Sem Deus tudo seria permitido?

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Bertrand Russell, Ciência Geral, Filosofia da religião, Problema da existência de Deus, desenho, ética
«Afirma-se muitas vezes que é prejudicial atacar uma religião, porque ela torna os homens virtuosos. Confesso que não estou convencido disso. Conheceis, por certo, a paródia que Samuel Butler fez deste argumento no sue livro Erewhon Revisited. Estais recordados de que um certo Higgs chegou a uma remota região onde passa algum tempo e depois se escapa num balão. Vinte anos depois, tendo aí regressado, ficou Albrecht Durer's Praying Hands rezar surpreendido ao deparar com um novo culto no qual ele próprio era adorado sob o nome de Filho do Sol. Recorde-se que, com efeito, subiu aos céus. Estava para breve a celebração da Festa da Ascensão, quando ouviu (…) [dois] altos dignitários da religião dos Filhos do Sol confidenciar uma ao outro que nunca tinham visto o chamado Higgs e que esperavam que jamais isso acontecesse. Cheio de indignação, aproximou-se e disse-lhes: ‘Vou esclarecer neste dia toda esta mistificação e dizer ao povo de Erewhon que eu, Higgs, sou apenas um ...

150 fraudes ou 150 assassínios: em Portugal, Madoff não poderia ser condenado a mais de 25 anos de prisão

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Castigo, Ciência Geral, Filosofia, Filosofia política, Notícia de Jornal, Pena de morte, Portugal, justiça, ética
Segundo o jornal Publico, “Bernard Madoff foi hoje [29-06-2009] condenado a 150 anos de prisão por um tribunal de Manhattan por ter cometido a maior fraude financeira da história”. Em Portugal, a pena de prisão máxima não pode ultrapassar 25 anos. Mesmo que a pessoa seja condenada, em vários julgamentos, a penas que, somadas, ultrapassam os 25 anos, ela não poderá cumprir mais do que 25 anos – devido à lei conhecida como “cúmulo jurídico”. A soma das penas poderá ser, por exemplo, 150 anos, mas ao fim de 25 anos essa pessoa sairá em liberdade - por muito horroroso que seja o crime, ou os crimes, que cometeu. Por isso, em Portugal Bernard Madoff não seria condenado a 150 anos de prisão – independentemente de ter cometido 150 fraudes ou ter morto 150 pessoas. Os filósofos discutem se os castigos devem ter como finalidade a retribuição do mal feito, a dissuasão de futuros crimes ou a reabilitação do criminoso. Alguns filósofos admitem que todas essas finalidades são admissíveis (no caso dos filósofos que defendem a pena de morte, a terceira finalidade não deve ser, como é óbvio, considerada). ...

Os animais não humanos têm direitos?

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Jeremy Bentham, Peter Singer, direitos dos animais, ética
«Talvez chegue o dia em que a restante criação animal venha a adquirir os direitos de que só puderam ser privados pela mão da tirania. Os Franceses já descobriram que o negro da pele não é razão para um ser humano ser abandonado sem remédio aos caprichos de um torcionário. É possível que um dia se reconheça que o número de pernas, a vilosidade da pele ou a terminação do os sacrum [a cauda no caso de muitos animais não humanos] são razões insuficientes para abandonar um ser sensível ao mesmo destino. Que outra coisa poderia traçar uma linha insuperável? Será a faculdade da razão ou, talvez, a faculdade do discurso? Mas um cavalo adulto é, para além de toda a comparação, um animal mais racional, assim como mais sociável que um recém-nascido de um dia, de uma semana ou mesmo de um mês. Mas suponhamos que não era assim; de que serviria? A questão não está em saber se eles podem pensar ou falar, mas sim se podem sofrer.» Jeremy Bentham, citado por: Peter Singer, Ética Prática, Gradiva, Lisboa, 2000, pág. 77. ...

