Refutação, correção e verdades na ciência.

Thiago Henrique Santos @ polegaropositor.com.br Categorias: Ciência, Ciência Geral, Epistemologia, Filosofia, blog, método científico
O Carlos, lá do Lablogatórios, escreveu por estes dias um texto que trata do ego dos cientistas. No texto ele levanta duas questão que, para mim, são muito interessantes e permitem boas reflexões. Coloco abaixo a parte central das duas questões (mas por favor, NÃO deixem de ler o texto integral). A primeira questão diz: “…O bom disso é que a Ciência possui mecanismos de auto-correção, e que são usados freqüentemente…”. E a segunda: “…se um cientista vir uma oportunidade de destruir uma verdade científica, ele o fará imediatamente e com prazer…”. Vamos começar de trás pra frente, tratando primeiro da questão sobre verdade científica e refutação. Me é um pouco estranho o uso do termo “verdade científica” pra se referir a uma proposição, ou teoria. Talvez por causa do meu pé atrás com a palavra “verdade”. É um termo filosoficamente tão controverso, que o evito sempre que posso. Mas pra além disso, ainda temos a questão de que essencialmente a ciência não pode ser feita de verdades. Quer dizer, ela pode tentar pra valer. Mas como sabemos, a verdade é um objetivo inalcançável. E não podia ser diferente, todo conhecimento científico é passageiro. O que nos leva ao segundo ...

A priori

Desidério Murcho @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Epistemologia
A matemática é muitíssimo diferente da física ou de outras disciplinas empíricas porque se faz pensando apenas. É isto que em filosofia se entende por a priori. O a priori é todo o conhecimento que podemos obter pensando apenas, sem recorrer a qualquer informação empírica. Intuitivamente, a matemática dá-nos imenso conhecimento, mas não é conhecimento a posteriori ou empírico, pois os matemáticos não precisam de fazer experiências, nem observações. O a priori nada tem a ver com anterioridade, mas apenas com isto: depois de eu aprender os conceitos relevantes, depois de o meu cérebro se ter formado, depois de tudo isso, não posso saber se há água em Marte pensando apenas, por exemplo. Por isso, diz-se em filosofia que esse conhecimento é a posteriori. Mas estando na mesma situação, tudo o que tenho de fazer é raciocinar para saber o resultado de uma operação aritmética. Por isso, chama-se a priori a esse conhecimento. Precisamente porque podemos saber o resultado de uma operação aritmética pensando apenas é que um computador desligado da internet pode responder-nos à pergunta sobre uma operação aritmética, mas não pode dizer-nos se há água em Marte: o computador pode fazer ...

Três enganos comuns

Desidério Murcho @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Epistemologia, Lógica
Sempre que pensamos, podemos cair em algumas armadilhas. Isso tanto acontece por sermos evidentemente falíveis como por  estarmos mais interessados em “provar” que são verdadeiras as nossas ideias preferidas do que em tentar saber honestamente se realmente são verdadeiras. Eis três dessas armadilhas, que se relacionam entre si.1) “X é consistente com Y, logo é verdade que Y.” Devia ser óbvio que a mera consistência não é suficiente para estabelecer algo como plausível ou verdadeiro, dado que muitas coisas opostas são consistentes com os mesmos dados. Imagine-se que a existência de deuses é realmente consistente com tudo o que sabemos ou julgamos saber sobre o universo. Isso não prova que esses deuses existem, nem que é provável que existam, se a inexistência de tais deuses for igualmente consistente com tudo o que sabemos ou julgamos saber sobre o universo. Consistência não é verdade nem sequer probabilidade. O mesmo acontece com muitos raciocínios a favor da ideia de que somos regularmente visitados por extraterrestres, a favor da homeopatia, do Reiki ou seja qual for a última tolice inventada pelos seres humanos.2) “X está por explicar; Y poderia explicar X, logo Y ...

