Quem matou o carro eléctrico?

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, Tecnologia, educação para a cidadania
Em Junho de 2006 estreou um documentário de Chris Paine sobre a morte do carro eléctrico nos Estados Unidos. O documentário conta a história dos carros eléctricos neste país, com especial ênfase na história recente. Pela voz fabulosa de Martin Sheen acompanhamos o desenvolvimento, a comercialização e retirada do mercado de veículos eléctricos, nomeadamente o General Motors EV1, nos anos noventa do século passado. Embora não abordadas no documentário, as histórias do Ford Ranger EV, Honda EV Plus ou do Toyota RAV4 EV são muito semelhantes.Em relação a este último, a Toyota anunciou em 2003 que o retirava do mercado porque não havia compradores em número suficiente para justificar a sua produção.Numa altura em que o preço dos combustíveis aumenta quasi diariamente, os carros eléctricos começam a parecer uma excelente opção para muitos. Embora alguns carros eléctricos, como o Reva G-Wiz i, muito popular em Londres pelas razões óbvias, mereçam ainda críticas muito negativas, diria que se disponibilizados no mercado a preços acessíveis existiriam nesta altura muitos potenciais compradores para carros movidos a algo que não um derivado do petróleo. ...

A UNIVERSIDADE E A NAÇÃO

Carlos Fiolhais @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, educação escolar, educação para a cidadania, escola
Com este título, a 16 de Outubro de 1904, o lente da Universidade de Coimbra Bernardno Machado (Rio de Janeiro 1851- Porto 1944), proferia na Sala dos Capelos a oração de sapiência na inauguração do ano lectivo de 1904. Vale a pena ler o início, encontrando-se todo o texto no livro "Orações de Sapiência. Século XX", Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, 1997. Actualizei  a ortografia embora seja muito fácil ler na ortografia original. Lembro que Bernardino Machado foi Presidente da República eleito e destituído por duas vezes (1915-1917 e 1925-1926). Será menos conhecido que ele foi exonerado do corpo docente da Universidade de Coimbra em 1907 e reintegrado como professor da Faculdade de Ciências só em 1919."A tristeza que sinto, quando penso no nosso ensino! Professor, ambicionei consagrar-me sobretudo à causa da educação nacional. E foi, cheio de esperanças, que fiz por ela as minhas primeiras armas, crendo assegurados os seus triunfos pelo ardor com que os mais extremos caudilhos de todos os partidos acudiam, à porfia, a sustentá-la nos seus escudos. Lutava-se então, mas de esforços para bem a servir. Dentro em pouco, porém, o cenário da nosa vida pública mudou. A governos liberais, ...

Humboldt e a educação para a cidadania

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Ciência Geral, História, Sistema educativo, educação para a cidadania
Os dois irmãos Humboldt, Alexander e Wilhelm, foram figuras que marcaram indelevelmente a história do que hoje é a Alemanha. Testemunhas do colapso das monarquias absolutas na sequência da Revolução Francesa, ambos ajudaram à construção de uma nova Europa, Alexander destacando-se pelo seu trabalho nas ciências naturais e o seu irmão nas ciências sociais e na educação.Aristocratas educados no espírito de Rousseau e da escola filantrópica, integraram o circulo de Weimar na companhia de figuras como Schiller ou Goethe. Schiller, o grande poeta da liberdade, teve um impacto profundo em Wilhem, que passou pelo menos dois anos em contacto estreito com o poeta. Em meados de 1794, Wilhem von Humboldt mudou-se coma família para Jena para ficar perto de Schiller que detinha uma cátedra de história na universidade local.Outro pensador que teve uma influência indelével em Wilhem foi Gottfried Wilhelm Leibniz. A visão do mundo e a ética de Leibniz permearam o pensamento e a acção de Humboldt, nomeadamente o conceito de que a procura da verdade é o verdadeiro sentido da vida e de que a perfeição individual o nosso objectivo de vida. Este seria o seu fio condutor ...