Defesa dos direitos dos animais ou falta de noção do ridículo?

Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Notícia de Jornal, Portugal, direitos dos animais, ética
Circula na Net uma petição para a criação em Portugal do Partido pelos Animais.   touradas touro ferido “Um partido político no qual os principais beneficiados não pensam, não falam e, muito menos, votam. Estranho? Não para os fundadores do Partido pelos Animais, aspirantes a uma cadeira no Parlamento português.” Esta notícia do jornal Público descreve uma tentativa séria para defender os direitos dos animais e alterar a respectiva legislação portuguesa ou será apenas uma manifestação precoce da “silly season”? Activismo responsável ou folclore? banderilhas Seja como for, os direitos dos animais são um problema filosófico muito sério e actual, como se pode constatar lendo este e este artigo, na revista Crítica. ...

Diplomas são necessários?

Roberto @ Química de Produtos Naturais Categorias: Ciência Geral, atitude, educação, mérito, profissionalização, trabalho, valor, ética
mérito Artigo assinado pelo jornalista Gilberto Dimenstein, “Honra ao Mérito”, publicado no jornal Folha de S. Paulo (edição de domingo 28/06/09), discute a necessidade de diploma para exercer profissões. Honra ao mérito A partir de agora, para você ganhar um título de mestre não será mais necessário entregar aquelas gigantescas dissertações, repletas de citações, rodapés, tudo isso embrulhado na hermética linguagem universitária. Basta um produto: música, pintura, reportagem, software ou artigo. Muitos de seus professores não ostentarão títulos acadêmicos, alguns deles talvez nem mesmo tenham diploma de ensino superior. Mas, necessariamente, precisa demonstrar reconhecida experiência no mercado de trabalho. Essa é a consequência de uma portaria anunciada na semana passada, propondo uma nova avaliação para os mestrados profissionalizantes, destinados a pessoas que não querem dar aula nem fazer pesquisa, mas se aprimorar na sua profissão. A residência médica ou um MBA, por exemplo, já valeriam o mestrado. O ministro Fernando Haddad me diz que, com essas mudanças, será mais fácil colocar nas universidades os talentos do mercado de trabalho, compartilhando sua experiência com os alunos. “É exatamente o que muitos estudantes esperam de seus cursos, depois que terminam ...

Nada de confusões sff: este post não se refere a José Sócrates!

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Bertrand Russell, Ciência Geral, Filosofia da religião, Humor, ética
“Tendes ouvido dizer: olho por olho e dente por dente. Eu porém digo-vos que não resistais ao que vos fizer mal; mas se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra.” Na célebre conferência intitulada “Porque não sou Cristão”, o filósofo inglês Bertrand Russell, depois de citar essas palavras de Cristo (Evangelho Segundo São Mateus, V, 38 e 39), duvidou que esse seja “um princípio a que os cristãos se submetam verdadeiramente”. E, à laia de confirmação, acrescentou: “Não duvido que o actual [1927] Primeiro-Ministro [Stanley Baldwin], por exemplo, seja um cristão muito sincero, mas não aconselho nenhum dos presentes a dar-lhe uma bofetada. Estou certo que descobriria que ele apenas atribui a esse texto um significado simbólico.” Bertrand Russell, Porque não sou Cristão, Brasília Editora, Porto, s/d, pág. 23.

O que é a amizade?

