Blogs de Ciência

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Archive for the ética

Professor de psicologia responsabilizado por conduta imprópria em ciência

Professor de psicologia responsabilizado por conduta imprópria em ciência O Boston Globe noticia que o conceituado professor de psicologia Marc Hauser foi dado como responsável de oito instâncias de conduta imprópria pela Universidade de Harvard. Tal se reporta a três artigos publicados e outras cinco experiências adicionais. O assunto está ainda a ser investigado pelos representantes legais [...]

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A necessidade da garantia pseudocientífica (Série pseudociências – Parte 8#)

Ao longo da série de ensaios que fiz acerca das pseudociências, expus que as pseudociências passam-se como ciência, embora não utilizem o método científico. Este processo está embasado na garantia social que a pseudociência tenta possuir quando põe-se como ciência (visto que na ciência, como postulei, sua garantia social é em decorrência de sua garantia metodológica).

Este processo é extremamente vital para a manutenção da pseudociência: ela necessita usufruir de uma garantia social alheia, sem mesmo possuir uma garantia metodológica; o que acaba por se tornar possível instrumento de persuasão e com sua garantia social inócua (pois a garantia social deve ser apenas um reflexo perante a um grupo social de uma outra garantia, como a metodológica). Assim é compreensível o mecanismo da pseudociência quando esta tenta se passar por ciência, como uma mimese, para que seus adeptos possam estampar uma suposta garantia dita e passada como “científica”, quando na verdade apenas é uma garantia social.

Carta Natal Astrológica

Carta Natal Astrológica

Bem, o que estou dizendo acima não é tão chocante se você já tiver lido o meu ensaio “A garantia social da ciência (Série pseudociências – Parte 6#)“. É de certa forma, um resumo do que eu já disse anteriormente.

Mas por qual razão tocar neste assunto, novamente?

Bem, a razão por tocar neste assunto novamente é porque este assunto não é algo cujo contexto está além dos nossos dias, de nossos contatos imediatos.

A necessidade de garantia pela pseudociência é algo inerente ao seu funcionamento. Postulo isto pois, quando uma crença ou qualquer coisa humana que acabe por assumir a qualidade de “pseudociência”, atingindo seu foco – como já descrevi em outros ensaios, quando esta tenta se passar por ciência – ela acaba por requerer o status de científica utilizando-se de um valor social que a ciência adquiriu (benéfica ou maleficamente), sem mesmo possuir uma garantia metodológica que funcione realmente ao operar um método científico.

Um caso muito patente foi o que aconteceu recentemente em Brasília. Policiais civis seguiram a pista dada por uma vidente, que  afirmava ter detalhes sobre um crime ocorrido por volta de um ano atrás na cidade.

A vidente demonstrou saber onde estava uma chave da residência das vítimas, parecendo mostrar pistas verdadeiras sobre o caso.

Agora uma das coisas que chamou a atenção acerca dos supostos métodos apresentados por ela, seria justamente a apresentação de um certificado, expedido…

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Crónica da desolação

Caveiras de vítimas dos Khmers Vermelhos no campo de extermínio S-21, no Camboja. «Entre 1915 1 1917, os Turcos massacraram talvez um milhão e meio de arménios. Nos anos 30, Estaline deu ordem para que se matassem de 7 a 10 milhões de pessoas. É geralmente atribuído o número de 6 milhões ao genocídio nazi dos Judeus. Depois foi a vez dos massacres no Camboja, no Ruanda e, quando o século se Continue a ler Crónica da desolação

Relativismo oportunista

Tira do Calvin & Hobbes de Bill Waterson encontrada no blogue Logos – ECB. Continue a ler Relativismo oportunista

Ética na ciência

Artigos publicados hoje no jornal Folha de São Paulo on-line (Folha.com) contam pontos negativos para a prática científica.

Má conduta científica triplica em 16 anos nos EUA – Ricardo Mioto

Há cada vez mais sujeira por baixo dos jalecos brancos: nunca antes os Estados Unidos, grande potência científica mundial e pioneiro na tentativa de coibir fraudes nos laboratórios, teve tantos problemas com desvios de conduta de pesquisadores.

Casos como o de Marc Hauser, biólogo afastado de Harvard há uma semana acusado de distorcer dados em uma pesquisa sobre aprendizado em pequenos macacos, quase triplicaram nos últimos 16 anos.

Em 1993, quando o governo federal dos EUA criou uma agência para o assunto, a ORI (Agência para a Integridade em Pesquisa, na sigla em inglês), foram relatadas 86 denúncias de desvios. Em 2009, foram 217, número recorde. O país gastou cerca de US$ 110 milhões investigando esses casos. Historicamente, um terço das investigações resulta em punição – em geral, afastamento de cargos e verbas públicas.

O número foi apresentado pela equipe de Arthur Michalek, biólogo do Instituto Roswell Park (de Nova York), na edição de ontem da revista científica “PLoS Medicine”. “Humanos são humanos, alguns vão se deixar seduzir e usar certos atalhos em busca do sucesso, por mais antiéticos que eles sejam”, disse à Folha. “A esmagadora maioria dos cientistas são éticos. Infelizmente, trapaças de poucos mancham o trabalho duro do resto de nós”.

