OS PROBLEMAS DE PORTUGAL 2
"Sobre o caos em que se abateu o ensino universitário abateu-se o chamado processo de Bolonha, obcecado pela uniformização, baralhando os títulos e graus, e eivado por uma pedagogia simplista. O primeiro acto de qualquer governo com um mínimo de sensatez tem de ser a revogação das abstrusas disposições deste pseudo-acôrdo feito à revelia de professores e investigadores, que não tiveram a coragem de o rejeitar e se sujeitaram a passar sob as forcas caudinas. Uma das riquezas culturais da Europa são as suas escolas superiores diversas - como a École des Hautes Études ou a École des Chartes de Paris, a London School of Economics de Londres, o Collège de France. Não interessa equiparar títulos, o importante é reconhecer o seu valor universal. Como não interessa que os estudantes saltem de universidade em universidade para seguir os mesmos cursos. Só depois de adquirida sólida formação é que se está apto a beneficiar da frequência de escolas e centros diferentes, que aliás devem ser criteriosamente seleccionados. tenha-se o bom senso de não cair no turismo universitário. Temos de regressar à licenciatura como termo de um curso completo, e não etape sem significado. os mestrados não podem confundir-se com cursos profissionalizantes ou, pior, toimar o lugar de licenciaturas; devem ser preparações exigentes à investigação. A formação ou o aperfeiçoamento profissional devem ter os seus cursos próprios."Continue a ler OS PROBLEMAS DE PORTUGAL 2

"Assistimos nós à morte da Universidade (…)? De algum modo, sim. Uma certa figura de Universidade desapareceu no horizonte arrastada pela exigência mesma de uma democraticidade do acesso ao saber. Dessa morte não devemos ostentar o luto. Mas seria trágico se nessa metamorfose da ideia e da realidade a Universidade, enquanto forma suprema do viver intelectual europeu, não pudéssemos controlar, ou antes guiar, o movimento dessa vaga e fôssemos arrastados por ela aceitando passivamente a proliferação de saberes sem emprego, no seu duplo sentido de sem finalidade e sem inserção no mercado simbólico da comunidade intelectual e humana que chamamos latamente a Cultura e que constitui o espaço teórico-prático da sociedade no seu conjunto”.