Sara Raposo @ Dúvida Metódica Categorias: Amizade, Aristóteles, Ciência Geral, Valores, ética
Dedico este post à minha colega, professora Luísa Madeira “Analisemos agora a amizade. De facto, trata-se de uma certa excelência, ou algo de estreitamente ligado à excelência; além disso, é do que mais necessário há para a vida. Pois ninguém há-de querer viver sem amigos, mesmo tendo em conta os restantes bens. E até os ricos, os que têm posição e poder, têm uma necessidade extrema de amigos (…). Contudo, uma amizade que tem como fim em vista o que cada um é em si próprio existe apenas entre homens de bem, porque os ordinários não podem sentir prazer nenhum uns com os outros, a não ser que possam obter uma qualquer vantagem. E só a amizade entre os bons é capaz de resistir à calúnia. Na verdade, não é fácil acreditar no que se diz sobre um amigo que foi posto à prova por nós próprios durante longo tempo. Na amizade entre boas pessoas há confiança mútua (…). Agora, parece que não é possível ser-se amigo de muitas pessoas, pelo menos no sentido pleno da amizade, do mesmo modo que não é possível amar ao mesmo tempo muitas pessoas (tal ...

Caso Escola Base – O (não) cuidado jornalístico com a publicação de denúncias”

Diego @ A FÍSICA PARA NÃO FÍSICOS Categorias: Ciência Geral, CurioNews, jornalismo, ética
escoladebase Uma das manchetes do caso Escola Base Março de 1994. A Escola de Educação Infantil Base, em São Paulo, sofre uma denúncia de abuso sexual contra menores. Mães desesperadas de alunos contatam a Rede Globo. Dá-se início ao escândalo que mais marcou a imprensa brasileira nos últimos 15 anos. Durante dois meses, jornais, revistas, emissoras de rádio e tevê publicaram rotineiramente notícias sobre o Caso Escola Base apontando seis pessoas (dentre elas, pais de alunos e os donos da escola) como, indubitavelmente, culpadas. Toda a acusação baseou-se em fontes oficiais, além de pais de alunos e vizinhos da escola. Sem nenhuma investigação ou prova concreta os envolvidos no caso foram estampados como monstros. A história toda foi noticiada de forma bastante parcial e distorcida, mas muito enfaticamente. O resultado? Linchamento social dos acusados, depredação de suas moradias e da escolinha além de muito falatório. Transcorridos os dois meses o inquérito foi arquivado com a conclusão de que os acusados eram todos inocentes. Friso: todos inocentes. Ficou nas mãos da mídia, a contadora da história, limpar o entulho esparramado pelos corredores da ...

Citizen Kane: o dinheiro, o poder, a felicidade e o sentido da vida

Sara Raposo @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Felicidade, Filmes, Sentido da vida, Valores, ética
Citizen Kane Mostrei nas aulas, a propósito do problema do sentido da vida, o filme “Citizen Kane” (“O Mundo a Seus Pés”, em português) de Orson Welles. Ainda que alguns alunos tenham achado, inicialmente, uma certa ousadia da minha parte passar na aula um filme a preto e branco realizado em 1941, julgo que maioria deles acabou por não ficar indiferente à história relatada e ao fabuloso desempenho de Orson Welles. Este filme permite-nos reflectir, entre outras coisas, acerca da relação entre o dinheiro, o poder e a felicidade. O filme mostra que se pode possuir tudo aquilo que o dinheiro compra, ter poder para concretizar todos os desejos e acabar na mais completa solidão. Sendo assim, o que é verdadeiramente importante na vida? É espantoso pensar que Orson Welles (simultaneamente realizador e actor principal) tinha apenas 25 anos quando o filme foi feito, tendo sido o primeiro  que realizou. Bem, chega de palavras. Vejam o filme, que é, na minha opinião, genial. ...

O dinheiro não traz a felicidade!

