A “nota positiva” de Feytor Pinto

Helena Damião @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Sistema educativo, exames nacionais
Ainda a propósito dos exames nacionais, divulgamos um texto da autoria de Maria do Carmo Vieira, professora de Português e Francês do Ensino Secundário, que foi publicado no semanário Expresso do passado sábado.Antes de me referir às palavras de Paulo Feytor Pinto, presidente da Associação de Professores de Português, sobre os exames do 12.º ano, recordo que a APP foi interlocutora privilegiada do ME na reformulação dos novos programas de Português. Da sua implementação em 2003, sem uma séria e honesta discussão, pelas limitações impostas, resultou a intensificação do nivelamento por baixo, do facilitismo e de uma cultura de ignorância, num espaço cuja função sempre foi a de preparar para a vida. Em nome da mudança, centrou-se o ensino nos alunos e assistiu-se ao esvaziamento de conteúdos programáticos, à subestimação da Literatura, agora em pé de igualdade com requerimentos, bulas, atestados médicos, publicidade..., ao apagamento dos clássicos, à interpretação de textos com verdadeiro e falso ou cruzes, à aceitação de erros ortográficos, à imposição da TLEBS, causadora de um caos indescritível no estudo da gramática, esta sim indispensável.Nas suas afirmações, Feytor Pinto esquece que a leitura é um valor e que conhecer uma obra literária, ...

“O objectivo dos exames não é comparar”!?

Helena Damião @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, exames nacionais
Entendo que é do mais puro bom senso que quem se propõe discutir na praça pública questões pedagógicas ou outras em que há um corpo de saberes constituído se prepare para o fazer. Isto significa estudar um pouco e por fontes credíveis.No que respeita estritamente às questões pedagógicas, que são aquelas que eu acompanho, não me parece que os políticos se preparem, ou se o fazem, que o façam bem. Presumo que tais questões lhes pareçam demasiado óbvias, dispensando, por isso, a procura de informação científica actualizada.O que afirmo é uma evidência nos recentes discursos sobre os exames nacionais, que estão recheados de erros grosseiros. Erros que se tornam ainda mais grosseiros por serem veiculados no estilo ultrapassado de “autoridade de especialista”.Aliada à confusão que neles se faz entre avaliação de processo e de produto e entre as diversas funções da avaliação das aprendizagens, surge a confusão entre avaliação normativa e criterial.Tomando como ponto de referência o aluno ou o grupo, a distinção é muito simples: a primeira visa comparar o desempenho de um aluno em relação ao desempenho médio do grupo a que pertence ...

Em poucas áreas se mente tanto…

Helena Damião @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, exames nacionais
“... em poucas áreas se mente tanto como na política educacional e escolar”. D. Schwanitz, 2004. Noutro texto afirmei que a facilidade, ou o facilitismo, dos exames nacionais, promovido pelos responsáveis por políticas e medidas educativas, não é um cenário exclusivo do nosso país, estando descrito na literatura internacional. Um leitor lembrou que o assunto deveria ser desenvolvido. “Confesso”, escreveu ele, “que estou farto de ler conversa fiada sobre o assunto e se há trabalhos que identificam e caracterizam o problema, o melhor é ler esses trabalhos e tirar deles conclusões mais precisas.Acontece que a época do ano lectivo não é propícia a uma revisão desses trabalhos para, com base neles, escrever um texto síntese que já se vai exigindo na reflexão sobre a avaliação externa que se faz no nosso país. Prometendo voltar ao assunto, com outros fundamentos, aqui deixo a observação de D. Schwanitz (2004, 26-28) sobre a situação na Alemanha, que, não sendo igual à nossa, muito tem a ver com ela, particularmente neste momento em que, de modo supeito, as médias dos exames de matemática sobem cerca de 75%, como o Carlos Fiolhais assinalou no texto hoje ...

Exame sem erros, porém erróneos

Helena Damião @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, avaliação do ensino, exames nacionais
Recapitulemos a questão mais polémica em torno dos exames nacionais recentemente realizados: políticos, associações científicas, especialistas, professores, encarregados de educação, e até alunos consideram-nos descaradamente acessíveis. A comunicação social interessou-se pelo assunto e deu-lhe destaque. Num debate ocorrido na RTP.N, registei a posição do Director do Gabinete de Avaliação Educacional: peritos indicados pela Sociedade Portuguesa de Matemática (S.P.M.) auditaram as provas de matemática antes da sua aplicação, pelo que as actuais críticas dessa Sociedade ao grau de dificuldade das mesmas são, no mínimo, caricatas. O representante da S.P.M. presente no debate, Filipe Oliveira, sublinhou que erros científicos e grau de dificuldade são coisas distintas. Demonstrou ainda – lendo o ofício enviado pelo Gabinete de Avaliação Educacional (G.A.V.E.) requerendo a peritagem – que aos especialistas da S.P.M. apenas foi solicitado que auditassem o primeiro aspecto.Concentremo-nos então na seguinte interrogação: será possível que uma prova esteja correcta cientificamente mas apresente um grau de dificuldade errado? Indo mais longe, o grau de dificuldade que se imprime a uma prova de exame pode estar certo ou errado?De modo propedêutico a este texto, publiquei neste blogue outro, onde afirmei que uma das funções ...

Basta de exames fáceis!

Helena Damião @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, exames nacionais
Nas entrevistas que se fazem aos alunos à saída dos exames nacionais, sejam elas para a televisão ou para os jornais, ressalta uma coisa surpreendente: a maioria, para não arriscar a totalidade, acha-os fáceis ou muito fáceis; e, mesmo, os que reconhecem não ter estudado ou ter estudado pouco, acham-nos acessíveis.Este estranho "fenómeno" pode ter inúmeras explicações: uma é que, sem se darem conta, os jornalistas escolhem os alunos mais aplicados e conscientes; outra é que os alunos estudam muitíssimo e conseguem aceder a um grau de excelência que sustenta a confiança que evidenciam; outra é que o seu optimismo aumenta paralelamente ao pessimismo dos professores…Mas há outra explicação em que algumas associações de professores e especialistas teimam: os exames são, de facto, fáceis. E são fáceis para se obterem resultados “agradáveis” e, assim, acreditemos que a qualidade do nosso sistema de ensino melhora, quando, na verdade, piora. Eu própria, cada vez que analiso um exame nacional, tendo a corroborá-la. Mas a tutela desmente-a sempre, alegando que provém de vozes suspeitas, que denotam má vontade, vozes que procuram uma conspiração onde tudo é transparência. É certo que os argumentos de que a tutela se socorre não ...
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