras belas fotografias de mímica na natureza você pode olhar aqui.Continue a ler Espertinho

Darwin, Lamarck e formigas


Quem acompanha este blog já deve ter percebido que tenho uma série de críticas à maneira como a biologia evolutiva é explorada no ensino médio (sempre acabo sem querer escrevendo “segundo grau”), bem como à maneira como esses conhecimentos são avaliados. Não só há incorreções, como elas são praticamente as mesmas, em diferentes materiais didáticos, de diferentes cidades e épocas. Na verdade, os livros de biologia de ensino médio do Brasil são assombrosamente parecidos: até a sequência dos capítulos é a mesma! Lembro-me de em 94 ter vindo às minhas mãos, por acidente, um livro de biologia francês, de um nível equivalente ao nosso segundo grau (mas um pouco mais aprofundado, pois era para o baccalauréat scientifique)… fiquei fascinado: não porque o livro fosse fantástico, mas sim porque a abordagem era tão diferente, a sequência dos capítulos e a estruturação em geral era tão incomum, as questões eram tão inesperadas… devo confessar que me arrependo até hoje de ter devolvido o livro para o dono; mas, enfim, temos que praticar a honestidade.

Não só os livros-texto são bastante semelhantes, mas as questões de prova, em seus vários aspectos, também o são. Quem já não perdeu a paciência em resolver, sendo aluno ou professor, questões do tipo “qual a sequência correta do processo de especiação”? Isso é tão repetitivo que a maioria dos alunos, sem nem ao menos compreender adequadamente a interrupção do fluxo gênico, acha que todo processo de isolamento geográfico levará inexoravelmente a um isolamento reprodutivo.

Uma outra categoria de questões de biologia evolutiva em exames do ensino médio e em vestibulares, e que será o assunto deste artigo, é a daquelas questões que nos pedem para dizer se tal frase ou enunciado está de acordo com Darwin ou com Lamarck. São inúmeras, e não param de surgir mais delas ano após ano.

Eis um exemplo, retirado não de um livro-texto do ensino médio, nem de um vestibular, mas do provão (o Exame Nacional de Cursos, que avalia alunos universitários) de 2001: “Cepaea nemoralis é um caracol terrestre capaz de produzir uma ampla variedade de padrões de coloração da concha, desde clara até escura. Esse caracol é predado por uma ave, o tordo, que o localiza através da visão. Em uma área habitada por essa espécie, houve aumento da cobertura vegetal e censos realizados em diferentes épocas mostraram que o número de caracóis com concha escura foi

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Navegar é preciso: o incrível caso da formiga do deserto IV

Este é o penúltimo texto desta série e, provavelmente, o mais chato. Chato porque não entendo nada de luz polarizada e bússola celestiais, apesar de ter tentado reverter este estado desde que comecei a escrever estes textos.

As formigas Cataglyphis fortis usam a luz proveniente do céu para navegar. Interessantemente, elas não usam a posição do sol como referência mas sim a polaridade da luz que chega do céu. Basicamente, a luz que vem dos céus é polarizada ou seja, as ondas luminosas que vêm do céu oscilam em um ângulo específico (me corrijam por favor!). Isso acontece porque o choque da luz solar com as partículas de nossa atmosfera, gera a polarização e a linda cor azul do céu. A polaridade da luz é sempre perpendicular aos raios de luz do sol por isso, se você consegue medir a polaridade da luz, você consegue estimar a direção do sol e ter uma idéia dos pontos cardeais. A vantagem de se medir a polaridade da luz e não a posição do sol é que isso funciona mesmo em dias completamente nublados.

Os insetos conseguem distinguir a polaridade da luz. Eles usam esta informação para ajudar a manter o vôo estável e para navegar. Para isso, eles usam estruturas sensíveis à luz que chamamos de ocelos. Os ocelos se parecem com pequenos olhos na cabeça dos insetos. Na foto abaixo podemos ver três ocelos no topo da cabeça da formiga.

A Cataglyphis fortis consegue usar a luz polarizada vinda do céu para estimar o seu ângulo em relação ao seu formigueiro. Aquela voltinha que pode ser vista no segundo texto da série deve ajudar esta medida. O mais incrível é que isso foi descoberto usando uma série de espelhos lá em 1911, o problema é que até agora não consegui entender estes experimentos e suas conclusões.

No próximo texto, e último, descobriremos como a Cataglyphis fortis acha a sua casa quando o seu senso de navegação falha.

Foto Science Photo Library


© Carlos Hotta for Brontossauros em meu jardim, 2009. | Permalink | One comment | Add to del.icio.us
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Navegar é preciso: o incrível caso da formiga do deserto III

A formiga do deserto Cataglyphis fortis consegue encontrar a entrada de seu ninho, mesmo após andar metros como uma louca, combinando duas informações: a direção para qual ela anda e a distância. A cada vez que ela anda para um lado, ela calcula a direção que seu ninho deve estar.

Para saber a direção para qual ela anda, ela conta com um sistema que chamamos de bússula celestial (sério). Aprenderemos mais sobre este sistema no próximo texto. Hoje vamos entender como estas formigas medem distâncias e melhor: vamos entender como os mimercólogos (estudiosos de formigas) descobriram isso.