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Epicuro, Epitecto, Estoicismo, Felicidade, James Rachels, Sentido da vida, Valores, pobreza, ética
“Os filósofos antigos tiveram muito a dizer sobre a felicidade. Supunham que ‘a melhor vida’ e ‘a vida feliz’ eram a mesma coisa, e geralmente aceitavam que a felicidade consistia numa vida de razão e virtude. Epicuro (341-270 a. C.) recomendou uma vida simples, de modo a se evitarem sofrimentos e ansiedades. Os estóicos acrescentaram que um homem sábio não permitiria que a sua felicidade dependesse de coisas que estivessem fora do seu controlo, como a riqueza, a saúde, a boa aparência ou as opiniões dos outros. Não podemos controlar as circunstâncias externas, disseram, pelo que devemos ser indiferentes a essas coisas, aceitando-as como aparecem. Epitecto (c. 55-135 a. C.), um dos grandes professores estóicos, deu este conselho aos seus estudantes: ‘Não peçam que as coisas ocorram segundo a vossa vontade; façam com que a vossa vontade seja que as coisas ocorram como ocorrem de facto, e terão paz.’ Algumas destas ideias podem parecer questionáveis, mas uma parte significativa delas tem sido confirmada pela investigação psicológica moderna. Moedas mão cheia de dinheiro Consideremos, por exemplo, a ideia de que a ...

Manual de Ética e Publicidade

Iara Grisi @ BlogMed.Com Categorias: Ciência Geral, Livros, ética
Atualmente, Saúde e Publicidade são inseparáveis. Uma ajuda a outra. Mas existem regras específicas que o profissional de saúde deve seguir.Manual de Ética e Publicidade: Download.

Devemos mentir para salvar a vida de um amigo? – Não, diz Kant (2)

Sara Raposo @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Dilemas morais, Kant, valor moral, verdade, ética
Kant defende que a proposição “deve-se dizer a verdade”  deve ser posta em prática em qualquer circunstância. De acordo com a primeira formulação do imperativo categórico – que é um critério distintivo do que é moralmente certo e do que é moralmente errado -, dizer a verdade é uma acção universalizável; e, acordo com a segunda formulação desse imperativo, trata-se de uma acção que não instrumentaliza as pessoas e em que estas são consideradas fins em si mesmas e não apenas meios. Deste modo, a norma: “deves dizer a verdade” é um princípio moral objectivo, independente da situação, dos desejos particulares do agente e das consequências possíveis da sua aplicação. Esta ideia do valor moral da acção depender da obediência a uma regra vinculativa para todas as pessoas, aplicada de modo imparcial, pode também ser encontrada no senso comum, por exemplo na expressão: “agir sem segundas intenções”. Significa isto que ser honesto apenas por interesse, para receber algo em troca, é sinónimo, na linguagem comum, de instrumentalizar as outras pessoas, de realizar uma acção incorrecta ou pelo menos de valor duvidoso. Na perspectiva kantiana, a moralidade da acção ...

Devemos mentir para salvar a vida de um amigo? – Não, diz Kant (1)

Sara Raposo @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Dilemas morais, Kant, ética
kant Immanuel Kant (1724-1804). Um filósofo francês, Benjamin Constant, criticando a teoria ética de Kant, referiu: «O princípio moral “é um dever dizer a verdade”, se se tomasse incondicionalmente e de um modo isolado, tornaria impossível qualquer sociedade. Temos disso a prova nas consequências muito imediatas que desse princípio tirou um filósofo alemão, o qual chega ao ponto de afirmar que a mentira dita a um assassino que nos perguntasse se um amigo nosso e por ele perseguido não se refugiou em nossa casa seria um crime.» Kant respondeu-lhe do seguinte modo: «(…) Se, por exemplo, mediante uma mentira, a alguém ainda agora mesmo tomado de fúria assassina, o impediste de agir és responsável, do ponto de vista jurídico, de todas as consequências que daí possam surgir. Mas se ativeres fortemente à verdade, a justiça pública nada pode contra ti, por mais imprevistas que sejam as consequências. É, pois, possível que após teres honestamente respondido com sim à pergunta do assassino, sobre a presença em tua casa da pessoa por ele perseguida, esta se tenha ido embora sem ...

