Blogs de Ciência

Blogs de Ciência – Divulgação de todos os blogs em Português que versam a ciência. Parte do Projecto Divulgar a Ciência(.com)

Archive for the Evolução e Comportamento

O dilema do prisioneiro e a crítica ao reducionismo

Tive um professor de filosofia que, em suas aulas, reiterava sempre que não compreendia os alunos que diziam detestar química. “O que eles querem dizer com isso, que detestam seus próprios corpos? Que detestam a roupa que vestem, a cadeira em que sentam, o mundo em que vivem?”. O que o professor estava fazendo era chamar nossa atenção para a importância do discurso: não gostar de estudar química é uma coisa; dizer que “detesta a química” é dizer que detesta os hádrons e os léptons, os bósons e os férmions — ou seja, o mundo inteiro. É importante tomar cuidado com o discurso, pois num piscar de olhos estamos fazendo um elogio à ignorância, quando dizemos coisas como “detesto química”. Bem melhor seria dizer que a química enquanto ciência é importante, que respeita quem a estuda, mas que “não é minha praia”. É bem mais bonito e elegante; além disso, se nós fomos obrigados a estudar disciplinas com as quais não nos identificamos, é culpa de nossos professores e pedagogos, e não da disciplina em si… Eu, por exemplo, respeito bastante o trabalho dos engenheiros; adoro assistir programas como “megaconstruções”, “o segredo das coisas” ou “obras incríveis”, no National Geographic e no Discovery. Contudo, jamais poderia ser engenheiro ou físico, pois não tenho quase nenhuma habilidade matemática… Já se vão quase vinte anos que fiz cálculo I, e para mim, hoje em dia, integral é um leite que não foi desnatado. Assim sendo, admiro quem utiliza desenvoltamente a matemática, pois “não é minha praia”.

Essa minha falta de habilidade matemática me impede, certamente, de compreender mais a fundo uma série de complexas teorias evolutivas, oriundas de diferentes ramos do saber, incluindo a própria matemática (pura e aplicada). Se eu possuísse um melhor conhecimento matemático poderia ler obras como “Game theory and animal behavior”, de Dugatkin e Reeve, ou “Evolution and the theory of games”, de Maynard Smith, livros que tenho mas em cuja leitura ainda não me aventurei. Como se percebe claramente pelo título, ambas utilizam a teoria dos jogos para a compreensão do processo evolutivo, sobretudo para a evolução do comportamento.

O que é essa teoria dos jogos? De forma bastante resumida, trata-se de um ramo das ciências que tenta descrever matematicamente como as opções individuais, tendo em vista as opções dos outros participantes numa situação de escolhas estratégicas, determinam o sucesso ou o fracasso do participante. A…

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Mais sobre probabilidades: a questão do incesto


Num tópico anterior sobre probabilidades aleguei que a percepção correta das probabilidades associadas a determinados eventos e o estabelecimento (quando existem) de correlações entre eventos dados não é algo intuitivo entre os seres humanos, e provavelmente nem para os demais primatas.

Faz pouco tempo que me rendi a esse fenômeno moderno que são os blogs, e devo confessar que, apesar dos vários aspectos negativos dessa nova tecnologia, há algumas vantagens fantásticas. Uma delas é a possibilidade de receber, quase que imediatamente, as impressões e as opiniões do leitor (o famoso e desnecessário anglicismo “feedback”). Claro que isso também era (e continua sendo) possível com um livro impresso, mas há uma enorme diferença entre escrever, envelopar e postar uma carta para o autor, e encontrar logo após a leitura de um texto um convidativo “deixe seu comentário”…

Assim sendo, nesse tópico anterior sobre probabilidades entrei num diálogo com um colega, em que ele argumentava que a percepção das probabilidades é intuitiva, e eu mantinha minha posição. Revi alguns conceitos, e penso que há outra forma de defender minha suposição. Explaná-la é o fito dessa breve nota.

