Archive for the educação
A necessidade da garantia pseudocientífica (Série pseudociências – Parte 8#)
Ao longo da série de ensaios que fiz acerca das pseudociências, expus que as pseudociências passam-se como ciência, embora não utilizem o método científico. Este processo está embasado na garantia social que a pseudociência tenta possuir quando põe-se como ciência (visto que na ciência, como postulei, sua garantia social é em decorrência de sua garantia metodológica).
Este processo é extremamente vital para a manutenção da pseudociência: ela necessita usufruir de uma garantia social alheia, sem mesmo possuir uma garantia metodológica; o que acaba por se tornar possível instrumento de persuasão e com sua garantia social inócua (pois a garantia social deve ser apenas um reflexo perante a um grupo social de uma outra garantia, como a metodológica). Assim é compreensível o mecanismo da pseudociência quando esta tenta se passar por ciência, como uma mimese, para que seus adeptos possam estampar uma suposta garantia dita e passada como “científica”, quando na verdade apenas é uma garantia social.

Carta Natal Astrológica
Bem, o que estou dizendo acima não é tão chocante se você já tiver lido o meu ensaio “A garantia social da ciência (Série pseudociências – Parte 6#)“. É de certa forma, um resumo do que eu já disse anteriormente.
Mas por qual razão tocar neste assunto, novamente?
Bem, a razão por tocar neste assunto novamente é porque este assunto não é algo cujo contexto está além dos nossos dias, de nossos contatos imediatos.
A necessidade de garantia pela pseudociência é algo inerente ao seu funcionamento. Postulo isto pois, quando uma crença ou qualquer coisa humana que acabe por assumir a qualidade de “pseudociência”, atingindo seu foco – como já descrevi em outros ensaios, quando esta tenta se passar por ciência – ela acaba por requerer o status de científica utilizando-se de um valor social que a ciência adquiriu (benéfica ou maleficamente), sem mesmo possuir uma garantia metodológica que funcione realmente ao operar um método científico.
Um caso muito patente foi o que aconteceu recentemente em Brasília. Policiais civis seguiram a pista dada por uma vidente, que afirmava ter detalhes sobre um crime ocorrido por volta de um ano atrás na cidade.
A vidente demonstrou saber onde estava uma chave da residência das vítimas, parecendo mostrar pistas verdadeiras sobre o caso.
Agora uma das coisas que chamou a atenção acerca dos supostos métodos apresentados por ela, seria justamente a apresentação de um certificado, expedido…
Continue a ler A necessidade da garantia pseudocientífica (Série pseudociências – Parte 8#)Baloney Detection Kit
BREVES COMENTÁRIOS AOS COMENTÁRIOS
1. É objectivamente incontroverso que a legislação privilegia a «graduação» em «ciências» da educação. Foi feita para isso pelos membros da seita. A resposta do comentador que tentou contestar a demonstração que Fartinho da Silva fez dessa evidência é um exemplo perfeito da qualidade intelectual e da atitude do «eduquês».
2. É preciso dizer claramente que a generalidade dos mestrados e doutoramentos nas ditas «ciências» da educação não produziram conhecimento relevante, que possa justificar, honrar, a atribuição desses títulos. Na sua generalidade trata-se de banalidades, frequentemente ridículas, «descobertas da pólvora», em «circuito fechado», revelando uma significativa indigência de referências realmente científicas e culturais. São irrelevantes para o conhecimento, para o ensino, a escola e os alunos. E tudo se tornou pior e mais fácil para eles quando passaram a poder reproduzir-se hermafroditamente, isto é, a constituírem júris só com gente da seita.
A melhor prova é o estado a que conduziram a educação.
3. Como sabem pouco e o que sabem está errado, a generalidade dos «especialistas» da educação escondem-se nos diplomas. Quando, raramente, se atrevem a falar, brandem o «argumento» de autoridade, isto é o diploma, ou desviam-se do assunto.
4. O que pode parecer surpreendente é o facto de quase nunca aparecerem frontalmente, "assinadamente", a defenderem o seu projecto. Mas percebe-se bem porquê: a) a natureza do projecto (de que muitos deles, aliás, não têm sequer consciência) é inconfessável; b) dominando mal as fontes fontes inspiradoras, geralmente com grandes limitações culturais, não conseguem integrar numa exposição minimamente coerente e argumentadamente sustentável o sincretismo ideológico e teórico irracionalista e obscurantista que vão impondo. Por outro lado, a nossa «obsessão» parece ter dado frutos: alguns aparentam começar a ver e parecem recuar nas suas posições (ver, a esta luz, no Jornal de Letras, a opinião de Rui Canário sobre a possibilidade estúpida de ser decretado o fim das retenções). Claro que a maior parte não assumirá o erro pois isso seria perderem o poder o estatuto e o emprego.
