Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the Filosofia da religião

Progresso e religião

Como aqui temos abordado as relações entre ciência e religião, republicamos aqui, com autorização do autor, um texto do físico Nicolás Lori, que é investigador na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, saído no "Público" em 12 de Maio passado (na foto Jürgen Habermas):

Num artigo recente de opinião no New York Times faz-se uma afirmação que a muitos promotores do "progresso" em Portugal pareceria chocante: diz-se que o que falta à cultura secular é a religião. A afirmação não é feita por uma pessoa religiosa, mas por um ateu secular e proeminente filósofo, Jürgen Habermas.

Nos seus trabalhos iniciais, Habermas deu-nos conta da sua convicção de que o papel estruturante que a religião tinha desempenhado na sociedade seria no futuro feito através de uma ética discursiva, onde a melhor resposta seria obtida através do consenso. Mas para o actual Habermas, o racionalismo falha no sentido em que não tem nenhum mecanismo para tomar consciência dos "interesses" que estão sempre presentes, com as suas implicações, mas que não são reconhecidos. Esta situação causa um problema: os Estados seculares não conseguem que os seus cidadãos se afastem do egocentrismo em direcção a comportamentos mais virtuosos.

Quando se fala do diálogo entre a fé e a razão, começa-se muitas vezes mal, quando se diz que o seu sentido é extremamente vago. O que tipicamente se está a fazer é a assumir que a fé é um estado de enamoramento com o transcendente, entendendo-se por fé o "amor que inclui o transcendente". Esta visão da fé, que penso ser a definição que as pessoas comummente usam, não é o que introduz a falta de claridade na discussão. A expressão é pouco clara, porque não explica se o diálogo é entre o amor e a razão e/ou entre o transcendente e a razão. Entendemos por razão o pensamento que tenta interpretar o universo através da dinâmica causa-efeito, sendo as causas as razões que a razão utiliza. Penso também que esta é a definição tipicamente utilizada. Uma outra definição de razão, que é menos comum mas que é muito utilizada na economia, considera não uma dinâmica causa-efeito mas uma dinâmica de efeito-causa, onde a razão tenta encontrar a causa que proporciona o efeito pretendido, sendo esse efeito a real razão da acção. A utilização destas duas definições divergentes para representar dois fenómenos muito diferentes é

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Quanto mal é necessário?

  Criança com epidermólise bolhosa Se Deus existe e é bom e omnipotente, como explicar a existência de mal no mundo? De modo resumido, esta questão apresenta o chamado problema do mal (veja aqui uma formulação mais extensa e explícita). Alguns filósofos religiosos, tentando solucionar esse problema, afirmam que caso não existisse mal não conseguíamos reconhecer e apreciar o bem, pois muitas Continue a ler Quanto mal é necessário?

Milagre??

Milhões de pessoas acreditam que no dia 13 de Maio de 1917 Nossa Senhora apareceu em Fátima a três crianças que pastavam as suas ovelhas e acreditam que reapareceu novamente a 13 de Outubro do mesmo ano tendo então realizado um milagre observado por cerca de 70 mil pessoas: o Sol moveu-se, parecendo cair sobre as pessoas antes de regressar ao seu lugar. Levadas por essa crença muitas pessoasContinue a ler Milagre??

A propaganda da Carris


O assunto será controverso, mas um nosso leitor colocou-o e nós aqui o deixamos para eventuais comentários. Deve uma empresa pública, cujo serviço de transportes é utilizado diariamente por pessoas de todas as religiões e mesmo sem religião nenhuma, fazer proselitismo religioso?

