Archive for the Etnocentrismo
Enterrar viva uma pessoa é errado ou isso é relativo?
Matriz do 2º teste
Matriz do 1º teste de Sociologia
Obstáculos epistemológicos: a dificuldade de alcançar a objectividade nas ciências sociais
Matriz do 1º mini-teste
“O Véu Pintado”: parte das cores deste filme são sociológicas
“À la claire fontaine” é uma canção infantil francesa que faz parte da banda sonora do filme “O Véu Pintado” (de 2006), de John Curran, baseado no romance homónimo de Somerset Maugham.
“O Véu Pintado” não faz parte das sugestões de filmes incluídas nos diversos manuais de Sociologia para o 12º ano, mas poderia fazer, uma vez que nele são aflorados muitos temas sociológicos: a socialização, a diversidade cultural, o etnocentrismo, o “conflito” entre a ciência e certos costumes e crenças, a estratificação e a desigualdade social, o papel da mulher na sociedade, o casamento, a mudança social e a resistência à mudança, etc.
Quem ler também o romance de Somerset Maugham fica habilitado a reflectir sobre outro tópico sociológico: a valorização contemporânea do amor romântico. (A esse respeito espreite aqui e aqui.) É que a história de amor em que, a certa altura, o filme se torna, não existe no romance. Os autores do filme devem ter receado que a ausência de romantismo prejudicasse as audiências.
| À la claire fontaine À la claire fontaine, Il y a longtemps que je t'aime Sous les feuilles d'un chêne, Il y a longtemps que je t'aime Chante rossignol, chante, Il y a longtemps que je t'aime J'ai perdu mon amie, Il y a longtemps que je t'aime Je voudrais que la rose, Il y a longtemps que je t'aime | Na Fonte Clara Na fonte que clara Há muito tempo |
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Continue a ler “O Véu Pintado”: parte das cores deste filme são sociológicasExemplo de etnocentrismo relacionado com costumes religiosos
No blogue “Dúvida Metódica” pode encontrar – no post “Qual é a ironia?” - um cartoon que ilustra muito bem o conceito de etnocentrismo, no caso relacionado com costumes religiosos.
No mesmo blogue pode também ler um post relacionado com o problema do etnocentrismo - “Será intolerante criticar os ‘crimes de honra´?” Embora explore aspectos filosóficos e não sociológicos desse problema, tem, mesmo assim, interesse para quem estuda ou ensina Sociologia.
Continue a ler Exemplo de etnocentrismo relacionado com costumes religiososSerá intolerante criticar os ‘crimes de honra´?
De acordo com a teoria do relativismo moral cultural, uma acção é moralmente correcta se for aprovada pela cultura de uma sociedade, se constituir uma tradição maioritária dessa sociedade. ´Moralmente correcta´ para as pessoas dessa sociedade, pois se, noutra sociedade, essa mesma acção for desaprovada pela tradição cultural, para as pessoas desta última sociedade a acção será moralmente incorrecta. Segundo o relativismo moral cultural, a moralidade é sempre relativa, é sempre uma questão de ponto de vista: não é possível determinar objectivamente se, em si mesma, uma acção é moralmente correcta ou incorrecta. No âmbito da moralidade não existem factos objectivos, não existe nada que tenha realidade “em si mesmo”, independentemente do ponto de vista de cada cultura.
Segundo os defensores dessa teoria, criticar os costumes de outra sociedade é uma manifestação de intolerância e de etnocentrismo.
Mas será o relativismo moral cultural verdadeiro? Se for, não teremos o direito de criticar a tradição dos crimes de honra existente em diversos países – nomeadamente na Turquia, como explica uma notícia (“Mata-te e limpa a nossa honra”, da autoria da jornalista Margarida Santos Lopes) do jornal Público de hoje, dia 18 de Abril de 2009. ( Para ler mais clique no nome do jornal, depois clique novamente em Temas do Caderno P2 e, finalmente, clique em cima da imagem da notícia.)
«Na Turquia, está a aumentar o número de mulheres que se suicidam para "lavar a vergonha" das famílias. Fecham-nas num quarto e dão-lhes veneno para ratos, uma pistola ou uma corda. São três de muitas opções. Os crimes de "honra" continuam a um ritmo de "mais de 5000 por ano". São cometidos em comunidades religiosas e não religiosas. E entre as vítimas também há homens. (…)
Em Batman, já cognominada "cidade dos suicídios", no Sudeste da Anatólia (Turquia), Derya, de 17 anos, percebeu que tinha de pôr termo à vida quando recebeu no telemóvel a seguinte mensagem, enviada por um tio: "Mata-te e limpa a nossa honra ou seremos nós a fazê-lo." O seu crime? Ter-se apaixonado por um rapaz que conhecera na escola.»
Criticar esta tradição constituirá realmente uma forma de intolerância e de desrespeito pela cultura da Turquia? Ou é possível criticar uma tradição sem que isso signifique desrespeito e desprezo pela cultura no seu todo?
Para terminar, uma pergunta não filosófica, mas política. A Turquia quer fazer parte da Comunidade Europeia. Fará isso sentido?
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