Capacidades precoces

Paulo Gama Mota @ De Rerum Natura Categorias: Biologia, Ciência Geral, Ensino, educação para a cidadania, razão
Quando aprendemos a distinguir o certo do errado? Qual o papel da formação e educação na nossa estruturação de valores? Sendo seres profundamente sociais, os membros da nossa espécie necessitam de aprender rapidamente o que fazer ou não e com quem estabelecer cooperação. Será possível que já nasçamos dotados de um conjunto de regras simplificadas que serão posteriormente modeladas e ajustadas? Ou tudo resulta de um longo processo de aprendizagem social? Uma investigação recente com bebés de 6 e 10 meses, publicada na Nature em Novembro último, revela que algumas capacidades de avaliação social estão instaladas tão precocemente como os seis meses de vida. Tudo indica, pois, que já nascemos dotados de algumas capacidades de avaliação social. Os investigadores apresentaram aos bebés uns filmes simples em que se observa uma figura geométrica com olhos (círculo vermelho), simbolizando uma pessoa, a tentar subir um monte e a escorregar, numa tentativa sisifiana de chegar ao cimo. Seguidamente, outro interveniente – outra figura geométrica com olhos, um triângulo, por exemplo – coloca-se por trás da primeira e ajuda-a a subir até ...

The meaning of life - II

Palmira F. da Silva @ De Rerum Natura Categorias: Medicina, Religião, educação para a cidadania, ética
No post anterior, abordei uma das questões que me suscitou a leitura da recente alocução de Bento XVI em que este disserta sobre ética/moral, nomeadamente sobre medicamentos que constituem uma «opção claramente imoral», o que devem ser as «normas éticas fundamentais» e sobre o dever dos farmacêuticos católicos de advertirem outrem sobre as «implicações éticas» de opções consideradas imorais pelo Vaticano.Pessoalmente, considero que a ética deve ser exclusivamente filosófica, puramente racional e cientificamente informada. Uma ética que não se consiga separar da religião - ou da ideologia política - não será mais do que um conjunto de costumes, dogmas, crenças religiosas e/ou atitudes populares convertido em prescrições autoritárias que, se formalizada no direito como muitos reinvidicam, corresponde a uma perversão grave dos princípios que supostamente regem a nossa sociedade.Em relação a opções «claramente imorais», o problema é que muitas opções assim consideradas por Bento XVI - usar preservativo como forma de prevenção da SIDA, por exemplo -, não o são para mim e para a esmagadora maioria das pessoas, que, tal como eu, consideram imoral e anti-ética a postura do Vaticano em ...

Bons manuais de Educação para a Cidadania

Categorias: educação para a cidadania, manuais escolares
Não se deduza do meu texto O quotidiano e a vivência dos alunos, aqui publicado há dois dias, que defendo o afastamento dos planos de estudo da Formação Cívica, Educação para a Cidadania, Formação Pessoal e Social, Educação para os Valores, ou como se queira designar essa vertente curricular destinada a preparar cidadãos na tarefa de participar, com liberdade e responsabilidade, na vida pública. Na verdade, de modo mais ou menos explícito, tal vertente tem constituído uma preocupação da escola ocidental e, em particular, do modelo de escola que emergiu com o Iluminismo, do qual, felizmente, somos herdeiros. A esta ideia dedicarei, a seu tempo, algumas linhas mais. Também não se deduza que, para orientar tal vertente, rejeito os manuais, ou que considero que estes têm todos a mesma qualidade. Efectivamente, na recolha que fiz dos que se encontram disponíveis no mercado, um deles surpreendeu-me pela positiva.Trata-se do livro Educação para a Cidadania de Mendo Henriques, Arlindo Rodrigues, Filipa Cunha e João Reis, cuja primeira edição é de 1999. Com ligações académicas à Universidade Católica Portuguesa, os quatro autores colaboram no Grupo de Reflexão sobre ...
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