Archive for the Etologia
Formigas do deserto cheiram a paisagem em estéreo
Staphylococcus aureus: Propagação de bactérias resistentes
Elysia chlorotica: A lesma do mar fotossintética
Mais sobre probabilidades: a questão do incesto
Num tópico anterior sobre probabilidades aleguei que a percepção correta das probabilidades associadas a determinados eventos e o estabelecimento (quando existem) de correlações entre eventos dados não é algo intuitivo entre os seres humanos, e provavelmente nem para os demais primatas.
Faz pouco tempo que me rendi a esse fenômeno moderno que são os blogs, e devo confessar que, apesar dos vários aspectos negativos dessa nova tecnologia, há algumas vantagens fantásticas. Uma delas é a possibilidade de receber, quase que imediatamente, as impressões e as opiniões do leitor (o famoso e desnecessário anglicismo “feedback”). Claro que isso também era (e continua sendo) possível com um livro impresso, mas há uma enorme diferença entre escrever, envelopar e postar uma carta para o autor, e encontrar logo após a leitura de um texto um convidativo “deixe seu comentário”…
Assim sendo, nesse tópico anterior sobre probabilidades entrei num diálogo com um colega, em que ele argumentava que a percepção das probabilidades é intuitiva, e eu mantinha minha posição. Revi alguns conceitos, e penso que há outra forma de defender minha suposição. Explaná-la é o fito dessa breve nota.
Nós conseguimos determinar probabilidades e estabelecer relações através de um processo laborioso de coleta de dados, seguido pelo não menos complexo trabalho de análise estatística desses dados coletados. Essa atividade de análise de dados é um processo científico, construído por décadas e décadas através do acúmulo de conhecimentos sobre esse ramo das ciências e da matemática. Meu ponto de vista é que a mente de um mamífero (vou aqui deliberadamente trazer a análise para um grupo mais inclusivo…) como a do ser humano não é capaz, intuitivamente, de perceber essa montanha de dados, de construir estatísticas descritivas e de ponderar probabilidades. Não estou chamando os mamíferos de burros, um apaixonado pela etologia que sou jamais faria isso. O que quero dizer é que os mamíferos, ou especificamente os primatas, não são intuitivamente capazes de estabelecer probabilidades, e que nem precisam disso: haverá alguma forma mais simples e ao mesmo tempo mais eficaz de se analisar uma montanha gigantesca de dados, num período de tempo indefinido, e se estabelecer correlações? Penso que sim, e a resposta pode ser bastante simples: o processo de seleção.
Para explicar e defender minha suposição, preciso inicialmente estabelecer o conceito de módulo comportamental, que seria uma estrutura etológica geneticamente determinada. Em outras palavras, um determinado comportamento geneticamente…
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Em seu livro escrito num campo de prisioneiros russo (intitulado postumamente como “The natural science of human species”, mas que eu chamo simplesmente de “Manuscrito russo”), Lorenz defende uma união das psicologias em suas várias abordagens, uma união que se dê no seio de uma ciência mais abrangente, na qual as psicologias (o plural aqui é proposital) seriam inseridas, sendo essa ciência mais abrangente a biologia. O que Lorenz propôs não foi uma subordinação das psicologias à biologia, muito menos que se implementasse na psicologia esse tão nefasto e indesejável fenômeno chamado reducionismo (vale lembrar que Lorenz era um incansável crítico do behaviorismo e de seu reducionismo positivista). O que Lorenz propunha, isso sim, é que as psicologias entendessem o ser humano como uma entidade natural, dentro de um mundo orgânico evolutivamente diversificado. A mente humana, bem como a mente de outros mamíferos, não pode ser “reduzida” ao funcionamento de seus neurônios; apesar disso, dentro de uma perspectiva materialista, a mente dos animais (homem incluído), por mais complexa que seja, resulta de processos biológicos. Freud tece uma opinião semelhante (até certo ponto…) em seu “Projeto para uma psicologia científica” de 1895.
Quando comecei a ouvir falar da psicologia evolutiva (ou P.E.), pensei que essa pudesse ser uma possível aproximação de um ramo da psicologia à biologia de forma geral, algo como uma etologia humana que não fosse propriamente uma etologia, e que tivesse seus paradigmas voltados à psicologia de forma geral: em suma, uma vertente da psicologia que ensaiasse o movimento defendido por Lorenz. Contudo, o que vejo hoje é uma vertente da psicologia que nem agrada aos psicólogos de escolas como a psicanálise, a gestalt ou o behaviorismo, nem utiliza corretamente os conceitos da biologia evolutiva.
Penso que uma psicologia evolutiva que valesse o nome devesse ser, antes de tudo, uma psicologia que compreendesse a conexão histórica entre os organismos desse planeta, id est, suas ancestralidades comuns, e percebesse que certos comportamentos, como características morfológicas, podem ser homólogos tomando-se duas espécies diferentes (ou seja, que tal comportamento era presente no ancestral comum). Além disso, que compreendesse que características podem ser alvo de exaptações, exercendo assim uma função bem diferente da função primordialmente executada, quando tal caráter surgiu. Finalmente, mas muito importante, que compreendesse que nem todas as características são adaptações, e que assim sendo uma boa quantidade de comportamentos não têm função alguma, ou mesmo são disfuncionais.
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Alguns animais nasceram selvagens e outros não
by Denise ChenJune 24, 2009 [posted here]
Since these traits are bred into these animals, it makes sense that genes are involved. Now, in a new study, scientists have managed to narrow down genes involved in tameness to five big DNA regions. And they found that two of these genomic regions are particularly important.
These results show that genetics can explain tameness. The next step is to figure out what genes are important in these regions. And to understand which versions of these genes become more common in animal generations that go from being wild to domesticated.
Animal Tameness, a Genetic Thing?
![]() Different versions of many genes likely explain the differences between wild and domesticated animals. |
All of these animals came from wild ancestors. Researchers have wondered for a long time how they became tame.
In 1972, scientists in Russia began an experiment to figure this out. They caught wild rats from around the city and sorted them into aggressive and tame groups.
Rats’ tameness was determined with the glove test. A human hand (in a protective glove) is put into a rat’s cage. The aggressive rats will scream, attack, or run away from the hand. The tame rats will allow touching and handling, and some will even approach and investigate the hand.
The scientists have bred the most aggressive rats to each other and the tamest rats to each other twice a year since then. Now there are two very distinct groups, the very aggressive and the very tame.
Remember, these rats are the same species. And they’re raised in very similar conditions. The most likely reason for their different behavior is that they each inherited different versions of the tameness genes from their parents.
Populations tend to have lots of different versions of the same genes. That’s why some people have pale skin and others have dark. Or why some people tend to
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