MEDICINA QUÂNTICA?! (II)

Continuação de crónica anterior de António Piedade, com o mesmo título:
Todos os exemplos indicados, na crónica anterior, implicam uma fonte de radiação que, apesar de não estar necessariamente em contacto directo com o organismo, produz neste efeitos mensuráveis e reprodutíveis. O Sol está a cerca de 150 milhões de quilómetros, ou a 8 minutos-luz, mas “queima” a pele e altera o ADN dos seus cromossomas, numa relação causa efeito reprodutível numa simples experiência laboratorial em qualquer lugar do Universo e por qualquer pessoa. Como a radiação ultravioleta está “fora” do espectro visível, a que os olhos são sensíveis, não antevemos a causa do mal mais ou menos futuro. Noutro exemplo, a bomba de cobalto (radioterapia) está a uma certa distância do paciente com cancro, distância essa apropriada e calculada matematicamente, sendo que o feixe de radiação gama, que incide e é focado na massa cancerígena, minimizando assim danos nos tecidos saudáveis circundantes, é invisível aos olhos, mas os seus efeitos são sentidos posteriormente pelo organismo. De facto, o paciente nada sente durante a radioterapia ou exposição solar. É, para o senso comum, como se o efeito resultasse de “pura magia” advinda de uma tecnologia ou conhecimentos muito avançados, como dito na citação de Arthur C. Clarke. Mas nestes casos conhecemos a tecnologia e podemos explicar a magia com conhecimento acessível a todos (com mais ou menos esforço). Não há truques. Há conhecimento científico aplicado e substancial a uma tecnologia.
O mesmo não se pode dizer, nem sequer sugerir, de uma terapia designada por quântica, que se está a disseminar numa Medicina curadora de apelido também “Quântica”. Aparece definida como o processo que resulta da irradiação do organismo, ou parte dele, com energia electromagnética de determinada frequência, para repor, numa terapia ressonante, o estado de equilíbrio electromagnético perdido e característico do estado de saúde de cada um dos indivíduos. Não se entende como é que as radiações electromagnéticas terapêuticas de baixa intensidade se tornam efectivas no meio de tanta poluição electromagnética já produzida pela acção humana (telecomunicações, redes eléctricas, motores eléctricos, etc.). Não se entende como é que a terapia quântica, veiculada por instrumentação e alguns acessórios esteticamente agradáveis e de fácil mas dispendiosa utilização, sobrepõe a sua acção terapêutica em relação ao efeito placebo, isto é, ao efeito de sujeitar o paciente ao mesmo tipo de procedimento terapêutico mas sem aplicar qualquer radiação. Não se
…
Continue a ler MEDICINA QUÂNTICA?! (II)







