Gigantes pela própria natureza
As ilhas Galápagos, que pertencem ao Equador e se situam no chamado “meio do mundo” têm um símbolo inequívoco que lhes fornece o nome: as tartarugas gigantes. Há dois significados para Galápagos em espanhol: cágado e sela, já que os grandes cascos destes répteis lembram uma sela de cavalo.
Independente disto, estes animais realmente são gigantes pela própria natureza: os machos alcançam um metro e meio e cerca de 250 kg (junte apenas 4 e você tem uma tonelada). Foram servidas em banquetes para quase todos os navegantes que visitaram as ilhas, começando pelo Frei Tomas de Berlanga, arcebispo do Panamá, que durante uma viagem ao Peru em 1535, perdeu-se para descobrir oficialmente as ilhas. Não se tem certeza se o Frei disse que “Deus escreve certo por linhas tortas”, já que ele achou as ilhas pouco convidativas, apesar de entrar para a história por este acontecimento.
Outro visitante inusitado das Galápagos foi Robinson Crusoé, cujo nome real era Alexander Selkirk e que quatro anos depois de ser resgatado da ilha que vivera sozinho na Costa do Chile, apareceu por lá em 1709, pouco antes de saquear o porto de Guayaquil.
Estima-se que 250 mil destas tartarugas existiram no arquipélago antes da chegada do homem. Hoje são 15 mil, pois todos esses visitantes estavam sempre a buscar alimento fácil. Provavelmente três espécies de tartarugas gigantes foram levadas à extinção por causa deste overkill. É mais triste ainda saber que os navegantes comiam apenas as patas delas (cerca de 5% do peso do animal), já que o restante do corpo era intragável (não dava pra fazer buchada de tartaruga). De vez em quando, usavam as reservas de gordura das tortoises como óleo e aproveitavam-se também de suas reservas de água doce, que é escassa na maior parte das ilhas.
Hoje, as 11 espécies restantes do gênero Geochelone sp. são divididas pelos pesquisadores em dois grupos principais: as que têm casco em forma de sela, com pescoço e patas alongadas, próprias para buscar alimento acima do solo e as com casco arredondado que comem gramíneas rasteiras (veja abaixo).
Não se sabe ao certo, mas os ancestrais destes animais teriam vindo sobre troncos que flutuaram errantes até as Galápagos e, à partir de então, passaram por um processo intitulado radiação adaptativa, isto é,…
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