“Sair para o mundo e fazer algo que mereça a pena”

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Felicidade, Peter Singer, Sentido da vida, Video, pobreza, ética
«Até à minha chegada a Nova Iorque [em 1973, para dar aulas de Filosofia na Universidade de NI], nunca conhecera ninguém que fizesse psicoterapia uma vez por semana; mas, quando travei conhecimento com o círculo de professores nova-iorquinos e suas esposas, depressa descobri que muitos deles faziam psicanálise diária. Cinco dias por semana, onze vezes por ano, tinham uma consulta de uma hora, que não podia ser cancelada por nada deste mundo, salvo numa emergência de vida ou de morte. (…) E isto não era nada barato. Alguns dos meus colegas, académicos bem remunerados e bem sucedidos, entregavam um quarto do seu ordenado anual aos seus analistas! Isto era para pessoas que, tanto quanto me era dado perceber, não eram nem mais nem menos perturbadas do que as que não ...

É urgente arranjar forma de passar das palavras aos actos

Sara Raposo @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Direitos humanos, fotografia, ética
A fotografia e o cartaz foram retirados deste sítio.

Reflexão sobre um incidente

Sandra Goraieb @ Mamãe passou açúcar em mim Categorias: ANVISA, Ciência Geral, alergias, consumo, educação, ingredientes cosméticos, pele, ética
Da agência ANSA italiana vem a notícia do sequestro de um lote de produtos cosméticos contendo metildibromoglutaronitrila (MG). Este ingrediente é um conservante, encontrado em agentes de limpeza, amaciantes de roupas, adesivos, tintas e óleos industriais, além de cosméticos. É um potente alergeno que pode causar dermatites e erupções cutâneas, sendo altamente tóxico e banido da União Européia desde o ano passado. A coisa traz um certo desconforto quando se observa que os produtos foram fabricados na Alemanha, portanto dentro da EU, e distribuídos também na Itália em uma rede de lojas de baixo custo (Nine-T-Nine Cent Paradise) em 70 pontos de venda dos 171 da cadeia.A casa produtora se chama Assam Gmbh&Co Betriebs, segundo a agência e produzia shampoos, condicionadores, sabonetes e cremes e foram importados por uma empresa de Bolzano. O que chamou a atenção das autoridades italianas foi a ausência de rotulagem traduzida em italiano. Houve seqüestro dos produtos e os mesmos foram analisados em laboratório por amostragem aleatória e constatou-se então a presença do ingrediente, proibido na UE desde 22junho de 2008, em doses significativas (chegando até a 156mg/kg). Um alerta geral para a União Europeia foi distribuído.E aí você ...

A Psicanálise e a subversão da Filosofia (final)

lucasnapoli @ Lucas Nápoli Categorias: Ciência Geral, Filosofia, Ontologia, Outro, Psicanálise, Psicologia, desejo, desejo do outro, fantasia, psychoanalisis, psychology, rené descartes, ética
Heraclitus%2C_Johannes_MoreelseNo último post, mostramos, num esquema lógico – aparentemente com ares silogísticos – que a questão mais fundamental do humano, anterior ao questionamento ontológico (“o que é?”) é a problemática ética que de maneira alguma é o problema do que se deve ou não fazer. A indagação fundamentalmente ética é: “O que isso quer de mim?” ou “Como isso quer que eu seja?” Utilizo a palavra “isso” para não utilizar precipitadamente o termo “Outro” já que, na raiz, essa questão não implica o Outro e sim algo como “a natureza” ou “o mundo”: “O que o mundo quer de mim?”. O Outro funcionou para que a Psicanálise evidenciasse isso porque, é preciso lembrar, ela nasceu a partir do tratamento das neuroses que não são nada mais nada menos do que os imbróglios do sujeito na sua relação com o Outro, seja ele identificado à cultura ou aos próprios pais. O Outro, assim como a anatomia (já dizia Napoleão) é destino, ou seja, pra que a gente possa se estruturar minimamente como pessoa é necessária a presença suficientemente boa de uma pessoa, seja ela, a mãe, a babá ou qualquer outra figura ...