Uma hipótese formulada pelos cientistas é que as formigas medem o seu status energético. Basicamente, elas saberiam quanta energia elas ainda têm no seu tanque e daí calculam quanto elas andaram. No entanto, as formigas medem as distâncias percorridas mesmo carregando objetos de diferentes pesos, que supostamente gastariam mais energia para ser transportados. Outra hipótese é a de as formigas usam a passagem de objetos por seus olhos como referência, também refutada pelo fato das formigas saberem medir distâncias no escuro.

Na verdade o sistema de medição de distância das formigas é muito mais simples: elas contam os seus passos. Como seus passos percorrem uma distância bem definida, este é um bom parâmetro para usar como referência. Agora vem a pergunta: como os cientistas descobriram isso?

O primeiro passo (rs) dos cientistas foi testar a noção de distância das formigas. Para isso, eles faziam as formigas saírem de seus ninhos e andarem por um corredor até a comida. Depois eles pegavam a formiga e a colocavam em um segundo corredor. As formigas voltavam pelo corredor até uma distância equivalente ao seu ninho, quando elas começavam a vasculhar o território pela entrada de sua casa. Por incrível que pareça, as formigas sempre acertavam a distância a ser percorrida até o seu ninho.

O segundo passo foi tentar alterar o sistema de contagem de passos da formiga. Como fazer? Drogas pesadas, lobotomias? Descobrir isso foi o pulo do gato da pesquisa: eles resolveram mudar o tamanho do passo das formigas! Assim, se as formigas dessem passos maiores, elas percorreriam distâncias maiores com o mesmo número de passos. E foi isso que eles fizeram: eles esperavam a formiga encontrar comida, depois eles a capturavam e cortavam um pedaço de suas pernas ou aumentavam o tamanho de suas pernas com plásticos! Duvida? Veja a figura abaixo…

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Navegar é preciso: o incrível caso da formiga do deserto II

Ontem deixei a pergunta no ar: como a Cataglyphis fortis consegue encontrar a entrada de seu ninho após caminhar por dezenas, e até centenas, de metros no grande areial do deseto do Saara?

Um dos comentaristas, o Der Hexenhammer do Malleus Maleficarum, chegou quase perto da resposta. Um pouco menos da metade, eu diria.

As Cataglyphis fortis combinam duas medições para calcular o caminho de volta ao seu ninho: o seu ângulo em relação ao sol e a distância percorrida. Ao integrar estes dois dados, ela consegue estimar a direção que ela deve percorrer. Este cálculo é o suficiente para fazê-la retornar a um local próximo o suficiente da entrada de seu ninho para ela começar a usar outras estratégias, como o cheiro liberado pela entrada do ninho e marcos territorias.

No vídeo abaixo, do fantástico sir David Attenbourough, podemos ver o bizarro comportamento adotado pela formiga enquanto ela se distancia de seu ninho:

Bem, agora que o mistério foi resolvido, não há mais nada para se falar certo? Não seja tão impaciente jovem gafanhoto! O mais interessante desta história é saber como que os cientistas descobriram como funciona a navegação da Cataglyphis fortis, tema dos próximos textos do blog.


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Navegar é preciso: o incrível caso da formiga do deserto I

A formiga do deserto Cataglyphis fortis é um destes seres que nos fazem quebrar a cabeça. Estas milimétricas formigas vivem no inóspito deserto do Saara, sobrevivendo a temperaturas corporais acima de 50 oC, um recorde entre animais. Tão impressionante quanto à sua resistência ao calor é o trabalho que estas formigas têm para conseguir comida. As Cataglyphis fortiselas andam por metros e metros pela areia do deserto à procura de animais vitimados pelo sol e pela falta de água.

Ao procurar por comida, as formigas do deserto andam aleatoriamente pela areia fazendo curvas e mais curvas. O mais impressionante é que, assim que elas encontram comida, elas conseguem voltar andando quase que em linha reta em direção ao seu ninho. A pergunta que quebra a cabeça dos pesquisadores, e que será tema dos próximos textos, é: como que um ser tão pequeno consegue navegar por um deserto praticamente sem ponto de referências e ainda encontrar seus ninhos?

Para se ter uma idéia da magnitude do problema, veja o caminho percorrido por um indivíduo de seu ninho (N) até achar comida (F). O caminho contínuo é o de ida, e o tracejado é o de volta. As bolinhas que interrompem a trajetória indicam a posição da formiga a cada 60 s.

Se a figura não te impressionou, saiba que a formiga percorreu cerca de 354 m em cerca de 28 minutos sendo que ela gastou 22 minutos para encontarra comida e apenas 6 minutos para voltar! Novamente jogo a pergunta: como a formiga faz isso? Uma dica, para não estragar a surpresa: se deslocarmos a formiga cerca de 1 m para o sul do local onde ela achou comida, ela vai errar o local de seu ninho… 1 m para o sul!

O resto, só amanhã…

Martin Müller and Rüdiger Wehner. Path integration in desert ants, Cataglyphis fortis. PNAS (1988) 8, 5287-5290.

Foto: Science Daily


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