Judeus nos sertões

Italo M. R. Guedes @ Geófagos Categorias: Antropologia, Arqueologia, Ciência Geral, Etnologia, Genética, História do Brasil, cristãos novos, cultura, câncer de mama, genealogia sertaneja, herança judaica, marranos, sefarditas
Em minha adolescência, a curiosidade natural pelas origens, conjugada com a leitura entusiasmada da Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, levaram-me a pesquisar a genealogia da minha família junto a parentes mais velhos do sertão paraibano. A genealogia, junto com a heráldica, tornou-se por um bom tempo um hobby muito querido, a que dediquei muitas horas boas. O doutorado infelizmente interropmpeu isto, mas ficou o interesse. Em minha pesquisas mais de uma vez encontrei referência à presença de cristãos-novos, ou marranos, na ascendência de muitas famílias sertanejas, inclusive a minha. Estes cristãos-novos eram judeus portugueses e espanhóis, sefaraditas, convertidos à força no início da idade moderna na Península Ibérica. Muitos, apesar da conversão superficial, mantinham em segredo práticas da antiga religião e eram chamados de judaizantes. Com a colonização das Américas, muitos fugiram para cá e uma quantidade expressiva parece ter se deslocado o mais para o interior possível, procurando os sertões, terras onde a mão firme da Inquisição dificilmente alcançaria. Apesar de o catolicismo se ter tornado a religião da maioria dos descendentes destes judeus conversos, uma quantidade notável de rituais de origem claramente judaica persistiu em muitas comunidades sertanejas. Depois de ler em um jornal que um rabino americano identificara ...

Pero Vaz de Caminha, a Heterose, a Evolução e a Raça Brasileira: Um Ensaio

Elton Luiz Valente @ Geófagos Categorias: Aimorés, Anatomia, Antropologia, Bartira, Baía de Guanabara, Brasil Colônia, Brasilidade, Carta de Pero Vaz de Caminha, Ceci e Peri, Chica da Silva, Ciência Geral, Ciência Geral, Colonização, Cunhambebe, Cunhã-Porã, Cântico dos Cânticos, Darcy Ribeiro, Dicionário Tupi-Françês, Etnologia, França Antártica, Gilberto Freyre, Henriville, Heterose, História do Brasil, Iracema, Jaci, Jesuítas, José de Alencar, João Ramalho, Juliana Paes, Lorena, Martius, Mulher Brasileira, Nicolas Durand de Villegagnon, Padre Anchieta, Pedra Lorena, Pero Vaz de Caminha, Pindorama, Piratininga, Planalto de Piratininga, Raça Brasileira, Roquette-Pinto, Salomão, Século XVI, Sérgio Buarque de Holanda, Tibiriçá, Tupinambás, Xica da Silva, anatomia pubiana, calvinistas, cotas raciais, digressão, endogamia, evolução humana, grumetes, mamelucos, meio ambiente, mulatos, negros, nudez, segregacionistas, segregação racial, sevícia, índios
Por Elton Luiz Valente Senhores, isto não é uma hipótese, muito menos uma tese, nem contestação, talvez uma constatação e apenas um ensaio, uma digressão para aproveitar o restinho das férias. Nestes tempos politicamente corretos, mas de idéias vazias e interesses torpes, uma expressão que traz a palavra “raça”, no que se refere às populações humanas, deve causar algum frisson, tanto entre os bem intencionados quanto entre os hipócritas. Digo já! Sou contrário às “cotas raciais” ou qualquer outra coisa do gênero. Na sua tentativa de juntar pela força da lei, as cotas segregam e eu sou a favor da mistura livre, da beleza da miscigenação. Nesse quesito, a História Brasileira é quase uma fábula, e nem é necessário citar Darcy Ribeiro, Gilberto Freyre ou Sérgio Buarque de Holanda, renomados estudiosos da Brasilidade. Mas sobre a fábula, o médico, antropólogo, etnólogo, professor, ensaísta, poeta e primeiro radialista do Brasil, Roquette-Pinto, disse certa vez: “Martius demonstrou que a história do Brasil seria fábula ou romance se lhe faltassem as bases da etnografia regional, e da etnografia geral“. Então vamos à História e aos fatos. Aqueles europeus caucasianos, ou judeus, ou outros quaisquer, segregacionistas, endogâmicos, principalmente os mais ricos, os da “nobreza”, da Europa, ...
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