As pessoas não são instrumentos

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Kant, cartoon, ética
"Age de tal forma que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na de qualquer outro, sempre simultaneamente como um fim, e nunca apenas como um meio." De acordo com essas palavras de Kant (trata-se da chamada segunda formulação do imperativo categórico, que é um critério destinado a distinguir o certo e o errado em termos morais), não devemos tratar as outras pessoas como se fossem meros meios, mas sim como fins em si mesmas. Se as considerarmos apenas como meios (isto é, instrumentos para alcançar objectivos exteriores à sua vida) a acção será moralmente errada. Por exemplo: procurar conversar com um amigo apenas quando isso nos dá jeito (quando precisamos desabafar, permanecendo distantes e indisponíveis quando é ele que precisa desabafar) é moralmente errado, pois constitui uma forma de instrumentalização dessa pessoa. Pode-se dizer o mesmo de um patrão que imponha (ameaçando que não renova os contratos) aos seus empregados a realização súbita de horas extraordinárias, sem se importar com outros compromissos que estes já tivessem (ir buscar os filhos ao infantário, ir ao dentista, etc.). Mas Kant considera igualmente que não nos devemos considerar a ...

As pessoas não são instrumentos

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Kant, cartoon, ética
De acordo com Kant (trata-se da chamada segunda formulação do imperativo categórico), não devemos tratar as outras pessoas como se fossem meros meios, mas sim como fins em si mesmas. Se as considerarmos apenas como meios (isto é, instrumentos para alcançar objectivos exteriores à sua vida) a acção será moralmente errada.Por exemplo: procurar conversar com um amigo apenas quando isso nos dá jeito (quando precisamos desabafar, permanecendo distantes e indisponíveis quando é ele que precisa desabafar) é moralmente errado, pois constitui uma forma de instrumentalização dessa pessoa.Pode-se dizer o mesmo de um patrão que imponha (ameaçando que não renova os contratos) aos seus empregados a realização súbita de horas extraordinárias, sem se importar com outros compromissos que estes já tivessem (ir buscar os filhos ao infantário, ir ao dentista, etc.).Mas Kant considera igualmente que não nos devemos considerar a nós próprios meros meios.Por exemplo: uma pessoa completamente obsecada com o trabalho considera-se a si própria um meio de ganhar dinheiro e isso é, portanto, moralmente errado.Outro exemplo possível é a prostituição. De acordo com as ideias de ...

O que é realmente imoral: o sexo ou a miséria extrema?

Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Direitos humanos, Sexo, fotografia, ética
criança esfomeada mamando_thumb[8] A Um Passo da Eternidade, com Deborah Kerr e Burt Lancaster casal beijando-se miséria pessoa quase morta de fome A respeito desta questão veja também o post “Imoral não quer dizer sexual”.

Imoral não quer dizer sexual

Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Peter Singer, Savater, Sexo, ética
“Algumas pessoas pensam que a moral está ultrapassada nos dias que correm. Encaram a moral como um sistema de proibições puritanas descabidas que se destinam sobretudo a evitar que as pessoas se divirtam. Os moralistas tradicionais pretendem ser os defensores da moralidade em geral, mas o que defendem na realidade é um determinado código moral. Apropriaram-se desta área a tal ponto que, quando uma manchete de jornal insere o título BISPO ATACA A DECADÊNCIA DOS PADRÕES MORAIS, pensamos logo que se trata de mais um texto sobre promiscuidade, homossexualidade, pornografia, etc., e não sobre as verbas insignificantes que concedemos para a ajuda internacional às nações mais pobres nem sobre a nossa indiferença irresponsável para com o meio ambiente do nosso planeta. Portanto, a primeira coisa a dizer da ética é que não se trata de um conjunto de proibições particularmente respeitantes ao sexo. Mesmo na época da Sida, o sexo não levanta nenhuma questão ética específica. As decisões sobre o sexo podem envolver considerações sobre a honestidade, o respeito pelos outros, a prudência, etc., mas não há nada disso nada de especial em relação ao sexo, pois o mesmo se poderia dizer de decisões respeitantes à condução ...

