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Dia Internacional da Mulher (O que comemorar?)
Saindo do Terreno Comum
Se a todos vocês não soar estranho o fato de um homem estar escrevendo um texto para o Dia Internacional da Mulher, é simplesmente por que o fato é sintomático da situação a qual vivemos em nossa sociedade. Gostaria, no entanto, que fosse sintomático de novos tempos onde a possibilidade de não ser necessário a celebração de um gênero específico nos mostrasse que estaríamos acima de dualidades ao tratar o ser humano. Infelizmente o sintoma é outro e infelizmente não é agradável.
Tanto o próprio fato de um homem estar escrevendo esse artigo quanto o fato de vocês não se espantarem, circunscrevem-se nos sintomas de uma sociedade que, embora lute cada vez mais para a diminuição das diferenças, está inserida numa cosmovisão maior que nem se apercebe daquilo que pode ser questionado e repensado em termos de modelos. Pensamos todos; homens, mulheres e transgêneros com base no pressuposto epistemológico falocêntrico do mundo globalizado.
A idéia desse ensaio em “comemoração” ao Dia Internacional da Mulher é justamente sair do terreno comum (da distribuição de botões de rosa, chocolatinhos, da exaltação da maternidade feminina, ou mesmo da pregação ideológica de igualdade) para suscitar, filosoficamente, o que pode ser questionado e sentido em relação à condição do feminino em nossa sociedade.
A família, tida como célula máter de nossa sociedade, desde sempre reproduziu em seu bojo os mesmos fundamentos pelos quais a nossa sociedade fora erigida. Porém, assistimos estupefatos a sua reformulação e a queda de conceitos arraigados que tanto nos foi caro em épocas precedentes para que pudéssemos saber onde estávamos e onde poderíamos ir. A sociedade atual, conseqüência direta de valores e conceitos decorrentes de uma forma de Ser baseada no sexismo e na competitividade, tem nos levado à iminência do esgotamento de todos os recursos naturais e éticos, fazendo prevalecer um valor único que determina todas as nossas ações: o individualismo competitivo do macho alfa.
Nesse contexto, pensar o feminino é pensar a sociedade como um todo; pensar na sociedade que queremos; pensar naquilo que nos funda como sociedade e indivíduos; pensar, sobretudo, na questão de gênero e nos valores que podem ser construídos, conservados e repensados na forja de novos olhares que vislumbrem um futuro desejável ao Ser Humano. E esse pensar não pode ser feito por uma única perspectiva, a não ser que ela se coloque acima das…
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Devemos mentir para salvar a vida de um amigo? – Não, diz Kant (2)
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Ciência e Ética

Informação recebida da Universidade do Porto (na imagem Alexandre Quintanilha):
Já fez correr muita tinta, extremar posições, convicções e denunciou consciências e condutas que se misturam com as que se aplicam à vida em geral. No próximo dia 25 de Fevereiro a Ciência vai cruzar-se com a Ética.
Entre o laboratório e o altar, entre a matéria e a espiritualidade, vamos ter fazedores e divulgadores de ciência à conversa com um jesuíta. Nomes: Palmira F. Silva, do Departamento de Engenharia Química e Biológica da Universidade Técnica de Lisboa; Beatriz Porto, Doutora em Ciências Biomédicas (Genética Humana) e Professora Auxiliar de Genética Médica no Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (ICBAS), e Vasco Pinto de Magalhães. Licenciado em Filosofia e em Teologia, Vasco Pinto de Magalhães entrou na Companhia de Jesus em 1965 e foi co-fundador do Centro de Estudos de Bioética, tendo uma larga intervenção nesta área.
Ao lado deste responsável pela formação inicial dos jesuítas portugueses vai estar um decifrador do universo, que nem sempre tem de ser hermético, da ciência. Detentor de uma singular capacidade de comunicação, sendo, de resto, presença assídua nos diferentes órgãos de comunicação social, Alexandre Quintanilha, nasceu em Moçambique a 9 de Agosto de 1945. Completou os estudos secundários em Lourenço Marques, e continuou os estudos universitários na África do Sul, tendo-se licenciado em Física Teórica, em 1968, na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, e doutorado em Física do Estado Sólido em 1972, pela mesma universidade. O interesse pela essência das coisas do mundo levou-o, inicialmente, a formar-se em Física, e depois a interessar-se pela biologia. Seguiu para a Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde trabalhou durante cerca de vinte anos. Foi director do Centro de Estudos Ambientais, entre 1983 e 1990, foi director assistente no Laboratório Nacional Lawrence, secção de Energia e Ambiente, e, entre 1987 e 1990, desempenhou o cargo de director do Centro de Estudo de Tecnologia da Biosfera.
Em 1991 foi nomeado director do Centro de Citologia Experimental e professor no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), da Universidade do Porto. Actualmente, é professor catedrático do ICBAS, e vice-presidente (deixou a presidência há cerca de um ano) do Instituto de Biologia Molecular e Celular. Tem perto de 100 artigos publicados em várias revistas científicas e em 1993 foi agraciado como Grande Oficial da Ordem Militar de Santiago
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