O dilema do prisioneiro e a crítica ao reducionismo
Tive um professor de filosofia que, em suas aulas, reiterava sempre que não compreendia os alunos que diziam detestar química. “O que eles querem dizer com isso, que detestam seus próprios corpos? Que detestam a roupa que vestem, a cadeira em que sentam, o mundo em que vivem?”. O que o professor estava fazendo era chamar nossa atenção para a importância do discurso: não gostar de estudar química é uma coisa; dizer que “detesta a química” é dizer que detesta os hádrons e os léptons, os bósons e os férmions — ou seja, o mundo inteiro. É importante tomar cuidado com o discurso, pois num piscar de olhos estamos fazendo um elogio à ignorância, quando dizemos coisas como “detesto química”. Bem melhor seria dizer que a química enquanto ciência é importante, que respeita quem a estuda, mas que “não é minha praia”. É bem mais bonito e elegante; além disso, se nós fomos obrigados a estudar disciplinas com as quais não nos identificamos, é culpa de nossos professores e pedagogos, e não da disciplina em si… Eu, por exemplo, respeito bastante o trabalho dos engenheiros; adoro assistir programas como “megaconstruções”, “o segredo das coisas” ou “obras incríveis”, no National Geographic e no Discovery. Contudo, jamais poderia ser engenheiro ou físico, pois não tenho quase nenhuma habilidade matemática… Já se vão quase vinte anos que fiz cálculo I, e para mim, hoje em dia, integral é um leite que não foi desnatado. Assim sendo, admiro quem utiliza desenvoltamente a matemática, pois “não é minha praia”.
Essa minha falta de habilidade matemática me impede, certamente, de compreender mais a fundo uma série de complexas teorias evolutivas, oriundas de diferentes ramos do saber, incluindo a própria matemática (pura e aplicada). Se eu possuísse um melhor conhecimento matemático poderia ler obras como “Game theory and animal behavior”, de Dugatkin e Reeve, ou “Evolution and the theory of games”, de Maynard Smith, livros que tenho mas em cuja leitura ainda não me aventurei. Como se percebe claramente pelo título, ambas utilizam a teoria dos jogos para a compreensão do processo evolutivo, sobretudo para a evolução do comportamento.
O que é essa teoria dos jogos? De forma bastante resumida, trata-se de um ramo das ciências que tenta descrever matematicamente como as opções individuais, tendo em vista as opções dos outros participantes numa situação de escolhas estratégicas, determinam o sucesso ou o fracasso do participante. A…
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