Epistemologia de mestre-escola

Desidério Murcho @ De Rerum Natura Categorias: Ciência, Ciência Geral, Criacionismo, Epistemologia, Filosofia
Um dos aspectos mais importantes de um livro que já recomendei várias vezes, Sobre a Liberdade, de Mill, é chamar a atenção para a importância de refutar publicamente ideias falsas:"Por pouco disposta que esteja uma pessoa que tem uma opinião forte a admitir a possibilidade de que a sua opinião seja falsa, tem de ser tocada pela consideração de que por mais verdadeira que seja, se não for frequentemente discutida por inteiro e sem medos, será mantida como um dogma morto, e não como uma verdade viva.""Há um grupo de pessoas (...) que acham suficiente que alguém concorde com aquilo que consideram verdadeiro, sem duvidar, ainda que não tenha qualquer conhecimento dos fundamentos da opinião, e não pudesse fazer uma defesa sustentável dessa posição contra as mais superficiais objecções. A partir do momento em que o seu credo lhes foi ensinado por uma autoridade, pensam naturalmente que não resulta qualquer bem — e até resultará algum mal — de se permitir que seja questionado. Onde a sua influência prevalece, tornam praticamente impossível que a opinião dominante seja rejeitada de modo sábio e ponderado, embora possa, ainda assim, ser rejeitada de modo precipitado e ignorante; porque impedir ...

“A Natureza e os Gregos”

Helena Damião @ De Rerum Natura Categorias: Ciência, Ciência Geral, Epistemologia, filosofia da ciência
Erwin Rudolf Josef Alexander Schrödinger, prémio Nobel da Física em 1933 é, como se sabe, um dos maiores representantes da Teoria Quântica.À semelhança de outros grandes físicos, matemáticos e químicos do século vinte, com a passagem dos anos, e a par do intenso trabalho científico que desenvolvia, interessou-se progressiva e genuinamente pela origem do conhecimento, pela sua validade e implicações, pela sua evolução… Assim, com a cautela de um jovem estudante, revisitou os Gregos, onde tudo começou.Dessa incursão decorreram duas conferências que proferiu em finais dos anos quarenta e que estão reunidas num livro intitulado A Natureza e os Gregos, publicado no início dos anos cinquenta, a que a Palmira já se referiu neste blogue.Apesar de seis décadas nos separarem dessas conferências, a sua actualidade permanece, no que respeita às questões que Schrödinger levantou, à maneira como explicou a sua origem e as discutiu, à referência deferente a outros pensadores... Por todas essa razões aqui deixo um extracto da primeira:“Quando, no início de 1948, realizei uma série de conferências públicas sobre o assunto que aqui abordo, sentia ainda a necessidade premente de as anteceder com ...

Do que as teorias são feitas.

Thiago Henrique Santos @ Polegar Opositor - Categorias: Ciência Geral, Epistemologia, método científico
Teorias científicas são, de certa forma, o produto final da ciência. De forma geral,  parece existir uma tendência em desconfiarmos da palavra teoria. Isso porque seu significado comum esta mais ligado à especulações e incertezas. Para a ciência no entanto, a teoria tem um papel mais nobre. É ela quem responde a pergunta sobre o que é e/ou como funciona determinado fenômeno natural. Apesar disso, muito já se discutiu sobre a maneira como as teorias são selecionadas e sua validade enquanto aproximação da verdade.Em épocas mais próximas ao início do desenvolvimento da ciência moderna, as teorias tinham seu conteúdo bastante restringido. Somente teorias que poderiam ser "provadas" por testes empíricos eram aceitas na ciência. Esse modelo acabava por limitar a aquisição de conhecimento, já que ignorava uma série de conhecimentos que não podiam ser verificados e acabavam sendo excluídos. Esse problema seria resolvido com as idéias de Karl Popper. Sir Karl propôs que as teorias científicas não podem nunca serem "provadas". Embora isso possa parecer estranho, se pensarmos na imagem tradicional que se faz da ciência, existe um sentido bastante simples. Para Popper, não temos condição de sabermos se já atingimos todo o conhecimento ...

A incomensurabilidade na divulgação científica.

