Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the Filosofia política

Frutos da tolerância

A tolerância “sustenta a própria vida, porque a perseguição muitas vezes visa a morte, e também sustenta as vidas comuns, as diferentes comunidades em que vivemos. A tolerância torna a diferença possível; a diferença torna a tolerância necessária.” Michael Walzer, Da Tolerância, Martins Fontes, São Paulo, 1999, pág. XII. Continue a ler Frutos da tolerância

Miguel Baptista Pereira, "Alteridade, Linguagem e Globalização"

O amor da sabedoria é também amor da linguagem, que nos diz os caminhos para o outro num tempo, cuja técnica permite alargar até aos confins da ecúmena a praxis solidária dos homens ou a dinâmica do seu ser-no-mundo de modo global. O humano ser-no-mundo sem exclusão de ninguém e com solicitude pelo outro por cuja integridade se sente responsável «in solidum» e não «pro rata» segundo a linguagem dos juristas, recebeu no sec. XIX da pena de P. Leroux o nome de «solidariedade» e nos nossos dias o de modo humano de «globalização» ou de «mundialização
», que, enquanto modo de estarmos no mundo, diz a incondicionada disponibilidade e responsabilização pelos outros, que, a nível planetário, a técnica hoje nos permite conhecer e abordar. A solidariedade, que enlaça os homens, é também aliança com a natureza e a vida, cuja alteridade continua criadora, mantendo e albergando os homens. Da vinculação umbilical à vida e à natureza e da globalização como modo planetário de estarmos com todos os homens tomamos consciência através da língua materna, que desde o berço iniciou a abertura do mundo dos homens, da vida e da natureza. Neste sentido, globalização ou mundialização como ser-no- -mundo-com-outros opõe-se radicalmente à mundialização nascida da técnica, do mercado e da informação: «Mundialização e universalidade não coincidem mas excluem-se mutuamente. A mundialização é das técnicas, do mercado, do turismo, da informação. A universalidade é dos valores, dos direitos do homem, das liberdades, da cultura, da democracia. A mundialização parece irreversível, o universal estaria antes em via de desaparecimento.

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Programa do 8º Encontro de Professores de Filosofia

Este ano o 8º Encontro Nacional de Professores de Filosofia  vai ser em Portimão, nos dias 10 e 11 de Setembro. Organização da  Sociedade Portuguesa de Filosofia e da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes. O Convidado Especial será Stephen Law. INSCRIÇÕES:   Continue a ler Programa do 8º Encontro de Professores de Filosofia

Nelson Mandela: o exemplo vale mais do que mil palavras

Para saber mais sobre Mandela, ver aqui. A política e a ética podem estar ou não dissociadas. Ler a biografia de Nelson Mandela permite-nos perceber como o reconhecimento - por parte da maioria dos cidadãos sul-africanos - da integridade moral de um governante pode condicionar positivamente o exercício do poder político. Este líder da África do Sul acreditava, ao contrário do que o Continue a ler Nelson Mandela: o exemplo vale mais do que mil palavras