Nós conseguimos determinar probabilidades e estabelecer relações através de um processo laborioso de coleta de dados, seguido pelo não menos complexo trabalho de análise estatística desses dados coletados. Essa atividade de análise de dados é um processo científico, construído por décadas e décadas através do acúmulo de conhecimentos sobre esse ramo das ciências e da matemática. Meu ponto de vista é que a mente de um mamífero (vou aqui deliberadamente trazer a análise para um grupo mais inclusivo…) como a do ser humano não é capaz, intuitivamente, de perceber essa montanha de dados, de construir estatísticas descritivas e de ponderar probabilidades. Não estou chamando os mamíferos de burros, um apaixonado pela etologia que sou jamais faria isso. O que quero dizer é que os mamíferos, ou especificamente os primatas, não são intuitivamente capazes de estabelecer probabilidades, e que nem precisam disso: haverá alguma forma mais simples e ao mesmo tempo mais eficaz de se analisar uma montanha gigantesca de dados, num período de tempo indefinido, e se estabelecer correlações? Penso que sim, e a resposta pode ser bastante simples: o processo de seleção.

Para explicar e defender minha suposição, preciso inicialmente estabelecer o conceito de módulo comportamental, que seria uma estrutura etológica geneticamente determinada. Em outras palavras, um determinado comportamento geneticamente…

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Psicologia evolutiva, oogamia, homossexualidade e outros assuntos


Em seu livro escrito num campo de prisioneiros russo (intitulado postumamente como “The natural science of human species”, mas que eu chamo simplesmente de “Manuscrito russo”), Lorenz defende uma união das psicologias em suas várias abordagens, uma união que se dê no seio de uma ciência mais abrangente, na qual as psicologias (o plural aqui é proposital) seriam inseridas, sendo essa ciência mais abrangente a biologia. O que Lorenz propôs não foi uma subordinação das psicologias à biologia, muito menos que se implementasse na psicologia esse tão nefasto e indesejável fenômeno chamado reducionismo (vale lembrar que Lorenz era um incansável crítico do behaviorismo e de seu reducionismo positivista). O que Lorenz propunha, isso sim, é que as psicologias entendessem o ser humano como uma entidade natural, dentro de um mundo orgânico evolutivamente diversificado. A mente humana, bem como a mente de outros mamíferos, não pode ser “reduzida” ao funcionamento de seus neurônios; apesar disso, dentro de uma perspectiva materialista, a mente dos animais (homem incluído), por mais complexa que seja, resulta de processos biológicos. Freud tece uma opinião semelhante (até certo ponto…) em seu “Projeto para uma psicologia científica” de 1895.

Quando comecei a ouvir falar da psicologia evolutiva (ou P.E.), pensei que essa pudesse ser uma possível aproximação de um ramo da psicologia à biologia de forma geral, algo como uma etologia humana que não fosse propriamente uma etologia, e que tivesse seus paradigmas voltados à psicologia de forma geral: em suma, uma vertente da psicologia que ensaiasse o movimento defendido por Lorenz. Contudo, o que vejo hoje é uma vertente da psicologia que nem agrada aos psicólogos de escolas como a psicanálise, a gestalt ou o behaviorismo, nem utiliza corretamente os conceitos da biologia evolutiva.

Penso que uma psicologia evolutiva que valesse o nome devesse ser, antes de tudo, uma psicologia que compreendesse a conexão histórica entre os organismos desse planeta, id est, suas ancestralidades comuns, e percebesse que certos comportamentos, como características morfológicas, podem ser homólogos tomando-se duas espécies diferentes (ou seja, que tal comportamento era presente no ancestral comum). Além disso, que compreendesse que características podem ser alvo de exaptações, exercendo assim uma função bem diferente da função primordialmente executada, quando tal caráter surgiu. Finalmente, mas muito importante, que compreendesse que nem todas as características são adaptações, e que assim sendo uma boa quantidade de comportamentos não têm função alguma, ou mesmo são disfuncionais.

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Por que as estatísticas não são intuitivas?