Thiago Henrique Santos @ Polegar Opositor - Categorias: Ciência Geral, Epistemologia, Filosofia, Senso Comum, método científico
Quando fundamentou o princípio da incomensurabilidade, Thomas Kuhn estava pensando nas dificuldades em se estudar a filosofia histórica da ciência e na disputa dos defensores de paradigmas concorrentes. Suas últimas formulações sobre o tema transformaram a incomensurabilidade de maneira surpreendente. Kuhn utilizou princípios da seleção natural darwiniana, bem como estudos sobre filologia e tradução, para melhor compreender a relação entre os diversos paradigmas e a visão de mundo em que eles se inseriam. A conclusão que se chega ao se envolver com o trabalho de Kuhn é que a ciência é um empreendimento humano, que visa a busca pelo conhecimento da natureza física do universo. Mas é também uma linguagem própria e em constante evolução.Para compreendermos o impacto do trabalho de Kuhn na divulgação científica, é preciso antes abordarmos alguns aspectos específicos. O primeiro aspecto, e provavelmente o mais importante, é o conceito de léxicos kuhnianos. Os léxicos são termos criados para designar um conjunto de observações sobre algo. "Água", por exemplo, seria um léxico que define o composto químico H2O. Assim como "insetos" seria o léxico para definir animais invertebrados, com três pares de patas e corpo dividido em três tagmas (cabeça, tórax e abdômen)....

Evolução vs Criação: Três erros básicos.

Thiago Henrique Santos @ Polegar Opositor - Categorias: Ciência Geral, Epistemologia, Evolução, Filosofia, método científico
Segundo Kuhn, paradigmas concorrentes normalmente implicam em uma visão de mundo distinta, de modo que os paradigmas se tornam incompatíveis. Esse processo resulta na chamada "incomensurabilidade", ou seja, na incapacidade que os defensores de cada paradigma tem em conversarem entre si justamente por lidarem com visões de mundo incompatíveis. Cada paradigma se sustenta por si só, valendo-se de seus próprios pressupostos. Disso resulta que confrontar paradigmas concorrentes não é possível, já que o conjunto de pressupostos de cada um inviabiliza o paradigma oposto. Se tal processo ocorre entre teorias teorias científicas concorrentes, é de se imaginar que possa ocorrer entre questões não necessariamente científicas. Por vezes penso que é exatamente isso que se passa na velha briga entre a teoria evolucionista e o criacionismo. Trata-se de uma teoria científica baseada nos pressupostos básicos da ciência, contra uma visão de mundo completamente diferente. O resultado do embate é uma série de erros que poderiam ser interpretados tomando como base o pressuposto acima, de que tanto a evolução quanto a criação são paradigmas incomensuráveis. 1º erro: incomensurabilidade epistemológica. Evolução e criação se sustentam por bases ...

Um pouco de fé na ciência.

Thiago Henrique Santos @ Polegar Opositor - Categorias: Ciência Geral, Epistemologia, Filosofia, Senso Comum, método científico
Com determinada freqüência, algumas pessoas costumam dizer que acreditar na ciência é um ato de fé. Um ato de fé talvez comparado ao ato de acreditar em um Deus, ou um santo. O curioso é constatar que este pode ser um pensamento comum mesmo aos cientistas. Não tão curioso é o uso do termo fé de maneira pejorativa, muitas vezes até por pessoas religiosas, de modo a diminuir a importância da ciência. Segundo o dicionário, o termo fé poderia ser utilizado em ciência em pelo menos duas acepções. Como em confiança absoluta em alguém ou algo, ou como comprovação de um fato. Embora o próprio método científico evite "confianças absolutas", com efeito é possível atestar esse tipo de fé para alguns casos em particular. Por exemplo, no que diz respeito à gravidade, quem seria capaz de questionar que ao soltar uma pedra no ar ela vai, irremediavelmente, cair ao chão? Ainda tomando a gravidade como base, é possível estabelecer a velocidade de queda dessa pedra, bem como sua trajetória. A mecânica clássica é um campo científico capaz de prever esse tipo de informação com uma precisão tão assustadora, que podemos confiar em seus resultados de maneira absoluta....