Humanos sempre foram humanos, claro, e fraudes existem desde sempre. O homem de Piltdown é citado com frequência como a maior mentira da história da ciência, e o caso é de 1908. Na época, foram apresentados fósseis de um suposto elo perdido entre humanos e primatas. Só em 1953 a fraude foi comprovada: tratava-se, na verdade, de uma mistura deliberada de ossos humanos e de orangotango.

Os números americanos, porém, mostram a má conduta ganhando espaço.

Para Sílvio Salinas, 67, físico da USP, a tentação é maior entre as gerações mais novas. “Hoje em dia, há uma enorme pressão, uma grande disputa por posições”, diz. “Mas os bárbaros não tomaram conta da ciência ainda.”

Denúncias de fraudes no Brasil envolveram alto escalão da USP – Ricardo Mioto

O Brasil foi eficiente criando comitês de ética (há 592 ligados à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, a Conep), mas eles atuam principalmente aprovando estudos

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Frutos da tolerância

A tolerância “sustenta a própria vida, porque a perseguição muitas vezes visa a morte, e também sustenta as vidas comuns, as diferentes comunidades em que vivemos. A tolerância torna a diferença possível; a diferença torna a tolerância necessária.” Michael Walzer, Da Tolerância, Martins Fontes, São Paulo, 1999, pág. XII. Continue a ler Frutos da tolerância

Põe-te no lugar do touro

Um dos argumentos que os defensores das touradas costumam apresentar é o argumento da tradição. Mas este é obviamente um mau argumento: o facto de uma certa prática ser tradicional não impede que seja errada. Há tradições erradas e a tradição não constitui justificação suficiente para uma prática. Por exemplo: se num certo país a escravatura for tradicional isso não a torna moralmente correcta. Continue a ler Põe-te no lugar do touro

O FIM DA FIESTA


Minha crónica no "Público" de hoje:

A última corrida em Barcelona será neste ano ou no próximo. A partir de Janeiro de 2012, poderá haver sol, mas não haverá mais touros, não só na Monumental de Barcelona como em toda a região catalã, por decisão tomada pelo Parlamento da Catalunha na passada quarta-feira por 68 votos a favor, 55 contra e 9 abstenções. A votação ocorreu na sequência de uma petição dirigida ao Parlamento por 180 000 cidadãos e de um debate público, com posições muito marcadas dos dois lados. O resultado foi visto, politicamente, como uma vingança regional depois de o Tribunal Constitucional em Madrid, no início de Julho, não ter aceite alguns pontos do novo Estatuto da Catalunha. O fim das corridas seria, nessa perspectiva, um pronunciamento anti-espanhol.

Eu, que não sou anti-espanhol, sinto-me nesta altura catalão. Sempre admirei Barcelona, em particular o seu ambiente cosmopolita e a sua vontade empreendedora. Estive na festa das ruas, há muitos anos, quando foi anunciada a vitória da candidatura barcelonense à organização dos Jogos Olímpicos. Depois, quando decorriam esse Jogos, estava a dar aulas nos Estados Unidos, e, para explicar aos alunos de onde é que eu era, ajudou dizer que a minha terra era perto de Barcelona, indicação que me pareceu encaixar bem no sentido vago de geografia europeia que tem um jovem estadounidense. Hoje, quando falo com colegas de Barcelona, fico sempre com a ideia que eles nos estão, ainda que subliminarmente, a propor uma aliança contra a Espanha representada por Madrid. De facto, a nossa independência ficou a dever-se precisamente à Catalunha, pois Madrid, perante duas revoltas quase simultâneas, decidiu enfrentar a que lhe parecia mais importante... Em 7 de Junho de 1640 irrompia na Catalunha uma revolta contra o centralismo do Conde-Duque de Olivares, o primeiro-ministro do rei Filipe IV (III de Portugal). O rei ordenou então ao Duque de Bragança que comparecesse em Madrid para ir com ele a Barcelona colaborar no movimento de repressão, mas o duque recusou-se a obedecer. O resto da história é conhecido: a Espanha ficou com a Catalunha, mas sem Portugal.

Não tenho ilusões: este movimento catalão contra os touros é um movimento contra o centralismo madrileno. O touro é o símbolo de Espanha, em boa parte devido à marca de brandy de xerez que ergueu touros gigantes ao longo da paisagem espanhola. Pela parte

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A História dos Cosméticos

Uma mulher norteamericana média usa cerca de 20 cosméticos por dia e um homem médio, 6. Cada um desses produtos possui uma dúzia ou mais de componentes químicos e sequer 20% deles têm seus efeitos testados e considerados seguros. Ou seja, não temos ideia do que colocamos em contato com nosso corpo. Foi pensando nisso que Annie Leonard, autora dos vídeos A História das Coisas e a História da Água Continue a ler A História dos Cosméticos

Fazer mal em nome do bem

Num episódio de uma série policial que passava há anos na TV portuguesa, e cujo nome não recordo, o protagonista foi prender um colega polícia. Tinha-se descoberto que este liderava um “esquadrão da morte”, um grupo clandestino de polícias justiceiros que, fartos da burocracia jurídica e da lentidão do estado de direito, tinham decidido fazer justiça pelas próprias mãos e matavam criminosos que Continue a ler Fazer mal em nome do bem
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