Iniciei o capítulo sobre deriva em meu livro discutindo a incapacidade do ser humano de compreender, de forma natural e espontânea, as correlações estatísticas, bem como as probabilidades isoladas de forma geral. De forma alguma foi uma idéia original: incontáveis pesquisadores já escreveram sobre esse tema, e a idéia de começar o capítulo sobre deriva discutindo a percepção enviesada das probabilidades me veio durante a leitura do “The making of the fittest”, de Sean Carroll.

Nesse capítulo sobre deriva, discuto brevemente as probabilidades de se ganhar num jogo como a mega sena. A chance é tão baixa que, se você for de carro à casa lotérica para fazer a aposta, é muito mais provável morrer num acidente de trânsito do que acertar os seis números. Mesmo que você vá a pé, a coisa não se configura muito diferente: li há um mês num jornal local que a média de atropelamentos na cidade em que moro é por volta de duzentos por mês, sendo a média de atropelamentos fatais em torno de onze por mês. Pode parecer um número pequeno, mais ainda assim é bem mais provável morrer atropelado ao ir à lotérica do que acertar os seis números.

estatistica

Por que não conseguimos intuir ou mesmo aceitar certas probabilidades que os estatísticos estabelecem?

Outro exemplo me ocorreu quando estava dando uma aula sobre tubarões e sobre ataques de tubarões. Não ignoro que a imagem de um tubarão, e em particular de sua boca orlada de formidáveis dentes, assusta e desencoraja praticamente qualquer um a entrar na água. Mas, para convivermos com o medo, devemos saber quais as chances aproximadas de nossos temores se tornarem realidade. Eis aqui claramente a incapacidade do ser humano de pesar a realidade dos fatos através do conhecimento e da interpretação dos dados estatísticos facilmente disponíveis: muita gente tem medo de entrar na água, e para muita gente (conheço alguns casos) esse medo é tal que a pessoa simplesmente deixa de entrar na água. Mas considerando que a maioria das pessoas vai à praia de carro, elas deveriam, de forma mais coerente, ter medo de entrar no automóvel, visto ser muito mais provável se morrer de acidentes de carro do que de ataques de tubarão. Para quem quiser os números, a ocorrência de ataques fatais por tubarões é em média um ataque para cada 150 milhões de habitantes, por ano.

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Fêmeas de macaco se comunicam mais do que machos

As fêmeas de macaco utilizam mais a comunicação sonora que os machos e "conversam" mais entre elas que com o outro sexo. A equipe científica partiu desta hipótese para assegurar que também nas espécies de animais com amplas redes sociais, como os macacos, os intercâmbios de sons representam um grande papel para a comunidade. LEIA MAIS


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Peixes usam consenso para escolher líderes


Segundo um estudo publicado na revista "Current Biology", os peixes espinhosos esgana-gato (Gasterosteus aculeatus) escolhem seus líderes por consenso .A lógica é simples, populações de peixes que fizerem a melhor escolha - escolhe o melhor líder -obterá o máximo de benefício. LEIA NA ÍNTEGRA

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Aprenda como os babúinos se deslocam em grupo

Descubra como os babuínos africanos se deslocam em grupo.


É motivo de muita curiosidade saber como, por exemplo, cardumes de peixes, bandos de aves e primatas não humanos se deslocam pelo ambiente. Eles não podem dizer uns para os outros: "hey, fulaninho, vamos ao supermercado comprar umas frutas? Preciso comer" Mesmo assim, aparentemente sem uma comunicação tão explícita como a nossa, animais sociais mantém a coesão do grupo. A pergunta que fica é, como ?
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Moscas fêmeas escolhem vários parceiros para se acasalarem, por que?

Estudo recente revela por que moscas fêmas escolhem vários parceiros.


Em algumas espécies as fêmeas tendem a se acasalar com mais de um macho (poliandria). No caso, essas fêmeas podem não receber o investimento parental do macho no cuidado da prole – é sabido que, principalmente em aves, os serviços prestados pelo macho são indispensáveis para a sobrevivência dos filhotes. Por outro lado, a poliandria pode conferir vantagens também; tanto genéticas quanto materiais materiais. LEIA NA ÍNTEGRA
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