A ciência e o ateísmo

Thiago Henrique Santos @ Polegar Opositor - Categorias: Ciência Geral, Epistemologia, Filosofia, Senso Comum, Temas diversos
  A correlação entre ateísmo e ciência não é nova. Não são poucos os cientistas de fama que ostentam tal bandeira. De fato, as vezes fica a impressão de que ser ateu é uma espécie de pré-requisito para ser um bom homem de ciência. O cenário é ainda reforçado pelos embates públicos entre líderes religiosos e a comunidade científica, mal entendidos a respeito do funcionamento da ciência (e talvez até das religiões) e a mídia incendiária que se aproveita da polêmica pra vender jornal.Uma ciência laica.Me é curioso que, nestas questões em que se faz necessário compreender alguns conceitos, que os pilares da ciência nem sempre sejam consultados. Como já foi discutido em outro texto neste site, a ciência tem por um dos valores principais a neutralidade. Isso significa, entre outras coisas, que o empreendimento científico não deve assumir inclinações partidárias ou religiosas. A ciência, ao menos epistemologicamente, é laica.Tomemos por laico o seu significado correto, ou seja, de neutralidade religiosa completa. É importante compreender bem o significado deste conceito, já que não raro a laicidade é encarada como um movimento contrário à religiões.Fui questionado recentemente se essa laicidade científica é desejada. Acredito ...

Evolução e pós-modernismo

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência, Ciência Geral, Criacionismo, Epistemologia, Evolução
O debate que terá lugar no próximo domingo sobre «Evolucionismo e o seu Ensino» recordou-me a última edição da Batalha de Ideias, uma iniciativa do Instituto das Ideias, Londres, e alojada pelo Royal College of Art. Noutro domingo, em 28 de Outubro de 2007, teve lugar um debate dedicado ao mesmo tema, em que Steve Fuller assumiu a defesa do ensino do criacionismo em roupagem de desenho inteligente, tal como já o tinha feito no julgamento de Dover.Na altura do julgamento, Steve Fuller, um «esquerdista pós-moderno», ou seja nos antípodas dos «religious-right» normalmente associados ao criacionismo, foi considerado o grande trunfo do templo do desenho inteligente, uma vez que supostamente provaria que o DI não era religiosamente motivado.Fuller é o grande apóstolo da epistemologia social, um conceito formulado (e ignorado) em 1952 pelos pesquisadores e bibliotecários americanos Margaret Egan e Jesse Shera e que Fuller tenta elevar ao estatuto de única fonte de conhecimento. Em 1988 escrevia no livro «Social Epistemology» que «a epistemologia clássica parecia viável exactamente porque se pensava existirem 'verdades' cuja aceitação beneficiaria a todos — ou, pelo menos, a todos ...

Conhecimento não empírico

Desidério Murcho @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Epistemologia
No post “Senhoras e Senhores, a Realidade”, o Ludwig põe tudo em pratos limpos. Todo o conhecimento é conhecimento empírico, declara. Bom, não usa esta terminologia porque prefere usar o paroquialismo da “observação”. Até parece que os cegos não podem saber nada. Mas não é isso que ele quer dizer.O Ludwig parece pensar que sou eu que preciso de refutar a ideia de que todo o conhecimento é conhecimento empírico. Na verdade, é o contrário. Pois a não ser que tenhamos explicitamente uma posição sofisticada qualquer acerca da natureza de todo o conhecimento, qualquer pessoa pensa pré-teoricamente que o conhecimento matemático ou lógico não é empírico. Os matemáticos não precisam de laboratórios, telescópios, microscópios, etc. Sentam-se, lêem, pensam, e fazem. E o que lêem não são relatórios obtidos pela experiência, mas antes resultados obtidos exclusivamente pelo pensamento. Isto é o que toda a gente pensa pré-teoricamente; claro que pode estar errado, mas é quem pensa que está errado que tem o ónus da prova e não o oponente.Acresce que a própria tese de que todo o conhecimento é empírico não parece ter qualquer base empírica. Baseia-se no pensamento apenas. O Ludwig não se atreveria a ...

ETNOMATEMÁTICA!?