Ciência & Tecnologia – Imbricamentos e Relações

Gilberto Miranda Jr. @ Filosofando na Penumbra - Gilberto Miranda Junior Categorias: Cientificidade, Ciência, Ciência Geral, Darwin, Epistemologia, Fato, Fenomenologia, Filosofia, História, História da Filosofia, Política e Ética, Tecnologia, Teoria, economia, metafísica, natureza, ética
Em que sentido se circunscreve a idéia de que a ciência é o conhecimento capaz de produzir tecnologia? Resolvi publicar em artigo ao invés de responder ao comentário do Osame no artigo O Saber Científico e a Gripe Suína porque além dele ter ficado longo, penso que traz reflexões que podem ser compartilhadas além do acaso dos leitores que se interessam em ler comentários. Muitas vezes os comentários são até melhores que os próprios artigos e essa discussão em que estamos parece-me ter esse aspecto. mainpage-pic_green Penso que nossa divergência está em algo muito mais amplo do que havia me atentado no início. Eu não vejo diferença, no entanto, no que chamamos exatamente de Técnica ou Tecnologia. Mesmo na definição da Wikipédia em inglês abre-se um campo vasto para se entender o que vem a ser Tecnologia, mas como eu havia dito em minha resposta eu a entendo de uma forma bem específica que nada mais é do que um conjunto de Técnicas, que ...

O Saber Científico e a Gripe Suína

Gilberto Miranda Jr. @ Filosofando na Penumbra - Gilberto Miranda Junior Categorias: Cientificidade, Ciência, Ciência Geral, Darwin, Epistemologia, Evolução, Fato, Gripe Suína, Popper, Pseudociência, Tecnologia, Teoria, metafísica, seleção artificial, seleção natural, ética
porco_leitor Tenho acompanhado os ótimos posts do Osame Kinouchi (já sou fã dele) em seu ótimo blog SEMCIÊNCIA, mas liguei o computador hoje com uma sensação realmente ruim ao ver a notícia da Folha On Line de que os “Casos confirmados de gripe suína saltam para 898 em 18 países”.Há quatro dias atrás, quando a gripe atingia apenas 1/4 do número de casos no mundo, Osame alertou no Roda de Ciências sobre o descaso que os blogueiros científicos estavam dando ao assunto. Desde que ela surgiu, inclusive associada à gripe aviária, me vi pensando sobre o assunto e tentando inferir meios de entender melhor os desdobramentos disso filosoficamente. Coincidentemente, na semana em que os casos se tornaram mais alarmantes, eu fui com minha família ao posto de saúde de minha cidade para tomar a vacina anual contra gripe que a prefeitura oferece gratuitamente....

Uma generalização infelizmente falsa

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Direitos humanos, Generalização, cartoon, democracia, ética
Peter Lewis   Cartoon de Peter Lewis.

Café, empada e ética…

Gilberto Miranda Jr. @ Filosofando na Penumbra - Gilberto Miranda Junior Categorias: Ciência Geral, Coffe Prime, Filosofia, Jacareí, Nietzsche, Recados, Shopping, café, ética
Coisas da tecnologia. Estava meio impaciente pela demora em postar algo no Filosofando devido a inúmeros compromissos de trabalho e estudo. Diversos textos estão começados, mas falta concluí-los e com as coisas se atropelando.Hoje, um celular, quinze minutos livres num café ou até em meio a uma leitura já bastam para um blogueiro. Eis-me postando diretamente do Coffe Prime do Shopping Jacareí com meu Moto Q11.Estou lendo o livro Ética em Movimento, da Paullus, organizado por Anor Sganzerla, Ericson S. Falbretti e Francisco V. Bocca. Tenho um trabalho de ética em Nietzsche para fazer e a localização que Haroldo Osmar de Paula Jr. e Jelson Roberto de Oliveira fazem da fundamentação de toda ética nietzscheneana no livro a Origem da Tragédia, lançou-me novos olhares da obra de Nietzsche que tive a oportunidade de ler.Esse tipo de coisa se constitui naquelas obviedades que não damos conta e que ao ouvirmos não nos espanta, embora nos sintamos ...