"Não sei se será um tema que vos interessa, e penso que até talvez escape ao contexto do blog. Mas deparei-me hoje com este site, que talvez possa ser interessante para comentarem:

http://www.carris.pt/pt/noticias/2010/visita-de-sua-santidade-o-papa-bento-xvi-a-lisboa/

O caminho acima leva-nos à secção de notícias. Mas o que está em causa neste local não é a informação dos utentes quanto a perturbações no serviço, que serão em grande número e portanto o mereceriam. O que aqui está em causa é a pura promoção de uma mensagem de uma religião específica e a promoção do evento em si. Isto não se coaduna com aquela que é (e deve ser) a política de uma empresa pública num Estado laico. E por estes dias isto é apenas um exemplo: temos vistos muito mais casos assim.

Já enviei um e-mail para a Carris e para o Ministério competente, tal como outras pessoas com quem partilhei o link. Ainda que não considerem interessante, fica a sugestão."

Ricardo TeixeiraContinue a ler A propaganda da Carris

Francisco Vieira Jordão, “A Religião sob o ponto de vista filosófico”

A Religião , enquanto forma de comportamento cujas regras se afastam das que regulam a vida diária, assenta numa dicotomia introduzida no mundo das referências humanas, que se traduz num duplo nível de realidade - o sagrado e o profano . Diferentemente de qualquer outro género da actividade humana, a Religião tem a sua génese na convicção de que existe uma realidade ( poder ou mistério ) que está acima da realidade do nosso contacto diário, com a qual o homem pretende comunicar e da qual deseja participar.
O primeiro problema que se coloca perante o fenómeno religioso, é o de saber se se trata de algo adventício , isto é, surgido na História ou na vida dum indivíduo por razões estranhas ao mesmo fenómeno enquanto tal, ou se se trata de um fenómeno autónomo e inerente ao facto de ser homem.

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Caricaturar o profeta Maomé constituirá um abuso da liberdade de expressão?

Um jornal da Dinamarca publicou, em 2005, uma caricatura que representa o profeta Maomé usando um turbante com uma bomba. Milhares de muçulmanos em todo o mundo protestaram nas ruas, nalguns casos violentamente, pois consideraram que o cartoon colocava em causa a honra do profeta. O autor da caricatura, Kurt Westergaard, passou a viver com protecção policial e foi, recentemente (a 01-01-2010 Continue a ler Caricaturar o profeta Maomé constituirá um abuso da liberdade de expressão?

A inutilidade da força

“Se alguém sustentar que os homens devem ser obrigados, a ferro e fogo, a professar certas doutrinas e a seguir esta ou aquela forma de culto (…), se alguém tentar converter os heterodoxos à fé obrigando-os a professar coisas em que não crêem” engana-se. O “fogo e a espada não são instrumentos apropriados para convencer do erro as mentes dos homens e elucidá-los sobre a verdade. (…) Se a Continue a ler A inutilidade da força

Voltaire – Abuso da intolerância

O quê! Será que se pode permitir a cada cidadão que não creia senão na sua razão e que pense apenas o que essa razão, esclarecida ou enganada, lhe dite? É isso mesmo que é necessário, desde que em nada perturbe a ordem: porque não depende do homem crer ou não crer, mas depende dele respeitar os usos da sua pátria; e se dissésseis que é crime não crer na religião dominante, estaríeis então a acusar os vossos pais, os primeiros cristãos, e estaríeis a justificar aqueles que acusais de os terem lançado aos suplícios.

Voltaire, Tratado sobre a tolerância, tr. José M. Justo, Prisa Innova (colecção grandes filósofos), p. 285.
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Bertrand Russell: Não sou religioso porque…

  Perguntaram a Bertrand Russell porque é que não é era cristão e ele explicou porque é que não era religioso.  Russell nasceu em 1872 e morreu em 1970. Um dos dos seus livros mais célebres é “Porque não sou cristão”. Entre muitas outras obras relevantes, escreveu também “The Principles of Mathematics” e “Os problemas da Filosofia”. Recebeu o prémio Nobel da Literatura em 1950 e várias Continue a ler Bertrand Russell: Não sou religioso porque…

Do ateísmo ao teísmo – Antony Flew

Antony Flew - Deus Existe Continue a ler Do ateísmo ao teísmo – Antony Flew
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