5. De facto tenho uma «obsessão»: combater o obscurantismo.
E não se justifica persistir no combate? Os resultados melhoraram? Depois de trinta anos de degradação da situação, mudaram as
…
Continue a ler BREVES COMENTÁRIOS AOS COMENTÁRIOSBanda larga móvel no Brasil é um LIXO
Reportagens publicadas mesta última quarta feira, no jornal Folha de S. Paulo, denunciam a verdadeira vergonha que é o serviço de banda larga móvel oferecido no estado de São Paulo pelas operadoras de telefonia. Duas das reportagens foram transcritas a seguir.
Velocidade não atinge 60% do contratado – Alexandre Orrinco
A Folha testou os serviços de banda larga móvel das quatro maiores operadoras do país (Claro, Oi, TIM e Vivo) e constatou o que reclamações de usuários do serviço já indicavam: a velocidade real de conexão fica bem abaixo da vendida. Nos testes, o download (recebimento de dados) não ultrapassou 60% da velocidade contratada. Em dias úteis, isso fica pior, com velocidade média inferior à metade da contratada. No domingo, a situação melhora, mas em nenhum dos testes a conexão chegou à velocidade do plano comprado, de 1 Mbps.
No caso de upload -dados que você manda para a rede, como e-mails ou vídeos para o YouTube-, a velocidade ficou sempre abaixo de 30% do tal 1 Mbps. É preciso considerar, porém, que a velocidade de upload é sempre menor que a de download, mesmo em serviços internacionais de altíssima qualidade.
Além da velocidade, outro problema percebido nos testes, já constatado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e por órgãos de defesa do consumidor, é o da instabilidade do serviço.
É enorme a variação da velocidade, e a qualidade do serviço muda rapidamente. Uma página que apareceu em segundos, minutos depois fica parada sem razão aparente. Quedas de conexão também são frequentes. Parte da culpa é da natureza da tecnologia 3G, sensível a inúmeros fatores, como condições climáticas, quantidade de pessoas conectadas numa mesma região e posição geográfica.
Os contratos afirmam isso, procurando isentar as operadoras de responsabilidade por garantir a integralidade da velocidade contratada. Em geral, as empresas garantem um mínimo de 10% da velocidade estabelecida. Tais contratos têm gerado debates em órgãos de defesa do consumidor, e a Anatel está procurando estabelecer uma regulamentação geral para o setor.
As operadoras, porém, são obrigadas a cumprir o Código de Defesa do Consumidor, afirma o Procon.
Claro, Oi, TIM e Vivo adotam diferentes estratégias para tentar diminuir o número de reclamações e melhorar a qualidade do serviço de banda larga móvel. Desde o final do mês passado, algumas passaram a vender planos desvinculados de promessa de velocidade, passando a comercializar o…
Continue a ler Banda larga móvel no Brasil é um LIXOA CAPES e a avaliação da pós-graduação
Artigo publicado na edição de hoje do jornal Folha de S. Paulo, de autoria de Jorge Guimarães (Professor Titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Presidente da CAPES) e Lívio Amaral (Professor Titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Diretor de Avaliação da CAPES), discute a atual avaliação dos programas de pós-graduação brasileiros por parte da CAPES. O artigo é transcrito na íntegra, a seguir.
Avaliação trienal da Capes – Jorge Guimarães e Lívio Amaral
Os avanços em ciência e tecnologia no Brasil, comprovados, entre outros indicadores, pela 13ª posição na produção científica mundial, têm sido destacados em editoriais e em estudos e publicados em revistas, fóruns e organismos internacionais.
Destaque-se que esses avanços são indissociavelmente ligados à pós-graduação, uma realidade das últimas décadas, legitimada internamente e reconhecida internacionalmente. E, se a pós-graduação brasileira é esse caso de sucesso, isto se deve, sobretudo, ao processo de avaliação realizado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Iniciamos no mês passado mais uma avaliação. Consultores estão avaliando dados de 2007-2009, informados pelos programas de pós-graduação, após auditagem prévia pelas coordenações dos cursos.
A avaliação contempla cinco eixos: proposta do programa; corpo docente; corpo discente, teses e dissertações; produção intelectual; inserção social dos cursos. Uma característica da avaliação é a universalização que se expressa nestes eixos para todas as áreas de conhecimento, sem com isso deixar de contemplar as especificidades próprias delas.
A produção intelectual da qual trata a avaliação é o que resulta em avanço do conhecimento associado à garantia de boa formação de mestres e doutores. Em algumas áreas, ela se expressa na forma de livros e, em outras, através da publicação de artigos em revistas científicas.
Para artigos em periódicos, temos o “Qualis-Periódicos”, que é atualizado periodicamente. Na trienal-2010, o Qualis servirá para avaliar 270 mil artigos publicados em mais de 17 mil diferentes periódicos. O componente qualitativo desse acervo quantitativo é o que se vai identificar e avaliar.
O eixo da produção intelectual tem sido objeto de recorrente debate, inclusive por meio da imprensa. Algumas vozes, equivocada e distorcidamente, propagam a ideia de que a avaliação da pós-graduação é exclusivamente um processo para “avaliar o quantitativo da produção intelectual”.