Categorias: Ensino, Epistemologia, Matemática
Confesso a minha ignorância: só há cerca de meio ano descobri que existe uma área de estudo e de intervenção pedagógica designada especificamente por Etnomatemática. Quando percebi que não é uma área propriamente recente, e que em torno dela existe teoria e investigação publicada, que decorrem projectos educativos em escolas e salas de aula, que várias universidades acolhem cursos de pós-graduação, conferências, grupos de estudo, etc., fiquei um bocado preocupada com a minha capacidade de actualização de conhecimentos académicos que tenho obrigação profissional de leccionar.É claro que conheço as teorias críticas e pós-críticas do currículo, bem como as teorias sócio-construtivistas e as emancipatórias, que sublinham a importância do ethos na organização das aprendizagens, mas a verdade, é só uma: nunca tinha dado conta desta expressão.Tentei remediar a circunstância e fiz uma pesquisa na Internet. Tal como eu esperava, atendendo à designação, a Etnomatemática parte do princípio que não existe, como eu suponha, (apenas) uma matemática com carácter universal, civilizacional, mas sim, diversas expressões matemáticas que emergem em culturas particulares, únicas, e nelas encontram sentido. Decorrente deste pressuposto, considera-se que, para ensinar matemática, é preciso contextualizar as aprendizagens ...

CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO NA PÓS-MODERNIDADE

Categorias: Ensino, Epistemologia
A tradição metafísica ocidental oferece, no dizer de Searle (1999), um conjunto de princípios básicos que nos permitem sustentar o valor e a verdade do conhecimento contra as tentativas pós-modernas de os desvalorizar, e mesmo, de os negar. Assim, é necessário sustentar que a realidade existe independentemente das representações humanas, contra a perspectiva de que tudo são representações da realidade e como tal, a realidade é sempre e só a realidade apreendida e/ou construída pelo sujeito.É preciso também reconhecer que a linguagem possibilita a comunicação ao nível do significado e não apenas ao nível do significante, isto é, o que se comunica tem por norma uma relação com objectos e estados de coisas cuja existência é independente da linguagem e até do emissor e do receptor da mesma.É preciso reclamar, ainda, que a aquilo que designamos por verdade procura traduzir com precisão as representações: “as afirmações procuram descrever como são as coisas no mundo, cuja existência é independente da afirmação, e a afirmação será verdadeira ou falsa em função delas no mundo serem realmente como ela diz que são”(Searle, 1999, 10).Deste conjunto de princípios, o referido autor ...

O ADMIRÁVEL DOUTOR MYRON L. FOX OU O EFEITO DE SEDUÇÃO EDUCATIVA

Categorias: Ciência, Ensino, Epistemologia
O “eduquês”, o “sociologuês”, o “politiguês” e outras estranhas formas de falar e escrever, existem por duas razões: primeiro, porque alguém as usa; segundo, porque alguém as aprecia. Sim, é verdade, parece que temos tendência para valorizar os discursos rebuscados e incompreensíveis, sobretudo se o seu autor evidencia entusiasmo, determinação e forte carisma, agilidade no uso das palavras, das metáforas e das citações e, além disso, opina facilmente sobre qualquer assunto. Quem discursa desta maneira só pode ser um distinto intelectual; quem não entende, um vulgar ignorante… Este convencimento será tanto mais forte quanto mais prestígio social e/ou académico…) o discursista reunir.Este fenómeno é bem conhecido dos políticos que, numa tentativa de o optimizar, não olham a gastos com peritos no assunto para se fazerem valer. A este propósito, disse o grande matemático e filósofo Bertrand Russel, que também teve a sua incursão na política:“As qualidades que tornam um político bem sucedido numa democracia, variam de acordo com o carácter dos tempos (…) em tempos de agitação é necessário ser orador impressivo — não necessariamente eloquente no sentido convencional (…) mas determinado, apaixonado e audacioso. A paixão pode ser ...

Como sabemos que sabemos?

Categorias: Epistemologia
Quem viu os filmes Matrix pode ter pensado para consigo: como é que eu sei que não vivemos num mundo de fantasia, como o que é retratado neste filme? Como podemos justificar a nossa crença de que não vivemos na Matrix? Imaginemos que a Paula é um cérebro numa cuba, num laboratório muito sofisticado, e não uma pessoa como nós pensamos que somos. Poderia ela descobrir que é apenas um cérebro numa

O que é a justificação?

Categorias: Epistemologia
A teoria do conhecimento ou epistemologia é a disciplina filosófica que estuda a natureza, limites e possibilidade do conhecimento. Num certo sentido, toda a filosofia se divide entre metafísica, que estuda os aspectos mais gerais da realidade, e a epistemologia, que estuda os aspectos mais gerais do conhecimento. Afinal, é argumentável que nada há além da realidade e do nosso conhecimento da
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