John Rawls – O argumento da posição original

Da mesma forma que cada pessoa deve decidir, através de uma análise racional, o que é que constitui o seu bem, isto é, o sistema de objectivos que lhe é racional prosseguir, também um conjunto de pessoas deve decidir, de uma vez por todas, o que é para elas considerado justo ou injusto. É a escolha que será feita por sujeitos racionais nesta situação hipotética em que todos beneficiam de igual liberdade - aceitando por agora que o problema colocado por escolha tem solução - que determina os princípios da justiça.
Na teoria da justiça como equidade, a posição da igualdade original corresponde ao estado natural na teoria tradicional do contrato social. Esta posição original não é, evidentemente, concebida como uma situação histórica concreta, muito menos como um estado cultural primitivo. Deve ser vista como uma situação puramente hipotética, caracterizada de forma a conduzir a uma certa concepção da justiça . Entre essas características essenciais está o facto de que ninguém conhece a sua posição na sociedade, a sua situação de classe ou estatuto social, bem como a parte que lhe cabe na distribuição dos atributos e talentos naturais, como a sua inteligência, a sua força e mais qualidades semelhantes. Parto inclusivamente do princípio de que as partes desconhecem as suas concepções do bem ou as suas tendências psicológicas particulares. Os princípios da justiça são escolhidos a coberto de um véu de ignorância. Assim se garante que ninguém é beneficiado ou prejudicado na escolha daqueles princípios pelos resultados do acaso natural ou pela contingência das circunstâncias sociais. Uma vez que todos os participantes estão em situação semelhante e que ninguém está em posição de designar princípios que beneficiem a sua situação particular, os princípios da justiça são o resultado de um acordo ou negociação equitativa. (…) Pode dizer-se que a posição original constitui o statu quo inicial adequado, pelo que os acordos fundamentais estabelecidos em tal situação são equitativos. Isto explica a propriedade da designação «justiça como equidade»: ela transmite a ideia de que o acordo sobre os princípios da justiça é alcançado numa situação inicial que é equitativa. Não decorre daqui que os conceitos de justiça e de equidade sejam idênticos, tal como também não decorre da frase «a poesia como metáfora» que os conceitos de poesia e de metáfora o sejam.
John Rawls, Uma Teoria da Justiça, tr. Carlos Pinto Correia, Editorial Presença, 1993, pp. 33, 34.
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Falácias e palhaçadas

Pretender que uma teoria económica é falsa apenas porque o seu autor está envolvido num caso de corrupção é falacioso. Trata-se da falácia ad hominem. Esta consiste num ataque pessoal injustificado. Em vez de discutir as próprias ideias, tenta-se refutá-las atacando características pessoais do seu autor que são irrelevantes para o caso. Regressando ao exemplo, não é plausível que a honestidade Continue a ler Falácias e palhaçadas

Invictus: um filme sobre política e ética

Após o visionamento do filme Invictus de Clint Eastwood, os alunos deverão responder às seguintes questões: 1. A que forma de protesto recorreu Nelson Mandela, antes de ser eleito presidente, para lutar contra a política do apartheid que vigorava na África do Sul? Justifique. 2. Quais são, numa democracia, os direitos fundamentais que os governantes eleitos devem assegurar a todos os cidadãos? Continue a ler Invictus: um filme sobre política e ética

Invictus: o filme e o poema

Este é o poema que dá nome ao filme. Invictus Out of the night that covers me, Black as the Pit from pole to pole, I thank whatever gods may be For my unconquerable soul. In the fell clutch of circumstance I have not winced nor cried aloud. Under the bludgeonings of chance My head is bloody, but unbowed. Beyond this place of wrath and tears Looms but the Continue a ler Invictus: o filme e o poema

Isaiah Berlin – Conflito de liberdades

A liberdade que consiste em ser-se dono de si próprio e a liberdade que consiste em não ser impedido de optar como se opta, por outros homens, podem parecer conceitos não muito distantes entre si – não mais do que uma maneira negativa e positiva de afirmar, por assim dizer, a mesma coisa. Contudo, as noções «positiva» e «negativa» de liberdade desenvolveram-se historicamente em direcções divergentes, nem sempre por fases respeitáveis em termos de lógica, até acabarem por entrar em conflito directo uma com a outra.
Isaiah Berlin, «Dois conceitos de liberdade» in A busca do Ideal, tr. Teresa Curvelo, Editorial Bizâncio, p. 256.
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Isaiah Berlin – Liberdade positiva

O sentido «positivo» da palavra «liberdade» decorre do desejo do indivíduo de ser dono de si próprio. Quer que a sua vida e as suas decisões dependam de si próprio e não de qualquer tipo de forças exteriores. Quer ser o instrumento dos seus próprios actos de vontade e não dos de outros homens.
Isaiah Berlin, «Dois conceitos de liberdade» in A busca do Ideal, tr. Teresa Curvelo, Editorial Bizâncio, p. 255.
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