É puro reducionismo afirmar que avaliar é contar trabalhos e que a única questão é como classificar as revistas nas quais…
Continue a ler A CAPES e a avaliação da pós-graduaçãoConsumo de álcool e memória
O consumo excessivo de álcool apresenta efeitos negativos no processo cognitivo, como a memória. Em particular, sobre a metamemória, que se refere ao conhecimento subjetivo que as pessoas possuem de suas próprias capacidades cognitivas, como o monitoramento e o controle da memória.
O estudo foi realizado por pesquisadores da Université de Caen/Basse-Normandie, na França. A metamemória capacita os humanos a adaptar seu comportamento no dia-a-dia, e utilizar sua memória da forma mais eficiente possível. Também se refere ao conhecimento de como saber processar a memória, em particular o reconhecimento da própria memória individual. Por exemplo, se uma pessoa frequentemente se esquece de comprar coisas durante sua ida a um supermercado, ela aprenderá que deve escrever uma lista de compras. O que não é um problema, pois passou a reconhecer que esta é a maneira mais eficiente para utilizar a sua memória.
Todavia, pessoas que apresentam um quadro de alto consumo de álcool, de maneira regular, não conseguem predizer o desempenho futuro de sua memória. Tais pessoas tendem a super-dimensionar sua capacidade de memorização, acreditando serem capazes de, por exemplo, reconhecer uma palavra correta, quando na verdade não conseguem. As mesmas pessoas que consomem muito álcool acreditam que sua memória é tão boa quanto à das pessoas que não consomem, apesar de apresentarem episódios freqüentes de falhas de memória. Embora seja evidente que consumidores de álcool em excesso não apresentam um bom desempenho de memória, o estudo apresenta caráter inédito por demonstrar que as mesmas pessoas não conseguem reconhecer seu quadro de memória deficiente.
Uma das conclusões mais importantes do estudo é que, mesmo estas pessoas procurando tratamento médico, tenderão a abandonar o tratamento mais rápido do que deveriam, por acreditar que não apresentam problemas de memória. Uma das conseqüências é que tais pessoas não conseguem prever situações de risco. Acreditando na sua capacidade de memória, mesmo esta estando deficiente, poderão comprometer parte de seu desempenho pessoal no seu dia-a-dia.
Nada bom.
Le Berre AP, Pinon K, Vabret F, Pitel AL, Allain P, Eustache F, & Beaunieux H (2010). Study of Metamemory in Patients With Chronic Alcoholism Using a Feeling-of-Knowing Episodic Memory Task. Alcoholism, clinical and experimental research PMID: 20735374
Amazônia perde áreas protegidas
Notícia publicada no dia 22 de agosto último pelo jornal Folha de São Paulo on-line (Folha.com), relata que
Amazônia perde 29 áreas protegidas entre 2008 e 2009 – Claudio Angelo
Por pressão de madeireiros, fazendeiros, mineradores ou do próprio governo, 29 áreas protegidas na Amazônia foram reduzidas ou extintas entre 2008 e 2009. O total de florestas perdidas no processo foi de 49 mil km2, quase um Rio Grande do Norte. As reduções ocorreram sem consultas públicas ou estudos técnicos, como manda a lei. Os dados são de um estudo inédito do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia).
Os pesquisadores Elis Araújo e Paulo Barreto levantaram 37 iniciativas entre novembro de 2008 a novembro de 2009 para reduzir 48 unidades de conservação ou terras indígenas na Amazônia. Até julho deste ano, 23 propostas haviam sido concluídas – 93% delas resultaram em perda de área na unidade de conservação. O Estado de Rondônia, o mais desmatado da Amazônia, é o campeão: reduziu duas unidades de conservação estaduais e extinguiu dez, além de ter negociado com o governo a redução da Floresta Nacional Bom Futuro, unidade federal. “Como eles perderam um terço da cobertura florestal, o que sobrou são áreas protegidas”, diz Araújo. “A indústria madeireira lá ainda é forte. As unidades de conservação sofrem muita pressão.” O instrumento usado pelo governo do Estado para acabar com as áreas protegidas foi próprio zoneamento ecológico-econômico do Estado, lei que disciplina a ocupação das terras. As unidades de conservação nas zonas de intensificação da produção foram consideradas extintas. A Folha procurou a secretaria do Meio Ambiente de Rondônia por toda a sexta-feira, mas não foi atendida.
Outro caso foi o do Parque Estadual do Xingu, em Mato Grosso. Ele foi reduzido com o apoio da população de Vitória do Xingu para dar lugar a um empreendimento agropecuário, que não veio. “E a cidade ainda perdeu o repasse do Arpa [programa federal que dá dinheiro a regiões com unidades de conservação]“, diz Araújo.
Nota: o governador do estado de Rondônia é Ivo Cassol, filiado ao Partido Progressista, de Paulo Salim Maluf.