O que é a liberdade?

Sara Raposo @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Música, Valores, Video, fotografia, ética
A canção “Grândola Vila Morena”, escrita e cantada por José Afonso, foi utilizada como senha no 25 de Abril. Passou no programa "Limite" da Rádio Renascença às 0.20h do dia 25. Foi o sinal para o arranque das tropas mais afastadas de Lisboa e a confirmação de que a revolução ganhava terreno. Depois tornou-se um dos símbolos do 25 de Abril.

Exemplos da violação dos direitos humanos no Irão

Sara Raposo @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Direitos humanos, Valores, Video, ética

Declaração Universal dos Direitos do Homem

Sara Raposo @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Direitos humanos, Valores, Video, ética

Ser ou não ser digno de admiração

Sara Raposo @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Direitos humanos, Liberdade, Opinião, Portugal, televisão, ética
Aristides de Sousa Mendes  José Castelo Branco No âmbito do capítulo do programa de Filosofia do 10° “Problemas do mundo contemporâneo ”, propus aos meus alunos a realização de trabalhos de grupo sobre o tema dos direitos humanos (as indicações específicas que foram fornecidas encontram-se aqui). Quando escolhi este tema, para além do seu interesse filosófico, a minha principal motivação residiu no facto de ter constatado que existe na maioria dos alunos, tal como na sociedade portuguesa em geral, uma preocupação com aspectos da vida ligados, sobretudo, ao prazer imediato, à aparência, ao que é rápido e não exige atenção ou esforço intelectual. Relacionado com este facto acontece um fenómeno curioso: a admiração de pessoas, que se tornam figuras públicas  sem nunca terem feito nada que tivesse mérito ou merecesse, verdadeiramente, ser objecto de admiração. Para comprovar estas minhas afirmações basta consultar alguns dados relativos às vendas das numerosas revistas cor-de-rosa existentes em Portugal ou, então, analisar o conteúdo dos programas que passam no “horário nobre” das televisões portuguesas, particularmente os concursos ...

Será intolerante criticar os ‘crimes de honra´?

Carlos Pires @ Dúvida Metódica Categorias: Ciência Geral, Etnocentrismo, Notícia de Jornal, Relativismo cultural, ética
De acordo com a teoria do relativismo moral cultural, uma acção é moralmente correcta se for aprovada pela cultura de uma sociedade, se constituir uma tradição maioritária dessa sociedade. ´Moralmente correcta´ para as pessoas dessa sociedade, pois se, noutra sociedade, essa mesma acção for desaprovada pela tradição cultural, para as pessoas desta última sociedade a acção será moralmente incorrecta. Segundo o relativismo moral cultural, a moralidade é sempre relativa, é sempre uma questão de ponto de vista: não é possível determinar objectivamente se, em si mesma, uma acção é moralmente correcta ou incorrecta. No âmbito da moralidade não existem factos objectivos, não existe nada que tenha realidade “em si mesmo”, independentemente do ponto de vista de cada cultura. Segundo os defensores dessa teoria, criticar os costumes de outra sociedade é uma manifestação de intolerância e de etnocentrismo. Mas será o relativismo moral cultural verdadeiro? Se for, não teremos o direito de criticar a tradição dos crimes de honra existente em diversos países – nomeadamente na Turquia, como explica uma notícia (“Mata-te e limpa a nossa honra”, da autoria da jornalista Margarida Santos Lopes) do jornal Público de hoje, dia 18 de ...